sábado, 28 de novembro de 2009

PAIS BASCO: JUVENTUDE QUE FAZ POLÍTICA ACABA NA PRISÃO


Cartaz da manifestaçao contra a prisao dos jovens independentistas bascos


Familiares dos jovens presos convocam manifestaçao de protesto em Bilbao neste sábado.

Estado Espanhol aprofunda repressão no Pais Basco : Povo basco sai as ruas neste sábado

Sâo 34 os jovens independentistas que foram detidos numa macro-operação levada a cabo neste mês de novembro por 650 agentes da Polícia espanhola e da Guarda Civil em várias regiões do País Basco ( Gipuzkoa, Nafarroa, Araba e Bizkaia )contra a organização da juventude independentista de esquerda Segi. Por ordem do juiz Fernando Grande Marlaska, as forças policiais além das prisões inspeccionaram 92 habitações, gaztetxes, herriko tabernas e associações de moradores, de acordo com o Ministério do Interior.

Cerca de uma centena de familiares e amigos dos 34 jovens independentistas detidos lançaram um apelo a diversos agentes e às pessoas de Euskal Herria no sentido de participarem na manifestação que convocaram para este sábado em Bilbau em defesa de «todos os projetos e do direito ao exercício de todos os direitos». Sublinharam que os seus familiares se encontram detidos por serem independentistas.

«Que futuro tem um povo cujos jovens são detidos e encarcerados pela exclusiva razão de trabalharem pelos seus direitos e pelos projetos com que sonham? Que futuro têm as novas gerações de Euskal Herria? Que futuro tem Euskal Herria com uma juventude que vê recusada os direitos mais básicos?», perguntaram os familiares e amigos dos 34 jovens independentistas detidos em Hego Euskal Herria [País Basco Sul] e que hoje permanecem sob regime de incomunicação em Madrid.

Numa conferência bastante participada, que decorreu em Usurbil (Gipuzkoa), realçaram que os seus familiares e amigos se encontram detidos por serem independentistas, «essa é a única razão para que a Polícia e a Guarda Civil os tenha detido e submetido ao regime de incomunicação».

«Divulgar o pensamento independentista entre os jovens, criar projectos a favor da independência e realizar um trabalho social e político sonhando com um futuro em liberdade, essa é a única razão para que a Polícia e a Guarda Civil os tenha detido e submetido ao regime de incomunicação», reiteraram.

Afirmaram que a liberdade de expressão e de pensamento, o direito a realizar assembleias e à participação política – direitos incluídos no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas – aqui constituem um crime quando se trata do seu exercício pelos jovens independentistas, algo que não sucede no resto da Europa».

«Não sabemos como ou onde se encontram»
Mostraram-se preocupados pela situação de incomunicação em que se encontram. «Não sabemos como ou onde se encontram; sabemos, isso sim, que o regime de incomunicação e a tortura costumam ser sinónimos». Alicerçam as suas palavras nas comunicações e nos textos dos relatores dos direitos humanos da ONU, da Amnistia Internacional e da Comissão para a Prevenção da Tortura, organismos que pediram «por diversas vezes» ao Governo espanhol que «ponha fim ao regime de incomunicação e abandone a prática da tortura».

Perante o «maior e o mais grave ataque sofrido pela juventude independentista basca nos últimos trinta anos», pedem que se reflicta sobre o direito dos jovens a trabalhar pelas suas ideias. «Os jovens e as jovens que sonham com a independência não têm qualquer possibilidade de defender um projecto político e social?», perguntam.

Por tudo isto, apelam à participação na manifestação convocada para este sábado em Bilbau. A marcha partirá às 17h da Aita Donostia.
Fonte: Gara

Juventude perseguida, povo em marcha
artigo de Floren Aoiz

Procuravam um grande golpe policial, como anunciou na semana passada o Movimento pró-Amnistia: 34 detenções e 92 inspecções, dizem que a maior operação em muito tempo.

Estamos perante um nova demonstração de força bruta policial, ainda que, naturalmente, para o pensamento único isto não seja violência. Vamos ver como são tratadas as pessoas detidas, mas as detenções e as inspecções dão-nos a dimensão da nova patada repressiva. Uma operação de tamanho XXXXL, tão exagerada quanto a podridão moral de quem a lançou e apoia, tão grande quanto o medo que o estado espanhol tem da sociedade basca.

Desta vez atingiram a juventude. Já começou o trabalho sujo dos jornalistas parapoliciais. Gaztetxes, sociedades gastronómicas, peñas, todos fazem parte, como não!, do Eixo do Mal. Alguns já lançam novas rações de veneno: actuaram contra os «duros». O argumento que utilizaram para justificar as últimas detenções, mas ao contrário. Duros ou brandos, todos para a prisão. Anunciou-o Aznar, mas quem o está a pôr em prática é Rodríguez Zapatero, o do carácter dialogante [el talante].

Nesta altura, não nos surpreende que recorram à repressão. A gestão do caso Alakrana mostrou-nos, se é que havia alguma dúvida, a inépcia de Rodríguez Zapatero, do seu governo e dos juízes da Audiência Nacional. Inépcia que pretendem ocultar com novas operações que apenas demonstram que têm polícias, juízes e leis que dão amparo a qualquer atrocidade.

Esta é a resposta espanhola às esperanças que renascem na sociedade basca. Bordoadas vs. rebentos verdes. Uma provocação de manual para tentar sabotar os passos que a esquerda abertzale e outros agentes políticos, sindicais e sociais estão a dar. Coices vs. esforços para criar novos cenários.

Um burro pode dar muitos coices e pode dá-los com muita força mas não deixam de ser coices e aquele que os dá só mostra o quanto é burro. Coices dolorosos, sabemo-lo bem, mas incapazes de arredar este povo do caminho que empreendeu.

Floren AOIZ

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