sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Patrice Lumumba: Ha 50 anos era assassinado um dos grandes revolucionários da África



Ha 50 anos o líder da independencia congolesa e primeiro ministro do Congo Livre foi assassinado pelo imperialismo americano e os títeres africanos

Para que a luta dos revolucionários africanos não seja esquecida, postamos abaixo artigo de José Steinsleger, publicado no La Jornada do México, sobre o covarde assassinato de Lumuba acontecido ha 50 anos.

O assassinato de Lumumba
José Steinsleger *

Tradução Português: Paulo Marques

Na manhã de 30 de junho de 1960, Leopoldville( hoje Kinshasa), o rei Balduino I da Bélgica pensou após declarar em pessoa a independencia da República Democrática do Congo, que o povo e colonos ficariam eternamente agradecidos à metropole colonial. Mas algo saiu mal.

Patrice Lumumba, jovem primeiro ministro do governo presidido por Joseph Kasavubu, tomou o microfone e os encarregados do protocolo ficaram tensos: “Nunca mais seremos vossos macacos”, disse Lumumba no nariz do rei. O monarca da casa real de Sajona-Cobenza-Gotha empalideceu, e teve que ouvir as destruidoras palavras do líder nacionalista:

“Durante os 80 anos de governo colonial, sofremos tanto que não podemos afastar as feridas da memória. Nos obrigaram a trabalhar como escravos por salários que nem sequer nos permitem comer o suficiente para afugentar a fome, ou encontrar moradia, ou criar nossos filhos como seres queridos que são...”

Temos sofrido ironias, insultos e golpes nada mais porque somos negros... Quem poderá esquecer os massacres de tantos de nossos irmãos, ou as celas em que meteram aos que não se submeteram a opressão e a exploração? Irmãos, assim tem sido nossa vida

Totalmente inesperado na agenda(uma cerimonia ordenada e agradecida com o amo branco), o discurso estremeceu os povos da África negra e o mundo colonial. Na Bélgica, a imprensa conservadora atacou Lumumba, manifestou que sua morte seria “... uma benção para o Congo”.

O diário católico La Libre Belgique estimou que alguns ministros lumumbistas “... Se converteram em primitivos e imbecis, ou como criaturas comunistas” ( 12/07/1960).

Marcel de Corte, professor de moral e filosofia da Universidade de Lieja, declarou sobre Lumumba: “É um bárbaro que faz chorar de raiva os oficiais, quando bastaria um gesto viril de um destes para livrar o planeta de seu sangrento despojo ( idem, 27/07/1960)

No livro “Os últimos 50 dias de Patrice Lumumba” (pesquisa de G.Heinz y H. Donnay) demonstra-se que desde antes do histórico discurso, Lumumba era considerado no meios de comunicação europeus como o político congolês a quem devia-se retirar a todo custo do poder.

O jornalista P. de. Vos, dirigente de importantes sociedades, escreveu que desejava ver o líder nacionalista “ ...morto com uma bala no seu peito...Sei que haverá em um dos asilos de Kasai, um louco que encarregará deste trabalho” ( Ibérico Europea de Ediciones, Madrid, 1979, p.31)

Em setembro de 1960, o coronel Joseph Mobutu(quem de 1965 a 1997 governou despoticamente o país que rebatizou com o nome de Zaire), deu um golpe de Estado, e Lumumba foi detido nos arredores de Kinshasa. Libertado por sua escolta e por militantes do Movimento Nacional Congolês(MNC), o líder retornou a cidade, onde rencontro a multidão.

Simultaneamente, as potencias imperialistas entravam em ação. A um mês de tomar posse do governo, com o respaldo de Washington, Paris e Bruxelas, o títere Moisé Tshombé, declarava a secessão de Katanga, província mineira que durante a Segunda Guerra Mundial foi a principal fonte de borracha, e minerais como o titânio e o cobalto. O urânio usado para as bombas atômicas que os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima e Nagasaki vieram da mina Shinkolobwe, uma das tantas administradas pelo Congo Belga.

Lumumba pediu ajuda a Moscou, e Allen Dulles, chefe da CIA, sugeriu “retirá-lo... antes que possível”. O presidente Dewight Eisenhower autorizou a ação. O Exército e os capacetes azuis da ONU prenderam Lumumba em 10 de outubro. Ele consegue escapar novamente e chega a Stanleyville( hoje Kisangani), sua principal base de apoio. Finalmente foi detido pelos homens de Mobutu.

Em 10 de janeiro Lumumba foi embarcado em um avião civil belga pilotado por um belga, que o transportou para Elizabethville(hoje Lubumbashi), capital da província de Katanga. Durante as seis horas de viagem, mercenários belgas e soldados congoleses o torturaram sem piedade.

Ludo de Witte, sociólogo flamenco, quem em 2000 publicou uma rigorosa pesquisa com base em arquivos oficiais belgas e documentos das Nações Unidas, desmascarou a versão oficial de Bruxelas, que durante 30 anos atribuiu o crime a “ajustes de contas entres as distintas facções congolesas”.

Na tarde de 17 de janeiro, Lumumba e seus colaboradores Maurício Mpolo e José Okito, foram amarrados em uma árvore e assassinados um após o outro por militares belgas em uma execução supervisionada a curta distancia por Tshombé. De Witte provou que a operação chamada “ Barracuda” foi dirigida pelo capitão Julian Gat.

Outro belga, o comissário Gerar Soete, chefe de polícia de Tshombé, confessou na televisão de Bruxelas, VRT ( e também a De Witte) que se ordenou que desaparecessem com as vitimas usando ácido sulfúrico. De acordo, Soete ficou com os dentes de Lumumba, e uma bala que estava encrustrada em seu crânio.

*Fonte: http://www.jornada.unam.mx/2011/01/19/index.php?section=opinion&article=023a1pol

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Som@s tod@s APORTU.org





De nuevo una razzia ha asolado las tierras vascas y se ha llevado a muchos ciudadan@s, que tan solo ejercían el derecho a actuar políticamente.

En esta ocasión, también se han llevado esposados y detenidos a personas, que al igual que los que firmamos este escrito se limitaban a ejercer el derecho de informar desde unos parámetros diferentes a los que dicta el gran capital y el españolismo.

Una vez más, ha quedado claro, que hoy día, la única violencia que se ejerce en Euskal Herria es la que protagonizan los estados francés y español. Este ataque ha sido un ataque doble, por una parte tratando de condicionar a la izquierda abertzale en su apuesta por la paz y por una salida al conflicto en claves democráticas, pero también es un ataque a la libertad de información y de opinión. Un ataque a la libertad de expresión, digna de cualquier estado, que no acepta otra cosa que no sea sus imposiciones y que no quiere oír la voz de los pueblos…en definitiva de los estados totalitarios.

Las personas que trabajan e informan desde Apurtu, no son “peligrosos terroristas”, ni colaboradores de nada, son lisa y llanamente, personas que hacen un trabajo denodado y grandioso, para que el pueblo pueda escuchar otras realidades, que no sean las que nos trasmiten los medios de comunicación del sistema.

Por eso, exigimos que sean puestos en libertad ya. Los queremos delante del ordenador, o tras la cámara, logrando informaciones y opiniones que trasmitirnos, porque nos interesa saber que dice todo el mundo, sobre todo, los oprimidos y los que jamás tiene voz en los medios convencionales.

Exigimos, que l@s detenidos sean puestos en libertad, que en esta tierra se pueda hacer política o hacer información en libertad. Todos los medios de contra información, abajo firmantes hoy somos Apurtu y pedimos al estado que cese en sus ataques a la libertad de expresión, política e individual.

Cualquier medio de contra información que se quiera adherir a este comunicado, hágalo saber en el correo electrónico de Boltxe, para agregarlo. boltxekolektiboa@gmail.com

En Euskal Herria, enero de 2011

Boltxe Kolektiboa

Uma homenagem a Manuel " Tirofijo"

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Comandante Chávez homenagea Lula e Dilma em mensagem de ano novo




O presidente venezuelano Hugo Chávez em sua mensagem de saudação ao novo ano faz uma homenagem a Lula e a presidenta Dilma. O artigo foi publicado em sua página " Las líneas de Chávez" que publicamos na íntegra:

1 de enero de 2011

Las Líneas de Chávez

¡Feliz Año 2011!

I
Cada año viene signado con sus particularidades: el 2010 nos trajo sus retos y sus dificultades. Basta con recordar que hemos tenido que lidiar con una prolongada sequía que generó una severa crisis eléctrica y, por si fuera poco, con las desastrosas consecuencias materiales y humanas a consecuencia de las intensas lluvias de fin de año.

Hay que decirlo: asumimos los retos y las dificultades, como diría Gramsci, con el optimismo de la voluntad; con la firme y decidida determinación que ameritaban; con el convencimiento, además, de saber que junto a las instituciones del Estado y al Gobierno como un todo, contábamos con la firme voluntad popular, tal y como ha venido demostrándose.

Ante la disposición y el compromiso del pueblo venezolano, ahora y siempre, uno no puede sino sentirse orgulloso. Estas adversidades nos han venido a advertir que una Revolución sólo logra instaurarse como satisfacción de una necesidad histórica, si un pueblo la hace y la siente suya.

No me canso ni me cansaré de repetirlo: somos hijos e hijas de Bolívar y, por tanto, somos el pueblo de las dificultades. Vengan a nosotros todas las dificultades: sabremos vencerlas.

Cuán luminoso es el ejemplo que Venezuela está dando en materia de participación y protagonismo popular. A partir de este ejemplo, pensamos que la Revolución cuando se asume como voluntad transformadora y como proceso que desea inscribirse en su tiempo, se convierte en un ejercicio de interpelación cotidiana: cada día se vuelve un eterno presente, una apuesta animada por un proyecto que se hace porvenir, una elaboración perpetua de todo un pueblo.

Mientras escribo estas líneas, miro el tiempo recorrido y contemplo cuánto hemos realizado, pero sobre todo, pienso en cuanto aún nos resta por concluir. Cabalgando al tiempo y apurándolo en lo posible, no nos daremos descanso hasta ver cumplido lo que hemos fraguado en los sueños colectivos. Lo vital es que la medida y el horizonte de nuestro proceso está claro: encarnarnos en la esperanza del pueblo y hacerla plena realidad.

Lo decimos con modestia y conscientes de la responsabilidad: no hay otro camino que aquel que nos conduce a la conquista definitiva de, para decirlo con Bolívar, la suprema felicidad social.

Nosotros, en las actuales circunstancias del país, hemos asumido ser los herederos y continuadores de la prolongada lucha de los siglos y en consecuencia para nosotros el tiempo histórico se nos presenta cada vez más como un desafío, pero un desafío orientado por la esperanza irreductible y libertaria.

II
En el 2010 se inició la conmemoración, en palabras de Augusto Mijares, de nuestro primer ciclo de liberación republicana. Es el torrente histórico del que somos herederos y que nos une entrañablemente a Nuestra América, y que es luz y fuerza en nuestra memoria como pueblo: nuestra herencia bolivariana.

Y en el 2011 estaremos conmemorando, por todo lo alto, los 200 años de la Firma del Acta de Independencia: 200 años del nacimiento de nuestra Venezuela como República libre, soberana e independiente, como camino propio y como sueño colectivo, aquel luminoso 5 de julio de 1811. No es poca cosa, entonces, lo que vamos a conmemorar y celebrar colectivamente.

Para nosotros, 1811 encarna una memoria histórica activa y animada por su veracidad inmediata, esto es, por su capacidad para comprometernos. Es por eso que a la tesis reaccionaria de la Independencia como frustración y fracaso, nosotros le oponemos la tesis combativa, creativa y liberadora de la Independencia como promesa y proyecto abierto e inconcluso: la Independencia no ha terminado y es historia por hacerse y que ya estamos haciendo.

III
En los últimos días de diciembre, las cloacas mediáticas han puesto a rodar una versión catastrofista del año 2011. Véase, por ejemplo, cómo se han afincado contra la unificación de las tasas de cambio en 4,30 BsF por dólar, a partir del 1 de enero, anunciada el jueves 30 de diciembre por el Ministro Jorge Giordani: una medida que obedece a una simplificación del control cambiario. Y, ¿qué es lo que dicen los apátridas?: que estamos generando las condiciones para implementar un paquetazo neoliberal. Se trata, por supuesto, de la estrategia de mentir descaradamente para generar confusión.

Hablan y hablan de inflación –que, por cierto, cerró el 2010 en 26,9%: muy pero muy por debajo de lo que estimaban los apátridas- pero eluden referirse a la especulación de la cual son responsables: a la forma en que el capital monopólico, con Fedecámaras a la cabeza, infla desmesuradamente los precios, despreciando la racionalidad económica y burlándose del pueblo. Quiero advertírselos desde ya: vamos a meter en cintura a los especuladores y no vamos a tener ninguna clase de contemplaciones con ellos.

Igualmente, y obedeciendo a la misma lógica, minimizan que el desempleo cerró en menos de 7% al concluir 2010. Y que la pobreza sigue disminuyendo ostensiblemente: la pobreza extrema bajó de 7,3% a 7,1%. Son datos que hablan, por sí mismos, de una nueva realidad nacional.

Y con la Ley Habilitante se abre un camino cierto hacia el buen vivir, hacia la vida buena que todas y todos nos merecemos: vamos a fortalecer y profundizar la legalidad revolucionaria para revertir definitivamente las asimetrías estructurales y los desequilibrios macrosociales que son propios del modelo capitalista.

Por cierto, el domingo pasado –y teniendo como marco la solidaria y fraterna visita del compañero Evo Morales a La Guajira, estado Zulia- firmamos en Fuerte Mara la primera Ley Habilitante: este primer decreto ley establece la creación del Fondo Simón Bolívar para la reconstrucción de las zonas devastadas por la lluvia y cuenta con 10 mil millones de bolívares en su punto de arranque.

IV
Vamos a comenzar el año 2011 al galope, a toda mecha. El 2011 Bicentenario será año de batalla y de victoria popular. Son inicuas las pretensiones de las fuerzas contrarrevolucionarias: no van a impedir la marcha de nuestro pueblo hacia el socialismo. No les vamos a permitir que conviertan al país en un caos: pido a Dios que ningún compatriota se deje llevar por los tambores de la guerra de la extrema derecha.

El 2011 será el año de la conformación del gran Polo Patriótico: necesitamos un gran centro de luces y de acción capaz de reunir a todas las fuerzas populares, más allá del PSUV.

Ciertamente, uno de los grandes escenarios de la batalla de 2011 será la Asamblea Nacional. La responsabilidad histórica de cada uno de nuestros legisladores y legisladoras es grande: hay que derrotar a los politiqueros pitiyanquis en el terreno de las ideas y, al mismo tiempo, hay que despejar todos los obstáculos para el pleno ejercicio del pueblo legislador.

V
Este 1 de enero hemos estado en la toma de posesión de la compañera Dilma Rousseff, esa infinita luchadora, como Presidenta de la República Federativa del Brasil. Dilma encarna la continuidad del camino que abriera ese gran coloso suramericano llamado Luiz Inácio Lula da Silva: a Lula toda nuestra admiración y toda nuestra gratitud por su solidaridad y su firmeza; por su condición de verdadero amigo de Venezuela y de la Revolución Bolivariana.

Compatriota que me lees: recibe un fuerte abrazo junto con mi deseo de un feliz año para ti y para tus seres queridos.

¡Bienvenido y bueno seas, nuevo año 2011 Bicentenario!


¡Venceremos!

Hugo Chávez Frías

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Entrevista Exclusiva de Arnaldo Otegi para Diário GARA





"O Estado deverá assumir uma gestão política para construir um cenário de soluções definitivas".

Arnaldo Otegi

Continua preso no cárcere de Logronho, mas segue sendo o maior referente da esquerda abertzale e não perde nenhum detalhe da evolução dos acontecimentos que ele e outros companheiros encarcerados começaram a desencadear com sua iniciativa política. A entrevista foi realizada por GARA uns dias antes da declaração da ETA, mas mantém intacto seu valor, já que Arnaldo Otegi dava por certo nela que a organização armada se comprometeria com a Declaração de Bruxelas.

Arnaldo Otegi é o interlocutor principal da esquerda abertzale e o seu maior referente, ainda que continue preso. O político de Elgoibar fala para GARA depois de ter sido entrevistado no El País e no The Wall Street Journal. A entrevista produziu-se logicamente antes da mensagem da ETA de segunda-feira, mas todas as perguntas e todas as respostas estão aqui. Ainda que Otegi se encontre fechado sob sete chaves e tencionem atirá-las ao fundo do mar, esta é voz dele.

Num mundo ideal, um jornalista e um fotógrafo compartilham espaço e tempo com a pessoa que desejam entrevistar; recolhem os seus gestos e gravam as nuances, escutam as suas palavras e desenvolvem um diálogo verbal e gráfico. Aqui e agora, neste mundo para Arnaldo Otegi é preciso fazer-lhe chegar um questionário e procurar fotos de arquivo que ilustrem a entrevista. Este, é preciso dizê-lo, não é um mundo ideal.

A entrevista foi realizada poucos dias antes da declaração da ETA, que adiantava a edição digital de GARA na segunda-feira ao meio-dia e sobre a qual informávamos ontem em profundidade em nosso jornal. Nas seguintes páginas, Otegi antecipa acontecimentos, seqüências de fatos e situações , algumas positivas, outras não, e reflete e responde em profundidade sobre todas elas. Essa capacidade converte uma série de perguntas enviadas a uma prisão num diálogo direto com a sociedade basca. Este é o resultado.

Diário Gara - Na entrevista que você nos concedeu há dois anos, já propunha como necessária uma readequação da estratégia política da esquerda abertzale.

Arnaldo Otegi - Efetivamente, essa necessidade respondia à urgência de despejar uma equação estrutural para o nosso processo de libertação, que de maneira muito resumida poderíamos formular assim: se levamos mais de uma década considerando que existem condições objetivas para a mudança política em Euskal Herria e no entanto dita mudança não se produz, qual era a razão (ou as razões)?
As respostas possíveis podiam ser fundamentalmente duas: ou bem nos equivocávamos com respeito à existência dessas condições, ou então a esquerda abertzale como motor principal da mudança mantinha uma estratégia inadequada para que este se materializasse. Procurar a resposta adequada a essa interrogante é o alicerce sobre o que construímos, desenvolvido e definido nosso debate e aposta política.

Nesse esforço de readequação também referia como necessário levar em conta alguns factores que você definia como inovadores no ambito internacional.


Apontava fundamentalmente para dois: por um lado, a constatação inclusive no próprio espaço europeu da absoluta viabilidade do projeto independentista se se atingiam maiorias populares mediante estratégias pacíficas e democráticas; e, por outro, num ámbito social apontava para a existência de novas experiências transformadoras construídas a partir de estratégias de acumulação, fundamentalmente na América Latina, o que comummente se conhece como "o socialismo do século XXI". Além destes fatores, hoje incluiria a feroz ofensiva do capital contra o Estado do Bem-estar como elemento de análise central e que deve ocupar um espaço também na readequação da nossa estratégia.

Dois anos após aquela entrevista, leva, de novo, mais de um ano em prisão. Porque acha que foram detidos em outubro de 2009 quando parece evidente que o Governo espanhol conhecia o trabalho que estavam a fazer?

Fabricaram uma acusação falsa e nos encarceraram precisamente porque sabiam exatamente o que tencionávamos fazer e queriam impedir isso... mas chegaram tarde. Há um dado que temos que ter claro: aos fatores que assinalo na resposta anterior há que acrescentar no caso do Estado espanhol a profunda crise do que eles chamam "o modelo territorial". Essa crise de esgotamento do modelo autonómico já não afeta só Euskal Herria, transladou-se também para a Catalunha depois da sentença do Constitucional. E daí, com a soma dos efeitos da crise económica quanto à solvência das administrações públicas, ao próprio modelo constitucional. Hoje o Estado sabe que uma segunda transição é já inevitável. É aí (na preparação do terreno) onde devemos por exemplo localizar o documento patrocinado pela fundação Everis e elaborado por 100 agentes económicos do máximo nível, ou a inclusão -nem inocente nem casual- de uma pergunta relativa à necessidade de reforma da Constituição no último questionário do CIS. Além disso, é evidente que para encarar esse processo o Estado procura um cenário onde a esquerda abertzale esteja, se não aniquilada, sim ao menos neutralizada politicamente, fora das instituições. Esse é o objetivo da repressão. Por isso a nossa evolução os apanhou com o passo trocado por completo.

Arnaldo Otegi é uma referência política, interlocutor principal, líder, símbolo, inclusive um número (utilizado na campanha que reclama a sua libertação). Talvez por isso essa obsessão com a sua pessoa que parecia refletir-se, por exemplo, no último julgamento [ato de Anoeta]?

Sobre a obsessão «pessoal» contra mim como interlocutor principal ou referente da esquerda abertzale, entendo que tem o objetivo complementar de mostrar e transmitir à sociedade basca uma espécie de efeito exemplarizante. Em qualquer caso, não gosto de falar em termos pessoais. Por isso, agora que se me atribui a mim grande parte do mérito na evolução da estratégia da esquerda abertzale, quero manifestar que esta só foi possível pelo compromisso e contribuição de uma geração substancialmente mais jovem que a minha, que demonstrou uma grande maturidade e responsabilidade. Por isso rendo homenagem pública a todos e todas, especialmente a Sonia Jacinto, Arkaitz Rodríguez, Ollem Zabaleta... Eles tem muito maior mérito na mudança operada na esquerda abertzale.

A que se refere quando fala da inevitabilidade de uma segunda transição?
Consta-me que em núcleos políticos, económicos, mediáticos... do Estado tem-se hoje perfeita consciência da necessidade de revisão do modelo derivado da Constituição de 78.

Essa revisão e o debate sobre os conteúdos da mesma vai produzir-se, porque o modelo atual está fazendo água por todos os lados. Mediante essa revisão vão querer-se atingir principalmente dois objetivos: neutralizar de forma definitiva os problemas "nacionais" no modelo "territorial" e aproveitar a crise para desmantelar o já de por si raquítico Estado do Bem-estar. Este é, nem mais nem menos, o desafio que enfrentamos.

No contexto deste debate pendente e inevitável, atrevo-me a aventurar quais serão as três grandes linhas de proposta que estarão sobre a mesa: terá uma posição que tratará de impedir o próprio debate porque entenderá que sua só abertura conduziria inexoravelmente à quebra de "Espanha" como projeto viável; é o pensamento de Ortega e Gasset actualizado. Os defensores de tal posição estarão dispostos só ao debate parcial sobre temas que não consideram estruturais (maquilhagem, em definitivo).

A segunda posição proporá com absoluta clareza que a reforma deve de ter uma natureza claramente regressiva e reacionária, na qual proporão como objetivo, por exemplo, a recuperação por parte do Estado de competências cedidas às diferentes autonomias (educação...), além de uma modificação da lei eleitoral que garanta que os chamados "nacionalistas" não se convertam afinal nos árbitros da gobernabilidade do Estado. O mecanismo para levar avante este tipo de reforma seria através de um grande Pacto de Estado entre o PP e o PSOE.
E em terceiro lugar vamos situar-nos os que propomos que a segunda transição deve dar passagem a um palco que aceite a plurinacionalidade do Estado e o direito a decidir livremente seu futuro de povos como o basco, catalão, galego... Este é o contexto para o que nos preparamos mediante a readequação da nossa estratégia.

Vai a esquerda abertzale pelo caminho que você esperava?

Sem dúvida vejo situada a esquerda abertzale onde esperava. Sinto-me muito orgulhoso do exercício de autocrítica tão honesto que realizamos. Acho que uma das chaves para incidirmos nos conteúdos dessa segunda transição pendente é a nova aposta estratégica realizada pela esquerda abertzale.

Qual é a fortaleza deste processo?

A fortaleza do processo (sabendo que teremos que superar umha feroz oposiçom ao mesmo) reside na nossa capacidade de antecipaçom política e na longa experiência de organizaçom e luita que demonstrou a nossa base militante.

E quais som as suas etapas? Que acontecimentos deveriam marcar seu imediato ou futuro desenvolvimento?

Entendo que o primeiro grande objetivo do processo em andamento (como está recolhido no Acordo de Gernika) é gerar as condiçons suficientes para que possa se desenvolver e atingir assim estádios de desenvolvimento superiores no futuro. Em qualquer caso, os acontecimentos que podem e deveriam se esperar, dito de forma resumida, deveriam ser: a assunçom por parte da ETA dos conteúdos da Declaraçom de Bruxelas e do Acordo de Gernika, a legalizaçom do projeto da esquerda abertzale e a desactivaçom das medidas de exceçom que se aplicam ao Coletivo de Presos e ao conjunto da esquerda abertzale. Isso sim, este palco de normalizaçom política deve ser impulsionado pela sociedade basca com a mobilizaçom e interpelaçom ao Governo por suas políticas atuais. Sem ativar a soma de forças, os compromissos e a luita democrática nom conseguiremos nosso objetivo de conquistarmos um novo cenário político.

Acha que tivo maiores ou menores dúvidas ou resistências internas que as previsíveis? E as externas, som também as previsíveis?

Quando decidimos abrir este processo de debate, em 2008, éramos muito conscientes de que na medida em que afetava questons essenciais da nossa estratégia necessariamente ia gerar resistências em algum setor da nossa ampla base social. O estranho (e preocupante) teria sido o contrário. Em qualquer caso, decidimos fazê-lo a nível nacional de Euskal Herria e sem dar margem algumha nem à ambiguidade nem muito menos à autocomplacência. E hoje a nossa base social está absolutamente coesa relativamente à nova estratégia. Isso é o importante.
Em definitivo, acho sinceramente que as resistências internas foram as que prevíamos ou inclusive me atreveria a dizer que menores.

Durante toda sua história, a esquerda abertzale tem tido uma visão muito concreta da luta armada. Mudou esta ou, como fixou a ETA na sua V Assembleia, "cada tempo exige formas organizativas e de luta específicas"?

O debate sobre objetivos e instrumentos de luta é um debate inerente a todas as organizações verdadeiramente revolucionárias. As organizações revolucionárias devem-se ao povo e estão a seu serviço. Essa declaraão da V Assembleia identifica-se plenamente com estas reflexões. Não conheci nunca militantes mais autocríticos ou críticos com a luta armada -por exemplo em termos de sua conveniência, de sua contribuição real para o processo e inclusive em termos éticos- que os próprios militantes da ETA. Pode acreditar: nunca! Portanto, voltamos a reiterá-lo: os reptos do processo de libertação nacional e social hoje exigem, como bem recolhe a conferência ''Zutik Euskal Herria'', novos instrumentos organizativos. Por dizê-lo claramente: os tempos atuais exigem a superação definitiva de um ciclo político-militar e sua substituição por uma estratégia de organização, acumulação e luta exclusivamente democrática. Como dizia o título do artigo de opinião que escrevemos no cárcere de Estremera os cinco detidos: nova fase, nova estratégia, novos instrumentos e mesmos objetivos. Essa é a aposta já em andamento.

Foi falta uma sigla legal? A que preço? Como avalia a última iniciativa neste sentido apresentada em Iruñea a 27 de novembro, com cerca de 300 significados militantes anunciando um documento de bases para a criação de um novo projeto político e organizativo?

O anúncio de que esse novo projeto político da esquerda abertzale cumprirá com a Lei de Partidos suscitou não poucas reações...
Apoio total e incondicionalmente a iniciativa adotada para a criação de uma nova formação política feita pública em Iruñea, e felicito publicamente seus promotores.
Sobre a necessidade de dispor ou não de uma sigla legal, eu formularia essa pergunta nestes termos: para fazer frente com eficácia aos desafios que referi, precisamos estar em igualdade de condições que o resto das formações políticas? Precisamos dotar-nos de instrumentos organizativos que nos permitam enquadrar os setores mais conscientizados e combativos do povo trabalhador? Precisamos estar presentes na luta institucional? E no desenvolvimento da luta de massas?... E a resposta é sim, sem dúvida.
Quanto ao preço, vou dizer-lhe duas coisas: o preço por exemplo de aceitar as condições da Lei de Partidos é insignificante se comparado com o preço que pagaria nosso povo se não estivermos nas melhores condições para avançar no processo de libertação nacional. E em segundo lugar, há um único preço que não pagaríamos nunca: renunciar à luta por conquistar uma Euskal Herria independente e socialista.

Percebe ansiedade pela próxima cita eleitoral? E, se a percebe, acha que essa ansiedade pode afetar a aposta -em longo prazo- da esquerda abertzale? Como se pode ou se deveria gerir essa ansiedade? Ou, dito de outro modo, que importância tem o tempo (tempo real, tempo político)?

Percebo em primeiro lugar uma crescente ansiedade nos setores unionistas porque sabem que com a nossa mera presença eleitoral toda a realidade virtual que trataram de construir em torno da "mudança" se derrubaria como um castelo de cartas. Além disso, nossa presença tanto nas municipais como nas forais deixaria em evidência a autêntica falsidade das soflamas em torno da nossa suposta debilidade ou inclusive de nossa derrota política. É triste dizê-lo, mas alguns situam a permanência da negação de direitos básicos em relação a seus cálculos eleitorais. A sociedade deve dar-se conta da falsidade e cinismo de muitos discursos, de muitos líderes políticos que exigem condenação à esquerda abertzale quando não foram ainda capazes de condenar o franquismo.
Dito isto, também percebo uma verdadeira ansiedade na nossa base social fruto de anos de restrições e limitações a nosso direito à participação eleitoral. Bem, o primeiro que quero transmitir é que é fundamental a nossa presença nas eleições de maio, não somente para superar uma realidade de segregação político-ideológica que manipula a vontade da sociedade basca e o seu quadro institucional, como fundamentalmente para abordar a irreversibilidade do processo democrático com o conjunto de agentes políticos e sociais.
E em segundo lugar, como já se transmitiu publicamente, a nossa aposta vai além destas eleições e tem uma componente estratégico.

Porque era necessário o acordo estratégico com EA?

Em primeiro lugar, deveríamos distinguir com clareza o nosso próprio projeto político por um lado e nossa política de alianças necessária para fazer avançar o processo. Se quisermos construir um Estado, não devemos perder a perspectiva que isso só será possível, em primeiro lugar, tendo claro que o motor ou a contradição principal que vertebra o processo de libertação é a que se dá entre Euskal Herria por um lado e os estados espanhol e francês por outro. E, em segundo lugar, que precisamos de nos afastar permanentemente dos interesses partidários, da politicagem, para desenvolver desde agora uma autêntica e genuína política de Estado. É no quadro destas considerações onde há que gerir as contradições que sem dúvida som inerentes a todo processo político. As contradições de caráter de classe, ou outras em nossa política de alianças, devem ser geridas e resolvidas com inteligência, sem que os ramos nos impeça em nenhum caso ver o bosque.

A atual situação de crise exigirá oferecer alternativas concretas, voces as tem?

O objetivo que persegue a atual ofensiva capitaneada pela oligarquía financeira é evidente: desmantelar o Estado do Bem-estar ou, dito de outra maneira, destruir todas e a cada uma das conquistas atingidas nas últimas décadas pelo movimento operário.
O cenário que nos propoẽ o capitalismo não oferece dúvidas: que as seguintes gerações vivam pior que as anteriores, com mais medo e com menos direitos. Essa é sua alternativa. Sendo isto assim e o unindo em parte com a pergunta anterior, proporia duas reflexões: defender hoje as conquistas operárias, populares, materializadas no que se tem vindo a chamar o Estado do Bem-estar é um objetivo revolucionário e antioligárquico. E dois: a defesa de tais conquistas precisa de propiciar uma aliança ampla de setores que vão desde o socialismo à social-democracia, atingindo comunistas, setores cristaos de base... Por conseguinte, também o bloco independentista deve ser o quadro para essa aliança.

No acordo recolhe-se também a relação preferente com a maioria sindical, vê a ELA disposta a se implicar no caminho para a independência?

Tanto ELA e LAB como o conjunto da maioria sindical devem fazer desde seu próprio ámbito uma contribuição ao fortalecimento de uma autêntica alternativa nacional e social.
Dito isto, observo com satisfação a presença do sindicato ELA em numerosas mobilizações, ainda que considere que a sua falta de adesão ao Acordo de Gernika não é coerente quando as condições de meio que sempre exigiu estão dadas. Em qualquer caso, estou convencido de que ELA também irá adotando progressivamente novos e decididos compromissos. Estou convencido disso.

Este PNV é parceiro de processo ou obstáculo?

O processo que pusemos em marcha deve servir também para uma definitiva clarificação estratégica em Euskal Herria. Os que aspiramos a criar um Estado fazemos uma aposta de soma. O senhor Urkullu mente quando diz que não foi convidado a conformar essa aliança, ou ao Acordo de Gernika: se o PNV não está é porque decidiu não estar. E decidiu isso porque acha que ainda tem margem suficiente para desenvolver uma política "soberanista de romagem" por um lado enquanto mantém uma férrea aliança com o PSOE (e se se desse o caso com o PP), se fazendo corresponsável da brutal política de cortes sociais do Governo espanhol ou vascongado, e atuando como se fosse um porta-voz do Ministério de Interior quanto às avaliações sobre as posições da esquerda abertzale. Hoje, o EBB decidiu voltar a procurar acordo, a colaboração com o Estado na confrontação democrática que se abriu em torno dos conteúdos da segunda transição.
Esse cenário é o atual, mas as posições não são imutáveis, a sua evolução vai depender da fortaleza dos independentistas. A partir daí o prognóstico é claro: manteremos espaços de colaboração às vezes e de confrontação outras. Por isso, a esquerda abertzale sempre estará disposto a espaços de colaborações e encontro para construir entre todos um palco de reconhecimento- alicerce nacional e respeito à vontade popular democrática.

Entre outras coisas, diz Zapatero que a evolução da esquerda abertzale é o fruto positivo da estratégia que o Governo espanhol levou no anterior processo. Que lhe responde?

Já expliquei onde devemos encontrar as razões para a mudança da nossa estratégia, portanto não compartilho essa afirmação salvo se a entendêssemos no sentido de que efetivamente façamos uma autêntica e profunda autocrítica em torno da posição que mantivemos no processo de diálogo anterior, onde cometemos gravíssimos erros, dos quais extraímos as pertinentes conseqüências e que não voltaremos a cometer nunca mais.

Que papel deveria ter o Governo espanhol no novo processo? Como pode conseguir a esquerda abertzale ou a sociedade basca que também o Estado espanhol mude de ciclo?

O Estado, tenhamo-lo claro, não tem nenhum interesse em mudar de ciclo porque entende que no atual ele ganha e os bascos perdemos. Quando mudará o Estado de ciclo? Quando através de nossa luta, acumulação de forças e através da confrontação democrática chegue à conclusão de que não o fazer lhe traz mais custos que benefícios.

Porque é importante o apoio exterior? Porque acha que os assinantes e impulsionadores da Declaração de Bruxelas estão sendo em verdadeiro modo desprezados tanto em Madrid como por alguns partidos em Euskal Herria?

A presença de observadores internacionais permite-nos transladar a confrontação de ideias e propostas a um cenário e a um espaço onde nossas posições são infinitamente mais poderosas do que as do Estado, simplesmente porque além de razoáveis som escrupulosamente democráticas. Portanto, o desprezo que manifestam alguns setores com respeito à sua presença é diretamente proporcional à sua debilidade política.

Como está sendo atualmente sua vida na prisão relativamente a outras etapas?

Fazendo uma soma dos meus anos na prisão acho que comecei já a consumir o nono, portanto desde Herrera da Mancha até aqui vivi praticamente todas as fases que viveu o Coletivo ao longo dos seus anos de existência. Agora, e no cárcere de Logronho, sou o único preso político que "vive" no seu módulo.
Em qualquer caso, além de muito esporte e muita leitura, trato sempre de seguir o conselho do líder sul-africano Nelson Mandela: continuar a formar-nos para quando recuperarmos a liberdade.

Qual acha que é o papel dos presos políticos neste processo democrático?

O Coletivo de Presos Políticos é um agente comprometido com o processo democrático. Os agentes políticos, sociais, sindicais deveriam abrir canais oficiais de comunicaçom com sua interlocuçom oficial. Isso permitiria, desde meu ponto de vista, atingir acordos que possibilitariam materializar nossos compromissos. É umha sugestom que lhes desejo transladar.

Como e quando se deveria abordar a questom dos presos no processo?

A liberdade do conjunto dos presos políticos deve ser abordada no início do processo de diálogo e negociação, como ámbito autônomo de negociação entre ETA e o Estado, sem esperar a acordos políticos de caráter resolutivo.

Que opina dos movimentos de presos que está a fazer o Ministério de Interior?

Todos os "movimentos" que o Ministério de Interior desenvolve através da aplicações do que se denomina como "política penitenciária" tiveram e têm um só objetivo: que a esquerda abertzale chegasse ou chegue a esta conjuntura histórica ou neutralizada, ou dividida, ou o mais debilitada possível, simplesmente porque entendiam que essa era a única garantia de que não podemos condicionar de maneira eficaz seu projeto de segunda transição.

Que se pode fazer realmente e de modo eficaz para frear a repressão, os macrojulgamentos...?
Repito uma resposta que já dei a uma pergunta anterior: o Estado deixará de aplicar nos seus atuais parámetros a repressão quando em termos políticos, sociais e internacionais entenda que lhe gerar mais custos que benefícios.

Que pensa a cada vez que à esquerda abertzale se lhe exige umha condenação da ETA -inclusive agora, em pleno cessamento de suas atividades armadas- e mesmo se lhe poẽ como exemplo líderes como Nelson Mandela ou Gerry Adams?

Penso que também a Mandela ou a Adams lhes exigiam parecidas condições nos seus respectivos processos.
Insisto, ao Estado, aos unionistas, aos que vivem do conflito (securocratas) não lhes interessa a mudança de ciclo que propusemos, singelamente porque são plenamente conscientes de que o mesmo trará como conseqüência a necessidade de que eles tenham que mudar o seu, e sabem que num ciclo de exclusiva confrontação democrática nós somos mais fortes que eles.

Em resumo, é você otimista sobre a capacidade da esquerda abertzale para provocar umha viragem definitiva do cenário?

Apesar do que já disse, eu me considero um otimista bem informado. Este otimismo não significa não ser consciente das enormes dificuldades e obstáculos que vamos ter que superar; por isso quero alertar os setores que com honestidade e boa vontade seguem achando que tal ou qual compromisso que adote a ETA (por exemplo com a Declaração de Bruxelas, coisa que não duvido vai acontecer) vai trazer automaticamente uma modificação substancial da estratégia do Estado, que tal equação não será linear. Ainda que seja evidente que o Estado terá que assumir uma gestão política para construir um cenário de soluções definitivas. O processo de soluções é um processo que deve ser propriedade de todos, e todos temos que coparticipar no mesmo. Isso sim, será a sociedade basca o único garante e protagonista real de poder levar o mesmo a bom termo.
Volto a repetir, sem organização, soma e luta de confrontação democrática não atingiremos nem o mais razoável de nossos objetivos.

Que mensagem quer transladar da sua cela da prisom de Logronho à sociedade?

Quero em primeiro lugar, e tendo em conta que nos encontramos em datas natalícias, mandar um forte abraço a todos os familiares de presos que voltaram a celebrar em ausência dos seus seres queridos, alguns viajando milhares de quilómetros. Que saibam que os nossos corações e anseios estão e viajam com eles.
Aos militantes da esquerda abertzale, aos familiares dos últimos detidos, aos nossos jovens, a desempregados e desempregadas, à família euskaldun que acaba de perder Xabier Lete, a todos umha mensagem que recolhi da campanha eleitoral dos colegas da FMLN de El Salvador: acima de todo «sorria, vamos lutar».

Irabaziko dugu!
Fonte: www.diarioliberdade.org

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Em pé

Um povo em busca de sua liberdade


Esta foto da gigantesca manifestação realizada em Bilbao neste mês é a demostração cabal da força da izquierda abertzale no pais basco. E esse é o motivo pelo qual o cessar fogo unilateral da ETA é uma péssima noticia para o governo Espanhol. A possibilidade de avançar para um processo democrático no qual o povo basco possa decidir seu futuro é a possibilidade concreta da independencia do país. Depois de 50 anos de luta armada, o desejo de independencia da maioria basca é ainda mais forte. Esse é o maior temor do Estado Espanhol.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ETA declara trégua geral


Em mais de 50 anos de luta, o grupo independentista basco ETA anuncia uma trégua geral, permanente e verificável conforme os princípios Mitchell de solução de conflitos armados. Mesmo assim o governo espanhol continua desconsiderando essa iniciativa política, pois aposta no conflito armado como forma de manter a opressão sobre o país basco.







Declaração da ETA

ETA, organização socialista revolucionária basca de libertação nacional deseja mediante esta Declaração dar a conhecer sua decisão:

Nos últimos meses, desde Bruxelas até Gernika, personalidades de grande relevância internacional e uma multidão de agentes políticos e sociais bascos salientaram a necessidade de dar uma solução justa e democrática ao secular conflito político.

A ETA concorda [com eles]. A solução chegará através de um processo democrático que tenha a vontade do Povo Basco como máxima referência e o diálogo e a negociação como instrumentos.

- O processo democrático deve superar todo tipo de negação e violação de direitos e deve resolver as chaves da territorialidade e o direito de autodeterminação, que são o núcleo do conflito político.

- Cabe aos agentes políticos e sociais bascos alcançar acordos para chegar a um consenso na formulação do reconhecimento de Euskal Herria [País Basco] e seu direito a decidir, assegurando a possibilidade de desenvolvimento de todos os projetos políticos, incluindo a independência.

- Como resultado do processo, a sociedade basca deve ter a palavra e a decisão sobre seu futuro, sem nenhum tipo de ingerência nem limitação.

- Todas as partes devem comprometer-se a respeitar os acordos alcançados e as decisões adotadas pela sociedade basca, estabelecendo as garantias e mecanismos necessários para sua implementação.

Por conseguinte:

ETA decidiu declarar um cessar-fogo permanente e de caráter geral, que pode ser verificado pela comunidade internacional. Este é o compromisso firme da ETA com um processo de solução definitivo e com o final da confrontação armada.

É tempo de atuar com responsabilidade histórica. A ETA faz um apelo às autoridades da Espanha e da França para que abandonem para sempre as medidas repressivas e a negação de Euskal Herria [País Basco].

A ETA não cederá em seu esforço para promover e realizar o processo democrático, até alcançar uma verdadeira situação democrática em Euskal Herria [País Basco].

GORA EUSKAL HERRIA ASKATUTA! GORA EUSKAL HERRIA SOZIALISTA!
[Viva o País Basco Livre! Viva o País Basco Socialista!]

JO TA KE INDEPENDENTZIA ETA SOZIALISMOA LORTU ARTE!
[Sem Parar, Até a Independência e o Socialismo!]

Em Euskal Herria, 8 de janeiro de 2011-01-10

Euskadi Ta Askatasuna [Pátria Basca e Liberdade]

E.T.A.

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Princípios Mitchell:

"Em consequência, recomendamos que as partes em tais negociações afirmem seu compromisso total e absoluto com:

* O uso de meios exclusivamente democráticos e pacíficos para resolver as questões políticas;

* O desarmamento total de todas as organizações paramilitares;

* Concordar que o desarmamento deve ser verificável por uma comissão independente;

* Renunciar para si, e se opor a qualquer tentativa de outros, a usar a força ou ameaçar utiliza-la para influir no curso e nos resultados alcançadas nas negociações multipartidárias;

* Comprometer-se a respeitar os termos de qualquer acordo alcançado nas negociações multipartidárias e a recorrer a métodos exclusivamente democráticos e pacíficos para modificar qualquer aspecto destes acordos com que se possa estar em desacordo, e;

* Instar que os "castigos" como assassinatos e espancamentos terminem e tomar medidas eficazes para prevenir tais ações."




Gerry Adams pide al Gobierno español que "aproveche la oportunidad"


El presidente del Sinn Féin, Gerry Adams, ha pedido al Gobierno español que aproveche "la oportunidad para una paz duradera".

10/01/2011 15:50:00- fonte : GARA

DUBLIN-. Gerry Adams ha valorado positivamente la decisión de ETA de decretar un alto el fuego permanente, general y verificable y ha subrayado que el Gobierno español debe "aprovechar la oportunidad para una paz duradera y para un nuevo comienzo en la relación entre el pueblo vasco y el Estado español".

"En setiembre del año pasado, ETA expresó su deseo de perseguir la independencia vasca a través de medios pacíficos y democráticos. Esta fue una declaración significativa y tenía el potencial de propiciar un final permanente al duradero conflicto en el País Vasco", ha afirmado el histórico dirigente del Sinn Féin en declaraciones en Dublin.




Amplio eco de la declaración en los medios internacionales


La declaración de ETA decretando un alto el fuego permanente, general y verificable ha sido recogida de forma inmediata por medios de comunicación internacionales.

10/01/2011 12:59:00

BILBO-. El comunicado en el que ETA decreta un alto el fuego permanente, general y verificable como "compromiso firme" con un proceso de solución definitivo y el final de la confrontación armada ha sido recogido de forma inmediata por las ediciones digitales de los principales medios de comunicación internacionales, además de los estatales.

La decisión de la organización armada es la apertura de las ediciones digitales de "BBC", así como "The Guardian", que incluye la declaración íntegra y el vídeo publicados por GARA.

Poco después de darse a conocer la decisión de ETA, "Le Monde" ha incluido una alerta con el anuncio y poco después ha abierto su edición digital.

La declaración ocupa también uno de los puestos destacados en la edición de "The Wall Street Journal", y es una de las primeras noticias de "Der Spiegel".

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

RETOS Y PERSPECTIVAS PARA LA REVOLUCIÓN BOLIVARIANA




VENEZUELA, RETOS Y PERSPECTIVAS PARA 2011


Por: Waldo Mendiluza*

Luego de un año de importantes pasos en la consolidación de su proyecto socialista, Venezuela entra en 2011 con nuevos retos y perspectivas.

Temas de política interior, sociales, económicos, energéticos y de relaciones internacionales representan desde ya un desafío para un país polarizado por dos visiones bien distanciadas.

De un lado, la construcción del socialismo promovida por sectores populares bajo el liderazgo de Hugo Chávez; y del otro, la defensa de intereses económicos vinculados al capital extranjero, que encarnan partidos tradicionales y grupos de poder.

Temprano escenario de esas contradicciones será la nueva Asamblea Nacional, la cual se instalará el 5 de enero.

Integrarán el Parlamento, 98 diputados de la alianza revolucionaria (97 socialistas y un comunista), 65 de la opositora Mesa de la Unidad y dos del Partido Patria para Todos, agrupación distanciada del Gobierno.

La citada composición permite augurar una lucha frontal en el Hemiciclo, como la presenciada a finales de 2010, durante la discusión de leyes encaminadas a fortalecer el proceso de cambios en marcha.

Por declaraciones de los propios legisladores electos el 26 de septiembre último, la Asamblea se convertirá en un espacio de batalla entre quienes impulsan el proyecto socialista y los que pretenden revertirlo a como dé lugar.

Ambos bloques tendrán en su agenda además preparar el camino de cara a la elecciones presidenciales de diciembre de 2012, comicios claves para el futuro de Venezuela.

Chávez, apoyado por amplios sectores populares, anunció ya su candidatura para la cita en las urnas, de la que también saldrán gobernadores y alcaldes.

El estadista convocó a la creación de un Polo Patriótico, que acogerá en su seno a todas las fuerzas revolucionarias.

Por su parte, la oposición tratará de encontrar un rival nacido del consenso, lo cual pudiera generar polémica y choques en sus filas.

La política interna estará además marcada por el llamado de Chávez a radicalizar la Revolución Bolivariana, ante la necesidad de superar errores y enfrentar la escalada en las agresiones contra el proceso.

En el ámbito social, los programas de salud, educación y alimentación continuarán priorizados, al contar con el respaldo de al menos el 45 por ciento del presupuesto aprobado para 2011.

Barrio Adentro (atención médica gratuita en sus diferentes niveles), Sucre (educación universitaria) y Mercal (acceso a alimentos a bajos precios), constituyen algunas de las misiones emblemáticas.

También recibirá un notable impulso el programa Canaima, consistente en dotar de computadoras portátiles a decenas de miles de niños de la enseñanza primaria.

Para el Gobierno, la economía representará en el año un particular reto, luego de los números negativos de 2009 y 2010.

El pronóstico es un crecimiento del Producto Interno Bruto de dos por ciento y una inflación inferior al 25 por ciento.

La producción petrolera, la reactivación de la industria básica, el perfeccionamiento de la recaudación fiscal y el combate a la especulación, serán elementos determinantes en la mejora.

Respecto al crudo, se prevé el bombeo de 3,1 millones de barriles diarios, de ellos 2,6 para la exportación.

De acuerdo con el ministro de Energía y Petróleo, Rafael Ramírez, pudiera esperarse producción temprana en áreas de la Faja del Orinoco, donde una veintena de empresas mixtas aportarán en los próximos años 80 mil millones de dólares.

Otra proyección es continuar la diversificación de los mercados, sin renunciar al principal destino del crudo venezolano, Estados Unidos.

Política exterior

Para Venezuela, 2011 traerá nuevos esfuerzos en la construcción del multilateralismo en las relaciones internacionales, como respuesta a las pretensiones de Estados Unidos de erigirse en gendarme mundial.

En el ámbito regional, destacará el impulso a la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA), bloque que comparte con Antigua y Barbuda, Bolivia, Cuba, Dominica, Ecuador, Nicaragua, y San Vicente y las Granadinas.

Sobresalen entre los proyectos integracionistas promovidos dentro del ALBA, la consolidación del Sucre (mecanismo financiero para el comercio solidario y la independencia del dólar) y de las grannacionales, empresas sustentadas en la complementación económica y la solución de problemas sociales.

También será prioridad el fortalecimiento de la Unión de Naciones Suramericanas y el ingreso al Mercado Común del Sur, para lo cual solo resta la aprobación de Paraguay, donde el dominio opositor en el Congreso ha impedido hasta ahora la incorporación plena.

Por su papel en la unidad regional, particular importancia tendrá la cumbre constitutiva de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños, prevista el 5 de julio en Caracas.

La entidad genuinamente latinoamericana y caribeña no contará con Estados Unidos y Canadá, según lo acordado en Cancún, México, durante una reunión en febrero del Grupo de Río.

Más allá del continente, ganarán terreno las alianzas estratégicas y los convenios binacionales con Belarús, China, Irán, Libia, Portugal, Rusia, Siria y Ucrania.

Con esas naciones, los vínculos crecerán en los sectores agrícola, comercial, energético, financiero y de transferencia de tecnología.

En el caso de Beijing y Moscú, además abarcarán el área militar, en aras de potenciar la capacidad defensiva y la protección de los recursos naturales.

Atención a problemas estructurales

A partir de situaciones estructurales evidenciadas en 2010, Venezuela buscará soluciones definitivas a problemas como la vivienda y la dependencia de fuentes hídricas en la generación eléctrica (más del 70 por ciento de la energía es producida por el embalse de Guri).

Las fuertes lluvias de noviembre y diciembre dejaron más de 100 mil damnificados, víctimas de la destrucción total o parcial de sus casas.

Meses antes, una intensa sequía había colocado al sistema eléctrico al borde del colapso, lo que obligó al Gobierno a decretar la emergencia y adoptar medidas excepcionales.

De acuerdo con Chávez, en 2011 la construcción de viviendas comenzará a dejar atrás un déficit estimado por algunas fuentes en alrededor de dos millones.

El soporte legal, la inyección de recursos y el apoyo foráneo conformarán la combinación diseñada para responder a los damnificados, los sectores populares y la clase media.

Respecto al tema electroenergético, continuarán los proyectos de instalación de capacidad termoeléctrica, iniciativa en la que también participan socios extranjeros.

A partir de la firma de un convenio con Rusia para el uso de la energía nuclear con fines pacíficos, 2011 pudiera representar los pasos iniciales del programa.

La complejidad de los objetivos propuestos habrá que verla siempre potenciada por amenazas internas y externas contra un país empeñado en construir el socialismo.

Por tratarse de un año previo a las presidenciales, las tensiones pondrán a prueba la gestión del Gobierno y el compromiso popular con el proceso de cambios iniciado en 1999.

(*) El autor es corresponsal de Prensa Latina en Venezuela

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bolívia con Evo manda el pueblo





La fuerza de los de abajo. Los pies, la cabeza y el corazón de Evo Morales


Isabel Rauber | Alainet |


Alerta roja, es la frase que podría resumir lo acontecido en Bolivia en la última semana. Bienaventurado sea el gasolinazo si se transforma en sacudón político, en punto de inflexión capaz de revertir la creciente tendencia superestrutural gubernamental a decidir desde arriba sin contar con los de abajo, adoptando la vieja cultura política del poder que considera que gobernar es tarea de quienes supuestamente “saben y tienen razón”, que es cosa de iluminados, o de “tener espalda”. Pero la revolución es tarea de pueblos, de mayorías concientes, organizadas, discutiendo y definiendo SU proyecto en la medida que lo van construyendo.

Los pueblos no están solo para aceptar, apoyar, convalidar o materializar (ejecutar) ideas y decisiones, sino ante todo para protagonizarlas. Esto quiere decir: participar del proceso de toma de decisiones y de la realización posterior de las mismas, compartiendo responsabilidades.

Si se hubiese discutido el problema del precio de la gasolina y petróleo, etc., con las organizaciones sociales, si hubiese consensuado una medida y los pasos para su implementación, nada de lo ocurrido hubiese pasado. No sé cual habría sido la propuesta, pero los resultados habrían sido diferentes: nadie sale a protestar contra lo que acordó.

Los protagonistas no pueden –ni quieren‑ enterarse de su historia por los diarios. No es con resoluciones y decretos como se impulsa la revolución democrática y cultural, la clave está en la participación. Se trata de un proceso marcado por la construcción colectiva y requiere llevar los ritmos que esa construcción –y toma de conciencia‑ colectiva demanden. Cuando se pretende acelerarlo pasando por encima de la participación popular, lo que se evidenciaba como un éxito o acierto posible en el mediano plazo se tornan en un inmediato fracaso.

La prueba está a la vista: apostando a la consulta y participación de los de abajo, ciertamente el camino puede ser más largo y los ritmos más lentos, pero a la larga será más efectivo, profundo y radical. Esta sabiduría no salió de las universidades, se forjó en la experiencia de lucha de los pueblos. En sus prácticas, ellos han delineado y construido las nuevas lógicas de la transformación social desde abajo, es decir, de las revoluciones democrático-culturales caracterizadas por apelar al desarrollo de la conciencia, la organización y la participación de los de abajo de modo permanente. Y esto no se logra con cursos o conferencias, es ante todo, una resultante de la participación plena de los de abajo en todo el proceso de cambios: desde el diagnóstico y las definiciones hasta la implementación y el control de las decisiones. Estas no son ya tarea de un grupo de dirigentes sino responsabilidad compartida de todos/as.

El pueblo conciente, participante y protagonista de las decisiones saldría igualmente a las calles, pero –en tal caso‑ para reafirmar las medidas del gobierno que serían sus medidas, y para pedir la profundización revolucionaria del proceso.

Lo ocurrido en Bolivia a consecuencia del gasolinazo no se corresponde con ninguna de estas alternativas, pero tampoco significa un rechazo al gobierno que siguen considerando suyo. Es sí un grito y una manifestación contundente contra una tenue pero creciente forma de gobernar que venía ya mostrándose en algunas decisiones, que pretende desconocer al pueblo como protagonista central del proceso y suplantarlo en la toma de decisiones fundamentales, reencarnando lo peor de la herencia política burgués-colonial.

Un gobernante revolucionario no se define como tal por el currículo, ni por ser “honrado y bueno” en comparación con los gobernantes tradicionales del sistema; aunque estas cualidades se requieren elementalmente, su proyección va más allá de lo personal: se relaciona directamente con su capacidad de poner los espacios de poder en función de la transformación revolucionaria, abriéndole las puertas del gobierno al pueblo, construyendo un nuevo tipo de institucionalidad, de legalidad y legitimidad basada en la participación del pueblo en la toma de decisiones políticas (basamento de la asamblea constituyente).

La tarea titánica de los gobernantes revolucionarios no consiste en sustituir al pueblo, ni en “sacar de sus cabezas” buenas leyes, mucho menos para demostrar que son más inteligentes que todos, que tienen razón y que, por ello, “saben gobernar”. Impulsar revoluciones desde los gobiernos pasa por hacer de estos una herramienta política revolucionaria: desarrollar la conciencia política, abrir la gestión a la participación de los movimientos indígenas, de los movimientos sociales y sindicales, de los sectores populares, construyendo mecanismos colectivos y estableciendo roles y responsabilidades diferenciados, para cogobernar el país.

Las revoluciones desde abajo, es decir, las que se gestan por los pueblos desde la raíz de los problemas, apuestan al cambio que nace de las conciencias de los pueblos y se construye en su accionar protagónico, nada tienen que ver con métodos que pretenden impulsar el proceso con decretos o resoluciones generadas desde arriba por muy bien intencionadas y certeras que estas pudieran resultar.

No se avanza con medidas superestructurales por muy justas y razonables que estas sean. Hay que construir protagonismo popular colectivo y eso solo puede lograrse forjándolo a cada paso y en cada paso. El aprendizaje ‑como la enseñanza‑ comienza en las prácticas cotidianas. Educar en lo nuevo significa desarrollar nuevas prácticas, dar el ejemplo. Esta es la clave pedagógica vital de las revoluciones desde abajo.

Estas solo pueden profundizarse anudadas a la construcción y fortalecimiento del sujeto colectivo de las mismas, el actor sociopolítico capaz de traccionarlas e impulsarlas permanentemente hacia objetivos radicalmente superiores. La tarea fundamental del instrumento político en estos tiempos consiste por ello, precisamente, en desarrollar el trabajo político, cultural e ideológico necesario para que promover el desarrollo de la conciencia política del conjunto de actores sociales y políticos del campo popular, en abrir canales institucionales y no institucionales para la participación conciente, organizada y creciente del conjunto de los actores revolucionarios, así como también crear ámbitos para las reflexiones criticas colectivas del proceso de cambio, de modo de ir fortaleciendo las conciencias, creciendo colectivamente.

En Bolivia el pueblo no salió a las calles a rechazar a su gobierno, sino –junto con la medida‑ a la imposición, a las decisiones inconsultas, al distanciamiento entre gobernantes y movimientos indígenas, campesinos y sociales que venía evidenciándose como tendencia y que cristaliza ahora contundentemente con esta medida del llamado gasolinazo. El pueblo no salió a oponerse a Evo, sino a decirle NO a cualquier intento de gobernar sin su participación, a pedirle rectificación y reconocimiento. Y en un acto de humildad que evidencia tanto su gran sabiduría como sus raíces, Evo rectificó. Y repasando su promesa de Tihuanaku, retiró los decretos y reiteró su decisión de “mandar obedeciendo”, que –en sentido estricto‑ no significa ni mandar ni obedecer, sino gobernar juntos, construir de conjunto las medidas fundamentales, y compartir las responsabilidades de las decisiones y de su implementación.

Y no es que esto sea necesariamentegarantía de éxito ni evite cometer errores o equivocarse, pero cuando los pueblos fracasan teniendo conciencia de que ello podría ocurrir, es decir, sabiendo que se podía perder, el fracaso puede representar un triunfo, un crecimiento colectivo, un nuevo aprendizaje y un fortalecimiento que los dinamice e impulse a buscar concretar sus objetivos por otras vías. Algo así como: “Bueno, si por ahí no salió el asunto, ¿por dónde y cómo vamos a lograrlo?” Es decir, la situación se presenta diferente cuando hay participación consciente que cuando no la hay: los pueblos avanzan según toman conciencia del fracaso o celebran el triunfo, y ello depende de su participación en las decisiones; cuando fracasan sin conciencia de lo que estaban haciendo, la frustración es profunda.

Las revoluciones son idénticas a la participación protagónica de sus pueblos; directamente proporcionales a ella. Si, por ejemplo, se aplica esta sencilla ecuación a los procesos populares revolucionarios en curso, a las medidas gubernamentales y sus procedimientos, los resultados saltan a la vista: a menor participación popular, menor contenido y alcance revolucionario, menos revolución. Conclusión: El nudo gordiano estratégico de los procesos revolucionarios no radica en la pertinencia de las resoluciones gubernamentales ni en la sabiduría de los gobernantes y su entorno, sino en la voluntad popular, en su conciencia y organización para participar en las definiciones y soluciones, impulsarlas y sostenerlas.

En el terreno político está claro que saber es poder. En tanto el saber procedente de técnicos y expertos es restringido, reducido a élites y minorías, su poder también es escaso y reducido, acotado a cargos y funciones, a lo que se denomina comúnmente “trabajo profesional”. Por ello, sin negar el valor del trabajo de expertos y asesores, los resultados y las propuestas de sus estudios necesitan siempre ser reevaluadas (cuando no construidas) con el pueblo, con los movimientos indígenas, sindicales y sociales, con el campo popular todo. Solo en un proceso articulado, conjunto, es posible transformar las propuestas de funcionarios, especialistas o técnicos en decisión política revolucionaria de gobierno y pueblo. En procesos político-revolucionarios como el que vive Bolivia hoy, la administración pública –que es la administración de lo público‑ no puede quedar entrampada en los papeles de los funcionarios; es tema y tarea de la militancia socio-política de los pueblos en las calles de las ciudades, en los campos, en las minas…

Los que tienen la responsabilidad de gobernar tienen la prerrogativa de proponer cambios y la obligación de que sus propuestas tengan fundamentos sólidos. Esto no está puesto en discusión. Pero la otra pata del proceso, la fundamental, la que le da sentido y proyección revolucionaria, consiste en lo siguiente: para que el saber producido arriba sea a la vez poder abajo, tiene que construirse con los de abajo y constituirse en saber/poder de pueblo. Esa es la tarea política por excelencia de quienes tienen responsabilidades de gobierno en procesos revolucionarios.

Evidenciar esto y ponerlo sobre el tapete es una de las enseñanzas más importantes y trascendentes de los acontecimientos resultantes del gasolinazo: el pueblo reclamó su protagonismo, habló con su líder en su lenguaje de resistencia y lucha, y Evo respondió como militante. Consciente de que rectificar es de sabios, escuchó y comprendió el mensaje de sus compañeros/as y raudamente derogó las resoluciones y decretos, y volvió a poner el la agenda política gubernamental un tema clave: gobernar para el pueblo implica gobernar con el pueblo. Y con ello Evo alumbraba otra lección: para impulsar una revolución desde abajo, no basta con “tener espaldas”, sino los pies en la tierra, el corazón en el pueblo y la cabeza clara de sus responsabilidades como gobernante revolucionario capaz de concertar a los pueblos a protagonizar su historia.

Queda claro entonces que el tema abierto con el gasolinazo no está limitado a economistas, ni expertos, ni periodistas, pertenece al pueblo. Es el pueblo –en su diversidad de identidades, nacionalidades y culturas‑ quien tiene el poder de cambiar la historia y construirla a su imagen y semejanza.

Por eso, a días de conmemorarse un nuevo aniversario de la constitución del primer gobierno indoamericano en nuestro continente, es posible exclamar, con fuerza y vitalidad:

¡Jallalla los pueblos de Bolivia! ¡Jallalla Evo!