domingo, 15 de março de 2009

Em nome de Farabundo Martí, Oscar Romero e Schafik Handal

Augustín Farabundo Martí Rodrigues foi o precursor das lutas revolucionárias do povo salvadorenho. Foi fundador (1930) e dirigente do Partido Comunista Salvadorenho (PCS), e um dos organizadores da guerrilha dos camponeses indígenas em 1932. Nessa revolta, os camponeses conseguiram tomar alguns quartéis, mas estavam mal armados e desorganizados. A revolta foi esmagada pelo exército com uma forte repressão que, em poucas semanas, matou entre 15.000 e 30.000 pessoas, um episódio que ficou conhecido como La Matanza. Martí foi fuzilado em 1 de Fevereiro de 1932 por forças militares (organizadas pelos EUA). O grande revolucionário também lutou ao lado de Augusto César Sandino na Nicarágua, tornando-se um dos grandes símbolos da luta pela libertação dos povos latinoamericanos.


O Arcebispo de San Salvador, Monsenhor Oscar Romero foi brutalmente assassinado quando rezava uma missa em 1980. Ligado a Teologia da Libertação, foi um defensor do povo e do seu direito a insurreição para combater a opressão da ditadura Salvadorenha. Hoje é considerado santo pelo povo pobre de EL Salvador.

Shafick Randal foi um dos dirigentes históricos da esquerda salvadorenha. Durante muitos anos um dos principais comandantes da guerrilha da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional- FMLN. Secretário-Geral do Partido Comunista Salvadoreño desde 1973, na década de 80, sob seu comando, a FMLN realiza fortes ações de guerrilha para derrubar o Governo. Ao fim da guerra a FMLN se transforma em partido e Handal seu primeiro Coordenador-Geral. Se elege deputado e assume a liderança da bancada da FMLN no legislativo. Foi candidato a Presidente em 2004 quando perde as eleições devido a chantagens urdidas pelos EUA. Falece em janeiro de 2006, ao sofrer um infarto fulminante ao voltar da posse Presidencial de Evo Morales.



O jornalista Maurício Funes é o herdeiro da luta socialista da FMLN. Hoje pode tornar-se o primeiro presidente socialista da história de El Salvador.

Momentos da uma Campanha histórica








Se a esperança vencer a campanha do medo, ganha o povo salvadorenho*

**Oscar Pérez
Alai-amlatina


“…Desejo fazer um chamado para aquelas pessoas que estão indecisas, confusas, atemorizadas e desencantadas, a que façam uma reflexão profunda de que é necessário experimentar outra experiência de governo; do qual tenhamos maiores possibilidades de construir, de fazer sentir, de propor e transformar a existencia... Quero que meu convite chegue a todas e todos para somar e multiplicar a certeza e a confiança de que se trata de um momento histórico em que um voto pode fazer a diferença para a continuidade da ARENA e perpetuar a opressão, o obscurantismo, a repressão, a fome e o medo; ou termos uma oportunidade de mudança, de nos convertermos em protagonistas de mudanças em um governo que podemos contribuir, pressionar e demandar alternativas diferentes...”
Fragmento de uma carta de uma mulher salvadorenha.


Muitos ja qualificam as eleições presidenciais de 15 de março, como um evento histórico. Efetivamente o são, pois o partido de direita que está no poder há 20 anos, resiste por todos os meios e artifícios para não deixar que a esquerda, liderada por um jornalista reconhecido, assuma o poder executivo.

Esta campanha política tem sido a mais longa de todos os tempos, pois os partidos começaram com muita antecipação seu proselitismo. Iniciaram a corrida eleitoral 4 coligações presidenciais representando três partidos direita e a esquerda salvadorenha, sob a responsabilidade da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional ( FMLN).

Ao final da campanha, somente chegaram dois partidos políticos: pela direita salvadorenha está a Aliança Republicana Nacionalista (ARENA), partido no poder que foi fundado por um militar acusado, segundo o Informe da Comissão da Verdade, de ser o autor intelectual da morte do Arcebispo de San Salvador, Monsenhor Oscar Arnulfo Romero (agora conhecido popularmente como “São Romero da América”), e que tem como candidato um ex-diretor da Polícia Nacional Civil (PNC).
Representando a Esquerda, está a FMLN, partido surgido do processo de Acordos de Paz (Janeiro de 1992) e que segundo os resultados das recentes eleições municipais de 18 de Janeiro passado, se coloca agora como a primeira força política a nível nacional.

A campanha política não tem sido somente a mais longa da história salvadorenha, mas também a mais agressiva, que tem contribuído a uma maior polarização da população. Os principais oligopólios mediáticos, que tem alimentado sua caixa registradora pela conveniência que mantém com o poder governamental, também tem feito sua parte, pois em conjunto tem participado direta e indiretamente da campanha de medo que vem desenvolvendo o partido do poder, disfarçando sua propaganda como simples informação.

Muitos analistas políticos sustentam que a estratégia do medo, todavia, faz efeito na população. Outros, afirmam que esta se voltará como um bumerangue contra próprio partido da direita, pois a necessidade de mudar o estado atual das coisas se sobrepõe a paralização que busca gerar o medo na população.

Dentro da campanha do medo e para suas estratégias, vale tudo. Assim confirmam por meio de um comunicado um conjunto de importantes meios e organizações nacionais e internacionais que trabalham na comunicação em El Salvador, que dizem “ O governo constrói fatos, utilizando a desinformação para provocar temor e desconfiança: existência de grupos armados que não se comprovam, computadores das FARC, com suposta informação que prejudica o partido opositor, que tampouco se comprova; criação de fantasmas por meio de frases e declarações fora de contexto que inclusive ofendem os governantes de outros países latino-americanos, entre outros

A direita salvadorenha que até o cansaço tem criticado ferozmente na campanha o presidente da Venezuela, o governo de Cuba e da Nicarágua, de tentarem perpetuar-se no poder, agora resiste por todos os meios deixar o poder e demonstrar assim que acredita no exercício da alternância política.

O partido no poder não só desenvolve uma campanha de medo, mas também utiliza vulgarmente todo o aparato estatal para tentar ganahr as eleições, e se não ganhar por bem, quer ganhar também por meio de fraude, tal como denuncia a oposição. Como dizem “ Jalisco nunca perde e se perde, rouba

Sair a votar em El Salvador nunca se converteu em algo tão importante como hoje, já que a juizo de muitos analistas políticos, uma votação massiva pode conter três significados: o primeiro, uma expressão de valentia frente ao medo que se quer impor; o segundo, a necessidade de legitimar o candidato que seja vencedor, sobretudo, para que se possa enfrentar como nação a crise econômica que já se começa a sentir com força; e terceiro, evitar toda probabilidade de uma fraude electoral.

Se a esperança vence a campanha do medo neste 15 de março, ganha sem dúvida o povo salvadorenho, pois esta será as últimas eleições do pós-guerra, arrancando assim um novo capítulo na vida política de El Salvador.


* Artigo publicado em www.rebelion.org , tradução: Paulo Marques

**Oscar Pérez, jornalista de El Salvador , é correspondente da Agencia Informativa PULSAR e Presidente da Fundación de la Comunicación para el Desarrollo (COMUNICANDONOS).

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