sexta-feira, 26 de junho de 2009

ALBA: O amanhecer dos povos latinocaribenhos



Alba : o amanhecer de um novo projeto emancipatório dos povos latinocaribenhos

Ángel Guerra Cabrera publicado em La Jornada e www.kaosenlared.net

Tradução: Paulo Marques

Já são nove os países que integram a Alternativa Bolivariana para os povos da América Latina e o Caribe (ALBA). Como sempre ocorre com os empenhos nobres que fazem história, quando há oito anos o presidente Hugo Chávez lançou a iniciativa parecia um sonho. Os novos membros, Antigua Holandesa e Barbados, Equador e San Vicente e Granada ingressaram na Cúpula extraordinária em memória da Batalha de Carabobo, com a que Bolívar culminou com a independência da Venezuela há 188 anos. Agora, o mecanismo integracionista soma uma superfície bastante superior aos 2 milhões de kilometros quadrados e uma população perto de 80 milhões.

Foram Cuba e Venezuela os primeiros a abraçar, em 2004, um ano depois entrou Bolívia, em 2007 Nicarágua e no ano seguinte Honduras. “O ALBA” ( uso o artigo “O” no lugar de “A” pelo significado da palavra “alba”, sinônimo de amanhecer) é a organização de integração regional mais diversa da América Latina, pela localização geográfica e diferenças de origem cultural de seus membros. Abarca desde a área andina, passando pela América Central, até o Caribe. Desde países marcados por sua vigorosa raiz indígena até os majoritariamente produto da mestiçagem afro-européia; Venezuela, como Honduras e Nicarágua, fruto de uma mescla cultural ameríndia africana e européia, e San Vicente, Granada e Antigua e Barbados, com majoritária população de origem africana.

Mas não é esta a característica definidora “do” Alba, e sim as bases ideológicas e éticas que sustentam as relações entre seus membros. O primeiro termo, a solidariedade entre os povos como principal fator, que a diferencia de todas as demais associações entre Estados existentes em escala global. O comércio e o investimento os conceitua como meios e não como fins, chamados a elevar a qualidade de vida de seus integrantes; subordina o mercado à justiça social e leva em conta as assimetrias e a complementaridades entre as economias, de modo que as decisões se adotem mediante a observância da equidade e em nenhum momento movidas pelo afã do lucro de um Estado, uma empresa ou um território às custas de outro. Se entende porque a analogia entre ALBA e “alba” é muito mais que um acidente lingüístico, pois constitui um amanhecer da solidariedade e de um novo projeto emancipador latinocaribenho. Em sua curta história tem logrado realizações importantes como o Banco da Alba, as grandes empresas que estão sendo criadas em sei seio e os transcendentes projetos educativos e culturais. “O” ALBA surgiu em contraposição a falecida ALCA, promovida por Washington e os setores entreguistas da América Latina com o objetivo de recolonizá-la e destruir sua identidade.

O ALBA não é o único mecanismo de integração regional, mas sim seu núcleo mais dinâmico, tem dito Chávez. Em efeito, instituições como UNASUR e o Banco do Sul são também muito valiosas. Mas O ALBA é mais que os nove países que o integram, posto que Petrocaribe, outra iniciativa venezuelana com a mesma filosofia, está formada pela imensa maioria dos Estados do Caribe e três da América Central. Por Certo, com as facilidades de pagamento que garante, tem salvado da ruína econômica muitos de seus membros, que não haviam podido fazer frente a suas dívidas do petróleo.

No espírito que anima O Alba se levam a cabo por Cuba e Venezuela outras ações solidárias idealizadas por Fidel Castro: A Operação Milagre, que devolveu a visão a mais de 1 milhão e 600 mil pessoas, e a aplicação massiva do método cubano “ EU SIM POSSO”, que erradicou já o analfabetismo na Venezuela, Bolívia e Nicarágua e se estende em todos os países membros do mecanismo integracionista.

O ALBA tem demostrado também sua eficácia como mecanismo de consertação e coesão política latinoamericana e assim se pode verificar na revogação da resolução que excluía Cuba, na recente reunião da OEA.

O ALBA é consequencia do ciclo de lutas anti-neoliberais latinoamericanas, cujo inicio está marcado pelo caracazo e funde suas raízes no plano de unidade continental bolivariano e Martiniano. Este, como “O Alba”, pareceu um sonho em determinado momento, mas é o único caminho para que as nações da América Latina e do Caribe rompam com a dominação imperialista e o subdesenvolvimento e afiancem sua soberania e autodeterminação. O ALBA cresce e é seu embrião.

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