quinta-feira, 30 de junho de 2011

País Basco: é crime fazer política, democrática e pacífica




Basta de julgamentos políticos, soluções políticas para Euskal Herria!



O julgamento de Rafa Díez, Amaia Esnal, Sonia Jacinto, Txelui Moreno, Arnaldo Otegi, Arkaitz Rodríguez, Mañel Serra e Miren Zabaleta iniciou-se com as questões prévias apresentadas pela defesa dos oito arguidos, que propôs ao tribunal que incluísse como prova uma declaração juramentada de dirigentes do EA como Pello Urizar, Unai Ziarreta, Rafael Larreina, Elisa Saiz de Murrieta, Luis Mariano Alava e Ikerne Badiola, que tinham sido impedidos de participar no julgamento como testemunhas.
Após um intervalo, o tribunal acabou por aceitar que todos esses dirigentes do EA, com excepção de Alava, compareçam como testemunhas, apesar da oposição do magistrado Vicente Mota.

Rafa Díez, duas horas de depoimento
O interrogatório aos arguidos começou com Rafa Díez, que apenas respondeu ao seu advogado.
Depois de explicar que trabalho realizava no sindicato depois de ter deixado de ser secretário-geral, Díez referiu-se a Arnaldo Otegi, com quem mantém uma relação próxima há vários anos «em todos os âmbitos». Disse que, após o processo de negociação de 2006, ambos consideravam necessário um debate no seio da esquerda abertzale sobre uma mudança de estratégia. Otegi foi encarcerado pouco depois e, enquanto esteve na prisão, Díez encarregou-se de transmitir essa reflexão a pessoas determinantes dentro da esquerda abertzale, bem como a outros agentes políticos e sindicais.

Quando Otegi saiu da prisão, em Agosto de 2008, retomaram a necessidade de promover um debate «de grande peso» entre as bases da esquerda abertzale, para abordar a mudança de estratégia, pois «para nós era claro que tinha de ser um debate aberto, claro e contundente. Não havia lugar para a co-habitação com a estratégia anterior, fundamentalmente com a luta armada».

O ex-líder do LAB afirmou que «de forma alguma» houve «dependência, controlo ou subordinação» à ETA nessa reflexão, tendo dito que agiam de «forma autónoma, sem qualquer tipo de tutelagem» com vista a alcançar «um cenário de paz definitiva e soluções democráticas».
«A nossa aposta era muito clara», afirmou.

Precisou ainda que no dia 5 de Agosto de 2009, dois meses antes de serem detidos, se reuniram para «dar corpo a uma proposta histórica», que seria depois debatida entre as bases da esquerda abertzale.
«Deixámos pronta a coluna vertebral da Declaração de Altsasu», que foi apresentada um mês depois da operação policial, disse.

Arkaitz Rodríguez
O segundo a depor foi Arkaitz Rodríguez, que também não respondeu ao magistrado da acusação. Tal como Rafa Díez, considerou que surgiu um grupo improvisado «não formal, não estruturado e aberto», para promover o debate interno na esquerda abertzale, que entendia que «o único caminho para a acumulação de forças passava por uma estratégia pacífica e democrática».

Puderam verificar que as bases da esquerda abertzale partilhavam essa ideia, pelo que procuraram que alastrasse «como uma mancha de azeite», para ir ganhando adeptos.
«Eram reflexões muito concretas que se referiam à necessidade de propor um debate em profundidade no seio da esquerda abertzale que visasse superar a estratégia que até essa altura se levava a cabo e substitui-la por outra que recorresse exclusivamente a vias políticas e democráticas», afirmou.
Disse que ele também esteve, em Agosto de 2009, na sede do LAB e confirmou, como tinha dito Díez, que estavam a concluir o esboço da proposta para o debate. Também negou que recebessem instruções da ETA.


Dez anos de prisão

A Procuradoria da Audiência Nacional espanhola pede para cada um deles dez anos de prisão, acusando-os de ter tentado reconstruir o Batasuna, após a ilegalização dessa força política abertzale, através daquilo que denomina «grupo Bateragune». Mais ainda, o magistrado Vicente González Mota afirma no seu texto de acusação que a tarefa do Bateragune consistia em «levar o confronto político até um ponto culminante», agindo para tal em dois sentidos: a «neutralização de qualquer espaço da esquerda abertzale sem a ETA» e a «acumulação de forças para a construção nacional através de um pólo soberanista subordinado aos fins e métodos da ETA».



Apoio Internacional


Comunicado conjunto dos comités de apoio e grupos de Euskal Herriaren Lagunak (Amigos do País Basco) de todo o mundo, face à nova tentativa de criminalização da actividade política e ao julgamento relativo ao «caso Bateragune», que se iniciou na segunda-feira passada, dia 27 de Junho.


Os polícias-testemunhas não apresentam uma única prova contra os arguidos no «caso Bateragune»

Uma dezena de agentes da Polícia espanhola foram depor à AN espanhola no terceiro dia do julgamento relativo ao «caso Bateragune», mas o seu testemunho foi totalmente irrelevante. Vigiaram os acusados ou escutaram as suas conversas telefónicas, mas os únicos factos que apresentaram foram reconhecidos por eles ou foram, muito simplesmente, públicos.
VER: Gara

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