sexta-feira, 8 de maio de 2009

Nossa "homenagem" ao Diário da Azenha




Nesta semana que passou, precisamente no dia 04 de maio, um dos diários mais conservadores e reacionários do Brasil, a ZERO HORA , completou 45 anos de existência. O Diário da Azenha é o principal veículo impresso do Grupo RBS, monopólio que domina de forma ilegal e anti-democrática as meios de comunicação no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Não é sem significado o fato de que o ano em que ZH sai as ruas é 1964. O golpe cívico-militar precisava de instrumentos de comunicação a seu serviço, e ZH assim como outros jornais surgiu com essa missão histórica, ou seja, sustentar ideológicamente a ditadura e posteriormente o ideário liberal-conservador da elite dominante.


Após cumprir com esmero sua função no período ditatorial, ZH/RBS entra no período "democrático", (que deve ser identificado entre aspas enquanto existir monopólios como o da própria RBS), iniciando sua jornada em defesa do ideário liberal-conservador no Estado. Momentos marcantes do jornal foram a sustentação dos governos Simon ( 1987-1990) e Britto (1994-1998), este surgido da estufa da Rede Globo, a matriarca do baronato das comunicações.
O momento em que o jornal travestiu-se de militante de oposição foi em Porto Alegre nos 16 anos de governo do PT e posteriormente nos 4 anos do governo Olivio Dutra ( 1999-2002) no Estado. No caso do governo do Estado o papel da RBS como ponta de lança da oposição liberal-conservadora teve inicio desde o primeiro dia da posse. Uma bandeira de Cuba na posse de Olivio e a bandeira do MST no gabinete de um secretário eram motivos de editorial e páginas de polêmicas. Isso para falar apenas nas questões mais insignificantes.
Com o fim do governo Olivío a RBS constrói uma estratégia que foi vitoriosa com Rigotto do PMDB - o pacificador( auxiliado também pelos equivocos do PT ao impedir que Olivio defendesse seu mandato) Mais quatro anos de ZH atuando como blindagem e "órgão oficial" do medíocre governo de Rigotto. Tão mediocre que não consegue a reeleição mesmo com todo o aparato midiático da RBS apoiando. A carta na manga foi Yeda Crusius que nem a RBS acreditava que estaria no segundo turno.
A vitória da tucana e o governo que vêm realizando surpreendeu a todos. Nunca um governo demonstrou tanta incapacidade, incompetência e corrupção em tão pouco tempo. Conseguiu ser em três anos de mandato a governadora de pior desempenho entre dez governadores.
O apoio incondicional que o governo Yeda tem da ZH/RBS , expresso diariamente no ´diário, através de reportagens e opiniões dos seus colunistas, demonstrou um fato incontestável, que em 45 anos ZH manteve a coerência. Nasceu combatendo a democracia e defendendo a ditadura e hoje ainda combate a democracia, mantendo o monopólio da informação, assim como combate de forma militante qualquer política ou ação de esquerda. Não é a toa que é hoje um dos principais integrantes do PIG ( Partido da Imprensa Golpista) da qual fazem parte outros "grandes" diários como FSP, O Globo, Jornal do Brasil entre outros... Se comparado seu conteúdo e militancia aos seus pares, no entanto, ZH consolida-se como um dos jornais mais conservadores e reacionários do Brasil.

Portanto, se alguma coisa deve ser dita nesta data em que ZH completa 45 anos de serviços prestados à elite branca e conservadora do Rio Grande do Sul, é que sua existência está vinculada diretamente ao grau de democracia da sociedade, ou seja, conforme amplia-se a democracia no campo das comunicações, diminuirá inexoravelmente o poder da ZH, que existe somente pelo monopólio ilegal que mantém. O que ja vem ocorrendo com o crescimento das comunicações livres a partir da internet.
Neste ano teremos a primeira Conferência Nacional de Comunicação, um momento histórico em que será possível questionar esses 45 anos de monopólio.

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