segunda-feira, 16 de março de 2009

A história continua, a luta continua












Quando compreendida em uma perspectiva histórica, a vitória da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, um dos países mais pobres da América Central, adquire um significado enorme para o processo de luta dos povos latinoamericanos por sua libertação. Ha trinta anos a América Central estava mergulhada em uma guerra civil que atingia principalmente a Nicarágua e El Salvador. Na Nicarágua, o governo revolucionário da Frente Sandinista de Libertação Nacional, que havia derrubado ditador Anastácio Somoza em 1979 depois de uma longa guerra civil, enfrentaria durante seu governo o constante ataque dos paramilitares de direita, armados e financiados pelos EUA. Eram os "contras", que matavam e massacravam os camponeses, destruindo e boicotando a jovem revolução.

Em EL Salvador o governo de direita massacrava os trabalhadores e os movimentos sociais. No ano de 1980 a direita assassinou o Bispo progressista de San Salvador Monsenhor Oscar Romero, quando realizava uma missa na catedral. Naquele mesmo ano a guerrilha da FMLN inicia uma grande ofensiva armada, chegando na capital e ameaçando de fato o poder do governo de direita. Entretanto, o apoio dos EUA foi decisivo para o exército enfrentar o povo em armas. A repressão do governo salvadorenho sobre a população civil e ação dos contras tornavam a América Central em um palco de guerra e sofrimento.

Como forma de chamar a atenção do mundo para o que ocorria na América Central, o governo sandinista, através do Ministério da cultura dirigido pelo padre Ernesto Cardenal, promove em 23 da abril de 1983, na praça da Revolução em Manágua,o CONCERTO PELA PAZ NA AMÉRICA CENTRAL, que reuniu os maiores nomes da música Latinoamericana entre os quais Ali Primera da Venezuela, Mercedes Sosa , o cubano Silvio Rodrigues, o uruguaio Daniel Viglietti e a mexicana Amparo Ochoa. Esse foi um evento histórico carregado de simbolismo, pois representava um grito de basta do povo latinoamericano contra a intervenção dos EUA e pela liberdade e justiça. Passados 26 anos daquele concerto vivemos um novo momento histórico que está intimamente ligado aquelas lutas.

No ano em que a Revolução Sandinista completa 30 anos assistimos ao triunfo da FMLN em EL Salvador, o avanço do socialismo no governo bolivariano de Chávez na Venezuela e de Evo Morales na Bolívia. Um processo que é parte dessa longa tragetória de lutas do povo latinoamericano.
Nesse sentido, a saudação que fazemos ao povo salvadorenho nesse momento é uma homenagem a todos e todas, os (as) que morreram e os (as) que ainda hoje lutam em cada canto dessa nossa sofrida latinoamérica por um mundo justo de liberdade e dignidade.

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