segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NOSSA HOMENAGEM AO CAMARADA PRESIDENTE PEPE MUJICA


Mujica e sua companheira Lúcia, vida simples de pessoas dignas

No domingo passado o povo Uruguayo elegeu José Pepe Mujica, histórico líder tupamaro para presidir o país. Em homenagem a este grande líder popular publicamos abaixo a apresentação de uma longa entrevista que Mujica concedeu a Agencia Carta Maior no ano de 2005, quando ocupava o Minist[erio da Agricultura do governo Tabaré Vasquez.

QUEM É O NOVO PRESIDENTE DO URUGUAY?

publicado por Marco Weissheimer em 2005, na Agência Carta Maior, quando Tabaré Vázquez se elegeu presidente

José Pepe Mujica, 69 anos, é um homem simples e extraordinário. Vive a vida com simplicidade. Nunca acumulou posses, títulos, roupas de grife, carros caros ou sapatos italianos. É extraordinário porque viveu situações extraordinárias e manteve a simplicidade. Sempre procurou acumular conhecimento e experiência. E sofreu muito na vida. Lutou muito, e ainda luta, acertou, cometeu erros, apanhou, viveu situações inacreditáveis. Junto com outros dirigentes do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, passou mais de doze anos preso em quartéis uruguaios, durante a ditadura militar. Durante dois destes doze anos ficou praticamente enterrado vivo, no fundo de um poço. Ele e seus companheiros que foram submetidos a essa tragédia ficaram conhecidos como os “reféns”. Mujica sobreviveu a essa provação e hoje é um dos líderes políticos mais importantes do Uruguai. Mais do que isso, é uma voz a ser ouvida, um exemplo de vida digna e corajosa.

No período em que ficou preso no fundo de um poço, “onde o sintoma mais evidente de vida eram sete pequenas rãs, as quais alimentava com migalhas de pão”, Mujica aprendeu que as formigas gritam. “Descobri isso ao colocá-las no ouvido para me entreter com algo.” Apesar da brutal condição a que ele e seus companheiros foram submetidos, ele não guarda rancor e diz ter aprendido com essa experiência: “Pode parecer uma monstruosidade o que vou dizer, mas dou graças à vida por tudo o que vivi; se eu não tivesse passado por estes anos e aprendido o ofício de galopar para dentro de mim mesmo, teria perdido o melhor de mim mesmo. Me obrigaram a remover meu solo e isso me fez muito mais socialista do que antes”, disse Mujica em uma entrevista concedida tempos atrás ao semanário Brecha.

Libertado no outono de 1984, Pepe Mujica e sua companheira, Lucía Topolansky, que também estava presa, foram morar em um pequeno sítio nos arredores de Montevidéu. Vivem lá até hoje, em uma casa muito simples. Vivem em uma comuna junto com outras famílias, plantando verduras, flores, frutos, uvas para vinho, entre outras coisas. Em 2004, ele foi o senador mais votado do Uruguai. De 15 de fevereiro a 1° de março, tornou-se a principal autoridade do país, presidindo o parlamento nacional. A partir do dia 1° [1/3/2005], assume o Ministério de Pecuária, Agricultura e Pesca. Ela foi reeleita deputada e, agora, passará a ser senadora, ocupando justamente a vaga de Mujica, que será ministro (no sistema eleitoral uruguaio, o candidato pode aparecer tanto nas listas para deputados quanto para senadores). Permanecem morando na mesma terra, com a mesma simplicidade, sabedoria e disposição para a luta. Recebem jornalistas cercados por seus animais de estimação. Entre seus cães, Vitória e Manoela não se intimidam com as máquinas fotográficas, gravadores e câmeras, participando das entrevistas quando a oportunidade se oferece.

“Não há homens imprescindíveis”

É difícil apresentar Mujica, sem omitir uma passagem importante de sua vida. Na mesma entrevista, mencionada acima, ele se apresentou da seguinte maneira: “Pepe Mujica é um veterano, um velho que tem uns quantos anos de cárcere, de tiros no lombo, um tipo que se equivocou muito, como sua geração, e que trata, até onde pode, de ser coerente com o que pensa, todos os dias do ano e todos os anos da vida. E que se sente muito feliz, entre outras razões, por contribuir para representar aqueles que não estão e deveriam estar. Eu discordo de Bertolt Brecht, porque não há homens imprescindíveis, mas sim causas imprescindíveis, caminhos imprescindíveis. A história é uma construção tremendamente coletiva. E nisso andamos, cada um colocando sua pedra. Aqueles que não cultivam a memória, não desafiam o poder.”

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