segunda-feira, 13 de abril de 2009

13 de abril : Dia da resistência popular latinoamericana


A consigna " todo 11 tiene su 13", é uma alusão não só ao 11 de abril de 2002 da Venezuela mas também, ao 11 de setembro de 1973, data do golpe fascista de Pinochet no Chile.

A resistência popular e o papel da mídia
Paulo Marques




Hoje completa-se 7 anos da heróica resistência do povo venezuelano contra o golpe da oligarquia de direita contra Chávez em abril de 2002. Com amplo apoio dos meios de comunicação aliados com os grandes empresários, o golpe contou com o apoio logístico do governo norte-americano. Algo comum da política yanke para a América Latina com sua "Política do porrete". Foi assim no Brasil(1964), na Guatemala (1965); no Chile(1973); na ilha de Granada (1983); no Panamá (1989) entre outras experiências de ingerência ilegal na soberania dos povos latinoamericanos.


No entanto, o que o governo norte-americano e a oligarquia não contavam era com a resistência do povo venezuelano. Um povo que estava cansado de ficar de joelhos para o império e se levantou. Não aceitou retroceder.


A resposta foi dada nas ruas. O golpe midiático durou 48 horas; iniciou no dia 11 de abril e na madrugada do dia 13 foi derrotado. Milhares de pessoas desceram dos "cerros" e ocuparam as ruas de Caracas e outras cidades do país. Aos gritos de "Chávez no se vá, Chávez no se vá", uma multidão ocupa o Palácio Miraflores. Os golpistas fogem como ratos após terem editado, no breve governo golpista, uma série de decretos "democráticos" como fechamento do Congresso, revogação das Leis de Reforma Agrária entre outras medidas de interesse das Oligarquias.

O golpe fico conhecido como "golpe midiático" pelo papel central dos meios de comunicação no episódio. Não foi estranho que a mídia oligárquia de todo mundo saudou os golpistas. Como em 1964, no golpe fascista da direita no Brasil, os jornais brasileiros destacaram a "queda do ditador" e a "volta da democracia". A revista Veja, panfleto da direita brasuca, pagou o maior mico com a capa no qual comparava o golpe de direita contra Chávez aos processos que derrubaram Fugimori, Menem e os presidentes da Bolívia. O que Veja não tinha interesse em mostrar era a configuração dos protagonistas de cada processo, ou seja, as classes em luta.

Menos que 48 horas, para desgosto da elite branca de olhos azuis de todo o mundo, Chávez voltava ao poder carregado pelo povo venezuelano. Por parte da mídia nenhum condenação aos golpistas que rasgaram a constituição.

Um momento histórico que demostrou que por mais poder que os meios de comunicação tenham não é possível manipular um povo consciente e mobilizado. Confirmou também que a história só se repete como farça ou tragédia. O golpe foi uma farça e só não foi uma tragédia maior porque foi derrotado pela auto-organização popular que escreveu mais um capítulo da história de resistência dos povos latinoamericanos pela sua liberdade e emancipação.


O grande ensinamento para os povos do mundo, daquele 13 de abril de 2002 na Venezuela, é a certeza de que quando os povos tomam a iniciativa política e se mobilizam conscientemente em defesa de suas conquistas e de seus espaços de poder, são invencíveis.

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