domingo, 8 de março de 2009

8 de março

No mundo todo: Cartaz do 8 de março das militantes do Movimento Guevarista Revolucionário, da Venezuela

Com o objetivo de homenagear o dia 8 de março, nosso blog realizou nesta semana uma série especial com a história de algumas mulheres que fizeram da luta política a sua razão de vida, tornando-se referência para o movimento pela emancipação das mulheres até hoje. Da guerreira indígena aymara Bartolina Sisa, passando pela anarquista espanhola Federica Montseny e as revolucionárias russas Alexendra Kollontai, Clara Zetkin, Emma Goldmann e a polonesa Rosa Luxemburgo procuramos resgatar a trajetória destas revolucionárias que, malgrado estejam relegadas à margem da “história oficial” , permanecem vivas nas lutas contemporâneas por um outro mundo possível.
É evidente que muitas mulheres que fizeram história ficaram de fora. Alguns podem criticar a ausencia de brasileiras, o fato é que buscamos contemplar o Brasil no contexto da luta latinoamerica, representada pela figura da indígena Bartolina Sisa e também buscamos delimitar as trajetórias que tiveram vinculação também com a luta política socialista. Esperamos não encerrar o tema da luta feminista nesta semana, até porque compreendemos que essa luta é parte fundamental na construção da sociedade socialista.

Como encerramento da séria publicamos um texto postado hoje no site http://www.kaosenlared.net/ que aborda os desafios da luta feminista e socialista hoje:


O Dia internacional da mulher trabalhadora e o socialismo*

Texto de E. Rebeca , Madriz Franco


… Quando se completa 98 anos desde a primeira vez que se comemorou essa celebração.


A origem desta data tem sido questionada por diversas razões; todavia o que não se pode negar é que o 8 de março está intimamente vinculado as lutas do movimento operário internacional; e que como assinalou a própria Clara Zetkin, é um dia para a “inter-relação com todas as questões femininas, conforme o enfoque socialista”; questão hoje deixada de lado pelo caráter comercial que as classes dominantes tentam imprimir a tão importante celebração.

O dia da mulher trabalhadora, contextualizando o movimento histórico em que foi proposto, teria como objetivo fundamental a mobilização das mulheres a favor da conquista de seu direito ao voto, é evidente que quase 100 anos mais tarde diversificou sua razão de ser, na medida em que o sistema econômico dominante diversificou suas formas de exploração.
Hoje é necesario retomar o 8 de março como uma data que pertence ao movimento revolucionário vinculado ao socialismo.

E é por isso que o 8 de março é um dia para a agitação dos setores feministas no qual se incentiva a organização para a conquista de nossas lutas e reivindicações concretas. É uma data para análise das condições de exploração e opressão nas quais vemos submetidas as mulheres nesta sociedade hierarquizada, onde predomina a propriedade privada dos meios de produção.
Desmontar e arrebatar das mãos da burguesia esta celebração, que tem sido deformada como um dia para o consumo em que se faz alarde da nossa discriminação e exploração, deve ser um objetivo para o movimento de mulheres, pois para nós se trata de combater os sistemas que se sustentam sobre nossa opressão, e não corroborar com o que nos mantém oprimidas.

Para os setores populares, retomar o Dia Internacional da Mulher “TRABALHADORA”, é e deve ser, um ponto de honra, não só para reivindicar a memória das mártires e heroínas da classe trabalhadora, forjadoras dos direitos e atuais condições das quais se desenvolve a mulher hoje, pois as conquistas que agora vemos com naturalidade custaram na história recente, a vida e sacrifício de muitas mulheres, que nem sequer estão nas páginas da história. Assim como é também um elemento chave para imprimir a luta feminista o caráter de classe que requer para elevar qualitativamente seu impacto real nos setores populares no resto da sociedade

O Dia da Mulher Trabalhadora só tem sentido, se as mulheres pobres se organizarem e lutarem para construir uma sociedade diferente. É um absurdo desde qualquer ponto de vista, celebrar uma data para e por “ter” uma data para o exibicionismo, que seja a antítese da verdadeira essência que fez nascer um dia tão significativo como este.

Na sociedade capitalista, tudo é mercadoria e as mulheres podem confirmar isso, entretanto, com mais razão deve compreender, porque para a ideologia dominante é tão significativo banalizar uma data que pode ser uma via ou ferramenta que permita implodir suas bases.
No Dia da Mulher Trabalhadora há um sem número de questões pelas quais as mulheres devem lutar, entretanto, mais além disso, se requer um passo anterior e definitivo para concretizar e avançar na conquista das reivindicações, que consiste na organização, pois sem a organização que nos permita a mobilização, não haverá conscientização suficiente para enfrentar o monstro que é o nosso adversário.

¡Organización popular para vencer!

¡Viva la Mujer trabajadora y revolucionaria!

Tradução: Paulo Marques

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