quarta-feira, 13 de abril de 2011

Não tem ponto final



"Não tem ponto final", com essa frase dita por uma filha de um ex guerrilheiro morto pela ditadura no excelente vídeo que postamos aqui é possível avaliar o significado da chamada Anistia aprovada em 1979. A anistia foi uma saída encontrada pelos militares para dar um "ponto final" na memória sobre os 21 anos de crimes praticados no período ditatorial. E lá se vão mais de 30 anos de luta dos familiares dos mortos e desaparecidos, dos próprios torturados em busca de justiça, da memória e da verdade. Passados dois mandatos do primeiro governo de esquerda pós ditadura, pouca coisa avançou. Agora a presitenda Dilma que sofreu na pele as torturas da Ditadura tem a oportunidade de fazer como na Argentina, punir os torturadores, policiais e militares que em qualquer país que se diga democrático já deveriam estar atrás das grades.
Infelizmente as noticias não são nada boas, em recente entrevista a Revista Carta capital(06/04/2011) sobre a instalação da Comissão da Verdade que promete apurar onde estão os corpos desaparecidos e conhecer a verdade sobre o brutal processo de torturas realizada pelo governo militar contra cidadãos e cidadãs brasileiros a Secretária dos Direitos Humanos Maria do Rosário perguntada se a Comissão da Verdade caminharia para uma punição aos assassinos e torturadores afirmou que "o projeto da Comissão da verdade não prevê" (...) Os integrantes da comissão terão a função de promover o esclarecimento circusntanciado dos casos de tortura e morte(...) Essas identificações do governo não serão feitas com o objetivo criminal(...) Como o judiciário e a sociedade vão se mover é outra questão(sic) A criação de uma Comissão da Verdade não desagua necessariamente em julgamentos criminais(...) O projeto de Lei é exatamente o que nós acreditamos que seja possível fazer(...)

Ou seja, se descobre a verdade sobre crimes do Estado, mas nada será feito pois é um problema do "judiciário e da sociedade" e na visão da Secretária o "executivo e o legislativo" não compõe o Estado, deve ser essa a lógica que explica o inexplicável. Ou por outro lado, não se diz a verdade, qual seja, que os militares e diversos setores sociais civis, que hoje gozam do poder podem ser atingidos e isso não é nada bom para a "governabilidade", para os "mercados" para a "estabilização do país". Afinal o poder enconômico estará imune a verdade do período militar????

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