quinta-feira, 5 de março de 2009

Emma Goldman: " Se não posso dançar não é minha revolução."


Emma Goldman foi uma das fundadoras do moderno movimento de luta das mulheres, o qual está umbilicalmente ligado à luta do movimento operário e pelo socialismo. Emma Goldman foi agitadora e propagandista em defesa da liberdade sexual da mulher, de denúncia contra o caráter ditatorial do casamento, do ateísmo, da liberdade e da educação sexual das crianças, do direito da mulher ao controle de natalidade e dos direitos civis da mulheres.

Quem foi Emma Goldman ( 1869-1940)


Emma Goldman nasceu em 27 de junho de 1869, em Kaunas (naquela época chamada de Kvno) na Lituânia, no interior de uma família judia. Em 1885, portanto, com apenas 16 anos de idade, emigraria para os Estados Unidos, fugindo dos país que a submetiam a uma vida de opressão e puritanismo. Através da suas atividades políticas e literárias, particularmente da sua luta contra a opressão da mulher, tornar-se-ia uma das mais importantes e influentes mulheres dos Estados Unidos no século XX.

Sua vida afetiva e sexual, que Goldman utilizaria como um instrumento de denúncia da condição da mulher, foi marcada pela violência dos pais e por um incidente violento de estupro quando contava apenas com 12 anos de idade. Seu pai, um administrador teatral costuma espancá-la pelos motivos mais insignificantes.

A família Goldman mudou-se para Königsberg (depois Kaliningrado) e, em seguida, para S. Petersburgo. Nesta última cidade, pela primeira vez, entrou em contato com as idéias revolucionárias através do círculo dos militantes da organização populista "A Vontade do Povo"(Narodnaia Volia) uma ramificação da organização original do populismo russo, a "Terra e Liberdade" (Zemlia e Volia) que ingressou na via armada, diante do sufocamento das atividades políticas, através da tentativa de assassinato dos chefes do regime, chegando, inclusive a assassinar o próprio Czar. Este contato inicial, no entanto, não deu início à atividade política de Goldman, que somente se desenvolveria nos EUA.

A descoberta, por seu pai, do seu envolvimento com A Vontade do Povo, levou a uma intensificação da violência contra Emma, o que a fez rebelar-se e fugir para os EUA, em 1885. Chegando aos EUA Emma Goldman passou a trabalhar em uma indústria têxtil em Rochester, Nova Iorque, um ramo de produção típico de emprego de mão-de-obra feminina e onde se iniciaram as grandes mobilizações de mulheres. Ali, pela primeira vez, foram realizadas reuniões dos socialistas alemães que buscavam organizar o movimeno operário norte-americano.

Emma Goldman iniciou efetivamente a sua militância política em conexão com as importantes lutas sindicais dirigidas por anarquistas e socialistas nos EUA. Causou enorme impressão, o julgamento, condenação à morte e execução dos oito de Chicago como resultado dos acontecimentos do Hay Market, acontecimentos que Goldman acompanhou com enorme interesse em 1886. A partir daí tornou-se agitadora e jornalista em defesa das lutas operárias e sindicais aproximando-se politicamente do anarquismo.

Em 1889 casou-se com o anarquista russo Alexander Berkman, que em 1892 foi , condenado a 22 anos de prisão pela tentativa de assassinato do empresário Henry Clay Frick durante uma greve na cidade de Nova Iorque.

Em 1893, a própria Emma Goldman é condenada a um ano de prisão acusada de incitação em uma manifestação também na cidade de Nova Iorque.
Em 1906, Berkman é libertado. Emma Goldman publica a famosa revista Mother Earth ( Mãe Terra ) até 1917, quando ambos são presos novamente, desta vez sob a acusão de opor-se ao recrutamento militar para a I Guerra Mundial. Após dois anos de prisão, são deportados para a Rússia que, naquele momento, 1919 já estava mergulhada na guerra civil promovida pelos exércitos branco contra o governo bolchevique.

Tendo se colocado inicialmente a favor da Revolução Bolchevique, Emma Goldman, logo vai se colocar na oposição, principalmente a partir da repressão sofrida pelos anarquistas já nos primeiros anos da revolução. Emma expressa suas opiniões a cerca da Revolução Russa no seu livro, de 1923, My Dissillusionment in Russia ( Minha desilusão na Rússia ).

Em 1921 Emma Goldman deixa definitivamente a Rússia. Em 1936 vai à Espanha durante a revolução e a guerra civil. Com a derrota dos anarquistas da CNT/FAI e a ascensão de Franco, Emma termina por radicar-se no Canadá, onde vai morrer em 14 de maio de 1940 em Toronto.

Emma Goldaman foi autora de um grande número de livros e panfletos, bem como inúmeros artigos em jornais e revistas. Entre eles destacam-se: Patriotismo, uma ameaça para a liberdade , 1908; Um belo ideal , 1908; Em que acredito , 1908; Anarquismo e outros ensaios , 1910; Anarquismo, o que realmente defende , 1911; O significado social do drama moderno , 1914; Amor e casamento , 1914; Minha desilusão na Rússia , 1923; Vivendo a minha vida , 1931; Voltairine De Cleyre , 1932.

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