sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Patrice Lumumba: Ha 50 anos era assassinado um dos grandes revolucionários da África



Ha 50 anos o líder da independencia congolesa e primeiro ministro do Congo Livre foi assassinado pelo imperialismo americano e os títeres africanos

Para que a luta dos revolucionários africanos não seja esquecida, postamos abaixo artigo de José Steinsleger, publicado no La Jornada do México, sobre o covarde assassinato de Lumuba acontecido ha 50 anos.

O assassinato de Lumumba
José Steinsleger *

Tradução Português: Paulo Marques

Na manhã de 30 de junho de 1960, Leopoldville( hoje Kinshasa), o rei Balduino I da Bélgica pensou após declarar em pessoa a independencia da República Democrática do Congo, que o povo e colonos ficariam eternamente agradecidos à metropole colonial. Mas algo saiu mal.

Patrice Lumumba, jovem primeiro ministro do governo presidido por Joseph Kasavubu, tomou o microfone e os encarregados do protocolo ficaram tensos: “Nunca mais seremos vossos macacos”, disse Lumumba no nariz do rei. O monarca da casa real de Sajona-Cobenza-Gotha empalideceu, e teve que ouvir as destruidoras palavras do líder nacionalista:

“Durante os 80 anos de governo colonial, sofremos tanto que não podemos afastar as feridas da memória. Nos obrigaram a trabalhar como escravos por salários que nem sequer nos permitem comer o suficiente para afugentar a fome, ou encontrar moradia, ou criar nossos filhos como seres queridos que são...”

Temos sofrido ironias, insultos e golpes nada mais porque somos negros... Quem poderá esquecer os massacres de tantos de nossos irmãos, ou as celas em que meteram aos que não se submeteram a opressão e a exploração? Irmãos, assim tem sido nossa vida

Totalmente inesperado na agenda(uma cerimonia ordenada e agradecida com o amo branco), o discurso estremeceu os povos da África negra e o mundo colonial. Na Bélgica, a imprensa conservadora atacou Lumumba, manifestou que sua morte seria “... uma benção para o Congo”.

O diário católico La Libre Belgique estimou que alguns ministros lumumbistas “... Se converteram em primitivos e imbecis, ou como criaturas comunistas” ( 12/07/1960).

Marcel de Corte, professor de moral e filosofia da Universidade de Lieja, declarou sobre Lumumba: “É um bárbaro que faz chorar de raiva os oficiais, quando bastaria um gesto viril de um destes para livrar o planeta de seu sangrento despojo ( idem, 27/07/1960)

No livro “Os últimos 50 dias de Patrice Lumumba” (pesquisa de G.Heinz y H. Donnay) demonstra-se que desde antes do histórico discurso, Lumumba era considerado no meios de comunicação europeus como o político congolês a quem devia-se retirar a todo custo do poder.

O jornalista P. de. Vos, dirigente de importantes sociedades, escreveu que desejava ver o líder nacionalista “ ...morto com uma bala no seu peito...Sei que haverá em um dos asilos de Kasai, um louco que encarregará deste trabalho” ( Ibérico Europea de Ediciones, Madrid, 1979, p.31)

Em setembro de 1960, o coronel Joseph Mobutu(quem de 1965 a 1997 governou despoticamente o país que rebatizou com o nome de Zaire), deu um golpe de Estado, e Lumumba foi detido nos arredores de Kinshasa. Libertado por sua escolta e por militantes do Movimento Nacional Congolês(MNC), o líder retornou a cidade, onde rencontro a multidão.

Simultaneamente, as potencias imperialistas entravam em ação. A um mês de tomar posse do governo, com o respaldo de Washington, Paris e Bruxelas, o títere Moisé Tshombé, declarava a secessão de Katanga, província mineira que durante a Segunda Guerra Mundial foi a principal fonte de borracha, e minerais como o titânio e o cobalto. O urânio usado para as bombas atômicas que os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima e Nagasaki vieram da mina Shinkolobwe, uma das tantas administradas pelo Congo Belga.

Lumumba pediu ajuda a Moscou, e Allen Dulles, chefe da CIA, sugeriu “retirá-lo... antes que possível”. O presidente Dewight Eisenhower autorizou a ação. O Exército e os capacetes azuis da ONU prenderam Lumumba em 10 de outubro. Ele consegue escapar novamente e chega a Stanleyville( hoje Kisangani), sua principal base de apoio. Finalmente foi detido pelos homens de Mobutu.

Em 10 de janeiro Lumumba foi embarcado em um avião civil belga pilotado por um belga, que o transportou para Elizabethville(hoje Lubumbashi), capital da província de Katanga. Durante as seis horas de viagem, mercenários belgas e soldados congoleses o torturaram sem piedade.

Ludo de Witte, sociólogo flamenco, quem em 2000 publicou uma rigorosa pesquisa com base em arquivos oficiais belgas e documentos das Nações Unidas, desmascarou a versão oficial de Bruxelas, que durante 30 anos atribuiu o crime a “ajustes de contas entres as distintas facções congolesas”.

Na tarde de 17 de janeiro, Lumumba e seus colaboradores Maurício Mpolo e José Okito, foram amarrados em uma árvore e assassinados um após o outro por militares belgas em uma execução supervisionada a curta distancia por Tshombé. De Witte provou que a operação chamada “ Barracuda” foi dirigida pelo capitão Julian Gat.

Outro belga, o comissário Gerar Soete, chefe de polícia de Tshombé, confessou na televisão de Bruxelas, VRT ( e também a De Witte) que se ordenou que desaparecessem com as vitimas usando ácido sulfúrico. De acordo, Soete ficou com os dentes de Lumumba, e uma bala que estava encrustrada em seu crânio.

*Fonte: http://www.jornada.unam.mx/2011/01/19/index.php?section=opinion&article=023a1pol

Nenhum comentário: