quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Ikurriña volta a tremular nas instituições do País Basco








Espanha derrotada nas instituições municipais bascas

Depois da avalanche independentista que arrasou o mapa eleitoral das autarquias bascas, chegou a tomada de posse. Nesta manhã, a esquerda independentista basca, coligada com o Eusko Alkartasuna e a Alternatiba, regressou, até ao momento, ao poder em dezenas de localidades, donde havia sido apartada pela arquitectura judicial fascista do Estado espanhol. Foi essa mesma estrutura, herdeira do franquismo e submetida aos interesses do PP e do PSOE, que foi obrigada pelas circunstâncias a não alargar a proibição a um espectro político com um apoio cada vez maior.

Nesta manhã, o Bildu também arrebatou várias localidades que antes pertenciam ao PP, ao PSOE e ao PNV. Num número reduzido, estes três últimos partidos pactuaram para impedir a tomada de posse dos independentistas bascos. Foi o caso de Elorrio, onde a população apupou os três partidos ao grito de “espanhóis” e “fascistas”. Mas, neste jogo perigoso, o PNV foi obrigado a alguma perícia. Não pode mostrar-se aliado de Espanha mas também não consegue admitir ter passado de primeira força para segunda em número de eleitos. É a derrota estampada no rosto daqueles que condenaram o povo basco ao ostracismo durante décadas.

Não admira, pois, que em muitas localidades, como Errenteria, onde governava o PSOE, o povo tenha acorrido às portas da autarquia para aplaudir o novo executivo do Bildu e para vaiar os representantes do espanholismo. Só acalmaram quando desceu o executivo da esquerda independentista ao grito de “independência” e de “presos bascos para o País Basco”. Esta manhã, o povo enche os plenários de eleição e constituição do novo poder autárquico. Onde antes eram vítimas de cargas policiais e detenções, agora são recebidos como sendo os parteiros do futuro.

Em Donostia, o novo presidente é Juan Karlos Izagirre, um médico do Bildu. Apareceu no plenário com um crachá de apoio aos presos políticos bascos e já se sabe que vai mandar retirar a velha faixa do edifício da autarquia que diz “ETA não”. Em Ondarroa, os jovens que vão assumir o executivo estão ligados ao movimento okupa. Em Lizartza, onde há quatro anos o PP tinha vencido com 27 votos devido à ilegalização dos 205 votos da esquerda independentista, ninguém esqueceu os que foram agredidos e detidos em manifestações contra a bandeira espanhola, coisa nunca antes vista por aquelas bandas. Há minutos, caía a bandeira espanhola e subia-se a ikurriña, a bandeira nacional basca, sob uma chuva de aplausos.

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