quinta-feira, 20 de maio de 2010

CAPITALISMO VERDE





O “PRAGMATISMO VERDE ” DE MARINA SILVA


A candidatura à presidente da senadora e ex- ministra do meio ambiente do governo Lula, Marina Silva, foi saudada por alguns setores do campo da esquerda, particularmente dos movimentos ambientalistas e da Economia Solidária como a possibilidade de que temas centrais para a luta destes movimentos como um novo modelo de desenvolvimento econômico fossem pautados no debate eleitoral, buscando romper com o consenso em torno do desenvolvimentismo capitalista que hegemoniza as propostas em disputa.

Entretanto, com o inicio da exposição das propostas das candidaturas pode-se perceber que a candidata do Partido Verde não irá cumprir essa tarefa e pior que isso, têm sido uma enorme decepção. Para quem leu a entrevista exclusiva da candidata ao grupo RBS e publicado no Jornal Zero Hora desta segunda-feira, tomou um verdadeiro “banho de água fria” nas expectativas de que algo novo seria apresentado. Sem desconhecer todos os méritos da história de vida de Marina e seu compromisso com a pauta ambientalista, o que se viu na entrevista foi uma candidata que seguiu a risca o roteiro e a pauta de interesses do grupo RBS, ou seja, nenhuma proposta que contrariasse os interesses do capitalismo dominantes, como o agronegócio, os transgênicos e o modelo agrícola baseado no latifúndio agro-exportador. Nenhuma defesa da Reforma Agrária e sequer uma menção a Economia Solidária. Ao contrário, o que se ouviu e leu foi uma candidata dominada pela agenda da direita, inclusive com o roteiro tradicional de críticas ao que de mais avançado foi feito no governo Lula como a política externa soberana. As respostas da candidata soaram como música para os ouvidos dos jornalistas amestrados do monopólio das comunicações do Estado.

Sobre a política externa do governo Lula, Marina utilizou o mesmo sofisma da direita reacionária que não aceita a posição soberana do pais frente ao império e o apoio aos governos progressistas da região. Em relação a atuação do Brasil na questão do Irã a candidata faz coro às simplificações grotescas da direita ao dizer afirmar que de que “Acho que eles (o governo brasileiro) deram muita audiência para o Irã.

Um momento de rara coerência entre o discurso e a prática da candidata foi a defesa de uma aliança do PT com o PSDB, pois quem acompanha a trajetória de Marina no partido sabe de suas posições historicamente aliadas aos setores mais à direita do partido que sempre defenderam alianças com o chamado “centro”, eufemismo que a direita sempre usou para sua auto-identificação. Segundo a candidata: “ Se o PSDB e o PT conversassem, com certeza eles conseguiriam uma base mínima de governabilidade e, com essa base mínima de governabilidade, conseguiriam puxar para si os melhores de todos os partidos. É assim que eu quero governar. Ou seja, para a senadora ambientalista não existem mais programas políticos, ideologias, visões de mundo, tudo se resume em pessoas “melhores” ou “piores”.

É com essa “visão Política” que tentamos entender os elogios de Marina ao senador Pedro Simon, a outra razão pode ser o fato de que o octagenário político é um ícone para a RBS. Na entrevista a candidata não poupa elogios à Simon identificado como um “grande jurista”( estaria a senadora confundindo Simon com outro ídolo da RBS de nobre sobrenome Pinto? )
Para Marina Simon não pertence à ala fisiológica do PMDB, que aderiu ao governo. Simon, para ela, é um “progressista histórico do PMDB”. Para quem minimamente conhece o Senador da dupla moral, uma para o resto do país e outra para os seus (sustenta até hoje a quadrilha que assaltou o Estado no atual governo do PSDB/PMDB) essas opiniões soam como piada.

Completando o discurso sob medida para a RBS, e talvez para não fechar as portas para futuros financiadores de sua campanha Marina não conseguiu nem mesmo defender a redução da jornada de trabalho, luta histórica da esquerda. Perguntada sobre o tema reproduziu o discurso conservador da direita ao afirmar que “ não podemos fazer um discurso simplificado(...) essa redução pode ser transformada, mais adiante, em um mecanismo que vai ocultar a impossibilidade de o trabalhador ter mais tempo para o lazer, para descansar, que são as horas extras. Ela lembra ainda que, no Brasil, há muitas pessoas na informalidade”. Da mesma forma, em relação ao aborto não foi nem mesmo capaz de apresentar argumentos no campo da saúde pública, resumindo tudo a questões “morais, filosóficas e religiosas” . Nada mais reacionário.

Para fechar com chave de ouro a entrevista Marina aponta os EUA como o modelo de sociedade que ela quer construir. Ou seja, a única candidata que têm a defesa do meio ambiente como pauta central apresenta como paradigma de desenvolvimento a sociedade que mais polui e destrói o planeta. Os defensores do “capitalismo verde” e do “ambientalismo capitalista”, saúdam sua representante nesta eleição.

Um comentário:

Antonio Carlos Freitas Pinto disse...

Companheiro, eu vou um pouco mais além: A ex-ministra do meio ambiente que sempre se apresentou como "esquerda", estará num beco sem saída. Pois tudo que ela defendia, agora vai ter que se opor, colocando em cheque-mate o seu caráter. Digo isso, por que aqui no Rio de janeiro, o PV se relaciona muito bem com os neoliberais (PSDB e DEM). Agora entenda isso: Como um mulher politizada que fundou um partido de esquerda, passando toda a sua trajetória política combatendo o capitalismo, fica agora se sujando com um lamaçal que ela passou toda vida fugindo dela. É para lamentar!
Admiro mais o PSOL, que são os RADICAIS contra o PT, no qual sou filiado e milito.
Um abraqço e saudações PTistas!!!