segunda-feira, 30 de março de 2009

Para nunca esquecer





Hoje completa-se 45 anos do golpe civil-militar realizado pela "elite branca de olhos azuis" do Brasil em 1964. O país mergulhou em 20 anos de uma ditadura que torturou, matou, humilhou muitos brasileiros, jovens, trabalhadores, lideranças políticas; toda uma geração que foi perdida. Ao mesmo tempo, foram os anos em que muitos políticos, empresários, latifundiários se desenvolveram na estufa da ditadura, permanecendo no poder até hoje. O fim da ditadura foi um pacto de elites que manteve no poder as mesmas elites responsáveis pelo golpe na democracia.


Com o fim do período ditatorial, ao contrário da Argentina que julgou e condenou os torturadores, o Brasil permanece com uma ferida aberta, a impunidade dos torturadores (que foram professores de muitos torturadores de outros países da América Latina). Todos continuam livres e tranquilos, protegidos pela "Lei da Anistia" que tinha o objetivo de garantir a segurança e impunidade dos torturadores. Enquanto essa questão não for resolvida no Brasil, não podemos dizer que a transição democrática está concluída.



Em função da data de hoje postamos o artigo de Emir Sader , publicado em http://www.cartamaior.com.br/ que destaca o que muitos querem esquecer, ou seja, que a ditadura teve responsáveis, com nome e sobrenome assim como quem lutou pela democracia.




1964: democratas e ditatoriais



Emir Sader



Os golpistas – incluída toda a imprensa, menos a Última Hora – insistiam em dizer que a data era 31 de março; nós, que era primeiro de abril. Ainda mais que eles tentavam dizer que tinha sido uma “revolução”, confessando o prestigio da palavra revolução – até ali identificado com a revolução cubana.

O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?

Medido no tempo, parece algo distante. Afinal, tinham transcorridos apenas 34 anos desde a revolução de 30 - o momento de maior ruptura progressista na história brasileira. Período que incluiu os 15 anos do primeiro governo de Getúlio e os 19 de democracia liberal, incluídos os 4 do novo mandato de Getúlio e os 5 do JK.

Nem é necessário discorrer muito para dizer que se tratou de um golpe militar, que introduziu uma ditadura militar. Nem a “ditabranda” da FSP (Força Serra Presidente), nem o “autoritarismo” de FHC – todas tentativas de suavizar o regime. Um regime dirigido formal e realmente pela alta oficialidade das FFAA, que reorganizou o Estado em torno dessas instituições, tendo o SNI como seu instrumento de militarização das relações sociais. Um regime que atuou politicamente a favor da hegemonia do grande capital nacional e internacional. Para isso, entre suas primeiras medidas estiveram a intervenção militar em todos os sindicatos e o arrocho salarial – a proibição de qualquer campanha salarial, sonho de todo grande empresário.

Para que se criasse um clima que desembocou no golpe militar, foi montada uma campanha de desestabilização que – hoje se sabe, pelas atas do Senado dos EUA – tinha sua condução diretamente naquele país, com participação direta do então embaixador norte-americano e a cumplicidade ativa da grande mídia – que até hoje não fizeram autocrítica do papel ditatorial que tiveram, nem mesmo a FSP, que emprestou seus carros para ações repressivas da Oban -, somada às mobilizações feitas pela Igreja Católica e pelos partidos de direita – com o lacerdismo moralizante na cabeça.

Nunca como naquele período as grandes empresas privadas lucraram tanto. Foram elas as maiores beneficiárias da repressão – prisões arbitrárias, torturas, fuzilamentos, desaparições, entre outras formas de violência de um regime do terror. Foram o setor economicamente hegemônico durante a ditadura –ao contrário da visão inconsistente de FHC, de que uma suposta “burguesia de Estado” seria o setor hegemônico, para absolver os grandes monopólios nacionais e internacionais.

O Brasil vinha vivendo um processo importante de democratização social, política e cultural. O movimento sindical se expandia, os funcionários públicos passavam a incorporar-se a ele, os militares de baixa graduação passavam a poder se organizar e se candidatar ao Parlamento, se desenvolvia a sindicalização rural, acelerava-se a criação de uma forte e diversificada cultural popular – no cinema, no teatro, nas artes plásticas, -, um movimento editorial de esquerda se fortalecia muito.

Foi para brecar a construção da democracia que o golpe foi dado. Com um caráter abertamente antidemocrático e fortemente antipopular – como as decisões imediatas contra os sindicatos e campanhas salariais demonstram -, foi um instrumento do grande capital e da estratégia de guerra fria dos EUA na região.

1964 se constituiu em um momento de forte inflexão na história brasileira. O modelo de desenvolvimento industrial passou a se centrar na produção para a alta esfera do consumo e a para a exportação, acentuando a concentração de renda e a desigualdade social, assim como a dependência.

O Brasil que saiu da ditadura, 21 anos depois, era um país diferente daquele de 1964. As organizações democráticas e populares haviam sido duramente golpeadas. A imprensa havia sido depurada dos órgãos de esquerda. (Não esquecer que a resistência na imprensa foi feita pela chamada imprensa nanica, por si só uma denúncia da imprensa tradicional.) O país havia se transformado no mais desigual do continente mais desigual do mundo.

Vários dirigentes da ditadura ainda andam por aí, junto com seus filhos e netos, dando lições de democracia, sendo entrevistados e escrevendo artigos na imprensa. A imprensa não dirá nada ou tentará, uma vez mais, se passar por vítima da ditadura, escondendo o papel real que desempenhou. (Que tal republicar as manchetes de cada órgão naquele primeiro de abril de 1964?) Na resistência e na oposição à ditadura se provou quem era e é democrata no Brasil.

O "business" da miséria: O mundo fantástico do Assistencialismo



O Secretário da Dona Yeda anuncia a politica social tucana: terceirização dos serviços do Estado. O filme "Quanto vale ou é por quilo" de Sérgio Bianchi mostra de forma muito clara o significado e os resultados deste tipo de política de corte neoliberal.

Na coluna de hoje da Rosane "abelhinha" Oliveira, jornalista tucana de Zero Hora, é destacada como "Notícia boa" do governo Yeda o repasse pelo governo estadual de R$ 8,5 milhões para o projeto "Rede Parceria Social"
Segundo a colunista " A iniciativa é uma união da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social, 17 empresas privadas e o terceiro setor". Ou seja, é a velha prática da direita de exonerar-se de suas responsabilidades repassando para a iniciativa privada a função de executora das políticas sociais do Estado. O governo do "deficit zero, que significa o fim dos investimentos do Estado em políticas públicas, apresenta as "parcerias" com a iniciativa privada e "terceiro setor" como única ação do governo na área social.

A colunista destaca que os "Os recursos serão destinados a projetos de renda para mulheres chefes de família, segurança alimentar, empreendedorismo individual e de inovação, como novas tecnologias para o beneficiamento de plástico em galpões de reciclagem de lixo".
Ou seja, o foco do projeto além de repassar recursos públicos para a iniciativa privada é estimular o "empreendedorismo individual", na verdade uma falácia, vide a impossibilidade de sustentabilidade de empreendimentos economicos individuais em um mercado capitalista monopolizado e selvagem. Serve isso sim para renuncias fiscais de empresas e ampliação dos lucros das "entidades sociais".

A sanha privatista do tucanato guasca continua, e é o velho jeito de governar, inaugurado por Fernando Henrique Cardoso, de triste memória para a maioria dos brasileiros. OS resultados não demoram a aparecer: os 40 milhões de corrupção do DETRAN é somente a parte mais visível dessa política. O que ainda não se sabe é o tamanho do rombo que o Estado terá a partir desse escoamento de recursos públicos para o "terceiro setor privado" com esse tipo de projeto.

A funcionalidade da Democracia Capitalista

Lançamento da Conferência Nacional da DS em Porto Alegre



A Democracia Socialista- tendência interna do Partido dos Trabalhadores- realiza no próximo dia 02 de abril o lançamento em Porto Alegre de sua IX Conferência Nacional. A atividade terá como painelistas Márcio Pochmann, presidente do IPEA e José Eduardo Cardoso, Deputado Federal do PT de São Paulo. O debate é aberto à militancia do PT.

A Cara antidemocrática do capitalismo

Chomski: "Pelo menos 20 companhias entre as 100 primeiras do ranking da revista Fortune, não teriam sobrevivido se não tivessem sido salvas por seus respectivos governos"

A cara antidemocrática do capitalismo
Noam Chomsky, março de 2009

A liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia. O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um "parlamento virtual" de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e "votam" contra eles, se os consideram "irracionais", quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado.
O desenvolvimento de uma campanha presidencial norte-americana simultaneamente ao desenlace da crise dos mercados financeiros oferece uma dessas ocasiões em que os sistemas político e econômico revelam vigorosamente sua natureza.
Pode ser que a paixão pela campanha não seja uma coisa universalmente compartilhada, mas quase todo mundo pode perceber a ansiedade desencadeada pela execução hipotecária de um milhão de residências, assim como a preocupação com os riscos que correm os postos de trabalho, as poupanças e os serviços de saúde.
As propostas iniciais de Bush para lidar com a crise fediam a tal ponto a totalitarismo que não tardaram a ser modificadas. Sob intensa pressão dos lobbies, foram reformuladas "para o claro benefício das maiores instituições do sistema...uma forma de desfazer-se dos ativos sem necessidade de fracassar ou quase", segundo descreveu James Rickards, que negociou o resgate federal por parte do fundo de cobertura de derivativos financeiros Long Term Capital Management em 1998, lembrando-nos de que estamos caminhando em terreno conhecido.
As origens imediatas do desmoronamento atual estão no colapso da bolha imobiliária supervisionada pelo presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, que foi quem sustentou a coitada da economia dos anos Bush, misturando o gasto de consumo fundado na dívida com a tomada de empréstimos do exterior.
Mas as razões são mais profundas. Em parte, fala-se no triunfo da liberalização financeira dos últimos 30 anos, quer dizer, nas políticas consistentes em liberar o máximo possível os mercados da regulação estatal.Como era previsível, as medidas tomadas a esse respeito incrementaram a frequência e a profundidade dos grandes reveses econômicos, e agora estamos diante da ameaça de que se desencadeie a pior crise desde a Grande Depressão.
Também era previsível que os poucos setores que cresceram com os enormes lucros oriundos da liberalização demandariam uma intervenção maciça do Estado, a fim de resgatar as instituições financeiras colapsadas. Esse tipo de intervencionismo é um traço característico do capitalismo de Estado, ainda que na escala atual seja inesperado. Um estudo dos pesquisadores em economia internacional Winfried Ruigrok e Rob van Tulder descobriu, há 15 anos, que pelo menos 20 companhias entre as 100 primeiras do ranking da revista Fortune, não teriam sobrevivido se não tivessem sido salvas por seus respectivos governos, e que muitas, entre as 80 restantes, obtiveram ganhos substanciais através das demandas aos governos para que "socializassem suas perdas", como hoje o é o resgate financiado pelo contribuinte. Tal intervenção pública "foi a regra, mais que a exceção, nos dois últimos séculos", concluíram.
Numa sociedade democrática efetiva, uma campanha política teria de abordar esses assuntos fundamentais, observar as causas e os remédios para essas causas, e propor os meios através dos quais o povo que sofre as conseqüências pudesse chegar a exercer um controle efetivo.
O mercado financeiro "despreza o risco" e é "sistematicamente ineficiente", como escreveram há uma década os economistas John Eatwell e Lance Taylor, alertando sobre os gravísimos perigos que a liberalização financeira engendrava, e mostrando os custos em que já se tinha incorrido. Ademais, propuseram soluções que, deve-se dizer, foram ignoradas. Um fator de peso é a incapacidade de calcular os custos por parte daqueles que não participam dessas transações. Essas "externalidades" podem ser enormes.
A ignorância do risco sistêmico leva a uma maior aceitação de riscos do que se daria numa economia eficiente, e isso adotando, inclusive, os critérios menos exigentes.A tarefa das instituições financeiras é arriscar-se e, se são bem gestionadas, assegurar que as potenciais perdas em que elas mesmas podem incorrer serão cobertas. A ênfase há que pôr-se "nelas mesmas".
Segundo as regras do capitalismo de estado, levar em conta os custos que para os outros possam ter – as "externalidades" de uma sobrevivência decente – umas práticas que levem, como espectro, a crises financeiras é algo que não lhes diz respeito. A liberalização financeira teve efeitos para muito além da economia. Há muito que se compreendeu que era uma arma poderosa contra a democracia.
O movimento livre dos capitais cria o que alguns chamaram um "parlamento virtual" de investidores e credores que controlam de perto os programas governamentais e "votam" contra eles, se os consideram "irracionais", quer dizer, se são em benefício do povo e não do poder privado concentrado. Os investidores e credores podem "votar" com a fuga de capitais, com ataques às divisas e com outros instrumentos que a liberalização financeira lhes serve de bandeja. Essa é uma das razões pelas quais o sistema de Bretton Woods, estabelecido pelos EUA e pela Grã Bretanha depois da II Guerra Mundial, instituiu controle de capitais e regulou o mercado de divisas.
A Grande Depressão e a Guerra puseram em marcha poderosas correntes democráticas radicais que iam desde a resistência antifascita até as organizações da classe trabalhadora. Essas pressões tornaram possível que se tolerassem políticas sociais democráticas. O sistema Bretton Woods foi, em parte, concebido para criar um espaço no qual a ação governamental pudesse responder à vontade pública cidadã, quer dizer, para permitir certa democracia. John Maynard Keynes, o negociador britânico, considerou o direito dos governos a restringir os movimentos de capitais a mais importante conquista estabelecida em Bretton Woods.
Num contraste espetacular, na fase neoliberal que se seguiu ao desmonte do sistema de Bretton Woods nos anos 70, o Tesouro norte-americano passa a considerar a livre circulalação de capitais um "direito fundamental". À diferença, nem precisa dizer, dos pretensos "direitos" garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos: direito à saúde, à educação, ao emprego decente, à segurança e outros direitos que as administrações de Reagan e de Bush chamaram com desprezo de "cartas a Papai Noel", "ridículos" ou meros "mitos".
Nos primeiros anos, as pessoas não tiveram maiores problemas com o assunto. As razões disso Barry Eichengreen estudou em sua história, impecavelmente acadêmica, do sistema monetário. Nessa obra se explica que, no século XIX, os governos "ainda não estavam politizados pelo sufrágio universal masculino, o sindicalismo e os partidos trabalhistas parlamentares. Por conseguinte, os graves custos impostos pelo parlamento virtual podiam se transferidos para toda a população.
Porém, com a radicalização da população e da opinião pública que se seguiu à Grande Depressão e à guerra antifascista, o poder e a riqueza privados privaram-se desse luxo.Daí que no sistema Bretton Woods "os limites da democracia como fonte de resistência às pressões do mercado foram substituídos por limites à circulação de capitais."O corolário óbvio é que no rastro do desmantelamento do sistema do pós-guerra a democracia tenha sido restringida.
Fez-se necessário controlar e marginalizar de algum modo a população e a opinião pública, processos particularmente evidentes nas sociedades mais avançadas no mundo dos negócios, como os EUA. A gestão das extravagâncias eleitorais por parte da indústria de relações públicas constitui uma boa ilustração."A política é a sombra da grande empresa sobre a sociedade", concluiu em seus dias o maior filósofo norte-americano do século XX, John Dewey, e assim seguirá sendo, enquanto o poder consista "nos negócios para benefício privado através do controle da banca, do território e da indústria que agora se vê reforçada pelo controle da imprensa, dos jornalistas e sobretudo dos meios de publicidade e propaganda."
Os EUA tem efetivamente um sistema de um só partido, o partido dos negócios, com duas facções, republicanos e democratas. Há diferenças entre eles. Em seu estudo sobre A Democracia Desigual: a economia política da nova Era da Cobiça, Larry Bartels mostra que durante as últimas seis décadas "a renda real das famílias de classe média cresceu duas vezes mais rápido sob administração democrata que republicana, enquanto a renda real das famílias pobres da classe trabalhadora cresceu seis vezes mais rápido sob os democratas que sob os republicanos".
Essas diferenças também podem ser vistas nestas eleições. Os eleitores deveriam tê-las em conta, mas sem ter ilusões sobre os partidos políticos, e reconhecendo o padrão regular que, nos últimos séculos, vem revelando que a legislação progressista e de bem-estar social sempre foram conquistas das lutas populares, nunca presentes dos de cima.
Essas lutas seguem ciclos de êxitos e de retrocessos. Hão de ser travadas a cada dia, não só a cada quatro anos, e sempre visando à criação de uma sociedade genuinamente democrática, capaz de resposta em toda parte, nas urnas não menos do que no posto de trabalho. ( grifos nossos)

domingo, 29 de março de 2009

Lula e a ganância branca de olhos azuis

O presidente torneiro-mecânico dá o recado para os brancos de olhos azuis


Na semana que passou um fato teve destaque na mídia mundial com repercussões no PIG (Partido da Imprensa Golpista); foi a declaração de Lula sobre a crise, na reunião com o primeiro ministro britânico Gordon Brown. Ao comentar a crise Lula disse que a responsabilidade é da ganância da elite branca e de olhos azuis. Uma verdade incontestável.

Imediatamente vozes se levantaram contra o "racismo do Lula", as mesmas vozes que são contra a política de cotas e defendem a tese de que no Brasil não há racismo (Ali Camel, o todo poderoso chefão do jornalismo da Globo, inclusive escreveu um livro sobre essa tese estapafurdia).

Entretanto, o problema para o PIG não é o suposto "racismo" do presidente, que até eles sabem que não corresponde a verdade, mas o que realmente incomoda a elite branca de olhos azuis no Brasil é a nova postura do governo Lula em suas relações internacionais.

A elite brasileira estava acostumada a subalternidade do governo FHC, que relacionava-se com o primeiro mundo de joelhos. É dificil aceitar que um torneiro mecânico tenha uma postura de soberania frente aos "donos do mundo". Por isso a gritaria geral.

Sobre esse tema publicamos abaixo um artigo de Argemiro Ferreira, no qual ele comenta a coluna de Maureen Dowd, do The New York Times, sobre o tema. O blog do Argemiro é : http://www.argemiroferreira.wordpress.com/


Lula contra a ganância dos olhos azuis
Argemiro Ferreira

Que me desculpem os tucanos (e demo-pefelês), mas a cada gesto ou palavra do nosso imprevisível torneiro mecânico sem dedo e monoglota que choca o mundo, menos por soar ofensivo do que por oferecer a franqueza dura da verdade, não consigo deixar de pensar na humilhação de FHC, o farol de Alexandria, que se orgulha de ter feito tanto para enfeitar a imagem de seu país aos olhos dos ricos de toda parte.

Essa reflexão é sugerida pela coluna bem humorada de Maureen Dowd, no New York Times de domingo (leia AQUI), sobre o desabafo de Lula contra os banqueiros gananciosos de olhos azuis que criaram a atual crise mundial (título: “Blue Eyed Greed?”). Referiu-se ainda ao ataque do império Murdoch de mídia (New York Post, Fox News), que chamava Saddam de “açougueiro de Bagdá” e agora chama Lula de “Brazil nut” e “Lula lulu”.

Pobre FHC, deve estar corado de vergonha. É admirável o esforço dele para vender um Brasil culto aos ricos e sofisticados, convencendo-os de que não somos bugres como eles imaginam. Não viveram aqui Villalobos, Machado, Drummond, Niemeyer, Portinari? E quantos países tiveram a honra de eleger presidente um sociólogo, PhD e tudo, ainda hoje ativo e faturando feitos acadêmicos, honorários ou não?
Uma mudança de qualidade

Era comovente, no passado recente, o esforço da presidência FHC para paparicar a banda desenvolvida do mundo - como se isso nos tornasse parte dela, com nossa respeitável bagagem intelectual. Clinton conseguiu dele, pelo telefone, o contrato do Sivam para a Raytheon. Bush não falava diretamente mas mandava bagrinhos tipo John Bolton exigir a cabeça de embaixadores como José Maurício Bustani.

Uma vez, ao desembarcar nos EUA, FHC deparou com anúncio de página inteira da indústria farmacêutica no Wall Street Journal acusando o Brasil de “pirata de patentes”. Prometeu dobrar o Congresso e aprovar a lei exigida pela indústria. Cumpriu. Depois veio a onda de privatizações, uma orgia romana. E o que resultou de tantos agrados? Elogios a ele na TV. De Barbara Walters, Lou Dobbs, essa gente.

Tem sido assim há décadas com governantes do que os EUA chamam de “países amigos” do continente. Hoje é diferente. O recado mudou. Passamos dos agrados com lamúrias ao realismo da cobrança, em outro tom. Quando o país faz o dever de casa, pode falar grosso - e questionar. E se passou a exercer papel relevante em fóruns internacionais e sua liderança política é respeitada, o quadro muda.
No Brasil, ao receber o primeiro-ministro britânico Gordon Brown (foto acima), Lula contou que nunca tinha visto banqueiro negro ou índio. Antes, dia 14 no gabinete Oval de Obama, Lula tinha falado (leia AQUI) como um presidente que já tem o que mostrar no campo da energia alternativa - pois já começou a realizar uma das promessas do presidente dos EUA aos americanos na campanha. “Acho que o Brasil demonstra extraordinária liderança em biocombustíveis. Sou um grande admirador do que fez o presidente Lula para desenvolvê-los”, reconheceu Obama.

Lula foi franco nos dois encontros. Disse a Obama não entender porque, quando o mundo está preocupado com mudanças climáticas e com as emissões de gases que causam o efeito estufa, são impostas tarifas ao combustível limpo, como o etanol brasileiro (não mérito apenas de seu governo, observou, mas um trabalho de “30 anos de controle tecnológico e know how nesse campo”).

Mesmo declarando admiração pela “liderança progressista” de Lula na América Latina e no mundo, Obama respondeu que a situação das tarifas sobre o etanol não mudaria da noite para o dia, mas pode ser resolvida na medida em que evolua a troca de idéias sobre o comércio. O que foi entendido por Lula como “um processo”, no qual outros países, aos poucos, vão somar-se ao esforço.

Volto à colunista do Times. Ironia é seu forte. Mas como ironia não imprime, ela acabou castigada nos comentários de leitores na versão online do jornal. Eles não acharam graça no ressentimento de Dowd (que tem olhos castanhos) contra os próprios irmãos, de olhos azuis. E ela ainda citou os perigosos olhos azuis de Bush e Cheney (chamada a ratificar, a filha do ex-vice, Liz Cheney, negou-se com humor a confirmar ou desmentir a cor, pois é “informação classificada”).

A colunista contou mais histórias sarcásticas. Mas a reação de muitos leitores foi implacável. Suspeitei da cor dos olhos deles, já que foram levados a ver um racismo abjeto nas palavras de Lula. “É uma referência aberta e direta à expressão racista ‘demônio de olhos azuis’. E ao dizê-lo ele sabia muito bem disso”, esbravejou Katherine, de Atlanta, num comentário elogiado por mais 29 leitores.

Havia irritação e mau humor nessa e em outras críticas ao suposto racismo de Lula. Estranhei. Que diabo, essa mesma elite branca (supostamente de olhos azuis) inventou há anos a campanha contra os odiados “politicamente corretos”, horrorosamente favoráveis ao que é justo e honesto. Ela julga ter conquistado, entre outras coisas, o direito de usar expressões racistas ofensivas a negros, índios, asiáticos e minorias em geral.

Em compensação, foi sensato outro comentário, de B. Mull, da Califórnia, recomendado pelos editores do Times e por mais 245 leitores (até meia-noite de domingo): “Por que é tão engraçado um operário, torneiro mecânico, ser presidente? Por que é tão divertido Lula dizer o que bilhões de pessoas pensam hoje? Aposto que não ia parecer piada se parentes de vocês estivessem morrendo de cólera porque em Nova York um banqueiro irresponsável decidiu brincar de roleta e falir o país deles” (leia AQUI, junto com outros comentários).

Adoro o brilho sarcástico de Dowd, que Bush chamava de “cobra”. Gosto do que escreve e como escreve. É um prazer do qual não pretendo me privar. Mas nesse caso particular, em que, como sempre, disse (ou escreveu) o que quis, também precisava ouvir (ou ler) - o que não queria.

Os trabalhadores do Continente Latinoamericano nas ruas contra a crise.

Na pauta do movimentos sociais de muitos países da América Latina a Economia Solidária aparece como alternativa, ao contrário do Brasil.

O MST faz a sua parte, o movimento da Economia Solidária é que ainda não o fez.


Dia 30, América Latina nas ruas contra a crise: Onde está o movimento da Economia Solidária?


Os movimentos sociais de toda a América Latina realizam, nesta segunda feira, 30 de março, um ato político continental contra a crise capitalista. Denunciando as consequências nefastas para os trabalhadores e ao mesmo tempo apresentando algumas propostas.

Nos chama a atenção que na pauta LAtinoamericana o tema da Economia Solidária está contemplada na pauta dos movimentos, com referências às fábricas recuperadas e a produção autogestionária, o que infelizmente não vemos na pauta dos movimentos sociais no Brasil.
Por isso mais uma vez destacamos a ausência do Movimento da Economia Soliária do Brasil das mobilizações do movimento social, o que acarreta como consequència uma invisibilidade gritante de suas pautas.
Um movimento que congrega 27 fóruns estaduais, centenas de fóruns locais, ONGs, empreendimentos Econômicos Solidários em todo o país, mas que não consegue intervir em uma ato político desta magnitude, ficando ausente da luta dos trabalhadores é um problema muito sério que precisa ser enfrentado o quanto antes pelo movimento da Economia Solidária.

Na pauta de propostas dos movimentos sociais do Brasil para este dia 30 não se menciona o tema das alternativas a partir da autogestão, com o financiamento público para empresas de Economia Solidária. O incrivel é que o Brasil é um dos países da Emérica LAtina onde a Economia solidária mais tem se desenvolvido, entretanto, a "Economia dos Trabalhadores está ausente do horizonte dos movimentos sociais, mesmo que a atual conjuntura possibilite um avanço de projetos deste tipo, contribuindo para solapar o proprio sistema capitalista

Isso é um reflexo do que estamos apontando desde o ano passado como a falta de iniciativa política de mobilização e articulação do movimento da Economia Solidária, em especial o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, com os demais movimentos sociais.

Se não for por ação do próprio movimento de economia solidária, a partir da iniciativa do Fórum Brasileiro de Economia Solidária-FBES, ninguém irá pautar a possibilidade da "Economia dos Trabalhadores" como alternativa ao capitalismo. Infelizmente essa é mais uma grande oportunidade perdida. Tanto para dar visibilidade para a sociedade das pautas da Economia Solidaria (Plataforma do FBES, Resoluções da I Conferência Nacional de Economia Solidária, Resoluções da IV Plenária), como para avançar no fortalecimento político do movimento.

Abaixo publicamos a convocatória continental da mobilização do dia 30, publicada em http://www.kaosenlared.net/ e a convocatória do Brasil. Destacamos en negrito as referências a Economia Solidária, na primeira e a ausência na segunda.
El 30 de marzo estaremos en la calle, al igual que miles de luchadores y luchadoras en toda América para decir:
NO VAMOS A PAGAR POR LA CRISIS, QUE LA PAGUEN LOS RICOS
Reclamamos:
- Salario y trabajo digno para todos los trabajadores/as ocupados/as, desocupados/as, autogestionados/as, rurales y urbanos.- La nacionalización de la banca sin indemnización y bajo control social

- Basta de despidos. Reducción del tiempo de trabajo sin reducción del salario y mantenimiento de los puestos de trabajo.

-
Fábrica Cerrada, Fábrica Recuperada

- La estatización del comercio exterior con control social. ]

- Poner fin a las guerras, retirar las tropas de ocupación y desmantelar las bases militares extranjeras así como garantizar el cese del desplazamiento de las poblaciones producto de la guerra, especialmente mujeres y niños/as

- Reconocer la soberanía y autonomía de los pueblos, garantizando el derecho a la autodeterminación

- Garantizar el derecho a la tierra, a la vivienda, al territorio, trabajo, educación y salud para todas y todos reconociendo las experiencias de autogestión y cooperación que se vienen desarrollando como los bachilleratos populares, las experiencias de autogestión de construcción, las recuperadas y experiencias de trabajo autogestivo.

- Reforma agraria integral. Basta de desalojos a los campesinos/as.

- Efectiva titularidad de tierras en la ciudad de quienes deben recuperar espacios abandonados para garantizarse el derecho a la vivienda digna.

- No al pago de la deuda externa ilegítima, redireccionamiento de esos recursos para garantizar los derechos sociales. Auditoría de la deuda.

- Medidas para garantizar la soberanía alimentaria y energética. Recuperación efectiva de las empresas privatizadas con el auge del neoliberalismo (comunicaciones, transporte, petróleo, gas, agua, energía)

Con la firme convicción de que es posible una nueva gesta de independencia latinoamericana, de los pueblos y para los pueblos, por una integración popular, por la vida, por la justicia, por la paz, por la soberanía, por la identidad, por la igualdad, por la libertad de América Latina, por una auténtica emancipación, que tenga en su horizonte el socialismo.


Convocatória dos movimentos brasileiros para o ato do dia 30/03


Trabalhadores e trabalhadoras não pagarão pela crise

O Brasil vai às ruas na próxima segunda-feira, 30 de março. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade estarão unidos contra a crise e as demissões, por emprego e salário, pela manutenção e ampliação de direitos, pela redução dos juros e da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e em defesa dos investimentos em políticas sociais.


A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista, os Estados Unidos, e atinge as economias menos desenvolvidas. Lá fora - e também no Brasil -, estão sendo torrados trilhões de dólares para cobrir o rombo das multinacionais, em um poço sem fim, mas o desemprego continua se alastrando, podendo atingir mais 50 milhões de pessoas.


No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levaram à demissão de mais de 800 mil trabalhadores nos últimos cinco meses.


O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultante de um sistema que entra em crise periodicamente e transformou o planeta em um imenso cassino financeiro, com regras ditadas pelo "deus mercado". Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a classe trabalhadora pague a fatura em forma de demissões, redução de salários e de direitos, injeção de recursos do BNDES nas empresas que estão demitindo e criminalização dos movimentos sociais. Basta!


A precarização, o arrocho salarial e o desemprego enfraquecem o mercado interno, deixando o país vulnerável e à mercê da crise, prejudicando fundamentalmente os mais pobres, nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada sem reduzir os salários, acelerar a reforma agrária, ampliar as políticas públicas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.


Manifestamos nosso apoio a todos os que sofreram demissões, em particular aos 4.270 funcionários da Embraer, ressaltando que estamos na luta pela readmissão.
O dia 30 também é simbólico, pois nesta data se lembra a defesa da terra Palestina, a solidariedade contra a política imperialista do Estado de Israel, pela soberania e auto-determinação dos povos.


Com este espírito de unidade e luta, vamos construir em todo o país grandes mobilizações. O dia 30 de março será o primeiro passo da jornada. Some-se conosco, participe!



NÃO ÀS DEMISSÕES!
REDUÇÃO DOS JUROS!
REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS!
REFORMA AGRÁRIA, JÁ!
POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA!
EM DEFESA DOS SERVIÇOS E SERVIDORES PÚBLICOS!
SOLIDARIEDADE AO POVO PALESTINO!



Ato Internacional Unificado Contra a Crise


Organizadores:
ASSEMBLÉIA POPULAR, CEBRAPAZ, CGTB, CMB-FDIM, CMS, CONAM, CONLUTAS, CONLUTE, CTB, CUT, FORÇA SINDICAL, INTERSINDICAL, MARCHA MUNDIAL DE MULHERES, MST, MTL, MTST, NCST, OCLAE, UBES, UBM, UGT, UNE, UNEGRO/COMEN, VIA CAMPESINA

sexta-feira, 27 de março de 2009

E no país da maior desigualdade social do mundo...


Nesta semana, Eliana Tranchesi, a dona da loja mais cara do Brasil, a famosa "Daslu" foi presa pela Polícia Federal . A PF cumpriu mandato de prisão em razão da empresária ter sido condenada pela 2ª Vara Criminal de Guarulhos. Eliana foi levada para a Penitenciária Feminina do Carandiru, na zona norte da capital paulista. A informação é da Agência Brasil. O importante dessa noticia é que podemos visualizar um pouco o "modus operandi "da hiper-burguesia brasileira, que se locupleta neste que é um dos países de maior desigualdade social do mundo.
Interessante também é perceber as relações políticas que se estabelecem neste meio. Uma fronteira muito tênue entre a riqueza, o crime e a política.
Para ilustrar o pensamento fútil dessa gente, publicamos a entrevista da filha do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (nome forte do PSDB para as eleições ao governo de São Paulo em 2010) . A jovem, que passou de cliente à "trabalhadora" da Daslu, demonstra toda a futilidade que marca o perfil da elite brasileira, ou "lúmpen-burguesia brasuca" como bem define o Cristóvam Feil, a mesma que odeia pagar impostos, que sonega, que explora mão de obra barata, que vive de fraude, contrabando e ainda se considera dona do país.

Essa entrevista foi pescada do http://www.diariogauche.blogspot.com/ de hoje:


O estilo Sophia Alckmin – a nova gerente da boutique Daslu


Publicado na Vejinha São Paulo (Maio de 2005)


Filha mais velha do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a primeira-daminha do estado [as revistas do grupo Abril usam conceitualmente letra minúscula para grafar “Estado”, por motivos ideológicos óbvios, nota do blogueiro], agora é gerente de novos negócios da Daslu.

Aos 25 anos, a jovem advogada Sophia Alckmin tem a missão de cuidar dos interesses da butique mais chique do Brasil. Ou seja, respira luxo quase 24 horas por dia.

Como você define seu estilo?

Sou superbásica. Eu gosto de jeans, camiseta e sandálias.

E para ir a uma festa?

Quando é um casamento e sou madrinha, vou de vestido longo, bordado. Mas estou na fase de vestido curto, na altura do joelho. E também gosto de um decote.

Qual o tamanho ideal do salto?

Gosto de um salto 7 (ela tem 1,56 metro).

E a marca de sapato que mais tem em seu guarda-roupa?

A de que mais gosto é Manolo Blahnik (badaladíssimo designer italiano que cobra no mínimo 170 dólares por um par de sapatos).

Um perfume...Petite Cherie, da Annick Goutal.

Você tem um ritual de beleza?

Tenho. Minha mãe é supervaidosa e eu aprendi com ela. Desde os 15 anos eu lavo o rosto de manhã e à noite. Nunca durmo de maquiagem e sempre passo creme hidratante e protetor solar.

Aliás, você usa roupa da dona Lu ou vice-versa?

Ela é mais alta do que eu, não serve. Para não ser injusta, às vezes trocamos malhas. E, é claro, os acessórios: bolsas, brincos, pulseiras...

E maquiagem?

Passo um pozinho terracota da Guerlain para dar um ar de bronzeadinha e rímel da Chanel para alongar os cílios.

Um sonho...Conhecer o Egito. Adoro essas viagens exóticas.

Você está namorando?

Sim, há nove meses (o empresário carioca Mario Ribeiro).

E qual o último presente que você ganhou dele?

Um iPod que carrego na minha bolsa.

Você começou a freqüentar a Daslu como compradora ou vendedora?

Nas primeiras vezes em que eu vim, estava com a minha mãe. Ela fazia compras, eu assistia. Aí virei vendedora e tudo começou.

Que tal ser chamada de dasluzete?

Acho que as pessoas gostam de rotular, mas não dou a mínima.

Tem saudade do tempo de vendedora?

Adorava, fiz várias amigas. Depois passei a trabalhar no setor de importados [alô PF, alô Ministério Público, a moça está entregando o serviço...], nas compras de marcas nacionais e agora sou gerente de novos negócios.

Como é ter um salário maior que o do seu pai?

Desculpe, não falo sobre isso.

Qual o preço máximo que você paga, por exemplo, num jeans?

Depende. Acho que não existe um valor máximo para nada [eis a expressão viva da mentalidade XYZ, a ética da nossa lúmpen-burguesia brasuca, que a Veja chama de "Classe AAA"]

..............A “Gerente de Novos Negócios” da Daslu não foi presa, ontem, apesar de ter trabalhado no setor de importados (ou de contrabando) da loja de dona Eliana Tranchesi, agora correcional no Carandiru.

Em pensar que nós estivemos à beira de ter essa gente vazia e rasteira governando o Brasil...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Dicionário da Outra Economia



Dicionário Internacional da Outra Economia: Uma contribuição teórica para compreender a Economia dos(as) Trabalhadores(as)

Paulo Marques


No dia 27/03, sexta feira, será lançado em Porto Alegre o Dicionário Internacional da Outra Economia, organizado pelos pesquisadores Antonio David Cattani, Jean-Louis Laville, Luiz Gaiger, Pedro Hespanha.


O Dicionário Internacional da Outra Economia é uma iniciativa que chega em boa hora. Se a Economia capitalista, hegemônica, encontra-se em uma profunda crise, talvez a maior de sua história, também é verdade que existe um déficit teórico importante no campo alternativo, especificamente na esquerda, capaz de apresentar uma alternativa de caráter nitidamente anti-capitalista.

Até agora as respostas à crise, especialmente pela esquerda, tem se limitado às receitas keynesianas sem, no entanto, questionar o sistema capitalista. Entretanto, se por um lado a teoria tem se mostrado insuficiente, por outro, a realidade nos apresenta um conjunto de práticas coletivas realizadas por centenas de milhares de trabalhadores na América Latina no seu dia-dia, que denominamos de “Economia dos Trabalhadores” ou Economia Solidária que é uma alternativa concreta em desenvolvimento.

Baseada nos valores da cooperação e solidariedade, antagônicos ao modelo baseado no individualismo e na competitividade, essa Outra Economia é constituída de empreendimentos econômicos solidários (cooperativas populares, bancos comunitários, redes de cooperação entre outros) que emergiram como enfrentamento ao desemprego dos anos 90 e avançaram para uma possibilidade concreta de constituir uma alternativa de projeto político, ou outro paradigma de desenvolvimento econômico.

A partir dessa realidade surgiram diversos estudos, pesquisas, teses acadêmicas sobre o tema nas mais diversas disciplinas. Um dos livros de referência foi a A Outra Economia, organizado pelo professor Antonio Cattani e lançado pela Editora Veraz em 2003. Este foi também um ano em que a Economia Solidária teve um importante avanço político-organizativo no Brasil, com a criação do Fórum Brasileiro de Economia Solidária- FBES, no âmbito do Fórum Social Mundial e a criação pelo recém eleito governo Lula, da Secretaria Nacional de Economia Solidária- SENAES.
Passados seis anos muita coisa mudou, a Economia Solidária, mesmo com todas as limitações que o sistema impõe, já é uma realidade que avança a cada ano, seja na quantidade de empreendimentos e iniciativas práticas realizadas, seja, pelo seu avanço como movimento social identificado com os mais diferentes setores como as comunidades quilombolas; indígenas; movimento de mulheres, trabalhadores desempregados; trabalhadores de assentamentos da reforma agrária. Ao mesmo tempo é parte dos projetos mais significativos de transformações que estão em curso na América Latina. Na Venezuela, essa Outra Economia compõe o projeto de Desarrollo Endógeno; na Bolívia e no Equador está inserida na Constituição e reconhecida como modo de produção que compõe a Economia desses países. No Brasil realizou-se a 1 Conferência Nacional de Economia Solidária, e foi criado o Conselho Nacional de Economia Solidária.

O Dicionário Internacional da Outra Economia não deixa de ser um reflexo dessa realidade ao realizar a importante contribuição teórica de sistematizar , conceituar e compreender o significado destas experiências.

Conforme a apresentação do livro ele:

” está sintonizado com os ideais e as realizações objetivas da outra economia, aquela que se apresenta como alternativa material e humana superior à economia capitalista. A obra visa divulgar, para um amplo público, os conceitos e as teorias mais marcantes sobre as alternativas à economia capitalista presentes em uma literatura especializada, que às vezes é hermética demais para o leitor. Neste Dicionário são analisados os mais diversificados temas, como os fundamentos e as modalidades da outra economia, os marcos históricos do pensamento alternativo, as redes de colaboração solidária, o comércio justo, entre outros. Ajudar a tornar mais inteligíveis as insuficiências do sistema econômico dominante é a proposta deste livro".

Esse lançamento assim como muitos outros que virão nos permite ser otimistas quanto a superação do déficit teórico que existe no campo das alternativas anti-capitalistas. Boa leitura.
O lançamento será as 18h30min na livraria Palavraria, Rua Vasco da Gama, 165, Bairro Bom Fim, POA.

Dicionário Internacional da Outra Economia

Colecão CES – Série Políticas Sociais n.º 1Editora: AlmedinaAutores: Antonio David Cattani, Jean-Louis Laville,Luiz Inácio Gaiger, Pedro Hespanha (Coord.)2009ISBN: 978-972-40-3722-6

terça-feira, 24 de março de 2009

Democracia economica se conquista com luta




Economia dos(as) Trabalhadores(as) na prática
Paulo Marques

Se alguém ainda têm dúvida da viabilidade de um projeto de desenvolvimento a partir da Economia dos Trabalhadores, ou seja, realizada com uma lógica diferente da capitalista, que tem como objetivo principal a obtenção do lucro privado, a experiência modelo de finanças solidárias dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento constituem uma prova concreta de que é sim possível um outro desenvolvimento, a partir de princípios não-capitalistas. No Brasil já estão em funcionamento mais de 40 Bancos Comunitários de Desenvolvimento e em circulação mais de 41 moedas sociais em diversas comunidades.

Na crise do sistema cujo maior reflexo tem sido a quebra dos bancos privados, uma alternativa de base comunitária, que resgata o sentido da economia como "gestão da casa", a partir da auto-organização , comprova que é possível um novo sistema financeiro com base no controle e gestão coletiva voltada para o desenvolvimento das pessoas e não no benefício de capitalistas.

Mas o que são os Bancos Comunitários de Desenvolvimento? Segundo seus protagonistas [1] os Bancos Comunitários são serviços financeiros solidários em rede, de natureza associativa e comunitária, voltados para a geração de trabalho e renda, tendo por base os princípios da Economia Solidária[2].

O principal fator que caracteriza essa iniciativa é a metodologia de organização e funcionamento, baseado, sobretudo, na mobilização e organização da comunidade, ou seja é a própria comunidade que decide criar o banco, tornando-se gestora e proprietária do mesmo. O banco funciona com duas linhas de crédito, uma em reais e outra em moeda social que circula nos limites da comunidade envolvida. A ação do banco tem como principal objetivo criar uma rede local de produção e consumo, promovendo o desenvolvimento endógeno do território. O que se materializa na multiplicação de empreendimentos econômicos cooperativos e solidários de produção e comercialização, realização de feiras, lojas solidárias.

A manutenção do Banco se dá através da captação de recursos públicos e da constituição de um fundo solidário de investimento comunitário. Este fundo constitui-se de múltiplas fontes de recursos, entre doações de pessoas físicas e jurídicas, cotizações de associados , prestação de serviços mercantis não-concorrenciais e outros tipos de prestação.[3]

A experiência que tem servido de modelo por sua metodologia é o Banco Palmas, criado a dez anos na favela que hoje é o bairro Palmeiras no Ceará. Construído a partir da mobilização e organização comunitária o banco se consolidou e hoje é uma referência para novos projetos.

A experiência dos Bancos Comunitários conta hoje com o apoio da Secretaria Nacional de Economia Solidária, SENAES, do governo federal que, junto ao Instituto Banco Palmas de Desenvolvimento e Socioeconomia Solidária, tem o projeto de multiplicar por todo o país a experiência dos Bancos Comunitários. Segundo informou em entrevista o professor Paul Singer, secretário da SENAES “Ajudamos mais de 30 bancos e vamos criar outros 150 com moedas próprias até 2010[4] Uma das iniciativas estimuladas pelo governo é do Banco Paju, em Maracanaú, Ceará. Segundo a reportagem da revista Época cerca de 3.300 pessoas já usam a moeda Social nessa comunidade.

A experiência dos Bancos Comunitários brasileiro foi levada pelo governo Venezuelano, que em menos de um ano criou mais de 3 mil Bancos Comunitários, no âmbito do projeto de Economia Comunal.

Conscientes do papel político e estrategico que representa estas experiências dos Bancos Comunitários e a necessidade de mobilização social para avançar com o projeto de Democratização da Economia, a Rede Brasileira de Bancos Comunitários de Desenvolvimento junto com os parceiros do poder público e Instituto Palmas e CUT, estará realizando no Ceará, no dia 26 de março a JORNADA PELA DEMOCRACIA ECONÔMICA: Bancos Comunitários. Uma estratégia da Economia Solidária para a inclusão financeira e bancária.
Somente a partir da mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras é possível obter conquistas e avançar na construção de uma Democracia Econômica, que pressupõe o fim dos privilégios ao capital especulativo privado com a aprovação da Lei que cria o sistema de finanças solidária ( Projeto Erundina) e o investimento pesado de recursos públicos na criação de outros bancos comunitários de dsenvolvimento. Dessa forma não só é possível enfrentar a crise como criar as bases de uma outra economia possível, democrática e solidária.


[1] Melo, João Joaquim e Magalhães, Sandra. Bancos Comunitários de Desenvolvimento. Uma rede sob controle da comunidade. Instituto Banco Palmas, dezembro, 2006.
[2] Idem, p. 7.
[3] Idem, p.9.
[4] Revista Época, 20/03/09.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tirofijo: Presente!!!


Dia do Direito Universal à Rebelião Armada
A data em que se completa o primeiro aniversário da morte do comandante histórico das FARC-EP, Manuel Marulanda Velez, será lembrado em mais de dez países como o “Dia do Direito universal a Rebelião Armada”.
Na Venezuela, com representantes do Partido e da Juventude Comunista, a Coordenadoria Simón Bolívar, o Movimento 28 de Março e a Coordenadoria Continental Bolivariana, divulgou o programa geral das jornadas de recordação de Marulanda. As distintas atividades, nas quais participarão dirigentes internacionais da Coordenadoria Continental Bolivariana, que começaram no dia 20 de Março, culminarão na quinta-feira, 26 de março com uma grande mobilização popular em Caracas que, partindo da Praça Bolívar, chegará a Praça que leva o nome de Manuel Marulanda.
Para o secretário da Juventude Comunista da Venezuela, Héctor Rodríguez, “a celebração do día do Direito Universal a Rebelião Armada constitui uma reivindicação de Manuel Marulanda, como gestor de uma força que representa a vanguarda na luta antiimperialista dos povos de Nossa América”.
Os organizadores consideran que “o imperio trata e tratará com toda certeza de intervir nos processos democráticos revolucionarios da América Latina, como já está fazendo por exemplo na Bolivia e como se evidencia nas tentativas golpistas da oposição na Venezuela, pelo que a resistêcia armada cobra vigor tanto em legitimidade como em vigência”.
Comunicado del Secretariado del Estado Mayor Central de las FARC-EP en homenage a Manuel Marulanda Velez, "EL Tirofijo".
Camaradas del Estado Mayor Central, direcciones de Bloques, Comandos Conjuntos, Frentes, Columnas, Compañías, Guerrillas y Escuadras; guerrilleras y guerrilleros, Sandra e hijos, PCCC, milicias Bolivarianas y Populares, movimiento Bolivariano por la Nueva Colombia y al pueblo Colombiano les decimos hoy que a un año de la desaparición física del Comandante Manuel Marulanda Vélez las FARC- EP seguimos adelante desarrollando el plan estratégico, guiados por todos los documentos que han producido las 9 conferencias nacionales de guerrilleros, plenos del Estado Mayor Central y su Secretariado en 44 años de confrontación política militar con el estado colombiano, su régimen oligárquico y excluyente, amamantado y dirigido por el imperio.

La vida revolucionaria de Bolívar, Jacobo y Manuel, son ejemplo a seguir, por su amor al pueblo y lucha permanente contra los esclavistas, capitalistas e imperialistas que son los que engañan, eliminan, desaparecen, invaden y se alimentan con la sabia de los pobres del mundo. Organizadores de ejércitos, conductores populares sin igual, persistentes hasta los últimos días de sus vidas.
El legendario Comandante Manuel Marulanda Vélez con sus compañeros de dirección dejo todo organizado, estatuido, reglamentado, normatizado y las líneas generales para hacer realidad nuestro proyecto revolucionario.
En todos los eventos donde él participo, siempre nos inculcó la lucha por la paz con justicia social y soberanía, la dignidad de ser guerrilleros donde reina la fraternidad, solidaridad, persistencia, lealtad, austeridad, verdad, honradez, sencillez, modestia, capacidad física y moral para enfrentar todas las dificultades sin vacilación de la vida guerrillera, ni el más intenso dolor, hambre, sueño y cansancio nos doblega, así fue la intensa vida de nuestro comandante Marulanda, con firmeza enfrentó a la cabeza de sus camaradas a enemigos poderosos, políticos militares y siempre salió triunfante, su pensamiento es el de las FARC EP, por esa razón, el Estado Mayor Central, el Secretariado y toda la guerrillerada estamos unidos, cohesionados actuando sobre lo ya elaborado que es nuestra línea política militar, la vamos actualizando a la luz del Marxismo leninismo de acuerdo a la realidad Colombiana.
Nuestra gran tarea es contribuir en la organización del pueblo y entre todos acabar las causas que han generado las desigualdades sociales y la violencia estatal contra los humildes de nuestra patria.
Las colosales cualidades revolucionarias de Manuel Marulanda Vélez son patrimonio de las FARC- EP y de todos los pueblos del mundo, 60 años luchando en diversas formas por la vida y el bienestar común, con un desprendimiento total de la propiedad privada, siempre marcho a la vanguardia de sus camaradas, jefe indiscutible, con enorme capacidad y don de mando, solo su presencia repleta de autoridad moral era suficiente para resolver las grandes dificultades de los momentos críticos que hemos tenido en nuestros 44 años de existencia.
Es por eso que las FARC- EP nunca desfallecemos, somos fieles a lo que entre todos hemos planificado.Cuando él se marcho de la vida, de inmediato nos reorganizamos, designamos comandante del Estado Mayor Central al comandante Alfonso Cano, distribuimos entre todos las distintas responsabilidades, completamos el Estado Mayor Central y reajustamos las diversas direcciones que existen en este ejército guerrillero e irregular.
Todo el Secretariado en cabeza del comandante en Jefe Alfonso Cano! dirigimos a las FARC- EP en dirección colectiva, con base a la línea que tenemos, aquí lo que hay es dedicación al trabajo revolucionario. Es que todo está armado, falta es que la mayoría del Pueblo Colombiano se una a nuestra plataforma, al movimiento Bolivariano y todo lo que hemos proyectado, así no dan un brinco los paramilitares de la casa de Nariño, la oligarquía genocida la llamamos a juicio e instauramos un gobierno de reconstrucción y reconciliación nacional.
En Colombia continúan madurándose con celeridad las causas objetivas que reclaman transformaciones revolucionarias, pero hace falta desarrollar a plenitud los factores subjetivos.
Así, no habrá ni oligarquía ni imperio que valga. El mejor homenaje que podemos rendir a nuestro comandante en jefe es el crecimiento en todo orden, educación y combatividad de las FARC-EP, milicias Bolivarianas y Populares, el PCCC, movimiento Bolivariano y organizaciones populares.
Todos juntos con el pensamiento de Manuel, Jacobo, Raúl Reyes, Nariño e Iván ríos, Adán Izquierdo llegamos al poder.
Secretariado del Estado Mayor Central de las FARC EP.
Montañas de Colombia.
Marzo 23 del 2009.

Em defesa das Escolas Itinerantes do MST


domingo, 22 de março de 2009

Poema de domingo



Prestidigitação


Não se deixe iludir
Por fáceis e doces palavras
Arremedos de pranto sofrido
Afagos que são emboscada
Esgares que não são sorriso
Amparo de não amigos


Pense em perspectiva
O louva-a-deus parece devoto
O padre parece um abutre
O tigre parece um gato
Sanguessugas se escondem no açude


Pimentas não são pitangas
Notícias nem sempre são fatos
O mago precisa das mangas
Para iludir no espetáculo.


Laurene Veras


A poetisa porto-alegrense Laurene Veras, também é blogueira , tem o ótimo blog de poesias www.lulinlulin.blogspot.com

A França em movimento



Em um dos cartazes da Greve: A crise são eles


Outra Greve Geral na França em menos de dois meses

Na quinta-feira passada, 19/03 a França parou em mais uma greve Geral, organizada pelos sindicatos e movimentos sociais contra a crise capitalista. Essa é a a segunda greve geral em menos de dois meses. Os sindicatos reivindicam mais apoio ao emprego e ao poder de compra da população e as pesquisas de opinião indicam o apoio maciço do país aos grevistas. As mais de 200 manifestações juntaram milhões de trabalhadores nas ruas, mas o governo avisou que não aumentará o pacote de ajudas às vítimas da crise e do desemprego.

As manifestações de rua da juventude e dos estudantes, como tem sido uma constante, foram brutalmente reprimidas.

Nossa amiga pesquisadora Manuella Daviegler, que está fazendo pesquisa de doutorado em um assentamento do MST, no Rio Grande do Sul e está na França nesse momento, nos envia e-mail informando como estão as mobilizações em Toulouse, sua cidade natal:

"Nos estamos em luta na França, contra muitas reformas do governo, que esta destruindo todos os serviços publicos e a politica de ajuda social que tinhamos. Nem vou falar do que eles (SARKOSY, governantes, amigos e a midia) estão fazendo com a cultura ou a justiça. A justiça esta tornando-se protetora do capital. Ah, desde que voltei, encontrei uma polícia cada vez mais violenta durante as ações dos estudantes e dos movimentos sociais. Até na quinta feira, botaremos fogo nas ruas de Toulouse, pra proteger a manifestação dos policiais armados e violentos. Desde 1995, não tinha acontecido isto em Toulouse, barricadas e fogo nas ruas, simbolo do que a juventude aqui esta rebelando-se. rsrsrs, e isso é muito bom, so que entre cinco e dez pesssoas são presas por semana... hehehe, daí, fazemos bastante exercicio: respirar gás lacrimogêneo, correr nas ruas e esconder-se, construir rapidamente piquetes de greve (barricadas de mesas e cadeiras) e nem falo das assembleias gerais... três a cinco horas ficando sentado pra votar as ações na universidade.

Em fim, bjos pra todos,

e so a luta paga!

Manu.

sábado, 21 de março de 2009

Economia dos Trabalhadores como um projeto anticapitalista

A Economia dos Trabalhadores tem no MST uma referência fundamental para o acúmulo de força política necessária para avançar.

Economia dos Trabalhadores Vs. Economia Capitalista
É possível um projeto anti-capitalista?

Paulo Marques


Segundo a teoria do prof. Paul Singer1, da qual corroboramos, no sistema capitalista convivem diferentes modos de produção. O modo de produção capitalista, majoritário, cuja empresa privada é a unidade típica de organização da produção e distribuição e outros modos não-capitalistas, como os empreendimentos familiares ou de tipo cooperativo, associativo e de base comunitária; todos eles não-majoritários no sistema.

O modo majoritário compõe, portanto, os estratos superiores da economia (a grande indústria, o comércio internacional, o agronegócio, o sistema financeiro etc..), enquanto o modo minoritário compõe os estratos inferiores(economia informal, popular entre outros).

Com as sucessivas crises do sistema capitalista, esta economia não - capitalista dos “estratos inferiores” cresceu muito desde a última década do século passado no Brasil. A brutal crise de desemprego da década de 90, que segundo dados da época atingiram cerca de 3 milhões de trabalhadores, foi responsável por esse avanço. Milhares de trabalhadores (as) jogados (as) a própria sorte, buscaram na auto-organização da produção e dos serviços uma forma de resistir à exclusão do mercado formal (assalariado) de trabalho.

Esta alternativa de trabalho auto-organizado, na prática, significou o surgimento de milhares de empreendimentos Econômicos coletivos, autogestionários ( empresas recuperadas, cooperativas populares de produção e de consumo, clubes de troca, grupos informais de produção, bancos comunitários entre outras iniciativas) que foi denominado, de modo geral, como Economia Solidária2.

Essa denominação, segundo Razeto3, surge dos(as) próprios(as) trabalhadores(as) e não de alguma teoria prévia. Essa informação reforça a idéia segundo qual, uma das diferenças básicas da autogestão realizada pela Economia Solidária neste século, em comparação com a autogestão dos pioneiros cooperativistas do século XIX, está em que as primeiras surgiram como uma prática em busca de uma teoria, e as segundos tinham uma teoria em busca de uma prática.
Malgrado essas diferenças, é inegável que existe no “DNA” das iniciativas autogestionárias contemporâneas elementos fundamentais do processo histórico de lutas de reação anti-capitalista dos trabalhadores desde o século XIX.
A referência de princípios básicos organizacionais das cooperativas e associações ainda permanecem as mesmas dos cooperados de Rochdaile, os tecelões ingleses pioneiros do cooperativismo da segunda metade do século XIX.

Outro fator diferencial importante da realidade de hoje está no potencial político que a Economia Solidária vem adquirindo a partir tanto das crises do sistema capitalista como do processo político-organizativo levado a diante pelos militantes da Economia Solidária (existem atualmente centenas de ONGs voltadas para o apoio a Economia Solidária em todo o país) .

Com o advento do movimento anti-globalização, ou alter-globalização (no sentido que se propõe uma outra globalização) no final dos anos 90, que teve nos Fóruns Sociais Mundiais sua maior expressão, foi possível um avanço político-organizativo da Economia Solidária com a consolidação de estruturas e espaços de articulação e organização como os fóruns, redes e entidades de representação. Foram estas novas formas organizativas que contribuíram de forma decisiva para que a Economia Solidária, além de uma alternativa prática do movimento anti-globalização, conformasse um novo movimento social contemporâneo em construção.

A criação do Fórum Brasileiro de Economia Solidária- FBES, em 2003, contribuiu bastante para isso. São consideradas suas primeiras conquistas a criação de uma Secretaria Especial sobre o tema no governo federal ( no primeiro ano do governo Lula), a realização em 2006 da 1 Conferência Nacional de Economia Solidária, e posteriormente a criação de um Conselho Nacional de Economia Solidária. Essas conquistas podem ser consideradas um reflexo do avanço político-organizativo do movimento.

Em vista desse avanço de caráter político, e principalmente em função da atual crise econômica que vive o capitalismo hoje a pergunta que colocamos para o movimento é:
O movimento da Economia Solidária tem conseguido incidir nas discussões sobre alternativas à crise capitalista, pautando a Economia dos Trabalhadores(as) ( Economia Solidária) como alternativa à Economia Capitalista?

Neste breve artigo não pretendemos responder a esta pergunta, nossa intenção é pontuar algumas questões que ajudem a compreender os motivos da atual inércia dos movimentos sociais brasileiros nos debates sobre a crise, em especial o movimento da Economia Solidária.

Se analisarmos os debates realizados até agora (vide o Seminário Internacional do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) pode-se perceber claramente que a incidência do movimento da Economia Solidária está muito aquém do que poderia ou deveria. E não é só o FBES, como instrumento do movimento, mas também se percebe a fragilidade dos movimentos sociais, como o movimento sindical, que perde uma grande oportunidade de disputar o tema da crise, a partir do fortalecimento de um campo contra-hegemônico protagonizado pela classe trabalhadora enquanto produtora e não apenas como mão-de-obra assalariada.

Segundo informações do presidente do IPEA, economista Márcio Pochmann, existem hoje mais de 70 mil sindicalistas remunerados no país; cada sindicato, dos milhares existentes , possuem sua sede própria e seu jornal próprio4.

Já o movimento da Economia Solidária, segundo informa o próprio FBES, “existem mais de 120 Fóruns Estaduais, Microrregionais e Municipais de Economia Solidária, envolvendo diretamente mais de 3 mil empreendimentos solidários e 500 entidades de assessoria, além da Rede de Gestores (que hoje envolve em torno de 100 prefeituras e governos estaduais).5

No entanto, mesmo com toda essa estrutura, base social, quantidade de militantes, entidades e articulações, o movimento social não é capaz de mobilizar e organizar a maioria da classe trabalhadora que hoje é composta por trabalhadores(as) não-assalariados e desorganizados politicamente, para passar a uma ofensiva política e ideológica na sociedade, com condições de acumular força política com capacidade de pautar o tema da Economia dos Trabalhadores(as) (Economia Solidária) como alternativa ao capitalismo nesse momento em que o sistema é colocado em xeque.

Ao que parece tem sido essa incapacidade, tanto do FBES como do movimento sindical, de mobilizar uma base social numericamente significativa, de trabalhadores(as) não-assalariados, hoje sem identidade de classe, que tem impedido uma mobilização dos movimentos sociais em torno do debate de alternativas. Um debate que ataque frontalmente as bases ideológicas que sustentam o sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, na exploração, e na apropriação privada da riqueza produzida coletivamente.

No Seminário Internacional do Conselho de Desenvolvimento realizado no inicio do mês o presidente do IPEA, Márcio Pochmann exemplificava a necessidade de força política para viabilizar as transformações sociais ao referir-se a conquista das oito horas semanais pelo movimento operário no século XIX. Segundo Pochman, a tecnologia já permitia a mudança, entretanto, ela só foi possível muitas décadas depois, somente quando a classe trabalhadora adquiriu força política para conquistá-la.

Essa força política organizada é o que tem faltado ao movimento social. Não há dúvida que as práticas existentes comprovam a viabilidade de um projeto baseado na Economia dos trabalhadores. As experiências em execução de redes de produção solidária e dos Bancos Comunitários de Desenvolvimento são a prova concreta do que é essa outra Economia, construída a partir da auto-organização dos trabalhadores.

Entretanto, todos têm clareza dos limites dessas iniciativas quando deixadas a própria sorte, na selva da livre concorrência, que de livre não tem nada. Com a crise caiu por terra a falácia da “mão invisível do mercado”, da competição como premissa do desenvolvimento. O que é concreto é a necessidade de dinheiro público para que os empreendimentos privados, sejam eles empresas ou bancos funcionem. Isto está mais claro do que nunca com a crise e o socorro dos Estados às “iniciativas privadas”.

Portanto é hora de questionar essa lógica, do qual o povo trabalhador financia e sustenta os capitalistas privados através do dinheiro público. Todavia , isso não será possível sem mobilização e organização da classe trabalhadora para o enfrentamento com os capitalistas que detém o controle político e financeiro do país. É necessário incidir no debate sobre a política de Desenvolvimento do Estado brasileiro .

O Conselho Nacional de Economia Solidaria precisa tomar a iniciativa, articulado pelo FBES, de realizar um debate nacional sobre a Economia dos Trabalhadores como alternativa. Paralelo a isso, retomamos nossa sugestão já mencionada em artigo anterior, da necessidade de uma Conferência Nacional dos Movimentos Sociais que tenha como eixo central a discussão da alternativa sob a ótica dos trabalhadores.

Se no campo dos movimento sociais, o único movimento que tem conseguido pautar um projeto de Economia dos Trabalhadores é o MST, cujas experiências produtivas dos assentamentos e do seu grau de organização e politização são modelos, não será possível organizar essa ofensiva sem a participação do MST e Via Campesina. Por isso não bastam diálogos em Seminários com o MST, é necessário uma aliança estratégica do MST com o movimento da Economia Solidária.
O debate sobre a crise capitalista é um embate também ideológico e nesse aspecto o FBES poderia avançar, superando a fragilidade que também visualizamos na esquerda, ou seja, uma atualização do pensamento anti-capitalista.

Isto porque o fato de a realidade colocar na lata do lixo a ideologia neoliberal não significou que o pensamento capitalista, por excelência, tenha perdido terreno na sociedade.
É o que sustenta o economista José Luís Fiori ao analisar as mudanças propostas para superação da crise:

Trata-se de uma reação emergencial e pragmática frente à ameaça de colapso do poder dos estados e dos bancos, e como conseqüência, dos sistemas de produção e emprego. Foi uma mudança de rumo inesperada e inevitável, que foi imposta pela força dos fatos, independente da ideologia econômica dos governantes que estão aplicando as novas políticas, e que na sua maioria ainda eram ortodoxos e liberais até ante-ontem. É como se estivéssemos assistindo a versão invertida da famosa frase a Sra Thatcher:”there is no alternative6.

Mesmo que, como afirma Nassif, a ideologia econômica liberal não tenha previsto e também não consiga explicar a crise que ela provocou, e como conseqüência não tenha nada para dizer nem propor neste momento, os instrumentos de reprodução cultural e ideológica do capitalismo continuam monopolizados pelos detentores do capital.

No campo dos movimentos sociais salta aos olhos a fragilidade na elaboração teórica-ideológica, agravada pela falta de instrumentos de comunicação. O que se torna um agravante nesse momento que abre um enorme espaço para o enfrentamento ideológico. O fato é que a própria esquerda, em especial os sindicatos e partidos, se acomodaram à “utopia possível”, nos marcos do sistema, mesmo que esse sistema esteja se autodestruindo com enorme velocidade.

Se o FBES cumprir as deliberações de sua IV Plenária nacional, que também definiu seu papel , qual seja , o de “um instrumento do movimento da Economia Solidária, um espaço de articulação e diálogo entre diversos atores e movimentos sociais pela construção da economia solidária como base fundamental de outro desenvolvimento sócio econômico do país que queremos, o Fórum poderia, avançar além de sua pauta interna, ou a que se restringe a proposições de captação de financiamento público para projetos pulverizados pelo país.

Conforme as finalidades apontadas pela própria base do Fórum, entre elas o diálogo com diversos atores e outros movimentos sociais ampliando o dialogo e se inserindo nas lutas e reivindicações sociais e o apoio ao fortalecimento do movimento de Economia Solidária, a partir das bases7, não estaria em tempo do FBES, como principal instrumento político-organizativo da Economia Solidária passar a ofensiva política na sociedade, pautando também o debate sobre a crise?

Não estaria em condições de estabelecer um debate alternativo na sociedade a partir de outras premissas que não os limites da Economia Capitalista? Não estaria na hora do FBES articular, para isso, um movimento de ofensiva política em conjunto com os outros movimentos sociais ( mulheres , jovens, negros) e em especial com o movimento sindical e o MST para colocar na agenda da sociedade a Economia dos Trabalhadores?

Acreditamos que esse é o momento e que é possível, dado o conjunto de instrumentos que estes movimentos têm hoje ao seu alcance.

Nesse sentido, entendemos que o maior apoio que o FBES pode dar para o avanço concreto da Economia Solidária é a organização e mobilização de sua base social para adquirir força política, com os outros movimento sociais em especial o sindical e o MST, visando construir um Bloco Histórico capaz de disputar um projeto alternativo baseado na Economia dos Trabalhadores(as).

1 Singer, Paul. Uma utopia militante. Repensando o socialismo. Petrópolis, Vozes, 1999.
2 Os dados da Secrataria Nacional de Economia Solidária, apontaram, a partir de um mapeamento nacional que chegou a 50% dos municípios do país, a existência de mais de 20 mil empreendimentos econômicos solidários tanto no meio urbano quanto rural.
3 Razeto, Luiz. Lecciones de Economía Solidária. Realidad, Teoria y Proyecto. Ed. Virtual, Santiago do Chile,S/D.
4 Informações divulgadas na Palestra de Márcio Pochmann realizada em outubro de 2008, em Porto Alegre, na sede Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul.
5 A informação está na “Carta aos fóruns” , enviada pela Executiva do FBES pela rede de e-mails do e-solidária, no dia 18 de março.
6 Entrevista publicada no site http://www.cartamaior.com.br/, com o título :”Crise longa e profunda atuará como um tsunami darwinista”
7 Extraído do documento : Questionário aos Fóruns, , divulgado pela Secretaria Executiva do FBES via rede e-solidária em 18/03/09.

quinta-feira, 19 de março de 2009

É isso aí




Essa historinha foi publicada hoje no Diário Gauche, http://www.diariogauche.blogspot.com/ é muito boa e por isso reproduzimos aqui:


O bom burguês


Certa tarde, um famoso banqueiro ia para casa em sua limousine negra quando viu dois homens, à beira da estrada, comendo grama. Ordenou ao seu motorista que parasse e, saindo, perguntou a um deles:


- Porque vocês estão comendo grama?

Não temos dinheiro para comida - disse o pobre homem.

- Por isso temos que comer grama.

- Bem, então venham a minha casa e eu lhes darei de comer - disse o banqueiro.

- Obrigado, mas tenho mulher e dois filhos comigo. Estão ali, debaixo daquela árvore.

- Que venham também - disse novamente o banqueiro.

E, voltando-se para o outro homem, disse-lhe:

- Você também pode vir.

O homem, com uma voz muito sumida, disse:

- Mas, senhor, eu também tenho esposa e seis filhos comigo!

- Pois que venham, também - insistiu o banqueiro.

E entraram todos na enorme e luxuosa limousine.

Uma vez a caminho, um dos homens olhou timidamente o banqueiro e disse:

- O senhor é muito bom. Obrigado por nos levar a todos!

O banqueiro respondeu:

- Meu nobre faminto, não tenha vergonha, fico muito feliz por fazê-lo!

Vocês vão ficar encantados com a minha casa...

A grama está com mais de vinte centímetros de altura!


Moral da história:

Quando você achar que um banqueiro está lhe ajudando, não se iluda.

terça-feira, 17 de março de 2009

Enquanto isso num cantinho do mundo...

Luta anticapitalista: Conhecimento NÃO é mercadoria


Anticapitalismo em todas as frentes

A Luta central do movimento pelo Software Livre é para que o conhecimento não seja uma mercadoria, ou seja, que todo conhecimento que foi criado de forma coletiva (principal caracterísitica de toda ciência) não seja apropriado de forma privada pelos capitalistas. Na medida que grande parte do conhecimento é produzido com recursos públicos, a apropriação privada através de patentes, tem sido um grande entrave para o desenvolvimento tecnológico de muitos países.

É nesse sentido, que a pauta do Software Livre está vinculada ao da Economia Solidária, como lutas anti-capitalistas pois ambas põe em xeque a lógica do sistema capitalista de apropriação privada, tanto da produção de novas tecnologias como da produção de mercadorias e serviços. A tecnologia, o conhecimento a economia deve ser de todos, ou seja, dos trabalhadores e trabalhadores, que de forma colaborativa e cooperada, produzem as riquezas do país.

Essa luta se dá em diversas frentes, no movimento social e nos espaços institucionais como o parlamento através de deputados comprometidos como estas lutas emancipatórias.

Esse é o exemplo do Deputado Elvino Bohn Gass (PT) que tem feito de seu mandato na Assembléia Legislativo do RS uma referência para as pautas como a Economia Solidária e o Software Livre.

O deputado Elvino Bohn Gass é o autor da lei que determina o uso preferencial de softwares livres nos órgãos públicos estaduais. Na semana passada o deputado petista entregou ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Ivar Pavan (PT), documento no qual solicita providências para que a Casa passe a adotar estes programas.

No documento, Bohn Gass propõe a constituição de um grupo de trabalho entre servidores da Casa para planejar, identificar e implantar novos softwares; a realização de convênios com outros órgãos públicos para a cessão de softwares livres já desenvolvidos; a priorização, na comunicação institucional do Legislativo, principalmente na TV Assembléia, da veiculação de informações para a difusão do uso de softwares livres e, por fim, a promoção de palestras e capacitações para todos os servidores da Alergs.

Na continuidade destas ações será realizado na próxima quarta-feira (18/3), às 10h, uma primeira atividade pública sobre o tema na qual o diretor presidente do SERPRO, Marcos Mazzoni fará um painel, aberto a funcionários da Assembléia e a todos os interessados.

Segundo o deputado Elvino : “Os softwares livres são seguros, econômicos e principalmente, reforçam a consciência de que conhecimento não é mercadoria. Já está mais do que na hora da Casa que apostou nesta idéia, aprovando esta Lei, ajudar a tirá-la do papel”, concluiu. (Fonte: Site Deputado Bohn Gass/PT)

segunda-feira, 16 de março de 2009

A história continua, a luta continua












Quando compreendida em uma perspectiva histórica, a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, um dos países mais pobres da América Central, adquire um significado enorme para o processo de luta dos povos latinoamericanos por sua libertação. Ha trinta anos a América Central estava mergulhada em uma guerra civil que atingia principalmente a Nicarágua e El Salvador. Na Nicarágua, o governo revolucionário da Frente Sandinista de Libertação Nacional, que havia derrubado ditador Anastácio Somoza em 1979 depois de uma longa guerra civil, enfrentaria durante seu governo o constante ataque dos paramilitares de direita, armados e financiados pelos EUA. Eram os "contras", que matavam e massacravam os camponeses, destruindo e boicotando a jovem revolução.

Em EL Salvador o governo de direita massacrava os trabalhadores e os movimentos sociais. No ano de 1980 a direita assassinou o Bispo progressista de San Salvador Monsenhor Oscar Romero, quando realizava uma missa na catedral. Naquele mesmo ano a guerrilha da FMLN inicia uma grande ofensiva armada, chegando na capital e ameaçando de fato o poder do governo de direita. Entretanto, o apoio dos EUA foi decisivo para o exército enfrentar o povo em armas. A repressão do governo salvadorenho sobre a população civil e ação dos contras tornavam a América Central em um palco de guerra e sofrimento.

Como forma de chamar a atenção do mundo para o que ocorria na América Central, o governo sandinista, através do Ministério da cultura dirigido pelo padre Ernesto Cardenal, promove em 23 da abril de 1983, na praça da Revolução em Manágua,o CONCERTO PELA PAZ NA AMÉRICA CENTRAL, que reuniu os maiores nomes da música Latinoamericana entre os quais Ali Primera da Venezuela, Mercedes Sosa , o cubano Silvio Rodrigues, o uruguaio Daniel Viglietti e a mexicana Amparo Ochoa. Esse foi um evento histórico carregado de simbolismo, pois representava um grito de basta do povo latinoamericano contra a intervenção dos EUA e pela liberdade e justiça. Passados 26 anos daquele concerto vivemos um novo momento histórico que está intimamente ligado aquelas lutas.

No ano em que a Revolução Sandinista completa 30 anos assistimos ao triunfo da FMLN em EL Salvador, o avanço do socialismo no governo bolivariano de Chávez na Venezuela e de Evo Morales na Bolívia. Um processo que é parte dessa longa tragetória de lutas do povo latinoamericano.
Nesse sentido, a saudação que fazemos ao povo salvadorenho nesse momento é uma homenagem a todos e todas, os (as) que morreram e os (as) que ainda hoje lutam em cada canto dessa nossa sofrida latinoamérica por um mundo justo de liberdade e dignidade.