segunda-feira, 9 de março de 2009

Um debate mais que necessário, urgente


Na quarta-feira, dia 11/03, a Frente Parlamentar de Apoio à Economia Solidária da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, coordenada pelo Deputado petista Elvino Bohn Gass, realiza um debate de grande importancia nesse contexto de crise do sistema capitalista. Podemos dizer que esse é o debate que falta no campo da esquerda atualmente. Isto porque até então as discussões tem sido realizadas no âmbito do sistema capitalista, ou seja, com apresentação de alternativas de superação da crise restritas ao sistema sem, no entanto, qualquer questionamento ao próprio sistema capitalista.
Ao pautar a Economia Solidária, que nós identificamos como Economia Socialista (pois trata-se de uma prática regida por princípios não- capitalista, mesmo que inserida no sistema capitalista), é possível visualizar as possibilidades que uma Economia dos Trabalhadores apresenta como saída para a crise, não só economica mas civilizatória. Pois a crise não é apenas econômica, é sobretudo política.
A Economia Solidária é a única forma de politizar a economia, para democratizá-la. O que possibilita isso é o controle que os próprios trabalhadores/produtores associados exercem sobre seus empreendimentos solidários, sem tutela ou subordinação.
A Experiência concreta dos milhares de Empreendimentos Econômicos Solidários existentes no Brasil demonstram as possibilidades e viabilidade dessa Economia de Trabalhadores, mas demonstram também o que é necessário para que ela deixe de ser subterrânea e uma "economia de pobres para pobres" e torne-se uma economia com capacidade de disputar o mercado com a economia capitalista.
O segredo? O mesmo que viabilizou e viabiliza o capitalismo historicamente: o financiamento público, ou seja, é necessário que o Estado invista pesadamente o recurso que é do próprio povo ( quem mais paga imposto no país) na Economia dos Trabalhadores e não apenas nas grandes empresas capitalistas que ao primeiro sinal de crise demitem milhares de trabalahdores.
Ao invés de investir nos bancos privados é necessário criar o Sistema de Finanças Solidárias, criando milhares de Bancos Comunitários que viabilizam uma economia local autosustentável, a partir da produção de bens de primeira necessidade produzidos por empreendimentos coletivos de base comunitária. A Experiência do Banco Palmas, já reconhecida em todo o país pelos resultados que já obteve, é um modelo que deve se expandir com financiamento público.
Por isso saudamos essa iniciativa de um debate que é necessário e urgente, que traz como painelista um dos maiores teóricos e também militantes da autogestão no Brasil e no mundo que é o Prof. Paul Singer, atual secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho.
Um debate imperdível, principalmente para nossa esquerda, que muitas vezes parece estar perdida no meio da tempestade, não conseguindo olhar para a realidade que a cerca.

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