sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Frente de Esquerda na França e o resgate da militancia anti-capitalista


"Tomar o poder", com esse slogan, Melenchon mobiliza os franceses indignados com o sistema







A militancia espontânea que faz a política da convicção


A Frente de Esquerda na França resgata a militancia anti-capitalista
Por P. Marques

Neste final de semana a França realizará eleições presidenciais. O atual presidente,o direitista Nikola Sarkozi,encerra seu mandato de 7 anos sem deixar saudades para o povo francês. Conforme as pesquisas de opinião, há uma forte probabilidade de derrota de Sarkozi no segundo turno e retorno do PS( social democratas) ao poder com Holande, atual secretário Geral do partido. O último mandato do PS a frente do governo foi na década de 90 com Lionel Jospin. A grande novidade deste processo, no entanto, não está na possibilidade de retorno dos sociais democratas ao governo, mas sim na candidatura da Front Gauche(Frente de Esquerda) formada por um conjunto de pequenas orgaqnizações de esquerda e o Partido Comunista que apresentaram Jean Luc Melénchon, ex membro da esquerda do PS, como candidato. Melénchon vêm realizando algo que a muito não se via na França ou em qualquer país da Europa que é a mobilização de militantes de esquerda para uma uma campanha eleitoral. A crise profunda da democracia representativa e por conseguinte dos partidos políticos é uma realidade na Europa hoje. A palavra de ordem dos "indignados" de "Não nos representam" é direcionada para os partidos tradicionais e significa a negação da política como ela é, ou seja, um jogo com regras imutáveis onde o vencedor é sempre o capital. O fracasso da Social democracia assim como a fragilidade dos partidos de esquerda radical, pelo seu sectárismo, não apresentam alternativas no campo da política institucional em diversos países da Europa. Esse quadro parece que se diferencia na França onde a Frente de Esquerda soube muito bem expressar a indignação com a política tradicional e com a grave crise do sistema capitalista, identificando claramente quem é o inimigo de classe dos trabalhadores.

O candidato Jean Luc Melénchon tornou-se a expressão do anticapitalismo nesta eleição.. Já reuniu milhares de pessoas em seus comícios como em 18 de março, em uma histórica mobilização na praça da Bastilha reunindo 200 mil pessoas identificadas com a proposta de refundar a república. Com propostas nitidamente de esquerda que apontam para o enfrentamento ao capital como a taxação em até 100% de rendas superiores 360 mil euros, criação de um salário máximo, aumento do salário mínimo, permissão da requisição de fábricas por conselhos operários, Melénchon resgata assim as bandeiras históricas da esquerda.

A candidatura de Melénchon representa a esquerda que não tem medo de dizer que é esquerda. É, portanto, possível dizer que a Frente de Esquerda resgatou para o seu campo os militantes anti-capitalistas dispersos até então, possibilitando a construção de uma alternativa realmente de esquerda, que mesmo sem conquistar a presidencia( o que é pouco provável dado a força da social democracia) construiu uma importante força política nova, com grande poder de mobilização social e capacidade de conquistar novas vitórias no futuro.

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