terça-feira, 14 de abril de 2009

Polícia para quem precisa de polícia

A Imagem: A foto utilizada na matéria de ZH é carregada de símbolos. A bandeira vermelha ao fundo significa o "perigo comunista"; a placa de "Proibida a entrada", demarca a "sagrada" propriedade privada "invadida" e o aparato policial-militar, fortemente armado, demonstra o "perigo" iminente do MST.


Educação é caso de polícia no governo tucano de Yeda Crusius

Paulo Marques


Uma semana após a Audiência Pública na Assembleía Legislativa do Rio Grande do Sul que discutiu o fechamento das Escolas Itinerantes do MST, no qual o Promotor do Ministério Público Estadual ficou frente a frente com as crianças sem escola e declarou que estaria revendo sua decisão, na manhã de hoje, sob as ordens do Ministério Público Estadual realizou-se uma mega operação policial -militar no acampampamento do MST de Sarandi.

Segundo informou o site do diário da família Sirotski (orgão do monopólio ilegal de comunicações existente no Estado, que mantém uma campanha permanete contra o MST)"A operação contou com cerca de 40 policiais rodoviários federais de diversas cidades gaúchas e com cerca de 120 homens da Brigada Militar. Até um helicóptero da PRF foi usado para acompanhar a movimentação.

Todo esse aparato de guerra tinha como objetivo " identificar as crianças com idade escolar que vivem nos barracos de lona erguidos em um terreno no km 138 da estrada Carazinho-Sarandi (BR-386)".

Qual a explicação lógica para mobilização de tamanho aparato policial-militar, com quase duzentos homens fortemente armados e utilização de helicópteros para " identificar crianças fora da escola em um acampamento de trabalhadores sem-terra"????? Será que todos os municípios gaúchos terão essa "força-tarefa" para resolver o problema das crianças sem escola no Estado???? Será essa mais uma das ações do "novo jeito de governar" para a educação da governadora tucana???

Não ha mistérios nessas perguntas, as respostas estão explícitas na campanha ideológica de corte reaciónário da direita gaúcha (com a execução da ZH/RBS) de criminalização dos movimentos sociais em especial do MST.

Para que essa campanha tenha exito funciona a lógica da "Sociedade do Espetáculo", para usar um conceito de D'ebord, que requer uma permanente espetaculização dos fatos no sentido da construção de um sensacionalismo com fins determinados e nesse caso é fundamental vincular o MST sempre com violência. Não importa se são apenas mulheres e crianças , o "cenário de guerra" precisa existir, custe o que custar ( para isso temos o orçamento público).

Conforme matéria do site da Zero Hora "o trabalho demorou cerca de uma hora, 36 crianças foram identificadas", ou seja, as crianças são "identificadas" como se estivesse foragidas (as palavras usadas não são gratuitas) e como "marginais" e "perigosas" necessitam de uma "força-tarefa" dos diversos órgãos de segurança do Estado para "resolver" o "problema".

A questão de fundo, até o mundo mineral sabe, não é a existência das Escolas Itinerantes mas, sobretudo, os conteúdos " perigosos" das Escolas, na medida em que toda e qualquer educação que questione a lógica de funcionamento da sociedade capitalista é um perigo para a manutenção do sistema.

O papel da mídia como "cão de guarda" da sociedade capitalista é permanente no processo de manutenção e reprodução de um senso comum inquestionável. Idéias e valores são construídos diuturnamente como "verdades". Para isso o controle dos meios de comunicação é vital para o sistema.

Nesse sentido o fato da educação se transformar em um problema de segurança torna-se algo aceitável e natural para a sociedade. Já para os detentores do poder econômico o objetivo está muito claro, é uma necessidade, pois essas crianças brevemente se tornarão uma ameaça ao "status quo".

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