sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

CARACAZO 20 ANOS: PARA NÃO ESQUECER









O começo da reação


O dia 27 de fevereiro de 1989 entrou para a história da América Latina como a primeira reação popular ao neoliberalismo. A onda neoliberal recém iniciava e a Venezuela foi um dos primeiros países, depois do pioneiro Chile de Pinochet, a conhecer as "receitas" do que durante uma década viriam a ser conhecidas como "Consenso de Washington", o pacote de políticas do FMI para os países da periferia do capitalismo.

E foi o presidente social-democrata Carlos Andrés Peres, da Ação Democrática, eleito para o segundo mandato com mais de 50% do votos, que implantou o pacote do FMI, aumentando os preços de produtos de primeira necessidade, pasagens de transporte público, combustíveis e congelando salários. A reação popular foi imediata: milhares de trabalhadores ocupam as ruas de Caracas no dia 27 de fevereiro, com protestos e saques generalizados. A reação do governo foi anunciar o toque de recolher e a suspensão das garantias constitucionais. Foi a ordem para que a repressão fosse desatada sobre os monifestantes, prinicpalmente dos habitantes das regiões populares. Foi um massacre, centenas de mortos pelas ruas, milhares de feridos.

Quatro anos depois, divulgou-se que número de mortos chegou a 396 nos cinco dias que durou a revolta, entretanto os centros médicos contabilizaram um total entre 1 mil e 1,5 mil mortos.

A revolta popular foi batizada de CARACAZO e ficou na história e na memória como a primeira reação popular ao neoliberalismo na América Latina.

Ainda teríamos mais uma década até que os políticos neoliberais fossem varridos do Continente. A eleição de Chávez em 1998 inaugurou o novo período, consequencia direta da mobilização iniciada no Caracazo. Depois foram Bolívia, Equador, Uruguai, Brasil, Argentina, Nicarágua, Paraguai. Um ciclo que ainda está em aberto.

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