quarta-feira, 11 de maio de 2011

Bob Marley: Música e Política


"Não viva para que a sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida". Bob Marley


No dia 11 de maio de 1981 morria Bob Marley. Em homenagem a este grande compositor e militante da luta por igualdade, realizamos este post especial sobre Bob Marley destacando as principais referências políticas que influenciaram seu modo de pensar e viver.

Robert Nesta Marley, nasceu no interior da Jamaica em 6 de fevereiro de 1945 . Foi o maior músico de reggae de todos os tempos.Grande parte de suas composições versavam sobre os problemas dos pobres e oprimidos. Ele foi chamado de "Charles Wesley dos rastafáris" pela maneira com que divulgava a religião através de suas músicas.

O cantor jamaicano tornou-se símbolo de resistência e luta dos negros a partir de suas músicas com forte conteúdo político. Com o Reggae e o Rastafarianismo, Marley criou não apenas um estilo musical mas uma forma de ação política que segundo ele próprio dizia deveria contribuir para mudar a mente dos oprimidos.

Um mês antes de sua morte, Bob Marley foi premiado com a Ordem ao Mérito Jamaicana. Ele queria passar seus últimos dias em sua terra natal, mas a doença se agravou durante o vôo de volta da Alemanha e Marley teve de ser internado em Miami. Ele faleceu no hospital Cedars of Lebanon no dia 11 de maio de 1981 em Miami, Flórida, aos 36 anos. Seu funeral na Jamaica foi uma cerimônia digna de chefes de estado, com elementos combinados da Igreja Ortodoxa da Etiópia e do Rastafarianismo. Ele foi sepultado em uma capela em Nine Mile, perto de sua cidade natal, junto com sua guitarra favorita, uma Fender Stratocaster vermelha.


Marcus Garvey : Principal influência no pensamento político de Bob Marley



"A confiança de nossa raça no progresso e realizações dos outros na expectativa de obter simpatia, justiça e direitos é como depender de uma bengala quebrada, onde o apoiar-se nela significará uma eventual queda no chão... O preto necessita de uma nação e de um país próprio, onde ele possa demonstrar da melhor maneira sua própria habilidade na arte do progresso humano"( Marcus Garvey)

Para compreender o significado do "rastafarianismo" não só como religião mas no sentido de uma c visão de mundo baseada nos pressupostos de liberdade e da igualdade entre os homens é preciso conhecer as origens desse pensamento. É na Jamaica, terra de Bob Marley,que o militante negro Marcus Garvey, nascido em 17 de agosto de 1887 idealizou o movimento de resistência negra "de volta para a Àfrica", ou seja, criou um movimento de profunda inspiração para que os negros tivessem a "redenção" da África, e para que as potências coloniais européias desocupassem o continente africano. Garvey foi sindicalista, responsável pela primeira greve dos tipógrafos da Jamaica. Com o insucesso do movimento, Garvey perdeu seu emprego, e foi colocado numa lista negra dos empregadores, sendo incapaz de arrumar outro emprego na tipografia privada; conseguiu, no entanto, uma vaga na imprensa do governo. Por esses anos Garvey também teve sua primeira experiência com jornalismo político, ao ingressar no National Club of Jamaica, um clube político. (Ele havia colaborado, antes, num jornal chamado The Watchman, ainda na P.A. Benjamin).

Então ele saiu da Jamaica para ir para a Costa Rica, como fiscal em plantações de banana, por volta de 1910. Ao observar as condições de trabalho de outros negros, Garvey decidiu que tentaria mudar e melhorar suas vidas. Ele saiu da Costa Rica e viajou pela América Central e do Sul, a trabalhar e observar as condições de trabalho dos negros na região. Passou pela Guatemala, Panamá, Nicarágua, Equador, Chile e Peru. Em todo lugar Marcus Garvey observou que as condições de trabalho do negro eram péssimas, e que muitos enfrentavam o desemprego e a pobreza.

Em alguns dos países visitados, e sempre que podia, Garvey publicava pequenos jornais e panfletos contendo suas impressões sobre a realidade local. Na Costa Rica ele publicou o La Nacíonale, e no Panamá ele publicou o La Prensa. Contudo, além de enfrentar as autoridades (que chegaram a baní-lo da Costa Rica) ele também enfrentava o descaso do povo, que não era capaz de entender ainda a importância de ter uma voz na mídia para defender seus interesses.

Em 1912 ele partiu para a Inglaterra, onde vivia sua única irmã, Indiana. Em Londres ele aprendeu muito sobre a cultura africana e também se interessou pelas condições dos negros nos Estados Unidos da América. Visitava freqüentemente a Câmara dos Comuns e assistia conferências no Birksbeck College. Tornou-se amigo de Duse Muhammad, um egípcio nacionalista e que publicava o The African and Orient Review.

A experiência em Londres foi muito importante para Garvey, tanto no sentido de entender o funcionamento de uma democracia quanto pelo fato de poder entrar em contato com vários africanos que, nascidos em outras colônias britânicas, iam estudar na Inglaterra. Com essas pessoas Garvey percebeu que os problemas da Jamaica eram muito semelhantes aos problemas enfrentados por populações negras de todo o mundo. Foi ainda em Londres que ele entrou em contato com os líderes do Movimento Pan-Africano, e conheceu a obra de Booker T. Washington.

Ao retornar para a Jamaica em 1914 Garvey formou (em 1 de agosto) a Associação Universal para o Progresso Negro ou AUPN (Universal Negro Improvement Association, mais conhecida como UNIA). O lema da UNIA era One God! One Aim! One Destiny! (Um Deus! Uma aspiração! Um destino!). Garvey era o presidente da associação, que pretendia unir "todas as pessoas de ascendência africana do mundo em uma grande massa estabelecida em um país e governo absolutamente próprios."

Garvey viajou pelos EUA como conferencista. Residiu lá até 1927, quando foi deportado. Durante este período, ele trabalhou assiduamente para criar e consolidar a UNIA em uma organização realmente internacional.

Seus esforços foram bem-sucedidos, e em 1920, a associação ostentava mais de 1 100 filiais em mais de 40 países. A maior parte dessas filiais estavam localizadas nos Estados Unidos, que se tornou a base de operações da UNIA. Havia escritórios da UNIA em vários países do Caribe, como Cuba (que os tinha em maior número), e também no Panamá, Costa Rica, Equador, Venezuela, Gana, Serra Leoa, Libéria, Namíbia, e África do Sul.

Em sua passagem pelos EUA Garvey publicou também o semanário Negro World, entre 1918 e 1933, no Harlem. O jornal promovia as idéias nacionalistas de Garvey e foi um canal importante de expressão para a comunidade negra durante os anos do Renascimento do Harlem. Seções em francês e espanhol foram incluídas, e em 1920 o Negro World estimava sua tiragem em 50 000 exemplares; pode ter sido ele o jornal mais amplamente distribuído pelo mundo, e suas cópias chegaram a pessoas negras de todos os continentes.

Garvey foi eleito presidente provisório da África durante a convenção organizada pela UNIA em 18 de agosto de 1920. Era primariamente uma posição ceremonial, por várias razões; os países da África eram, na sua maioria, colônias de países europeus, e Garvey não tinha visto para entrar em qualquer lugar da África, nem mesmo nas colônias britânicas (Garvey era cidadão inglês pois a Jamaica também era colônia).

Em junho de 1940 ele sofreu dois derrames e morreu. Seu corpo foi embalsamado e enterrado no Cemitério Kendal Green, Londres. Em novembro de 1964 seus restos mortais foram transladados para a Jamaica e enterrados no National Heroes Park, sendo Garvey proclamado o primeiro herói nacional jamaicano.

Rastafarianismo: De MArcus Garvey a Bob Marley.


Também conhecido como movimento rastafári ou Rastafar-I (rastafarai) é um movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus). Este termo advém de uma forma contraída de Jeová encontrada no salmo 68:4 na versão da Bíblia do Rei James, e faz parte da trindade sagrada o messias prometido. O termo rastafári tem sua origem em Ras ("príncipe" ou "cabeça") Tafari ("da paz") Makonnen, o nome de Hailê Selassiê antes de sua coroação.

O movimento surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponeses negros em meados dos anos 20, iniciado por uma interpretação da profecia bíblica em parte baseada pelo status de Selassiê como o único monarca africano de um país totalmente independente e seus títulos de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judah, que foram dados pela Igreja Ortodoxa Etíope.Outros fatores inerentes ao seu crescimento incluem o uso sacramentado da maconha ou "erva", aspirações políticas e afrocentristas.

Garvey, durante a missa teria dito: "Olhem para Leste, para África, onde um negro será coroado Rei". E assim foi, a dois de Novembro de 1930, Ras Tafari Makonnen, foi coroado Rei, alegando descendência do Rei Salomão de Jerusalém e da Rainha Makeda de Sheba. Adaptou o nome de Haile Selassie I ("o poder da divina trindade") e foi designado 225º Imperador da dinastia Salomonica, Eleito de Deus, Rei dos Reis, Senhores dos Senhores, Leão Conquistador da Tribo de Judá.

Por esse motivo o Rei da Etiópia ,Haile Salassie I, teve uma grande influência simbólica sobre o movimento rastafari que o considera como o messias, ou deus vivo.
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O discurso proferido por Salassie na Liga das Nações, em junho de 1936, sobre a guerra em geral e sobre a invasão da Etiópia pela Itália (1935), é considerado um dos mais belos e coerentes pronunciados por um líder político (o país havia sido admitido na Liga das Nações em 1923, logo após abolir a escravatura). Selassie também deu a Etiópia a primeira constituição de sua história, em 1931. A partir deste discurso Bob Marley criou a música WAR, um de seus grandes clássicos.




Enquanto a filosofia que declara uma raça superior e outra inferior não for finalmente e permanentemente desacreditada e abandonada; enquanto não deixarem de existir cidadãos de primeira e segunda categoria de qualquer nação; enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que a cor dos seus olhos; enquanto não forem garantidos a todos por igual os direitos humanos básicos, sem olhar a raças, até esse dia, os sonhos de paz duradoura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional irão continuar a ser uma ilusão fugaz, a ser perseguida mas nunca alcançada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignóbeis que suprimem os nossos irmãos, em condições subumanas, em Angola, Moçambique e na África do Sul não forem superados e destruídos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malícia e os interesses desumanos não forem substituídos pela compreensão, tolerância e boa-vontade, enquanto todos os Africanos não se levantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como são no Céu, até esse dia, o continente Africano não conhecerá a Paz. Nós, Africanos, iremos lutar, se necessário, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitória do bem sobre o mal.









Canção de Redenção - Canção da Liberdade


Velhos piratas, sim, eles me roubaram,
Me venderam para navios mercantes
Minutos depois deles terem me tirado
De um buraco menos profundo
Mas minha mão foi fortalecida,
Pela a mão do todo poderoso
Nós avançamos nessa geração
Triunfantemente!

Você não irá ajudar-me a cantar,
Essas canções de liberdade?
Porque tudo o que eu sempre tive são:
Canções de redenção
Canções de redenção

Liberte-se da escravidão mental,
Ninguém além de nós pode libertar nossas mentes
Não tenha medo da energia atômica,
Porque eles não podem parar o tempo
Por quanto tempo vão matar nossos profetas?
Enquanto nós permaneceremos de lado olhando
Huh, alguns dizem que é apenas uma parte disto
Nós temos que cumprir inteiramente o Livro

Você não irá ajudar-me a cantar,
Essas canções de liberdade?
Porque tudo o que eu sempre tive são:
Canções de redenção
Canções de redenção
Canções de redenção

Liberte-se da escravidão mental,
Ninguém além de você pode libertar sua mente
Não tenha medo da energia atômica,
Porque eles não podem parar o tempo
Por quanto tempo vão matar nossos profetas?
Enquanto nós permaneceremos de lado olhando
Huh, alguns dizem que é apenas uma parte disto
Nós temos que completar o Livro

Você não irá ajudar-me a cantar,
Essas canções de liberdade?
Porque tudo o que eu sempre tive são:
Canções de redenção
Porque tudo o que eu sempre tive são:
Canções de redenção
Essas canções de liberdade
Canções de liberdade








Levante, Resista


Levante, Resista
Levante, resista: lute pelos seus direitos!
Levante, resista: lute pelos seus direitos!
Levante, resista: lute pelos seus direitos!
Levante, resista: não desista da luta!

Pastor, não me diga,
Que o paraíso esta embaixo da terra
Você não sabe quanto
A vida realmente vale
Nem tudo que brilha é ouro
Só metade da historia foi contada
E então agora que você enxergou a luz, eh!
Lute pelos seus direitos. Vamos lá!

Levante, resista: lute pelos seus direitos!
Levante, resista: não desista da luta!
Levante, resista: lute pelos seus direitos!
Levante, resista: não desista da luta!

A maioria das pessoas pensa
Que o grande deus vai surgir dos céus
Levar tudo
E fazer todo mundo se sentir elevado
Mas se você sabe o quanto vale a vida
Vai procurar o seu aqui na terra
E agora que você enxerga a luz
Lute pelos seus direitos

Levante, resista! (Jah, Jah!)
Lute pelos seus direitos! (Ph-hoo!)
Levante, Resista! (Levante, Resista!)
Não desista da luta!
Levante, Resista! (Então, nos nao podemos desistir da luta!)
Lute pelos seus direitos! (Senhor, Senhor)
Levante, Resista!
Não desista da luta! (Yeah!)

Estamos cheios e cansados do seu jogo de ismos -
Morrer e ir pro céu em nome de jesus, senhor.
Nós sabemos e entendemos:
O deus poderoso é um homem vivo.
Vocês podem enganar algumas pessoas algumas vezes,
Mas não podem enganar a todos o tempo todo.
Então agora que você enxerga a luz (O que você vai fazer?),
Vamos lutar por nossos direitos! (Yeah, yeah, yeah!)

Então é melhor:
Levante, Resista! (Pela manhã! Git it up!)
Lute pelos seus direitos!(Lute pelos seus direitos!)
Levante, Resista!
Não desista da luta! (Não desista, não desista!)
Levante, Resista! (Levante, Resista!)
Lute pelos seus direitos! (Levante, Resista!)
Levante, Resista! (...)
Não desista da luta! (Levante, Resista!)
Levante, Resista! (...)
Lute pelos seus direitos!
Levante, Resista!
Não desista da luta

Um comentário:

Graziele Saraiva disse...

Boa postagem, abraço pra vcs aí. Tenho link de vcs aqui no Pé com Pé http://grazaza.blogspot.com/ e acompanho as atualizações.