domingo, 29 de agosto de 2010

As eleições no Rio Grande


Tarso Genro, candidato da Unidade Popular, a possibilidade de retomar as conquistas e avanços do governo Olívio, interrompidas pela direita.


O sentido da vitória da esquerda no Rio Grande


Paulo Marques

Desde a retomada das eleições para governador na década de 80, a maioria dos governos eleitos no Rio Grande do Sul foram do campo liberal-conservador, a exceção foi o governo Olívio Dutra(1999-2002).

Na primeira eleição em 1982 o governador eleito foi Jair Soares do PDS (novo nome da ARENA, partido que sustentava a ditadura), foi um governo medíocre que representava a agonia de uma direita em crise.
Na eleição seguinte em 1986 o vencedor foi Pedro Simon do PMDB,embalado pelo Plano Cruzado(que se revelou uma farsa logo após a eleições) que elegeu 90% dos governadores naquela época. O governo foi tão fraco que a única lembrança que ficou foi a maior greve da história do magistério.
Em 1990, é eleito Alceu Collares do PDT, também embalado pela votação de Brizola nas eleições presidenciais de 1989 (no RS Brizola fez 75% dos votos e no segundo turno transferiu 90% destes votos para Lula). Foi também um governo medíocre, marcado pelas polêmicas no campo da educação onde tentou implantar um sistema de "Calendário Rotativo" que foi um rotundo fracasso. Organizou um governo de tecnocratas de perfil liberal e pouco ou nada deixou de alguma ação significativa para o Estado. Enfrentou uma CPI por casos de corrupção.
Em 1994 houve o primeiro grande embate entre a esquerda representada pela candidatura de Olívio Dutra contra o PMDB, articulado com toda a direita (do velho PDS ao PFL, PTB et caterva) em torno do nome de ANtonio Britto. Jornalista da RBS, Britto tinha em seu curriculo político o fato de ter anunciado a morte de Tancredo Neves e claro, ser uma cria da RBS. Ganhou aquelas eleições por estreita margem. O governo de Britto representou não só uma rearticulação da direita gaúcha mas a implantação mais radical do programa neoliberal, em consonância com o governo Fernando Henrique Cardoso que havia também sido eleito em 1994.Cumpriu, como bom soldado, as ordens que lhe deram, vendeu quase tudo que podia do patrimonio público só não vendeu o Banrisul pela luta da oposição e porque seu mandato chegou ao fim.

A resistência a estas políticas neoliberais foi tão intensa que o PT chegou fortalecido para o segundo embate com os conservadores em 1998. Pela primeira vez a esquerda rompia a hegemonia liberal conservadora e vencia uma eleição para o governo do Estado. Contra os meios de comunicação, o poder econômico das oligarquias regionais, representadas pela FARSUL e FIERGS a Frente Popular implementava uma nova política, baseada sobretudo na experiência exitosa realizada a frente da prefeitura da capital. Foi um governo de grandes realizações no campo da democracia e do desenvolvimento. Inverteu-se prioridades na relação do Estado com os interesses estabelecidos na sociedade, criou-se uma nova política de desenvolvimento voltada para o fomento as potencialidades regionais; aprofundou-se a democracia participativa com o OP Estadual; criou-se a primeira Universidade Estadual, políticas de trabalho e renda, de reforma agrária,Economia Solidária, questões que até então nunca haviam tido uma política do governo estadual.

Foram inúmeras mudanças que tiveram reações proporcionais ao significado delas para a correlação de forças. A RBS transformou-se no verdadeiro partido de oposição, não havia dia em que suas manchetes não pautavam o governo, sempre com duras criticas a qualquer integrante do governo ou alguma ação por mais insignificante que fosse. Zero Hora cumpriu o papel, naqueles 4 anos de governo Olívio, de um verdadeiro panfleto da oposição circulando em todo Estado, todo o dia.

Infelizmente Olivio não pode defender seu governo nas eleições seguintes. Em uma decisão que custou muito caro a esquerda e que o PT paga até hoje. Olivio foi derrotado em uma prévia interna, sendo Tarso Genro escolhido para ser o candidato. Tarso tinha dois problemas: primeiro o fato de não ter participado diretamente do governo Olivio o que lhe deixava com poucas condições de defendê-lo e em segundo lugar a contradição de defender a continuidade de um governo derrotado pelo próprio partido. Tarso entrou na campanha muito fragilizado e foi derrotado por Germano Rigotto do PMDB ( mais um dos pupilos de Simon). O mesmo Rigotto que havia perdido duas eleições para prefeitura de Caxias para Pepe Vargas do PT. O governo Rigotto, da "pacificação" serviu para que a direita retomasse o controle do Estado. Não fez nada mais que isso, um governo pífio que na eleição seguinte nem mesmo conseguiu chegar ao segundo turno.

O PT entrou na eleição passada (2006) muito enfraquecido e com Olivio novamente como candidato. O PT vinha de uma dura derrota em 2004 para a prefeitura de Porto Alegre. Sem condições de reeleger Rigotto a direita, aproveitando a pior crise do PT nacional( 2005), surge com Yeda Crusius do PSDB. O antipetismo tinha portanto dois candidatos. A ida de Olivio para o segundo turno foi considerado como uma vitória, pois muitos não acreditavam nem mesmo nisso. Com as bençãos do Senador Simon, Yeda é eleita.

Desta vez parece que a história não se repetirá. Tarso Genro, rearticulou a Frente Popular em torno de seu nome para enfrentar mais uma vez as forças do conservadorismo guasca. Só que desta vez em condições bem diferentes do passado. Tarso representa o governo Lula com 80% de aprovação, enfrenta uma governadora com mais 47% de rejeição, fruto de um dos piores governos da história do Rio Grande, também enfrenta o ex-prefeito Fogaça que tenta mais uma vez o engodo do discurso sem lado e sem posição. Se teve êxito em Porto Alegre será improvável que a farsa continue nesta eleição.

Conforme as últimas pesquisas Tarso tem condições de liquidar as eleições já no primeiro turno, mas como estamos no Rio Grande, terra da RBS,de Simon, Padilha et caterva, todo cuidado é pouco. Veremos.

Em suma , o fato mais importante desse processo é que novamente as forças de esquerda terão uma oportunidade de retomar as políticas inovadoras construidas no governo Olivio, políticas com nítido carácter transformador. Não foi a toa que foi neste Estado que as forças anticapitalistas de todo o mundo se reuniram no 1 Fórum Social Mundial para resistir ao neoliberalismo. Com o slogan que diz Rio Grande do sul, do Brasil, do Mundo,Tarso sinaliza para essa retomada. Por isso será o vencedor.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

UDN rediviva: Será a volta dos que ainda não se foram???



Demosteles Torres, Ronaldo Caiado, Arthur Virgilio e ACM Neto: A "nova geração"da Velha UDN agora batizada de DEM.


Segundo Cerqueira, o PSDB representa a "Nova UDN".

Carlos Lacerda, conhecido como "O Corvo",lider da UDN, partido que fez escola para uma direita proto-fascista que ainda sobrevive no PSDB e DEM.

Pescamos da Carta Maior esse excelente artigo que reproduzimos abaixo de Laurez Cerqueira que retrata com muita propriedade a direita brasileira, herdeira da UDN golpista de 1964, ou o que ainda resta dela. Para os professores um ótimo material para aulas de história contemporânea do Brasil. Boa Leitura.

A UDN no shopping e nas eleições

Laurez Cerqueira (*)

Há muito tempo a “velha UDN” trocou os oratórios de madeira, que faziam parte do mobiliário das salas das residências, por aparelhos de televisão. As orações da boca da noite deram lugar às telenovelas e aos telejornais. As telenovelas passaram a ser referências tão fortes que são visíveis as mudanças de comportamento provocadas nas famílias. Como diz o compositor Jorge Mautner, em uma de suas músicas: “a telenovela é a educação sentimental da classe média nacional”.

A “velha UDN”, em tempos idos, era uma matriarca católica, dessas de penugem nos cantos da boca, se vestia de preto, andava de bordão de jacarandá com brasão da família, cravejado em latão. Ainda hoje, fotos amareladas, emolduradas, de famílias aristocráticas, cobrem paredes de casas e apartamentos ou ocupam lugar de destaque sobre os móveis das salas, nas modernas cidades brasileiras.

Uma parte da “velha UDN” e seus descendentes migraram do campo para as cidades muito antes de se tornar uma sigla, uma agremiação partidária, muito antes do PSD se enraizar no coração e na mente dos fazendeiros. Construiu fortuna e se tornou a matrona do sistema financeiro. Quis desfrutar dos produtos do ciclo de industrialização do Brasil, andar de automóvel, beber coca-cola, ir ao cinema, entregar seu coração a Hollywood, ler Seleções Reader's Digest, revista O Cruzeiro, Veja, Caras, O Globo, Folha, Estadão, dar revistas em quadrinhos da Disney aos filhos e incentivá-los a cultivar valores aristocráticos.

A UDN se encastelou na política, se apoderou do Estado e dos meios de comunicação como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Getúlio Vargas de “mar de lama”, levou-o ao suicídio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa “Marcha da família com Deus pela liberdade”, em 1964, na capital paulista, para derrubar João Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros períodos de nossa história. Impediu a reforma agrária, ajudou a organizar o latifúndio, mecanizou a produção agrícola com crédito subsidiado pelo Banco do Brasil e com as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Conseguiu banir das fazendas para as periferias das grandes cidades, onde vivem em condições sub-humanas, um contingente populacional gigantesco de remanescentes da escravidão.

A cara da "nova UDN"
No campo ou nas cidades, hoje a “velha UDN” ainda dispõe de uma cultura política e ideológica poderosíssima. A UDN urbanizada, que poderia ser chamada de “nova UDN” tem casas e apartamentos com todos os eletrodomésticos disponíveis. Carros de luxo nas garagens, viaja de férias todo ano, tem celular, computador plugado na Internet e tv a cabo. Busca a paz em templos de consumo (shopping-centers) e em igrejas. Uma parte se “modernizou” em relação à fé. Trocou a igreja católica por igrejas evangélicas. A “nova UDN”, quando não está diante da tv ou na internet, alimentando a alma com programação de entretenimento, também vaga pelos shoppings ou por feiras de produtos de contrabando, comprando um pirata qualquer. A “velha UDN” está por aí, travestida, clandestina.

Nas praças de alimentação dos shoppings se empanturra nos fast-foods com sanduiches, pizzas e refrigerantes. A balança, a academia, as revistas de boa forma e o colesterol são seu inferno. Um “sofrimento doce” - coisa do “status quo” - assuntos para longas conversas nas tardes tediosas e nos finais de semana, nos encontros de família. A “nova UDN” é “chique”. “Chique” é diferente de elegante. A “nova UDN” é rastaquera.

Nas casas e apartamentos “modernos”, a arquitetura mantêm a senzala, a “dependência de empregados”. Um cubículo onde enfiam os novos escravos que cozinham, lavam, passam e cuidam dos filhos. A “ama-seca” virou “babá”, baby-sitter.

Livro, revista e jornal, em casa? Às vezes. Ler dá sono. Prefere uma espiada no Jornal Nacional depois da novela. É o melhor horário para ver os anúncios de carros novos, telefones celulares e bancos. Aqueles filmes publicitários que embalam os sonhos de tornar-se uma daquelas personagens chiques e bem sucedidas na vida. A maior aspiração da “nova UDN” é ser rica, manter o “status”, entranhado nas profundezas de sua alma, ter o controle moral da sociedade e recuperar o poder político perdido com a democratização do país. Para a “nova UDN” a democracia a leva à ruína política. Na democracia ela perde sempre.

O mesmo ódio de classe persiste
Mantém latente o mesmo ódio de classe que levou o ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, seu ídolo maior, ao escândalo da “operação mata-mendigo”, realizada pelo Serviço de Recuperação de Mendigos. Os agentes desse serviço foram flagrados jogando mendigos no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, depois de denúncias de desaparecimento de grande número deles. Esse serviço foi o embrião da ideologia do “Esquadrão da Morte”. Outro escândalo foi a queima de favelas como a do Pasmado, no Rio, para expulsar os moradores, coordenada pela Secretária de Assuntos Sociais, Sandra Cavalcanti, ex-deputada constituinte, em 1987, pelo PFL.

Uma parte da “nova UDN” passou pela universidade, ficou “ilustrada”. Participou, tempos atrás da campanha Diretas Já, com novo verniz, mas preferiu juntar-se aos de cima na defesa do projeto neoliberal, do sucesso profissional, da escalada do enriquecimento e na redução dos sonhos da juventude ao fetiche de um automóvel. Luta para manter privilégios de classe e nada mais, fecha o vidro do carro quando mendigos se aproximam.

Para ela os de baixo são invisíveis. Não vê lixeiros, garçons, frentistas, taxistas, mantém disdância das pessoas que andam de transporte coletivo. Sabe que essas pessoas existem quando necessitam de seus serviços. Vê o noticiário policial nos telejornais, viaja de avião e olha lá de cima o amontoado de barracos das periferias das grandes cidades como se as favelas fizessem, naturalmente, parte da paisagem. No parlamento ou na imprensa, como jornalista e comentarista preferidos dos impérios de comunicação, ladram como cães amestrados com o mesmo ódio que movia Carlos Lacerda.

Os candidatos da nova UDN
Nas eleições, a “nova UDN” costuma optar por candidatos que representam o ideário aristocrático, meritocrático, condizente com sua escala de valores, de matriz religiosa. Muitos, em 2002, fizeram uma concessão, votaram em Lula para presidente, depois dele penar sob a violência da discriminação de classe. Um dos mais fortes fatores que o levou à derrota em três eleições. O preconceito foi rompido momentaneamente. Certamente pelo fato de votar num “vencedor”, num homem de mérito, que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, enfrentou a pobreza em São Paulo e se tornou um líder respeitado não só no Brasil, mas reconhecido nos fóruns internacionais como um líder mundial. Logo depois que ele tomou posse foi chacoteado.

Diziam que ele não tinha qualificação para governar. Não falava inglês. Diziam que ele era nordestino, cachaceiro e analfabeto. Quem não se lembra da zombaria da imprensa do “aeroLula”? Como se ele não tivesse o direito de usar o avião presidencial. FHC licitou o avião, mas Lula foi quem sofreu as críticas.

Outro fator que deve ser considerado, quando analisamos a eleição de Lula, é que em 2002 a “nova UDN” estava inconformada com o governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. O governo que, na época da paridade do Real com o Dólar, levou-a ao paraíso do consumo de produtos importados, a viagens internacionais - estava acabando em grave crise econômica e financeira - sob denúncias graves de corrupção, sem permitir investigações, principalmente denúncias sobre o processo de privatização das empresas estatais. Aquele paraíso de ilusões ruiu. Em resumo, em 2002, era “chique” votar em Lula. Afinal, o vencedor tem seu lugar na escala de valores da “nova UDN” como competidor.

A descoberta de um novo partido
Logo depois da democratização política do país, na década de 80, após a promulgação da Constituição de 1988, a “nova UDN” ganhou um presente da elite intelectual paulistana. Um partido político pensado para ela. O PSDB. Um partido para a chamada “classe dos formadores de opinião”. O PFL, neto da velha Arena, que deu sustentação à ditadura militar, andava em dificuldades para se tornar um partido que atendesse às aspirações da “nova UDN”. O PMDB avançava no controle institucional do país e os partidos de esquerda, liderados pelo recém-criado PT, avançavam na organização da população operária urbana e no movimento dos trabalhares rurais sem terra. Foi nesse contexto que surgiu o PSDB, vendido à opinião pública como um partido moderno.

O PSDB vestiu como uma luva o ideário da “nova UDN”. Em 1989, liderado por Mário Covas, que parecia um pássaro fora do ninho, por ter posições à esquerda do partido, o PSDB foi às urnas e no segundo turno até subiu no palanque de Lula, candidato do PT, quando este disputou com Collor. No segundo turno, a grande maioria dos votos do PSDB foi para Collor.

Collor teve o apoio majoritário da “nova UDN”, que se referenciava no PFL, no PL e no PSDB, em verdadeiro revival da era lacerdista. Era o voto anti-Lula. Aquela parte que se engajou na eleição do “caçador de marajás” queria ver “Frei Damião andando de jet-ski”, como disse Mercadante, quem sabe, exportar Padre Cícero robotizado. Ou seja, a “velha UDN”, que veio do interior para os grandes centros urbanos, em tempos idos, deixou aflorar seu desejo de ser norteamericana, enfim, pertencer ao primeiro mundo e, quem sabe até dar a mão a um astronauta e sair por aí, a passeio, pelo espaço sideral. Queria se desgarrar definitivamente do outro Brasil, aquele da herança colonial, das pessoas invisíveis. Esse parece um desejo latente da “nova UDN”.

Nos anos 90, quem defendia interesses nacionais era chamado de dinossauro, xenófobo e outros adjetivos não menos pejorativos. A ordem era globalizar, seguindo orientações das agências internacionais que pregavam o chamado “Consenso de Washington”. Collor foi afastado sob acusação de corrupção, sobretudo, por falta de confiança das grandes corporações financeiras internacionais, que tinham projetos prontos para compra das estatais brasileiras e realização de outros negócios no país. O PSDB tratou de articular a herança do legado político do governo Collor. Começou um namoro firme com o PFL. Noivou, casou-se em 1994, e do casamento nasceram dois mandatos para Fernando Henrique Cardoso. Casamento perfeito. A “nova UDN” urbana, representante do capitalismo financeiro, foi ao altar, sob as bênçãos do império.

O PFL reúne desde o setor financeiro, passando pelas corporações dos meios de comunicação até o agronegócio. O PSDB entrou com a tecnocracia formada em famosas escolas internacionais como a escola de Chicago e de Harvard, com apoio do sistema financeiro nacional e internacional, que tinham seus interesses, evidentemente, na moeda e no livre mercado comercial (ALCA), desde que a meca fosse os EUA.

Um modelito estadunidense
Esse casamento é a cara da “nova UDN”, cuja estética pode ser percebida nas grandes cidades litorâneas do país, que se transformaram em caricaturas de Miami. Já as cidades do interior, andam com a cara do Texas. Os rodeios dão o tom da música, da vestimenta e do comportamento. Essa estética pode ser vista também em coisas simples como num maço de cigarros de palha fabricado em Minas Gerais. O maço é ilustrado, na parte frontal, com desenho de um cowboy de chapéu texano, óculos Ray Ban, calça e jaqueta jeans. Um modelito estadunidense. Por que não um mineiro pescando num rio, fumando seu cigarrinho de palha? Outro exemplo é a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma caricatura de Miami. Lá tem até estátua da liberdade.

Esse pequeno exemplo parece suficiente para imaginar o ideário da “nova UDN” em ebulição no Brasil. No parlamento e na grande imprensa é fácil ver Carlos Lacerdas inconformados com o novo Brasil, espalhando preconceitos, principalmente o preconceito de classe, numa rede de comunicação conservadora, autista, fora do contexto, presa num discurso dos anos 90, atrasado, superado pelos fatos que culminaram na crise financeira internacional atual.

A imprensa conservadora, num verdadeiro ciclo de retroalimentação com a “nova UDN” constrói um outro Brasil só para eles. Tanto que atacaram o presidente Lula e o seu governo durante os dois mandatos e ele está com 80% de aprovação. Entretanto, nunca se debateu tanto os problemas do país como hoje. Foram realizadas mais de 90 conferências setoriais, na maioria das vezes ignoradas ou atacadas pela imprensa. Educação, saúde, meio ambiente, cultura, comunicação, defesa civil, enfim, as conferências mobilizaram milhões de brasileiros desde os municípios, passando pelos estados até as conferências nacionais de cada setor. Existem outras redes de comunicação construídas pelos movimentos que debatem as políticas públicas do governo e dinamizam a informação. Existe outro Brasil emergindo e rompendo com as cercas que o isolaram por tantos séculos. É esse Brasil que causa tanto incômodo à “nova UDN” e a faz tão raivosa.

Na eleição de 2006, causou perplexidade a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil estaria precisando de um novo Carlos Lacerda. Essa declaração escapou num ímpeto de intolerância, quando se confirmava a força da liderança de Lula ao resistir os ataques da “nova UDN” e revelar seu favoritismo nas urnas. O Brasil não é mais o mesmo. Esse caminho não tem mais volta. Resta saber se a “nova UDN” sobreviverá.

(*) Laurez Cerqueira é autor, entre outros trabalhos, de Florestan Fernandes Vida e Obra; Florestan Fernandes – um mestre radical; O Outro Lado do Real, em parceria com Henrique Fontana.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O Movimento Social da Economia Solidária e os partidos políticos (II)





O movimento social da economia solidária e os partidos políticos (II)

Paulo Marques

A prática da Economia Solidária no Brasil não surge de um projeto ideológico da esquerda. Ela é parte da luta de resistência de trabalhadores e trabalhadoras à exclusão e o desemprego que aprofundou-se a partir da etapa neoliberal do desenvolvimento capitalista. Por outro lado, podemos identificar que a construção dessa prática enquanto um novo movimento social é responsabilidade dos/as militantes dos movimentos populares, em um processo que podemos identificar como uma re-politização da prática da Economia Solidária, sendo este um dos elementos de novidade que caracteriza esta construção.

Se fizermos uma comparação do atual contexto de emergência da Economia Solidária em relação ao cooperativismo do século XIX poderíamos dizer que o primeiro é ainda uma prática em busca de uma teoria, enquanto o segundo foi uma teoria (principalmente a partir dos socialistas utópicos) em busca de uma prática (as experiências eram raras e limitadas). Este processo histórico de surgimento da economia dos trabalhadores e trabalhadoras (cooperativismo) como projeto ideológico coetâneo ao surgimento do capitalismo e o seu fracasso como projeto político é muito bem explicado na obra de Paul Singer “Uma Utopia Militante”. Singer destaca que o cooperativismo surge como proposta de resistência ao capitalismo nascente, assim como os partidos operários e os sindicatos. Entretanto, o fortalecimento dos sindicatos e partidos de esquerda, que obtém vitórias eleitorais e conseqüentemente conquistas fundamentais para a classe trabalhadora, acabam colocando em segundo plano a resistência no campo econômico a partir de iniciativas autogestionárias.

Isso fez com que o cooperativismo perdesse o caráter de alternativa prática de produção e organização do trabalho capaz de enfrentar as relações de produção capitalista que se tornavam hegemônicas. Mesmo que na acepção clássica marxista a definição de socialismo em sua essência significasse a sociedade dos livres produtores associados, o fato é que na realidade a opção dos comunistas, principalmente com o advento da Revolução Russa de 1917, foi a ocupação do Estado pelo partido de vanguarda que, por decreto, buscou transformar a infraestrutura ou seja, as relações de produção. O que Singer identificou como socialismo de “cima para baixo” que nunca possibilitou um controle real da economia por parte dos trabalhadores auto-organizados. O resultado desse processo pode ser comprovado no fracasso das experiências de socialismo real.

O abandono pela esquerda da estratégia de luta no campo econômico a partir de experiências econômicas autogestionárias, via cooperativas, contribuiu para que o cooperativismo acabasse absorvido pelo sistema capitalista que o utilizou de forma funcional. Não mais um modo de produção alternativo, mas, sobretudo, uma forma de administração coletiva de empresas. Mesmo que tenha crescido quantitativamente em todo o mundo, o cooperativismo nunca constituiu um movimento anti-sistêmico que ameaçasse o modelo hegemônico de produção e consumo.
Este problema já havia sido colocado por Marx quando escreveu sobre o potencial e os limites do cooperativismo no Manifesto de criação da AIT – Associação Internacional dos Trabalhadores, a primeira internacional:

"(...) o futuro nos reservava uma vitória ainda maior da economia política do operariado sobre a economia política dos proprietários. Referimo-nos ao movimento cooperativo, principalmente às fábricas cooperativas levantadas pelos esforços desajudados de alguns hands1 audazes. O valor dessas grandes experiências sociais não pode ser superestimado. Pela ação, ao invés de por palavras, demonstraram que a produção em larga escala e de acordo com os preceitos da ciência moderna, pode ser realizada sem a existência de uma classe de patrões que utilizam o trabalho da classe dos assalariados; que, para produzir, os meios de trabalho não precisam ser monopolizados, servindo como um meio de dominação e de exploração contra o próprio operário; e que, assim como o trabalho escravo, assim como o trabalho servil, o trabalho assalariado é apenas uma forma transitória e inferior, destinada a desaparecer diante do trabalho associado que cumpre a sua tarefa com gosto, entusiasmo e alegria. Na Inglaterra, as sementes do sistema cooperativista foram lançados por Robert Owen; as experiências operárias levadas a cabo no Continente foram, de fato, o resultado prático das teorias, não descobertas, mas proclamadas em altas vozes em 1848."

Marx alertava, em uma antecipação de um dos principais desafios do movimento da economia solidária hoje, que para o avanço da economia política dos trabalhadores e trabalhadoras (autogestionária) era fundamental superar o isolamento das experiências e articulá-las em um movimento de transformações estruturais com capacidade de enfrentar os monopólios capitalistas:

(...) Ao mesmo tempo, a experiência do período decorrido entre 1848 e 1864 provou acima de qualquer dúvida que, por melhor que seja em princípio, e por mais útil que seja na prática, o trabalho cooperativo, se mantido dentro o estreito círculo dos esforços casuais de operários isolados, jamais conseguirá deter o desenvolvimento em progressão geométrica do monopólio, libertar as massas, ou sequer aliviar de maneira perceptível o peso de sua miséria.

Marx, de forma profética descreveu o que poderia acontecer em relação ao cooperativismo caso não superasse seus limites e se desenvolvesse em níveis dimensões nacionais:

"(...) talvez por essa mesma razão que, aristocratas bem intencionados, porta-vozes filantrópicos da burguesia e até economistas penetrantes, passaram de repente a elogiar ad nauseam o mesmo sistema cooperativista de trabalho que tinham tentado em vão cortar no nascedouro, cognominando-o de utopia de sonhadores, ou denunciando-o como o sacrilégio de socialistas. Para salvar as massas laboriosas, o trabalho cooperativo deveria ser desenvolvido em dimensões nacionais e, conseqüentemente, incrementado por meios nacionais. Não obstante, os senhores da terra e os senhores do capital usarão sempre seus privilégios políticos para a defesa e perpetuação de seus monopólios econômicos. Em vez de promoverem, continuarão a colocar todos os obstáculos possíveis no caminho da emancipação do operariado."( grifo nosso)

Qualquer semelhança entre os “aristocratas bem intencionados” e “porta-vozes filantrópicos da burguesia” de que Marx se refere e os atuais “empresários da Responsabilidade Social” não é mera coincidência.

A retomada, portanto, do sentido político das experiências das cooperativas inseridas em uma proposta de caráter anti -sistêmico somente é realizada a partir dos novos movimentos sociais que se articulam no final do século XX no que veio a ser conhecido como movimentos anti-globalização cuja referência de espaços de articulação são os Fóruns Sociais Mundiais. É neste espaço que a Economia Solidária começa a tomar forma como movimento social.

Identificamos também o papel central de setores da esquerda que buscaram a partir de um resgate da prática cooperativista, elementos de renovação programática do projeto socialista buscando construir um projeto político de “baixo para cima”, conforme definiu Paul Singer na sua análise sobre a retomada da cooperação como estratégia de construção do socialismo. A construção de políticas públicas de fomento a Economia Solidária por parte de gestões locais de partidos de esquerda foi a concretização desta nova orientação.

Entretanto, é importante destacar que estes setores mais ideológicos, do campo marxista, ainda estão em minoria dentro do movimento. Essa assimilação do tema da autogestão por parte da esquerda principalmente marxista, ainda é, portanto, recente e muito restrita. Mas é um avanço significativo quando temos militantes que avançam nessa compreensão mesmo sendo de tradição leninista, avessos a qualquer experiência autogestionária.

Cabe salientar que essa relação da esquerda, em particular os partidos que se referenciam no socialismo, com o movimento da Economia Solidária no Brasil está, ainda, restrita aos militantes do Partido dos Trabalhadores. Isto também não significa que todos os setores do partido tenham assimilado o potencial da Economia Solidária para uma estratégia de transformação estrutural a partir da mudança da base econômica. É ainda muito forte a orientação no sentido da transformação de “cima para baixo”, a partir do Estado, e não da construção de práticas contra hegemônicas de “baixo para cima” nos interstícios do capitalismo, como salienta Singer.

Todavia, malgrado o crescimento e hegemonia dos setores de orientação social-democrata e neodesenvolvimentistas no PT, o que coloca em minoria os setores marxistas que propõe ao partido posições mais avançadas quanto ao tema da autogestão, quando comparamos o PT com os demais partidos do campo de esquerda observamos que ainda há muito o que avançar.

Ainda hoje os principais partidos da esquerda brasileira (PCdoB, PSB, PSTU, PSOL) não mantém nenhum interesse ou relação com o tema da Economia Solidaria. Sendo que em alguns casos como por exemplo com PCdoB, PSB não há resistências ao tema, mas indiferença pois estes partidos nunca contribuiram com este campo.

Existem também os casos de total negação e contrariedade com a prática da ES, como é o caso do PSTU, cuja linha ideológica trotskista ortodoxa o impede de visualizar tanto as transformações no mundo do trabalho no seçulo XXI como o potencial que as experiências de Economia Solidária abrem para a reorganização política da classe trabalhadora no atual contexto capitalista.
Outro partido que mostra desinteresse pela Economia Solidária é o PSOL que surgiu como uma proposta de resgate do programa que teria sido abandonado pelo PT mas infelizmente sequer menciona em seu programa econômico a Economia Solidária.

Portanto, temos um quadro no campo da esquerda partidária ainda muito restrito e fragilizado sobre o tema, o que conforma dois perigos. Primeiro para o próprio movimento, que perde importantes forças politizadoras, e corre o risco, ao não construir força política para um projeto estratégico de transformações estruturais, trilhar o caminho do cooperativismo tradicional de adaptação ao sistema.

O segundo perigo quem corre é a própria esquerda que abre mão de dialogar com um novo e emergente contingente de trabalhadores e trabalhadoras que fazem economia solidária e tem um enorme potencial transformador.

O Movimento Social da Economia Solidária e os partidos políticos (I)




O movimento social da economia solidária e os partidos políticos” ( I )

Por Paulo Marques



A relação dos movimentos sociais com os partidos políticos têm sido um debate constante seja entre seus próprios protagonistas seja entre pesquisadores que estudam o tema. No caso do Movimento social da Economia Solidária não é diferente. É recorrente o debate entre aqueles que advogam por uma “autonomia” política do movimento e aqueles que vêem como positivo e necessário a participação de militantes do movimento em partidos políticos, particularmente do campo da esquerda. Em relação ao discurso “autonomista”, o mesmo é baseado no argumento de que o movimento não pode ser “partidarizado” ou instrumentalizado por partido A ou B, pois estaria perdendo assim o seu caráter de movimento social. Já os que discordam dessa visão defendem o papel do partido político como um instrumento fundamental para o avanço das pautas do movimento a partir da disputa de poder que se dá na sociedade.
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Grafite em Santiago - Chile, Allende Presente.

Por Paulo Marques.

Se olharmos para a história das experiências mais avançadas de autogestão, veremos que quando os trabalhadores assumiram de fato o controle da produção a partir da associação dos livres produtores associados como preconizava o velho mouro, foi exatamente no momento em que os militantes dos movimentos sociais participaram dos processos políticos através dos partidos de esquerda. E foi o fato da autogestão compor o programa destes partidos que possibilitou que o Estado assumisse e executasse as demandas do movimento.

Podemos ilustrar esse fato a partir de dois casos históricos emblemáticos, que consideramos como os mais avançados de autogestão da história: A Autogestão (Coletivización) realizada na Catalunha em 1936, durante a Guerra Civil Espanhola, e a experiência do Governo Allende da Unidade Popular no Chile entre 1970 e 1973. No primeiro caso, foi a partir da vitória da Frente Popular nas eleições de 1936, inclusive com o voto dos anarquistas da CNT, que se abriu um período histórico de acúmulo de forças do campo popular que permitiu a experiência mais significativa de autogestão no campo e na cidade que se têm noticia.[1]

No caso chileno, também inédito pela abrangência, tem-se a experiência do controle operário em centenas de fábricas nos chamados “cordões industriais”, que levaram o governo da Unidade Popular a criar um Setor econômico específico de empresas autogestionárias. Em ambas as experiências, levadas a cabo por partidos de esquerda (PSOE, POUM, PCC na Catalunha, PS e PC no Chile) e organizações sindicais (CNT Catalunha e CUT chilena) o processo revolucionário somente foi interrompido por golpes fascistas.[2]

Outra questão que corrobora com essa posição sobre o papel dos partidos diz respeito à questão do por que nos chamados Estados Socialistas (Ex. União Soviética, Paises do Leste Europeu e China atualmente) nunca houve avanços em direção a um processo autogestionário na economia. Entre outros elementos podemos destacar o fato de que a autogestão nunca esteve no programa dos partidos que protagonizaram esses processos.

Ou seja, nas experiências onde os partidos de esquerda assumiram a proposta de autogestão e incluíram em seu programa, houve um inegável avanço da prática autogestionária na medida em que passa a assumir um caráter de projeto estratégico. Nas experiências onde os partidos de esquerda mantiveram uma visão contrária a autogestão, fechados na escolástica do marxismo autoritário da IIIª internacional ou mesmo na assimilação do capitalismo como no caso dos partidos da social democracia, tivemos apenas um capitalismo de Estado com retórica socialista.

Nesse sentido, avaliamos como muito positiva a inserção do tema da autogestão no programa do Partido dos Trabalhadores a partir da Setorial de Economia Solidária, espaço criado em 2006 que reúne os militantes do partido que participam do movimento da Economia Solidária. Não podemos perder de vista que no caso do PT há uma inegável vinculação histórica entre o movimento da economia solidária e o próprio partido. Muitos daqueles que criaram o PT no contexto das lutas sociais dos anos 1980, setores da igreja católica progressista, sindicalistas, movimentos sociais do campo; movimento feminista, ambientalistas compõe hoje o movimento social da Economia solidária, seja através de entidades de apoio, seja como gestores públicos ou trabalhadores e trabalhadoras de Empreendimentos Econômicos Solidários. Por isso, a participação de petistas no movimento e vice-versa não é algo que seja estranho a cultura do próprio partido nem do movimento.

O que deve ser destacado é que esta relação dos militantes do movimento da Economia solidária com o partido tem contribuído muito para o PT em dois sentidos, primeiro para que a esquerda mude e visão sobre a autogestão, superando as teorias baseadas em socialismo como sinônimo de estatismo, e em segundo mantenha o partido no campo da esquerda no qual a democracia política só tem sentido quando vinculada a democracia econômica.

Podemos sem dúvida questionar se o PT ou os partidos de esquerda do Brasil atualmente tem um caráter anti-capitalista, ou mesmo se o movimento da economia solidária é autônomo e tem uma perspectiva de projeto de transformação, o que não se pode questionar é a necessidade de disputa de projetos na sociedade e para isso os partidos políticos ainda cumprem um papel importante.

Quiçá em breve possamos encontrar referências sobre a economia solidária em outros partidos da esquerda brasileira, o que estaria contribuindo significativamente com o fortalecimento do movimento em uma perspectiva de projeto político de transformação da sociedade.

[1] Sobre a Autogestão na Cataluña ver o post …… publicado no BA

[2] Sobre a experiência de autogestão no Chile indicamos o documentário “A Batalha do Chile”

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Por isso vai ser no primeiro turno...

Ditadura Nunca mais: Dilma Presidenta




Com 22 anos de idade Dilma foi presa pela Ditadura Militar, foi barbaramente torturada durante 22 dias pelo regime ilegal dos militares que em 1964 derrubaram o presidente consitutcional João Goulart. A partir do golpe diversos setores da esquerda rompem com o PCB e iniciam a resistencia armada contra a ditadura. Dilma militou na VAR Palmares um dos agrupamentos marxistas mais atuantes da luta armada. Hoje Dilma está prestes a ser a primeira presidenta mulher do Brasil. Sua vitória, acima de tudo será uma homenagem a todos e todas que como ela deram o melhor de suas vidas por um país melhor. Por isso tanto ódio por parte da direita, dos meios de comunicação que hoje constituem o verdadeiro partido dos conservadores no país. A vitória de Dilma é a derrota do que ainda resta dos vestais da ditadura.

Uma bela homenagem a Fidel





Publicamos hoje o excelente artigo que pescamos da Carta Maior, escrito pelo Gilson Caroni Filho* em homenagem aos 84 anos do Comandante FIDEL


O aniversário dos impossíveis



Neste agosto de 2010, Fidel reapareceu em público, retomando a real e vigorosa crítica da política internacional, ao advertir sobre o grave perigo para a paz, caso Estados Unidos e Israel lancem ataques a instalações iranianas. Analisando o Oriente Médio, o Comandante volta a propugnar por mudanças radicais que permitam ao homem entrar na posse de sua dignidade. É na práxis, e não no isolamento de conspiratas, que o verdadeiro humanismo se reafirma. Sua estatura histórica é universalista por excelência.

Em 1991, com o colapso da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a gigantesca máquina de propaganda estadunidense prognosticou o fim do regime cubano. Passados 19 anos, Cuba, apesar do bloqueio econômico e comercial mantido pela potência imperialista, apresenta o menor índice de mortalidade infantil até o primeiro ano de vida, na América Latina. Além disso, registrou, em plena crise econômica mundial de 2009, aumento do PIB per capita.

Somando-se a estes índices a vantagem de um modelo societário que reconhece legal e concretamente o direito à educação e saúde para todos de maneira gratuita, estará descortinada a mais bela obra que uma sociedade pode desejar: uma nação independente e soberana.

Compreende-se a dificuldade de uma crítica individualista ao lidar com formação política em que o “dar-se à sociedade" ocupa o lugar mais alto em uma escala de valores morais. A tomada do poder em 1959, pelos guerrilheiros de Sierra Maestra, foi o meio para revolucionar as estruturas cubanas. Não foi um golpe de Estado para troca de guarda; para troca de grupos privilegiados, tão comuns na América Latina. Aqueles homens estavam dispostos a mudar as condições de vida da maioria absoluta da população, do amplo contingente desprovido de direitos.

É claro que modificar um país, organizado para servir aos interesses estrangeiros e a uma exígua minoria da sociedade nativa, acarreta toda sorte de problemas e um grande descontentamento nos que perdem privilégios atávicos. A execução dessas transformações – já difícil em circunstâncias normais – sob o bloqueio econômico tornou-se árdua e dependente de uma grande dose de sacrifícios.

Com Fidel aniversariaram as adolescentes que em 1961, ano em que a revolução se declarou socialista, subiram à serra para alfabetizar camponeses. Entoando versos como “Somos la Brigada Conrado Benítez, somos la vanguardia de la Revolución..." lembravam um mártir e, talvez sem entender muito bem tudo o que estava acontecendo, deslancharam o processo educativo da nova Cuba. Além delas, outros homens e mulheres, que viveram a história como fé apaixonada na capacidade do homem de lutar contra a injustiça, também festejaram a sexta-feira.

Aos que lutam pelo respeito aos direitos humanos, é bom recordar que a cultura é o que humaniza o homem. E nós só o humanizamos quando o colocamos no centro dos debates fundamentais, elevando sua qualidade de vida. As crianças reunidas no Parque Lênin, em Havana, não cantaram parabéns apenas para o líder cubano. Pessoas que viveram os tempos capitalistas e outras que nasceram após a revolução têm consciência das dificuldades a serem enfrentadas. Mas continuam acreditando no legado revolucionário por se sentirem participantes ativas do processo.

Como povo esclarecido, bem informado e politizado, o cubano é o verdadeiro crítico do seu regime. Critica e aponta saídas. Sabe que é preciso lutar para ampliar a esfera pública, mas tem consciência de que a propaganda orquestrada contra o governo socialista acaba por criar, como subproduto previsto e planejado, uma imagem distorcida de sua realidade. A volta ao capitalismo é impensável. Por isso cantam parabéns para a vontade férrea de não esquecer o significado de cada conquista. Na estreita vinculação, que deve existir entre os interesses do indivíduo e os da sociedade, permanece atual o que vinha escrito nas boinas dos pequenos “pioneros”: “seremos como el Che”. Uma promessa de renascimento permanente.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

sábado, 14 de agosto de 2010

A DIREITA BRASILEIRA NÃO ACEITA QUE DILMA SERÁ PRESIDENTA DO BRASIL



Não adianta tentarem os golpes fascistas de sempre. O Brasil elegerá no dia 03 de outubro a primeira mulher presidenta do país. Dilma foi guerrilheira, lutou contra a Ditadura que sempre teve apoio das grandes redes de comunicação, principalmente a Rede Globo. Enquanto muitos "democratas"foram para baixo da cama, Dilma com 22 anos foi a luta, foi presa e torturada. Seu passado de guerrilheira é um grande orgulho para todos que hoje lhe apoiam.