domingo, 3 de maio de 2009

Para crianças que trabalham não existe 1 de maio

Trabalho Infantil: Século XXI, bem vindo ao século XIX.


Para crianças que trabalham não existe 1 de maio

Martin Hacthoun



Para milhões de crianças na India, Paquistão e no sul da Àsia, agarrados e desgastados em jornadas de agonizante trabalho infantil , o 1 de maio não tem significado algum. Segundo a UNICEF, estima-se que haja 246 milhões de crianças pobres que trabalham somente para obter o seu sustento ou de suas familias, e aproximadamente três quartas partes deles trabalham em lugares de alto risco como minas e manipulando pesticidas ou máquinas perigosas.

Um grande número de crianças estão vulneráveis ao serem empurradas para a exploração sexual . De acordo com um estudo do acadêmico Mitesh V. Badiwala, somente na India de 60 milhões a 115 milhões de crianças são obrigadas a trabalhar, o maior número em todo o mundo."A complexidade do trabalho infantil é que é um problema de desenvolvimento social; a noção de que as crianças são exploradas enquanto não podem receber uma educação crucial para seu progresso preocupa muitos no país", advirtiu o especialista.

O trabalho infantil é uma fonte essencial de ingressos para as famílias pobres, seja um emprego como assalariado, ajudando nos negócios ou nas tarefas familiares para liberar os adultos para ganhar a vida em em outros lugares, segundo o estudo citado por Badiwala.

Em algunos casos, o aporte financeiro das crianças representa de 34% a 37 % das entradas de recursos para as famílias. Esta situação na India é a mesma de países como Paquistão, no qual milhões de crianças passam sua infância em diversos empregos, e em menor cifra, pelo tamanho das populações, ocorre o mesmo em Bangladesh, Nepal, Bhutão e Sri Lanka.

"Este dia e sua historia passam totalmente desapercebidos para estes menores, para quem a única coisa que importa é tratar de conseguir dinheiro, que têm que ganhar para alimentar a sus familia", comenta em uma reportagem sobre este problema o canal de televisião Geo News.

Com suas pequenas mãos, roupas rasgadas e olhos brilhantes, essas crianças estão ocupadas, ganhando o sustento, ignorantes de seus direitos que aparecem na Constituição, assim como na religião do país, descreve Geo News.

A reportagem menciona uma criança de seis anos, Abdullah, ocupado lavando carros no mercado de Aabpara, que disse ao repórter que não escolheu esse trabalho por vontade própria, mas sim que as circunstâncias de pobreza o obrigaram.

Outros são empurrados por suas próprias familias pedir esmolas nas ruas , e expor suas vidas entre veículos para pedir por uma moeda nas ruas e avenidas onde frequentemente encontram a morte.

Em que pese a existência de muitas leis que proíbem o trabalho infantil , este é um problema maior que necessita ser combatido enérgica e imediatamente, reclama, Geo News.


Tradução: Paulo Marques

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