segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NOSSA HOMENAGEM AO CAMARADA PRESIDENTE PEPE MUJICA


Mujica e sua companheira Lúcia, vida simples de pessoas dignas

No domingo passado o povo Uruguayo elegeu José Pepe Mujica, histórico líder tupamaro para presidir o país. Em homenagem a este grande líder popular publicamos abaixo a apresentação de uma longa entrevista que Mujica concedeu a Agencia Carta Maior no ano de 2005, quando ocupava o Minist[erio da Agricultura do governo Tabaré Vasquez.

QUEM É O NOVO PRESIDENTE DO URUGUAY?

publicado por Marco Weissheimer em 2005, na Agência Carta Maior, quando Tabaré Vázquez se elegeu presidente

José Pepe Mujica, 69 anos, é um homem simples e extraordinário. Vive a vida com simplicidade. Nunca acumulou posses, títulos, roupas de grife, carros caros ou sapatos italianos. É extraordinário porque viveu situações extraordinárias e manteve a simplicidade. Sempre procurou acumular conhecimento e experiência. E sofreu muito na vida. Lutou muito, e ainda luta, acertou, cometeu erros, apanhou, viveu situações inacreditáveis. Junto com outros dirigentes do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, passou mais de doze anos preso em quartéis uruguaios, durante a ditadura militar. Durante dois destes doze anos ficou praticamente enterrado vivo, no fundo de um poço. Ele e seus companheiros que foram submetidos a essa tragédia ficaram conhecidos como os “reféns”. Mujica sobreviveu a essa provação e hoje é um dos líderes políticos mais importantes do Uruguai. Mais do que isso, é uma voz a ser ouvida, um exemplo de vida digna e corajosa.

No período em que ficou preso no fundo de um poço, “onde o sintoma mais evidente de vida eram sete pequenas rãs, as quais alimentava com migalhas de pão”, Mujica aprendeu que as formigas gritam. “Descobri isso ao colocá-las no ouvido para me entreter com algo.” Apesar da brutal condição a que ele e seus companheiros foram submetidos, ele não guarda rancor e diz ter aprendido com essa experiência: “Pode parecer uma monstruosidade o que vou dizer, mas dou graças à vida por tudo o que vivi; se eu não tivesse passado por estes anos e aprendido o ofício de galopar para dentro de mim mesmo, teria perdido o melhor de mim mesmo. Me obrigaram a remover meu solo e isso me fez muito mais socialista do que antes”, disse Mujica em uma entrevista concedida tempos atrás ao semanário Brecha.

Libertado no outono de 1984, Pepe Mujica e sua companheira, Lucía Topolansky, que também estava presa, foram morar em um pequeno sítio nos arredores de Montevidéu. Vivem lá até hoje, em uma casa muito simples. Vivem em uma comuna junto com outras famílias, plantando verduras, flores, frutos, uvas para vinho, entre outras coisas. Em 2004, ele foi o senador mais votado do Uruguai. De 15 de fevereiro a 1° de março, tornou-se a principal autoridade do país, presidindo o parlamento nacional. A partir do dia 1° [1/3/2005], assume o Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca. Ela foi reeleita deputada e, agora, passará a ser senadora, ocupando justamente a vaga de Mujica, que será ministro (no sistema eleitoral uruguaio, o candidato pode aparecer tanto nas listas para deputados quanto para senadores). Permanecem morando na mesma terra, com a mesma simplicidade, sabedoria e disposição para a luta. Recebem jornalistas cercados por seus animais de estimação. Entre seus cães, Vitória e Manoela não se intimidam com as máquinas fotográficas, gravadores e câmeras, participando das entrevistas quando a oportunidade se oferece.

“Não há homens imprescindíveis”

É difícil apresentar Mujica, sem omitir uma passagem importante de sua vida. Na mesma entrevista, mencionada acima, ele se apresentou da seguinte maneira: “Pepe Mujica é um veterano, um velho que tem uns quantos anos de cárcere, de tiros no lombo, um tipo que se equivocou muito, como sua geração, e que trata, até onde pode, de ser coerente com o que pensa, todos os dias do ano e todos os anos da vida. E que se sente muito feliz, entre outras razões, por contribuir para representar aqueles que não estão e deveriam estar. Eu discordo de Bertolt Brecht, porque não há homens imprescindíveis, mas sim causas imprescindíveis, caminhos imprescindíveis. A história é uma construção tremendamente coletiva. E nisso andamos, cada um colocando sua pedra. Aqueles que não cultivam a memória, não desafiam o poder.”

sábado, 28 de novembro de 2009

APRONTA TU CORAZÓN

Domingo é dia de Mujica, dia do povo Uruguayo




Quando completa 38 anos de existencia, a Frente Ampla do Uruguay iniciará mais um mandato a frente do governo nacional. A vitória histórica de Tabaré Vasques que deu inicio as transformações no país seguirá com Pepe Mujica, histórico guerrilheiro tupamaro, que é parte desse processo historico latinoamericano de construção de um continente livre, soberano, democrático e popular.

HOJE EM BILBO, POVO BASCO NAS RUAS PELA FIM DA REPRESSÂO

PAIS BASCO: JUVENTUDE QUE FAZ POLÍTICA ACABA NA PRISÃO


Cartaz da manifestaçao contra a prisao dos jovens independentistas bascos


Familiares dos jovens presos convocam manifestaçao de protesto em Bilbao neste sábado.

Estado Espanhol aprofunda repressão no Pais Basco : Povo basco sai as ruas neste sábado

Sâo 34 os jovens independentistas que foram detidos numa macro-operação levada a cabo neste mês de novembro por 650 agentes da Polícia espanhola e da Guarda Civil em várias regiões do País Basco ( Gipuzkoa, Nafarroa, Araba e Bizkaia )contra a organização da juventude independentista de esquerda Segi. Por ordem do juiz Fernando Grande Marlaska, as forças policiais além das prisões inspeccionaram 92 habitações, gaztetxes, herriko tabernas e associações de moradores, de acordo com o Ministério do Interior.

Cerca de uma centena de familiares e amigos dos 34 jovens independentistas detidos lançaram um apelo a diversos agentes e às pessoas de Euskal Herria no sentido de participarem na manifestação que convocaram para este sábado em Bilbau em defesa de «todos os projetos e do direito ao exercício de todos os direitos». Sublinharam que os seus familiares se encontram detidos por serem independentistas.

«Que futuro tem um povo cujos jovens são detidos e encarcerados pela exclusiva razão de trabalharem pelos seus direitos e pelos projetos com que sonham? Que futuro têm as novas gerações de Euskal Herria? Que futuro tem Euskal Herria com uma juventude que vê recusada os direitos mais básicos?», perguntaram os familiares e amigos dos 34 jovens independentistas detidos em Hego Euskal Herria [País Basco Sul] e que hoje permanecem sob regime de incomunicação em Madrid.

Numa conferência bastante participada, que decorreu em Usurbil (Gipuzkoa), realçaram que os seus familiares e amigos se encontram detidos por serem independentistas, «essa é a única razão para que a Polícia e a Guarda Civil os tenha detido e submetido ao regime de incomunicação».

«Divulgar o pensamento independentista entre os jovens, criar projectos a favor da independência e realizar um trabalho social e político sonhando com um futuro em liberdade, essa é a única razão para que a Polícia e a Guarda Civil os tenha detido e submetido ao regime de incomunicação», reiteraram.

Afirmaram que a liberdade de expressão e de pensamento, o direito a realizar assembleias e à participação política – direitos incluídos no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas – aqui constituem um crime quando se trata do seu exercício pelos jovens independentistas, algo que não sucede no resto da Europa».

«Não sabemos como ou onde se encontram»
Mostraram-se preocupados pela situação de incomunicação em que se encontram. «Não sabemos como ou onde se encontram; sabemos, isso sim, que o regime de incomunicação e a tortura costumam ser sinónimos». Alicerçam as suas palavras nas comunicações e nos textos dos relatores dos direitos humanos da ONU, da Amnistia Internacional e da Comissão para a Prevenção da Tortura, organismos que pediram «por diversas vezes» ao Governo espanhol que «ponha fim ao regime de incomunicação e abandone a prática da tortura».

Perante o «maior e o mais grave ataque sofrido pela juventude independentista basca nos últimos trinta anos», pedem que se reflicta sobre o direito dos jovens a trabalhar pelas suas ideias. «Os jovens e as jovens que sonham com a independência não têm qualquer possibilidade de defender um projecto político e social?», perguntam.

Por tudo isto, apelam à participação na manifestação convocada para este sábado em Bilbau. A marcha partirá às 17h da Aita Donostia.
Fonte: Gara

Juventude perseguida, povo em marcha
artigo de Floren Aoiz

Procuravam um grande golpe policial, como anunciou na semana passada o Movimento pró-Amnistia: 34 detenções e 92 inspecções, dizem que a maior operação em muito tempo.

Estamos perante um nova demonstração de força bruta policial, ainda que, naturalmente, para o pensamento único isto não seja violência. Vamos ver como são tratadas as pessoas detidas, mas as detenções e as inspecções dão-nos a dimensão da nova patada repressiva. Uma operação de tamanho XXXXL, tão exagerada quanto a podridão moral de quem a lançou e apoia, tão grande quanto o medo que o estado espanhol tem da sociedade basca.

Desta vez atingiram a juventude. Já começou o trabalho sujo dos jornalistas parapoliciais. Gaztetxes, sociedades gastronómicas, peñas, todos fazem parte, como não!, do Eixo do Mal. Alguns já lançam novas rações de veneno: actuaram contra os «duros». O argumento que utilizaram para justificar as últimas detenções, mas ao contrário. Duros ou brandos, todos para a prisão. Anunciou-o Aznar, mas quem o está a pôr em prática é Rodríguez Zapatero, o do carácter dialogante [el talante].

Nesta altura, não nos surpreende que recorram à repressão. A gestão do caso Alakrana mostrou-nos, se é que havia alguma dúvida, a inépcia de Rodríguez Zapatero, do seu governo e dos juízes da Audiência Nacional. Inépcia que pretendem ocultar com novas operações que apenas demonstram que têm polícias, juízes e leis que dão amparo a qualquer atrocidade.

Esta é a resposta espanhola às esperanças que renascem na sociedade basca. Bordoadas vs. rebentos verdes. Uma provocação de manual para tentar sabotar os passos que a esquerda abertzale e outros agentes políticos, sindicais e sociais estão a dar. Coices vs. esforços para criar novos cenários.

Um burro pode dar muitos coices e pode dá-los com muita força mas não deixam de ser coices e aquele que os dá só mostra o quanto é burro. Coices dolorosos, sabemo-lo bem, mas incapazes de arredar este povo do caminho que empreendeu.

Floren AOIZ

"Nascemos para ganhar"



"Queremos dizer hoje, aos inquisidores do século XXI, que a Esquerda abertzale apesar de tudo , nao nasceu neste país para resistir nem sequer para responder, nascemos para ganhar e vamos ganhar" Arnaldo Otegi

sábado, 21 de novembro de 2009

Adiós a cuarta, adelante con la quinta


Presidente Chávez y Evo Morales chamam a construção da quinta internacional


Presidente Chávez propone crear Quinta Internacional Socialista



El jefe de Estado instó a los partidos de izquierda del mundo a crear un foro socialista de izquierda verdadera, dispuesta a hacer frente al imperialismo / Expuso la creación de un comité preparatorio para hacer formalmente la convocatoria de la Quinta Internacional / "Yo asumo la responsabilidad ante el mundo", sentenció

El presidente de la República Bolivariana de Venezuela, Hugo Chávez, afirmó que ha llegado el momento de crear una Quinta Internacional Socialista que agrupe al movimiento progresista, de cara al reto que plantea la actual "crisis mundial".

"Yo creo que llegó la hora de que convoquemos la Quinta Internacional, y yo me atrevo a convocarla, creo que es una necesidad y me atrevo a pedir que la creamos, lo propongo: creo que está decidido", dijo Chávez, durante la clausura del Encuentro Mundial de Partidos y Movimientos de Izquierda.

El jefe de Estado invitó a los representantes de los países presentes en el encuentro, para que participen en un proyecto verdaderamente nuevo, inédito, "ese encuentro socialista debe ser de la izquierda verdadera, dispuesta a hacer frente al imperialismo y al capitalismo", destacó.

Aseveró que la convocatoria de esa reunión de movimientos obreros mundiales, que seguiría a la Cuarta Internacional establecida en París en 1938, "es lo que clama el mundo, necesitamos un cambio".

Pidió a los representantes izquierdistas manifestar si están dispuestos a participar en la Quinta Internacional, para comenzar a darle forma al proyecto de organización.

Chávez explicó que "algunos representantes de los partidos deben hacer llamadas y pensar un poco antes de aprobar el documento final de creación. Tómense su tiempo, mañana aún deben discutir, hagan las llamadas que deban hacer, pero déjenme convocar la creación del organismo socialista, yo asumo la responsabilidad ante el mundo", sentenció.

El presidente venezolano propuso también que con la lista de los partidos integrantes sea creado un comité preparatorio, para hacer formalmente la convocatoria de la Quinta Internacional.

"La constitución de ese comité preparatorio pudiera ser una de las conclusiones de este Primer Encuentro de Partidos de Izquierda", sostuvo.

"No hay tiempo que perder. Si le tocara al PSUV y a un partido más de este mundo conformar el primer núcleo, lo haríamos. Pero estoy seguro de que serán más los dispuestos a la tarea, que es de suma urgencia, porque la crisis mundial se acelera", alertó Chávez.

En este encuentro internacional que se desarrolla desde el pasado jueves 19 y concluirá el sábado 21 de noviembre, participan también, la vicepresidenta del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Cilia Flores, y el vicepresidente de la región Sur, Nicolás Maduro.

En esta importante cita política participan más de 150 delegados y 40 grupos de diversas partes del mundo, quienes debatieron sobre las amenazas del imperio, la instalación de siete bases militares estadounidenses en territorio colombiano, el golpe de Estado en Honduras, la caída del capitalismo, y el Socialismo del siglo XXI.

Entre otros líderes del PSUV que se encuentran en el evento están: el vicepresidente de la región Occidental, Rafael Ramírez; de la región de los Llanos, Elías Jaua; de la región Oriental, Aristóbulo Istúriz; de la región Central, Diosdado Cabello; de la región Centro Occidental, Francisco Ameliach; y el director Nacional de la Organización Política, Jorge Rodríguez.

Acudieron a este encuentro 26 países de América Latina y el Caribe, siete de Europa, y seis de África, Asia y Oceanía.

Este encuentro fue concebido como plataforma para elaborar propuestas democráticas desde una visión socialista y comprometida con los pueblos del mundo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Buenaventura Durruti: PRESENTE






Video produzino na Venezuela



Documentário sobre os funerais de Durruti em Barcelona

Ha 73 anos era assassinado em Madrid, Buenaventura Durruti. Uma das figuras lendárias do anarquismo, era um opeário que foi um dos principais protagonistas da revolução Espanhola de 1936. No dia 20 de novembro de 1936, em um dos mais difíceis momentos da resistência anti-fascista em Madrid, que sofria forte ataque das tropas de Franco, Durruti que estava a frente de sua coluna em Zaragoza é chamado para ajudar na resistência. É atingido por uma bala e morre. Sua figura era tão significativa que o seu funeral transformou-se em uma gigantesca manifestação reunindo centenas de milhares de pessoas em Barcelona. Entrou para história, por sua vida e pelo que lutou, como um dos grandes homens da causa da emancipação social.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mensagem do Comandante




La Revolución Bolivariana y la Paz

Juntos, venezolanos y colombianos defenderán la gran Patria del Libertador de América; juntos lucharán por la libertad y la paz.



Conozco bien a Chávez; nadie como él sería más renuente a derramar la sangre entre venezolanos y colombianos, dos pueblos tan hermanos como los cubanos que viven en el este, el centro y el extremo oeste de nuestra Isla. No tengo otra forma de expresar el grado de hermandad que existe entre venezolanos y colombianos.

La calumniosa imputación yanki de que Chávez planea unaguerra contra la vecina Colombia llevó a un influyente órgano de prensa colombiano a publicar el pasado domingo, 15 de noviembre, bajo el título de “Tambores de guerra”,un despectivo e injurioso editorial contra el Presidente venezolano, donde se afirma entre otras cosas que “Colombia debe tomar con toda seriedad la que constituye la más grave amenaza a su seguridad en más de siete décadas pues esta proviene de un Presidente que, además, es de formación militar…”

“La razón ―prosigue— es que cada vez son mayores las posibilidades de una provocación que puede ir desde un incidente fronterizo hasta un ataque contra instalaciones civiles o militares en Colombia.”

Más adelante el editorial añade como algo probable “…que Hugo Chávez intensifique sus ataques contra los ‘escuálidos’ ―remoquete con el que identifica a sus opositores―, y trate de sacar del poder municipal o regional a quienes lo contradicen. Ya lo hizo con el alcalde de Caracas… y ahora quiere intentarlo con los gobernadores de los estados fronterizos con Colombia, que rehúsan someterse a su férula… Un choque con fuerzas colombianas o la acusación de que elementos paramilitares planean acciones en territorio venezolano puede ser la excusa que necesita el régimen chavista para suspender las garantías constitucionales.”

Tales palabras sirven solo para justificar los planes agresivos de Estados Unidos y la burda traición a su Patria de la oligarquía y la contrarrevolución en Venezuela.

Coincidiendo con la publicación de ese editorial, el líder bolivariano había escrito su artículo semanal “Las líneas de Chávez”, en el cual enjuicia la impúdica concesión de siete bases militares a Estados Unidos en suelo de Colombia, un territorio que posee 2 050 kilómetros de frontera con Venezuela.

En ese artículo, el Presidente de la República Bolivariana, explicó con valentía y lucidez su posición.

“…lo dije este viernes en el acto por la paz y contra las bases militares de Estados Unidos en suelo colombiano: estoy en la obligación de llamarlos a todos y todas a prepararnos para defender la Patria de Bolívar, la Patria de nuestros hijos. Si no lo hiciera, estaría cometiendo un acto de alta traición… Nuestra Patria es hoy libre y la defenderemos con la vida. Venezuela nunca más volverá a ser colonia de nadie: nunca más estará de rodillas frente a invasor o imperio alguno… el gravísimo y trascendente problema que tiene lugar en Colombia no puede pasar inadvertido por los gobiernos latinoamericanos…”

Más adelante añade conceptos importantes: “…todo el arsenal bélico gringo, contemplado en el acuerdo, responde al concepto de operaciones extraterritoriales… convierte al territorio colombiano en un gigantesco enclave militar yanki…, la mayor amenaza contra la paz y la seguridad de la región suramericana y de toda Nuestra América.”

“El acuerdo… impide que Colombia pueda ofrecerle garantías de seguridad y respeto a nadie: ni siquiera a los colombianos y colombianas. No puede ofrecerlas un país que ha dejado de ser soberano y que es instrumento del ‘nuevo coloniaje’ que avizorara nuestro Libertador.”

Chávez es un verdadero revolucionario, pensador profundo, sincero, valiente e incansable trabajador. No llegó al poder mediante un golpe de Estado. Se sublevó contra la represión y el genocidio de los gobiernos neoliberales que entregaron los enormes recursos naturales de su país a Estados Unidos. Sufrió prisión, maduró y desarrolló sus ideas. No llegó al poder a través de las armas a pesar de su origen militar.

Tiene el gran mérito de haber iniciado el difícil camino de una Revolución social profunda partiendo de la llamada democracia representativa y la más absoluta libertad de expresión, cuando los más poderosos recursos mediáticos del país estaban y están en manos de la oligarquía y al servicio de los intereses del imperio.

En solo 11 años, Venezuela logró los más altos avances educacionales y sociales alcanzados por un país en el mundo, a pesar del golpe de Estado y los planes de desestabilización y descrédito impuestos por Estados Unidos.

El imperio no decretó un bloqueo económico contra Venezuela ―como hizo con Cuba― tras el fracaso de sus golpes sofisticados contra el pueblo venezolano, porque se habría bloqueado a sí mismo dada su dependencia energética del exterior, pero no ha renunciado a su propósito de liquidar el proceso bolivariano y su generoso apoyo en recursos petroleros a los países del Caribe y Centroamérica, sus amplias relaciones de intercambio con Suramérica, China, Rusia, y numerosos Estados de Asia, África y Europa. La Revolución Bolivariana goza de simpatías en amplios sectores de todos los continentes. Duele especialmente al imperio sus relaciones con Cuba, después de un bloqueo criminal contra nuestro país que ha durado ya medio siglo. La Venezuela de Bolívar y la Cuba de Martí, a través del ALBA, promueven nuevas formas de relaciones e intercambios sobre bases racionales y justas.

La Revolución Bolivariana ha sido especialmente generosa con los países del Caribe en momentos sumamente graves de crisis energética.

En la nueva etapa que vivimos, la Revolución en Venezuela se enfrenta a problemas enteramente nuevos que no existían cuando, hace casi exactamente 50 años, triunfó en Cuba nuestra Revolución.

El tráfico de drogas, el crimen organizado, la violencia social y el paramilitarismo, apenas existían. En Estados Unidos no había surgido todavía el enorme mercado actual de drogas que el capitalismo y la sociedad de consumo han creado en ese país. Para la Revolución, en Cuba no significó un gran problema combatir el tránsito de drogas e impedir su introducción en la producción y consumo de las mismas.

Para México, Centroamérica y Suramérica estos flagelos significan hoy una creciente tragedia que está lejos de haber superado. Al intercambio desigual, el proteccionismo y el saqueo de sus recursos naturales, se sumaron el tráfico de drogas y la violencia del crimen organizado que el subdesarrollo, la pobreza, el desempleo y el gigantesco mercado de drogas de Estados Unidos han creado en las sociedades latinoamericanas. La incapacidad de ese país imperial y rico para impedir el tráfico y consumo de drogas, dio lugar en muchas partes de América Latina al cultivo de plantas cuyos valores como materia prima para las drogas superaban muchas veces el de los demás productos agrícolas, creando gravísimos problemas sociales y políticos.

Los paramilitares de Colombia constituyen hoy la primera tropa de choque del imperialismo para combatir la Revolución Bolivariana.

Por su origen militar, precisamente, Chávez conoce que la lucha contra el narcotráfico es un vulgar pretexto de Estados Unidos para justificar un acuerdo militar que responde por entero a la concepción estratégica de Estados Unidos al finalizar la guerra fría, para extender su dominio del mundo.

Las bases aéreas, los medios, los derechos operativos y la impunidad total otorgada por Colombia a militares y civiles yankis en su territorio, no tienen nada que ver con el combate al cultivo, la producción y el tráfico de drogas. Este constituye hoy un problema mundial; se extiende ya no solo por los países de Suramérica, sino también comienza a extenderse al África y otras áreas. Reina ya en Afganistán, a pesar de la presencia masiva de las tropas yankis.

La droga no debe ser un pretexto para establecer bases, invadir países y llevar la violencia, la guerra y el saqueo a los países del Tercer Mundo. Es el peor ambiente para sembrar virtudes ciudadanas y llevar la educación, la salud y el desarrollo a otros pueblos.

Se engañan los que creen que dividiendo a colombianos y venezolanos tendrán éxito en sus planes contrarrevolucionarios. Muchos de los mejores y más humildes trabajadores en Venezuela son colombianos, y la Revolución les ha llevado educación, salud, empleo, derecho a la ciudadanía y otros beneficios para ellos y sus seres más queridos.Juntos, venezolanos y colombianos defenderán la gran Patria del Libertador de América; juntos lucharán por la libertad y la paz.

¡Los miles de médicos, educadores y demás colaboradores cubanos que cumplen sus deberes internacionalistas en Venezuela estarán junto a ellos!


Fidel Castro Ruz

Noviembre 18 de 2009

A Esquerda do Século XXI



"O comunismo é a capacidade real do povo de produzir e se associar".
ALvaro Garcia Linera- Vice-Presidente da Bolívia



“ O sujeito revolucionário vem do mundo do trabalho sob a forma de camponês, de comunário, de indígena, de operário, de jovem, de intelectual, de integrante de associações de bairros. Isso não contradiz as reflexões de Marx, segue sendo o mundo do trabalho, que se complexificou infinitamente frente ao que ele conheceu”.

A afirmação é de Álvaro García Linera (foto), vice-presidente da Bolívia em entrevista a Elena Apilánez e Vinicius Mansur para o jornal Brasil de Fato, edição de 12 a 18 de novembro de 2009.

O vice-presidente boliviano comenta que o processo de luta na Bolívia tem dois componentes importantes, o indianismo e o marxismo. Segundo ele, “o indianismo teve a grande virtude de denunciar a colonialidade do Estado – e não poderia vir de outros que não eles –, mas era impotente na questão do poder. Diziam ‘todos eram índios’ e temos ‘que indianizar o Estado’. Muito bem, e como se faria isso? O seu discurso era denunciativo, mobilizador, mas somente isso. A vertente marxista pautava o tema do poder, mas com suas incompreensões o fazia à margem do movimento indígena, portanto, era um tema de elites. Assim, era impossível definir uma estratégia discursiva e de alianças que permitisse o acesso ao poder. Mas, no fim do século 20, indianismo e marxismo se fundem”.

Eis a entrevista.

Um olhar sobre a história política latinoamericana indica que, de certa forma, ela se move por ondas. O senhor acha que essa ascensão recente de governos oriundos de organizações com trajetórias de esquerda configura uma nova onda?


Creio que este é um ciclo muito novo e inovador sem comparação nos últimos 100 anos da história política latino-americana. A única coisa comum no século 20 foram as ditaduras militares. Fora disso, a esquerda teve presença descompassada na região. Processo parecido foi a onda de luta armada, mas não era presença vitoriosa de esquerda; era combativa, resistente, por parte da ala mais radicalizada. A vitória em Cuba trouxe uma leva guerrilheira, que nos anos de 1960 estava em todo o continente. Quando a esquerda armada triunfa na Nicarágua, o continente já tinha outros ritmos, outras rotas. Então, pela primeira vez em 100 anos há uma sintonia territorial da esquerda, com governos progressistas e revolucionários. A direita já tinha essa habilidade de “continentalizar” suas ações.

Quais elementos dão unidade a essa sintonia?


O que permitiu a leva de governos progressistas foi o ciclo neoliberal. Ciclo que, mais ou menos, golpeou todos os países de maneira quase simultânea em seus efeitos e defeitos. O atual processo é muito inovador por seu caráter “continentalizado” de esquerda, pela busca de políticas pós-neoliberais – umas mais radicais, outras menos –, por ser um ascenso da esquerda através da via democrática-eleitoral, por ser a primeira vez que ela projeta estratégias de caráter estrutural coordenadas em nível continental. Antes, a esquerda tinha um olhar sobre o continente em termos da conspiração revolucionária. Nunca em termos de economia, de comércio, de criar um mercado comum, uma defesa comum. É uma série de desafios sobre os quais ela nunca tinha refletido, que tem a ver com o exercício de governo, com sua maturidade de reflexão.

E também é inovador porque isso se faz sem um pensamento único de esquerda. Não há um referente comum como a URSS, por sorte; não está a China, melhor ainda. O processo de esquerda são muitas coisas agora. Pode ser marxista ultrarradical, pode ser socialista, pode ser vinculado ao pós-modernismo intelectual, pode ser mais nacionalista... e todos são esquerda. Isso é muito rico, permite uma pluralidade de reflexões, de discursos, de ideias. Não há o modelo a imitar ou uma “igreja” que dita o bom comportamento, como ditava antes. É um momento de reconstrução plural do pensamento de esquerda, ainda primitivo. Mas temos que ver a história em processos que podem durar 50, 80 anos. Não nos desesperemos por não ter as coisas consolidadas agora, por não termos com claridade um grande programa de esquerda continental e mundial. Isso vai demorar 20 anos pelo menos, depois de várias derrotas, de várias vitórias e outras derrotas.

Este é um momento germinal e ainda há pedaços do continente que estão em outro rumo. Isso é normal, inclusive, é possível prever a curto prazo uma volta parcial do pensamento e dos governos de direita em alguns países no continente e não vamos nos assustar. Lutemos contra isso, mas este é um processo longo e lento, vai requerer ainda várias levas de ascenso social e popular que permitam despertar toda a potência desse momento histórico, que ainda não se fez visibilizar totalmente. Ainda faltam novas ondas. Não esqueça que Marx usava o conceito de revolução por ondas. Elas vão e voltam, logo vêm de novo e regressam um pouco. A onda atual é das primeiras, logo haverá um pequeno refluxo à espera de uma nova onda que permitirá, a depender dos homens e mulheres de carne e osso, expandi-la a outros territórios e aprofundar as mudanças que até agora são superficiais, parcialmente estruturais.

Esse processo coloca a superação do capitalismo em jogo?

Marx dizia que o comunismo é o movimento real, que se desenvolve diante de nossos olhos e que supera a ordem existente. Não é uma questão de teoria, de discurso, é questão de realidade. E está claro que a primeira meta pautada pelas forças populares diversas do continente foi, em primeiro lugar, frear o esvaziamento social, democrático e material que caracterizou o processo neoliberal. Esvaziamento material a partir da exteriorização dos excedentes, esvaziamento social com a retirada dos direitos conquistados nos últimos 100 anos e esvaziamento democrático mediante a aterrizagem da doutrina única, liberal e individualista.

O segundo momento é de reconstituir e ampliar direitos da sociedade, assumir controles do excedente econômico, expandir a geração da riqueza com sua distribuição. Essas demandas sociais surgem a partir de 1995 e são de caráter democrático-social, no sentido marxista do termo. Ainda não foram atendidas plenamente, como no tema da terra; entretanto, elas já abriram espaço para demandas mais radicais, mais comunistas, que ainda são incipientes, parciais e fragmentadas. Veja a experiência argentina com a tomada de fábricas, as experiências no Brasil, na Venezuela, as empresas sociais na Bolívia, criadas no nosso governo,reivindicadas pelo povo, ou a potencialização dada às estruturas comunitárias, para buscar um desenvolvimento diferente à economia de escala, com tecnologias alternativas, articulações de produção. Todas elas avançam, têm a experiência de gestão e regridem. Aqui na Bolívia, com a questão da água: existia uma experiência falida [privatização da água em Cochabamba], defende-se a socialização do controle da água, implanta-se outra gestão e, em seguida, ela retrocede.

Ou seja, essas potencialidades comunistas da sociedade – porque não há comunismo que não venha da sociedade, não há comunismo de decreto, não há socialismo de Estado, isso é sem sentido – têm ainda uma força muito dispersa, uma presença embrionária, não conseguem coagular, mas estão latentes. Seguindo essa leitura, hoje, em 2009, não estamos diante de uma perspectiva de superação do capitalismo. Dizer outra coisa seria nos enganarmos. Mas emergiram ações da sociedade que apontam para o socialismo, construído pelas próprias classes trabalhadoras. Existem sinais, sementes, aflorações, mas ainda não constituem a razão dominante da sociedade.

E quanto isso amadurecerá?


Em dez, 20 anos? Não se pode definir. O que pode fazer o revolucionário é, a cada sinal de socialismo – como a reapropriação, por parte dos produtores, de sua própria produção com democratização e socialização da tomada de decisões –, reforçá-lo para que se expanda. O dever do comunista é meter-se de cabeça a cada abertura, não inventar o comunismo. O comunismo é a capacidade real do povo de produzir e se associar. Eu tenho a leitura de Marx, ao avaliar a Segunda Revolução Industrial, em 1850, que dizia que serão necessárias dezenas, milhares de lutas, de fracassos, de pequenas vitórias, depois novamente fracassos, para que, da própria experiência da classe trabalhadora, surja a necessidade de associar-se para tomar o controle da produção. E isso é uma visão muito, mas muito otimista do ciclo que está emergindo.

Que importância tem a Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) e a Unasul (União das Nações Sulamericanas) neste cenário latino-americano, e como o senhor vê os movimentos sociais nesse processo de integração?

A Unasul é um projeto continental, fruto da surpreendente simultaneidade de governos progressistas em boa parte do continente. Além da luta, estamos discutindo em termos de estrutura, de matéria, de economia, de sociedade, de cultura, de legislação... um grande salto. A esquerda não refletia sobre isso antes e isso é mudar nosso “chip”. Ainda não se escreveu sobre esse tema que, inevitavelmente, tem que entrar no discurso de esquerda. Ele segue sendo assunto dos funcionários das chancelarias tradicionais, mas não é uma construção desses dinossauros. É uma construção de governantes progressistas que não tem o acompanhamento do intelecto social progressista, que está aí atônito, vendo, pasmo, esse novo ciclo. Tal projeto de integração tem que tomar em conta a unanimidade dos critérios de cada país, sendo um processo lento, estrutural. A perspectiva é boa, mas a velocidade é lenta, como tem que ser um bom processo de integração, não há que se desesperar. A União Europeia está aí há pelo menos 30 anos e ainda está se construindo. Construir Estados-continente é complexíssimo, mas este é o rumo do mundo no século 21, isso é o que vai contar no movimento de tomada de decisões econômicas.

E a Alba?

É diferente, porque é uma iniciativa de governos progressistas muito mais afins, o que permite maior velocidade em relação à Unasul. Tanto Mercosul como Alba deveriam dissolver-se no interior da Unasul, mas isso vai demorar décadas. Alba e Mercosul são estruturas de ação imediata. Vão assumir um conjunto de tarefas mais rapidamente e mais efetivamente. A Alba está articulando várias coisas ligadas à economia, usando regras que, pela afinidade política, não podem ser tomadas em outro cenário, levando adiante articulações e arranjos econômicos não baseados historicamente em relações de mercado. Ainda muito incipiente, mas, no caso de Bolívia e Venezuela, há um conjunto de atividades econômicas que já não
estão necessariamente reguladas pelo mercado. Têm como parâmetro máximo o mercado, mas tentam construir intercâmbios comerciais a partir de outros critérios. São esforços audazes de complementaridade,
como acontecem com os setores têxteis, do petróleo e da soja. A Venezuela tem relações parecidas com Cuba e Nicarágua.

Não é retórica falar de processos crescentes de busca de outros mecanismos de integração não baseados em regulações de mercado. O recente passo do Sucre [sistema monetário comum da Alba], como um mecanismo de pagamentos entre os países, pode ser um novo piso nessa construção de algo muito novo, que não há em nenhuma outra parte do mundo. Outro passo são as empresas gran-nacionais, pertencentes aos estados, quedarão um olhar de gestão da economia de maneira regionalizada e unicamente organizada entre os países. Creio que a Bolívia vai dar esse primeiro passo da empresa gran-nacional com a Venezuela em um prazo muito curto. As condições materiais estão dadas.

E qual papel jogam os movimentos sociais nesse processo de integração?


Creio que a articulação deles em nível continental e sua participação nesses processos de integração é ainda muito incipiente. O neoliberalismo fragmentou tudo e reduziu as articulações a uma união via ONGs. Não era uma articulação autônoma. Hoje começa haver um encontro cara-acara de companheiros que se convidam, mas ainda avançaram pouco. Temos que ir além dos fóruns, que foram importantes nos anos de 1990 para juntar 1990, rompendo as suscetibilidades de direções e de hegemonias, mas muito débeis, frouxos em seus discursos. A tomada de ações vinculantes não foi feita por nenhum dos fóruns. As pessoas retornavam para suas casas para arrumar seus papéis e convocar outro fórum.

Necessitamos de uma estrutura bolchevique, que o MST tem, do movimento social. Isso tem que vir deles, não dos governos. Ainda não se criou uma plataforma continental dos movimentos sociais. Sei que isso é complexíssimo. Digamos que nem no nível de países isso se dá, porque acontece em momentos espetaculares. A pauta de nacionalizações, por exemplo, dá lugar a revoluções. Mas precisamos desse esforço de nos olharmos como continente, não somente acompanharmos as ações dos presidentes. Quando há reunião da Alba, os movimentos sociais se reúnem e debatem temas complementares aos dos presidentes, melhor ainda quando os temas debatidos entre presidentes foram previamente discutidos com lideranças. Mas é necessário ir além.

É dificílimo, mas talvez seja hora de projetar uma Internacional continental de movimentos sociais, uma estrutura como uma Internacional comunista, mas de movimentos sociais, continental, e depois pensar em ir para o mundo. Diante da possibilidade de que em algum país de nosso continente a direita retome o governo, como eles não vão pautar uma mobilização? Ao fim e ao cabo, se essa leva progressista for para trás, quem mais sofrerá serão os movimentos. Eles estão obrigados a pensar continentalmente e devem defender e empurrar mais para lá esses processos. O século 21 exige novos compromissos, maiores ações, e a melhor experiência a ser resgatada está nas reflexões de Marx sobre a Primeira Internacional, na qual se juntaram partidos, sindicatos, agremiações, marxistas, anarquistas, socialistas... articulavam-se continentalmente com debilidade, mas com firmeza e vinculação de suas decisões.

É melhor do que a Internacional leninista, e talvez a melhor referência para uma Internacional hoje não seja bolchevique, mas a comunista de Marx em seu debate fascinante com Bakunin [Mikhail Bakunin, um dos intelectuais fundadores do anarquismo]. Como se tomam as decisões? É pela autoridade moral das organizações, dizia. Não se obriga a ninguém, mas todos estão comprometidos a cumprir o que decidiram. Precisamos de um novo passo já nesta década: uma internacional de movimentos sociais com maior capacidade de vinculação em suas decisões, de mobilização desde os países e com uma agenda comum debatida continentalmente por eles para defender esse processo, para controlá-lo e radicalizá-lo.

Seria necessário um ponta de lança para isso?

Modéstia à parte, creio que a Bolívia é a experiência mais avançada de movimentos sociais.

Mais do que o Brasil?

Sim. É um país menor, evidentemente, com menos gente. Mas a eficácia político-estatal do movimento é a mais radical no continente.

Esta é a originalidade do processo boliviano?


Acho que sim. Tudo isso aqui é movimento social.

No Estado?

No Estado, por fora do Estado, por baixo do Estado, por cima do Estado. Esta é uma grande discussão, temos que fazê-la. Nos causou muito dano o debate de John Holloway [do livro Mudar o mundo sem tomar o poder] e Marcos del Rojo, não? Respeito os companheiros, mas tenho profundas discordâncias. Tem que haver uma aliança de movimentos sociais continentais fortes, que sejam os articuladores. Tem que haver uns quatro, cinco ou seis que se lancem, de maneira muito respeitosa, com democracia de base, e que articulem o debate com os demais, mas alguém tem que dar o primeiro passo, e logo.

Este seria o sujeito revolucionário na América Latina?


O sujeito revolucionário é o que faz a revolução. Não há uma predestinação para definir quem será, este foi o grande erro do debate ocioso da esquerda, desde antes dos anos de 1950. Diziam “este é o que vai fazer a revolução” e seguiam esperando que o sujeito se movesse, mas ele estava em outra. Paranoico, não? O que está claro é que o sujeito revolucionário vem do mundo do trabalho sob a forma de camponês, de comunário, de indígena, de operário, de jovem, de intelectual, de integrante de associações de bairros. Isso não contradiz as reflexões de Marx, segue sendo o mundo do trabalho, que se complexificou infinitamente frente ao que ele conheceu.

Dependendo de qual desses espaços do mundo do trabalho assume maior protagonismo, o processo tenderá a visualizar um aspecto em detrimento de outros. Se é o mundo indígena e camponês, se visibilizará o tema da terra, da biodiversidade, e não o salarial. Em seu momento voltará a emergir o mundo do trabalho sob sua forma salarial, daqui a alguns anos, porque estamos em um processo de reconstrução do mundo salarial no continente e sua formação e estabilização vai requerer décadas. Ou se é mais do tipo de bairro, se visualizará o tema de necessidades básicas... mas são trabalhadores; como aconteceu em Cochabamba: quem fez a Guerra da Água eram trabalhadores, mas não se moviam como sindicato de trabalhadores, se moviam como moradores. Mover-se como trabalhador implicava ser demitido da fábrica.

Canalizaram sua expectativa de outra forma. Não há que esperar que o operário da fábrica se una em sindicato para falar do protagonismo do mundo laboral. Ele se move de múltiplas formas, veja os sem-terra. No caso do Brasil, está claro que, na medida em que há uma recomposição da produção – o Brasil, agora, como México, Filipinas, Coreia e outros seis ou sete lugares, é a oficina de produção do mundo –, não haverá eficácia político-estatal do movimento social sem protagonismo forte desse mundo assalariado. Existe o Movimento Sem Terra, com linhas revolucionárias muito fortes – o que é excelente –, que assume a aposta de manter a presença da sociedade na construção de alternativas. Mas pensar um projeto de radicalização aí é também pensar em seu mundo trabalhador. Se o movimento operário não acompanhar o MST, daqui a uma década o que ele vai poder fazer, frente à necessidade que requer semelhante potência mundial, será pouco.

E no caso da Bolívia?

Aqui, esse mundo do trabalho tem como liderança o movimento camponês-indígena, ainda que o país tenha tido alguns processos de assalariamento muito interessantes. São trabalhadores, criadores de riquezas, que têm estruturas locais associativas, formas de gestão comum da terra, trabalho individualizado, vínculos parciais com o mercado, vínculos não de mercado; e têm o protagonismo. Mas, aí no meio, estão também outros mundos laborais, assalariados, não-assalariados, que se mobilizam, mas com menor intensidade e maior dificuldade. Porém, se não conseguir avançar mais, será porque o movimento operário ainda não conseguiu mobilizar-se. Se esse mar de operários, daqui a cinco, dez ou 20 anos, não conseguir se unificar com identidade e ação coletiva, o movimento atual encontrará um limite. A chave serão esses dois braços, até que se reorganize o movimento da classe trabalhadora, que se rearticule diante da recomposição territorial da força de trabalho planetária.

Porém, muito se fala sobre não ser possível entender o processo boliviano com um olhar tradicional de esquerda, com uma formação ocidental. Quais seriam essas limitações?

Não devem se meter com assessores ou algumas ONGs que os assessoram, aí está esse tipo de discurso que tem a ver com uma espécie de moda. Na central de trabalhadores camponeses, nas comunidades ou no movimento indígena em seus níveis intermediários e de base, não há esse debate falso. Muitos dos que seguem essa linha ajudam muito com seu trabalho, mas são parte de uma espécie de ressaca. Antes estavam envolvidos com uma esquerda tradicional e aderiram recentemente ao mundo indígena, o que os levou a radicalizar seus pontos de vista ostentosamente. Entende-se esse tipo de reação na medida em que, durante muito tempo, a esquerda tradicional aqui desdenhou o movimento indígena, os acusou de querer voltar a tempos arcaicos ou chamou-os de pequenos burgueses, resposta clássica dessa esquerda.

Então, uma inteligência indígena se formou nos anos de 1970, 1980 e 1990, como a figura de Fausto Reinaga, em rechaço a essa leitura bem primitiva. Essa inteligência se formou em batalhas contra a direita e também contra a esquerda, que repetia processos de discriminação, que dizia que a revolução era dos operários. Os camponeses eram a massa de apoio que levaria os operários nos ombros. Em cima deles, iriam os intelectuais, não era assim? Então, parte de uns convertidos recentes segue pensando nisso. Agora, no governo, nos debates da federação de camponeses ou na dos cocaleiros, há um processo rico dessa vertente camponesa-agrária-indígena com um novo marxismo. Nós lutamos por isso por mais de 20 anos. Eu briguei com todos os esquerdistas. Os primeiros textos que escrevi há 30 anos foram para brigar com trotskistas, stalinistas, maoístas, e todos me qualificaram de revisionista, de ignorante. Buscávamos um encontro entre marxismo e indianismo e acho que foi frutífero. Reivindico minha vertente marxista, às vezes me reivindico indianista, ainda que não seja indígena, e daí?

Como se encontraram essas vertentes?


O indianismo teve a grande virtude de denunciar a colonialidade do Estado – e não poderia vir de outros que não eles –, mas era impotente na questão do poder. Diziam “todos eram índios” e temos “que indianizar o Estado”. Muito bem, e como se faria isso? O seu discurso era denunciativo, mobilizador, mas somente isso. A vertente marxista pautava o tema do poder, mas com suas incompreensões o fazia à margem do movimento indígena, portanto, era um tema de elites. Assim, era impossível definir uma estratégia discursiva e de alianças que permitisse o acesso ao poder. Mas, no fim do século 20, indianismo e marxismo se fundem.

Essa é a originalidade do processo boliviano?


Em termos de discurso e de criação teórica-intelectual, sim. Isso permitiu criar um cenário de estratégia. Em termos de ação política, é a grande mobilização de massas: sublevações, bloqueios, marchas, levantamentos, insurreições.

E esse discurso é muito distante do discurso que há hoje?

Não, de jeito nenhum. Vou contar o que aconteceu com o Evo quando iniciamos o programa Juancito Pinto [que dá bolsa aos estudantes do ensino fundamental], em 2006. Fomos entregá-lo no norte de Potosí [departamento no oeste boliviano]. Um jovem do campo se aproximou e perguntamos: “Como está? Em que série está?”. “Estou no terceiro básico, tenho oito anos”, disse. “E o que você fez com o seu bônus?”, perguntamos. “Estou guardando para me preparar para ser presidente como você”. Ah, por favor... É a melhor resposta que poderia dar. Quando um indígena coloca como possibilidade de vida ser governante, o tema do poder se converte em um feito próprio, porque era uma questão de submissão! O poder era de poucos brancos e formados, e agora um camponês do norte de Potosí, a zona mais pobre do país, dizia “eu também posso ser presidente”. Temos aí uma revolução cultural.

Há um simbolismo forte aí, mas até que ponto as bases realmente estão discutindo as transformações políticas? Qual é a proximidade das bases e da intelectualidade?

São espaços diferentes. Há o mundo da academia, que recebe para pensar 24 horas, e o mundo da vida laboral, associativa, sindical, do movimento camponês. Espaços diferentes que possuem canais de comunicação e distintas linguagens. No tema das alianças: a academia pode falar de bloco de poder, pode usar Gramsci, enquanto do outro lado a discussão é apoiar ou não os moradores desse bairro, se apoiamos ou não alguma candidatura. É o mesmo tema verbalizado de distintas maneiras. As mesmas preocupações da base são levadas para a academia e, na academia, de tudo que se reflete, poucas coisas são debate nas bases.

Mas existem momentos em que eles se aproximam mais, criando um espaço de intervenção maior; e aí são os grandes ascensos. Quando a reflexão dessa intelectualidade progressista é o debate das assembleias. Quando o que surge em um jornal, em algum panfleto, em algum discurso rapidamente é retomado pelos níveis dirigentes e levado à base. Esta é a dinâmica. É impossível isso ser permanente, porque são espaços diferentes no tempo e na forma de vida. Creio que em nenhuma parte isso se deu. A imagem que temos dos sovietes e do Partido Bolchevique está um pouco idealizada. O fato de que nas fábricas os operários liam Lênin não é verdade.

Pensar essa fusão do espaço intelectual com o movimento social é impossível. Existem aí vasos comunicantes fluidos que levaram, inclusive, o âmbito intelectual a mudar em dez anos. O que debatiam os intelectuais antes? Governabilidade e coisas assim. Hoje debatem na universidade pública, e até nas privadas, a nova Constituição. Mesmo os setores conservadores têm que refletir sobre os fatos, têm que saber como o Direito Penal vai estar vinculado com a Nova Constituição. Hoje existem vasos comunicantes. Em certos momentos são rios comunicantes, ou fusões parciais, e logo separações, como em qualquer processo de transformação; outra vez por ondas. Nada é definitivo, perpétuo ou já dado. A ideia de revolução permanente não é tão certa. Estes oito anos intensos na Bolívia demonstram essa dinâmica de ondas que falava Marx, mais do que o linear que nos dizia Trotski.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Recordar é viver



Será que nessa "sessão nostalgia" da Rede Globo, nesse mes de novembro ela não vai lembrar do golpe que realizou contra a candidatura Lula no útimo debate contra Collor?

Muros bons e muros maus


Contensão da miséria capitalista: Pobres de um lado, ricos de outro, muitos muros como este ainda serão construídos

No dia de hoje a midia liberal-conservadora comemora com estardalhaço os 20 anos da queda do Muro de Berlim, o que foi uma excrecência stalinista. O que chama atenção é que a crítica não é feita aos muros que ainda permancem de pé, alguns ainda em construção nos dias de hoje. Dois exemplos são o muro entre EUA e México e o Muro erguido por Israel para separar os territórios palestinos. Esses muros ao contrário de Berlin, que separava o "paraíso" da economia de mercada do "inferno comunista", para os liberais conservadores, é mais do que necessário, pois é preciso controlar as "hordas" de famintos que querem a força participar do banquete do qual não foram convidados. Dois pesos duas medidas, pois temos muros bons, que devem ser preservados e muros ruins que já foram derrubados, principalmente aqueles que de alguma forma impedem a "livre" e "democrática" circulação do "deus" dinheiro.