quinta-feira, 18 de março de 2010

Ha quem fale em luto. Nós falamos em vitória



Jon Anza, sua morte não será em vão. Aurrera Bolie.

Momentos como este atormentam a mente. A pluma do escritor emudece colérica. As línguas mais soltas embolam-se. Um povo inteiro guarda silêncio respeitoso ante um novo episódio de guerra suja.

Guerra suja, sim. Suja por ser planeada nas cloacas mais truculentas do Estado. Porque o fedor das mentiras oficiais torna o ar irrespirável. Porque a mordaça oficial do Estado pretende silenciar mais um assassinato, mais uma vida.

No imaginário colectivo do povo basco este sulco não é novo. A notícia percorreu a realidade sociopolítica basca num instante. O suor frio atesta a sua veracidade. Esperada. Temida.

O Estado fala da necessidade de mártires do movimento de libertação basco. Até as maçãs do rosto do indivíduo mais calmo coram forçosamente perante o óbvio: Espanha prepara e planifica o assassinato de Estado e França encobre-o.

O sequestro e posterior assassinato do militante basco Jon Anza, às mãos das Forças de Segurança do Estado espanhol, é a encenação mais cruel da realidade deste povo. Opressão individual e colectiva, económica, social, nacional.

Há quem fale de luto. Nós falamos de vitória. Essa é a melhor e mais sentida homenagem a todas as pessoas que deram a sua vida pela liberdade de Euskal Herria e dos seus cidadãos.

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