segunda-feira, 3 de agosto de 2009

País Basco: Um conflito político ainda sem resolução


Sem um processo de diálogo democrático que envolva todo o povo basco, dificilmente a conflito que já tem 50 anos terá um fim.

Conflito basco: Un ponto morto do que há que ser resolvido de maneira imperiosa.
J.M. Álvarez | Para Kaos en la Red | 1-8-2009
Tradução p/Portugues: Paulo Markes

O Estado espanhol tem uma dupla preocupação: A primeira é que suas campanhas midiáticas, nas quais apresentam uma ETA contra as cordas e seus integrantes inexperientes cafetões de terceira, se desmanchou como um castelo de cartas depois dos dois atentados que, em menos de 48 horas custou a vida de dois agentes da Guarda Civil. A segunda tem que ver com a economia, pois em Madri são conscientes de que a indústria turística- única que nestes tempos de crise permite ao sistema respirar - tem sofrido, a conseqüência desses atentados, um forte abalo e uma enorme queda na sua imagem.
Desde ha muito tempo andam vendendo uma iminente derrota do ETA que, creio, não se ajusta a realidade. Ninguém que se considere em posição dominante, atua de maneira errante, deslocada e impotente. O dia que se produziu o primeiro atentado (Burgos), detiveram três jovens que, horas depois, foram liberados com a obrigação de comparecer a cada 15 dias, medida que tenta camuflar um desesperado ato repressivo de resposta; posteriormente foram incapazes de detectar a entrada de um comando do ETA em Maiorca- ilha blindada, devido a presença da familia real- e , após o mortal atentado de Calviá, só puderam manter fechado o aeroporto de Palma durante algo mais de uma hora, porque a maldita economia está por cima de qualquer outra consideração.
A difusão de informações realizada na Europa sobre os fatos, obrigou Madri a enviar uma mensagem tranqüilizante aos governos da Alemanha e Reino Unido, cujos cidadãos constituem o grosso dos turistas e residentes no Estado Espanhol. Os jornais desses países colocaram manchetes como “ Mallorca sumida no caos e no terror”, ou “ Carnificina” e, para piorar , Londres advertia a seus cidadãos de que existia um “alto risco de terrorismo na Espanha”. Enquanto os meios de comunicação espanhóis – a mando do poder- falseavam com frases do tipo: "ETA já não assusta a ninguém, porque ninguém lhes tem medo”. Ninguém? Não parece ser assim, se temos em conta as reações e avisos dos países citados.
Para chegar a uma normalidade democrática real, e não fictícia como pretendem nos apresentar, é necessário- como se reivindica continuamente- um acordo democrático pactado entre todas as forças políticas sem exclusões, que garanta uma saída negociada ( negociar, não impor) do conflito basco. A situação está estancada em um ponto morto, do qual é necessário sair de maneira imperiosa. Serão capazes de retirar, sequer uma vez, o odor do franquismo para pegar o touro pelos cornos de verdade e não só frente a galeria? Exemplos alheios onde olhar, têm.

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