segunda-feira, 13 de abril de 2009

Abel Paz: Adeus a um militante libertário



Abel Paz (1921-2009)

Faleceu hoje em Barcelona, aos 88 anos o histórico anarquista espanhol Abel Paz. Escritor, historiador autodidata e militante do movimento libertário era filho de uma família de camponeses, condição que lhe fez aproximar-se da ideologia anarquista ao observar as diferenças de classe entre operários e burgueses em sua infância e juventude. Integrou desde muito jovem a Federação Ibérica de Juventudes Libertárias-FIJL e Confederação Nacional do Trabalho- CNT.
Em 1936 lutou nos grupos de defesa confederais e participou do grupo “Quijotes del Ideal” da FJIL. Em 1938 combateu com as milícias confederais na frente de Artesa, em Lérida, durante a Guerra Civil Espanhola, refugiando-se em Toulouse, na França, em 1939 quando cai a Segunda República. Foi internado no campo de concentração de Argeles-sur-mer, e nos campos de Bram, Saint-Cyprien, e Le Barcarès, e posteriormente é enviado para o trabalho forçado no Muro do Atlântico até 1941.

Regressou a Espanha franquista e foi preso por duas vezes por sua militancia anti-fascista. Logo voltou para a França e somente regressou a Espanha em 1977 se estabelecendo definitivamente no bairro Grácia em Barcelona, ajudando no trabalho de reconstrução da CNT.

Colaborador da imprensa libertária, se destacou como escritor de grande prestígio ao converter-se em biógrafo oficial de Buenaventura Durruti. A Biografia “Durruti em la Revolución Española” foi traduzida em quatorze idiomas.

Ele mesmo se definia como anarquista, como na entrevista concedida em 1997 em que afirmava:
Sou anarquista e ser anarquista é ser uma pessoa coerente ( paz espiritual, a tranqüilidade, o campo, trabalhar o menos possível, o suficiente para poder viver, desfrutar a beleza, o sol. Desfrutar da vida com maiúsculas, agora se vive em minúsculas). Ter uma conduta pessoal, Levar as idéias a prática ao máximo, sem esperar que haja uma revolução. Isso se pode fazer agora. É uma concepção filosófica, é um estado de espírito, uma atitude frente a vida. Penso que esta sociedade está muito mal organizada, tanto socialmente, como politicamente, como economicamente. Há que transformar tudo. O anarquismo invoca uma vida completamente diferente. Trata de viver esta utoía um pouco a cada dia”.

Nossa homenagem a este militante libertário que deixou como legado sua história e luta por um mundo melhor.

2 comentários:

Ari ou arqui. disse...

A história das lutas operárias e do povo em busca de uma sociedade igualitária perde um dos seus grandes militantes.
Que seu exemplo seja seguido por milhões em todo o mundo.

Ari ou arqui. disse...

Gostei muito da gravura que está no blog. Onde consigo esta imagem, de preferência em alta resolução ?