terça-feira, 10 de março de 2009

Mulheres da Via Campesina em luta contra a monocultura





Na segunda feira (9), 700 mulheres ligadas a Via Campesina, ocuparam a Estância Aroeira (antiga Fazenda Ana Paula), de propriedade da Votorantim Celulose e Papel (VCP), no município de Candiota, em protesto contra os prejuízos causados a produção das famílias assentadas no entorno das lavouras de árvores exóticas.


Muitas lavouras estão sendo invadidas por animais silvestres que perderam seu habitat natural em função do plantio indiscriminado de eucaliptos. Os ônibus de cada uma das regiões do estado estacionaram ainda na madrugada de domingo para segunda. O sol ainda não havia nascido, quando os primeiros eucaliptos, que mediam entre 10 e 15 metros, foram cortados. O cinegrafista do Coletivo Catarse resumiu assim a cena: "Como é bom o cheio do eucalipto cortado pela manhã". Depois de cortarem cerca de dois hectares de mata exótica, as mulheres seguiram em marcha pela propriedade e montaram acampamento.


No amanhecer desta terça (10), a Brigada Militar destruiu o acampamento das mulheres, localizado numa via pública entre um assentamento e a área da VCP. As manifestantes que estavam com seus filhos foram separadas das demais e destas, aquelas com crianças em idade escolar foram também separadas.


A idéia da BM é tentar responsabilizar as mães, com crianças em idade escolar, através dos Conselhos Tutelares de municípios próximos. De um lado, o Governo do Estado e o Ministério Público Estadual, fecham as Escolas Itinerantes e deixaram 600 crianças do meio rural dependendo da boa vontade de prefeituras, já precarizadas e com verba reduzida para atender a sua própria comunidade escolar. De outro, agora, se utiliza de um expediente legalista, para transferir a responsabilidade para as agricultoras acampadas. Detalhe que a BM não viu e os jornalões não publicaram: entre as acampadas, estavam as educadoras populares das crianças



Também nesta terça, assentados e assentadas das proximidades juntaram-se às mulheres da Via Campesina e cortaram mais eucaliptos da propriedade de 18 mil hectares da VCP em Candiota. A área da Votorantim circunda 53 assentamentos, onde moram 1,8 mil famílias de camponeses que produzem para a subsistência e o mercado local e é historicamente reivindicada pelo MST para reforma agrária, por se manter improdutiva até a instalação da produção em série de árvores exóticas. Vá saber o que é pior... Além dos prejuízos na produção e ao meio ambiente, a Votorantim também demitiu, em nome da crise do capital, trabalhadores urbanos contratados para o plantio e manutenção das lavouras. A conseqüência é o maior empobrecimento da população.



Protesto em Porto Alegre

Cerca de 900 mulheres, integrantes da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Desempregados, participaram hoje, em Porto Alegre, da Marcha pela Vida e Contra a Violência praticada contra as mulheres.

O ato faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres, que começou no Estado na segunda-feira, com a ocupação da Fazenda Ana Paula, da empresa Votorantin, no município de Candiota.


A caminhada realizada em Porto Alegre denunciou “a violência praticada contra as mulheres e a impunidade dos agressores, bem como agressividade do agronegócio, que expulsa trabalhadores e trabalhadoras de suas terras, concentra a produção e a distribuição, padronizando os alimentos”. As manifestantes também denunciaram os investimentos públicos nestas empresas, em contraposição ao que consideram descaso com a agricultura camponesa.


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