segunda-feira, 28 de julho de 2008

VI ENCONTRO INTERNACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA- NESOL/USP


Debate estratégico: o tema do mercado: O Debate reuniu algumas posições distintas e um consenso importante: a Economia Solidária deve ser parte de um projeto político estratégico de transformação da sociedade. Na mesa Prof. Singer, Felipe do Nesol, Jon Sarasua de Mondragón e o economista João Machado.


Prof. Singer: A produção capitalista é majoritaria no sistema, mas não é a única, a Economia Solidária tem condições de ser alternativa.




Tecnologia Livre, Cultura e Comunicação: O VI Encontro Internacional de Economia Solidária do NESOL/USP reuniu experiências de empreendimentos que resistem à lógica concentradora dos monopólios capitalistas. Vicente Aguiar da Coolivre da Bahia, (direita da mesa) e Ociel López da Ávila TV ,de Caracas (ao centro), apresentaram suas experiências de democratização da tecnologia e da informação.Vanessa Sígolo do Nesol/USP (direita da mesa) destacou o papel estratégico da cultura, da comunicação e das novas tecnologias como elementos estratégicos para a construção de uma outra economia.



VI ENCONTRO INTERNACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA do NESOL/USP
ECONOMIA SOLIDÁRIA E MODELO DE DESENVOLVIMENTO


Foi realizado nos dias 25,26 e 27 de julho, na Universidade de São Paulo a sexta edição do Econtro Internacional de Economia Solidária, com o tema Economia Solidária e modelo de Desenvolvimento. Organizado pelo NESOL- Núcleo de Economia Solidária da USP, o evento contou com diversos apoios entre eles da ITCP-USP; UNISOL e SENAES/Governo Federal.

A programação teve quatro temas principais de debates: A primeira mesa foi sobre o tema Economia Solidária e Modelo de Desenvolvimento, na segunda, Economia Solidária e Mercado; na terceira o debate foi sobre Diversidade, Mídia, arte e política: a construção da cultura na Economia Solidária e a quarta e última mesa, Planejamento Econômico e organização Comunitária. Além das mesas houveram diversos GTs para apresentação de pesquisas, trabalhos e contribuições ao tema da economia solidária e suas interfaces.

Das mesas principais destacamos duas pela riqueza de conteúdos, qualidade do debate e por instigar questões que conformam os principais eixos do debate atual da Eonomia Solidária. A mesa sobre Economia Solidária e Mercado que reuniu como debatedores o Prof. Paul Singer, secretário da SENAES; o economista João Machado; Jon Sarasua, integrante do Instituto Lanke da Universidade de Mondragón e a Mesa sobre Midia, arte e política.

Economia Solidária e mercado- Um peixe nadando em um rio poluído

O debate sobre a inserção da Economia Solidária no mercado suscitou algumas questões polêmicas. O professor Paul Singer sustentou que no atual sistema capitalista convivem outros modos de produção além da produção típica capitalista, que seriam as iniciativas econômicas de caráter solidário. O que Singer destacou foi o fato de que a produção capitalista ainda é majoritária mas, por suas características, a outra economia antagônica (a Economia Solidária) tem vantagens e condições para avançar no mercado. Em contraposição o economista João Machado defende a tese da existencia somente de um mercado e um modo de produção que é o capitalista, sendo, nesse sentido, a Economia Solidária, atualmente incapaz de constituir-se como alternativa ao sistema. A condição para isso, sustentou Machado seria que a Economia Solidária fizesse parte de um projeto mais amplo de transformação social. Nesse aspecto houve concordancia por parte do Prof. Singer que aposta em um avanço da economia solidária como projeto de transformação de baixo para cima, ou seja, construído pelos próprios trabalhadores e seus empreendimentos solidários. Na mesma linha de Singer foi a posição de Jon Sarasua, pesquisador de Mandragón. Segundo ele, a Cooperativa Mondragón passa hoje por grandes contradições, mas isso é natural em uma experiencia de 50 anos que construiu um caminho a partir da autogestão e do cooperativismo que pode ser considerada como exitosa na medida em que atingiu os objetivos que se propôs para sua comunidade.

Segundo Sarasua o tema do mercado hoje não é o tema central de Mondragón, para explicar isso utilizou, bem ao estilo basco, uma metáfora do peixe. Para ele Mondragón é como um peixe nadando em um rio poluído (que é o mercado capitalista), e a discussão atual não é a possibilidade do peixe "sair do rio", mas continuar sobrevivendo e subindo até a nascente, onde seria possível chegar e construir uma parte limpa do rio (uma nova economia), portanto, hoje o que está em pauta é como continuar nadando no rio sujo e contribuir para chegar ao rio limpo (economia solidária).

O consenso entre todos foi relativo a questão da contradição entre democracia e capitalismo, uma contradição que precisa ser resolvida, o que ainda está aberto é qual o caminho para esse processo de superação, aí entramos no campo fundamental, qual seja, o da ação e da estratégica política.

Diversidade, Midia arte e Política: a construção da cultura da Economia Solidária

Este dabete reuniu uma mesa de grande qualidade com Pablo Ortellano pesquisador da USP, especialista no tema do Software Livre; Ociel Alí Lopez, Diretor de Programação da Àvila TV de Caracas; Sérgio Vaz da Cooperifa de São Paulo e Vicente Aguiar da Coolivre- cooperativa de Tecnologias Livre da Bahia. A mesa foi coordenada por Vanessa Sígolo do Nesol/USP .

Nesse debate foi destacada a importância da comunicação, da cultura e das novas tecnologias na construção de uma outra economia. Pablo Ortellano apresentou o atual panorâma do software Livre no Brasil e no mundo, os avanços e obstáculos do software livre no mercado capitalista, no qual as grandes multinacionais começam a apropriar-se na tentativa de controlar um projeto surgido exatamente para enfrentar os monopólios da informação e das comunicações. No mesmo tema do Software Livre, Vicente Aguiar, da Coolivre, destacou o papel fundamental da tecnologia livre no processo de autonomia, emancipação e liberdade. O que somente o Software Livre possibilita para todos, ou seja, o SL rompe a lógica da propriedade privada e ao mesmo tempo possibilita a criação livre de novas tecnologias s que servem ao projeto de uma outra sociedade , democrática e livre do controle dos monopólios e cartéis privados. Ociel López da TV Ávila de Caracas destacou o papel dos meios de comunicação que enfrentam o sistema capitalista, a partir da participação da comunidade no controle, gestão e construção de informações, ou seja, a partir do protagonismo popular é possível construir uma outra comunicação para as mudanças sociais e políticas necessárias. Outro tema destacado foi o papel da cultura, a partir da apresentação da experiencia da Cooperifa, um empreendimento no campo da cultura realizado em São Paulo, que teve incio com um grupo de poetas e hoje já constituiu um processo de publicação de livros pela cooperativa.

Além das Mesas com os debates, foram realizados diversos GTs de trabalhos e pesquisas, destes GTS destacamos o GT Tecnologia e Sustentabilidade que contou com a participação da ABESOL- Associação Brasileira de Entidades de Apoio a Economia Solidária, que apresentou um trabalho coletivo denominado "Sustentabilidade e envolvimento econômico: TICs, Software Livre e economia Solidária- Uma construção em rede, elaborado por Analine Spech, Everton Rodrigues e Lucio Uberdan.



A apresentação do painel da ABESOL foi realizada por Everton Rodrigues que destacou as novas relações no mundo do trabalho protagonizadas por dois recentes movimentos: a economia solidária e o software livre. O elemento central da análise foi destacar a relação entre os princípios destas temáticas que, juntas, complementam‐se em uma rede para a superação do capitalismo, e o potencial aumento do envolvimento econômico dos(as) trabalhadores(as) através da utilização das tecnologias de informação e comunicação livres e do trabalho em rede.


Segundo Everton o debate central do tema gira em torno da nossa sociedade contemporânea que, baseada nos conceitos da economia capitalista, utiliza de forma privada, concentrando riqueza com extrema velocidade, todos os conhecimentos disponíveis, frutos do trabalho dos(as) trabalhadores(as). O resultado é uma sociedade consumista com milhões de pessoas sem trabalho, um aumento gradativo da violência e uma acelaração da degradação ambiental, cenário que muitos ainda defendem como de desenvolvimento.

O Software Livre e a Economia Solidária constituem hoje , portanto, a possibilidade de superar essa visão insustentável de desenvolvimento capitalista concetrador e excludente e construir um outro modelo, que seja realmente democrático e fundamentalmente possibilite um processo concreto de emancipação social.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Panteras Negras



Em tempos de Barack Obama, cujo horizonte político se limita a integração subordinada a ideologia conservadora branca dominante do partido democrata, nada melhor do que recordar a mais significativa experiencia de organização política de esquerda dos negros norte-americanos. O Partido dos Panteras Negras, criado na segunda metade dos anos 60, deixou como legado importante de sua breve existência, o exemplo de coragem de jovens militantes que ousaram organizar-se para lutar pela libertação de seu povo que , ainda hoje permanecem oprimidos pela elite branca.

O texto que traduzimos para o portugues é de autoria de Francisco Garcia Cediel e foi publicado primeiramente em kaos en la red

Panteras Negras
Breve historia dos Panteras Negras.
Francisco García Cediel

“El descubrimiento de las comarcas de oro y plata en América,el exterminio, esclavización y sepultamiento en las minas de la población aborigen, la conquista y el saqueo de las Indias Orientales,la conversión del Continente Africano en un coto reservado para la caza comercial de esclavos negros, caracterizan los albores de la era de producción capitalista”
Kart Marx (La Génesis del Capital)

Malcolm X morre m 1965, sendo a evolução do seu pensamento no ultimo ano de sua vida o que sem duvida propicia seu assassinato, advogando nesse período por um nacionalismo negro como pré-condição para constituir uma sociedade “ sobre a base da igualdade” (entrevista concedidaem 19 de janeiro de 1965, um mês antes de sua morte)

O Partido dos Panteras Negras é fundado em Oakland ( Califórnia), em outubro de 1966, dois jovens nacionalistas negros, Huey P. Newton, que tinha então 25 anos e Bobby Seale, cinco anos mais velho. A mente guiadora e a personalidade dominante era de Newton, filho de uma família numerosa que ele definia como de “classe baixa, classe trabalhadora”.

A princípio os Panteras Negras pareciam pouco mais que outra organização de grupos locais de nacionalistas negros, constituídos por conta própria nos guetos urbanos, que proliferaram em diversas partes. Mas o que lhes deu mais publicidade foram suas patrulhas armadas que abriam caminho pelas ruas de Oakland.

A princípios de 1967 se une a organização de Eldridge Cleaver, antigo companheiro de Malcolm X. Por motivo de um enfrentamento armado em outubro de 1967, em que morre um policial, Newton é condenado a 15 anos de prisão.

Desde este singular começo, os Panteras Negras se convertem em um formidável movimento político, que em seus primeiros anos de existência haviam fundado umas 30 organizações locais e podiam ter chegado a ter uns 5.000 militantes, ainda que este número se reduziu sensivelmente no final de 1969 em conseqüência de perseguição policial.

A ideologia dos Panteras Negras era uma amálgama de nacionalismo e um marxismo-leninismo muito peculiar. O primeiro ponto de seu programa de fundação de dez pontos, adotado em outubro de 1966, diz assim: “ Queremos a liberdade. Queremos poder decidir o destino da comunidade negra”

Outros pontos exigem o pleno emprego, a educação a libertação de todos os presos negros de todas as prisões.

O décimo ponto, o mais nacionalista, advoga por um plebiscito supervisionado pela ONU em que somente participem os cidadãos negros, para determinar o futuro da comunidade negra no que diz respeito a seu destino nacional, mas não determina o que aconteceria se a colônia negra decidisse majritariamente dissolver os vínculos políticos que o ligam aos Estados Unidos.

Mas, além de um manifesto de fundação, os principipios ideológicos da Organização se manifestam nas páginas do seu órgão Oficial; The Black Panther, semanário de Bekerley, em cujos primeiros editoriais, redigidos por Newton antes de sua prisão, se mostra a influencia de Fanos, Malcolm X, Mao TSE-Tung e Fidel Castro.

Para Newton a “ Colonia negra de Afroamérica” tem uma missão única e mundial: “ O povo negro da América do Norte é o único que pode libertar o mundo, livrar-se do jugo do colonialismo e destruir a maquina de guerra”. Nenhum outro país pode destruir esse “ monstro” enquanto essa máquina siga funcionando, “ mas o povo negro pode fazer, desde dentro, que funcione mal”. A guerra de guerrilhas (guerrilhas urbanas) é o método tático de ação, para instar as massas com seu exemplo de resistência geral.

Desde 1967, a ideologia dos Panteras Negras é um hibrido de nacionalismo negro e revolucionário e o que já é um velho amigo seu: o marxismo-leninismo. Como resultado de tal mistura não se parece a nenhum outro nacionalismo negro nem a nenhum outro marxismo-leninismo. Por exemplo, pela importância que lhe dá ao papel do lúmpem-proletariado, a quem considera que pode incorporar na luta.

Uma declaração do Chefe do Estado Maior David Hiliard levava o título de “ Disciplina lúmpem-proletaria frente ao reacionarismo burguês” (The Black Panther, 9 de agosto de 1969)
Essa amálgama peculiar de fragmentos de Frantz Fanon, Malcolm X, Mao Tse-Tung, Ernesto Che Guevara e outros é caracterísitico de um movimento que surgindo do nacionalismo negro entra no campo do marxismo.

Assim George Murria diz “ Nosso pensamento se inspira em Che Guevara, Malcolm X, Lumumba, Ho Chi Minh e Mao Tse- Tung” ( The Black Panther, 12 de outubro de 1968)
Huey P. Newton diz: “ O irmão Mao tem dito muito bem e seguiremos os pensamentos do Comandante Mao”(The Black Panther, 5 de março de 1969).

O Marechal de Campo Don Cox diz: “ E aprendemos de todas as pessoas que mantiveram no alto a luz antes: Marx, Lênin, Stalin, Mao, Fidel, Che, Lumumba e Malcolm. E aprendemos de todos aqueles que agora mantém a luz no alto: Ho Chi Minh, eses irmãos e irmãs do Al Fatah, essas guerrilhas palestinas, esses camaradas em armas da Ásia e América Latina” (The Black Panther, 20 de abril de 1969).

Com independencia das contradições intrínsecas de tal mistura, o que caracteriza os Panteras Negras é sua inquestionável vontade revolucionária.

Organicamente o partido mostra também uma composição híbrida. Está encabeçado por um Comitê Central, termo usado tradicionalmente pelo movimento comunista, mas o número um dos Panteras é o “ministro de defesa” Huey P. Newton, na idéia de que a direção máxima tem que residir no comando militar, que simultaneamente desempenha o papel de Chefe Político ( tese de Régis Debray)

Na prática, encontrando –se Newton na prisão e Cleaver ( ministro de informação) no exílio, os dois líderes principais são o Chairman Seale e Hiliard ( um ex carregador de nomeado Chefe do Estado Maior)

O mais determinante na vertente nacionalista de sua ideologia é o concernente a libertação nacional, que parte do rechaço enérgico e frontal a idéia mitológica do retorno a África, que havia sido um lugar comum do nacionalismo negro norte-americano, e que eles chamam “nacionalismo cultural”, advogando pela libertação de e no território dos Estados Unidos.

O lado nacionalista dos Panteras Negras faz que se destaque a unidade negra, sendo que o lado marxista-leninista os faz abordar uma revolução social, tanto para brancos como para negros.
Ao contrário de outros grupos nacionalistas, os Panteras Negras não acreditam que a “ colônia negra” pode libertar-se por si mesma. Se dão conta de que não podiam destruir o capitalismo e instaurar o socialismo na comunidade negra sem fazer o próprio na comunidade branca.

Como dizia uma declaração programática: “Tem que haver uma revolução no pais materno branco, dirigida por radicais brancos e brancos pobres, e uma libertação nacional no mundo negro, terceiro mundo colonial aqui, na América do Norte. Não podemos triunfar na colônia sozihos, porque seria como cortar um de do de uma mão. Esta seguiria funcionando. Entenderam? Não, para vencer o monstro há que vencê-lo em sua totalidade”.

Isto sugere que os Panteras Negras consideram que a revolução nacionalista negra tem que ser parte, o se preferem, há de ir acompanhada de uma revolução social branca mais ampla.
A este respeito no verão de 1969 Newton escreve: “ O Partido dos Panteras Negras é o partido do povo. Estamos fundamentalmente interessados em uma coisa, em libertar a todo o povo de todoas as formas de escravidão, com o fim de que cada homem seja seu próprio dono”, e apostava: “ Todos os membros da classe trabalhadora devem apoderar-se dos meios de produção. Aqui, naturalmente, se inclui o povo negro”.

Em linha com essa tese em julio de 1969 patrocinam uma “ Conferencia Nacional em Prol da uma Frente única contra o Fascismo” em Oakland ( Califórnia), do qual saíram comitês locais para combater o fascismo. Pois, bem, em 90% dos assistentes na citada Conferência eram brancos. Mais ainda, o Comandante Seale advogou pela criação de uma Frente de Libertação Norte-americana composta por todos os povos desta nação, até a construção de um partido novo “ O novo partido dos Trabalhadores, ou como queiram chamá-lo”

Esta aposta estratégica influi decisivamente na demissão de Stokely Camichael, que acusa o partido de contribuir com a “ submissão dos negros aos brancos por sua aliança com radicais brancos” (The New York Times, 4 de julio de 1969).

Em agosto de 1969, o lider máximo dos Panteras Negras, Newton, se refere a população negra da América do Norte como “minoria nacional” e, diferencialmente, como uma “minoria étnica”, defendendo a inviabilidade de uma América do Norte negra segregada formada por 5 ou 6 Estados, vizinha de um resto de Estados Unidos capitalista e imperialista.

Em certo modo e com suas contradições, os Panteras herdaram o legado ambíguo de Malcolm X, avançando na direção de uma revolução social mais que uma revolução puramente nacionalista. Ao somar o socialismo ao nacionalismo tiveram que ampliar seus horizontes fazendo aproximações com os brancos em forma de aliança ou coalizão.

Chegados a este ponto temos de reflexionar a cerca da importância de como valorizar na Europa de 2008 uma experiência como a dos Panteras Negras nos anos 60 do século passado na América do Norte. Mais além das evidentes diferenças, derivadas das circunstancias de que brancos e negros foram a América do Norte em condições muito diferentes, ainda que ambos coletivos estavam ali respondendo a necessidades produtivas de expansão e acumulação capitalistas, temos de convir que o caráter crescentemente multicultural e multirracial da Europa gera problemas e tenções que atravessam o étnico e o social.

As chamadas revoltas dos suburbios da França faz poucos anos é um fenômeno que deve nos fazer meditar sobre taes questões. Se a ele unimos a lúmpem-peoletarização de um setor da população, derivada da estrutura social capitalista de nosso entorno geográfico e temporal, unido a uma crise econômica que segundo a maioria dos analistas tão somente acaba de começar, que instala na marginalidade um setor não só mas fundamentalmente imigrante, talvez devemos analisar como impulsar a transformação social unindo velhas e novas contradições.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Socialismo Autogestionário


Publicamos abaixo o artigo do cubano Pedro Campos, contribuindo com com o debate sobre autogestão socialista.
Cooperativa, cooperativismo y autogestión socialista
Tres conceptos claves de la economía política del socialismo.

Pedro Campos (Para Kaos en la Red) [21.07.2008 19:39]


Nunca serán suficientes el tiempo y el espacio dedicados a tratar de esclarecer las diferencias y relaciones entre la cooperativa, el cooperativismo y la autogestión socialista, tres de los conceptosclaves de la economía política del socialismo, toda vez que de su comprensión dependerá, en gran medida, que se pueda llegar a entender el carácter de las nuevas relaciones de producción en el socialismo, sus formas fundamentales de propiedad y las ideas centralesdel Socialismo Participativo y Democrático (SPD).

La cooperativa es una forma colectiva específica de propiedad que surge en el seno del sistema capitalista, estructurada sobre la unión voluntaria de varios propietarios de medios de producción (para fines de la producción agrícola, industrial o de servicios) que, puestos de acuerdo explotan en común esos medios. No es la única forma de propiedad en el socialismo.
El cooperativismo o autogestión es la manera en que se organiza la producción, el trabajo, en las cooperativas, caracterizada por la propiedad colectiva sobre los medios de producción, la gestión democrática (elección de la dirección, planificación de la producción, búsqueda de recursos, inversiones, comercialización de los productos y otros) y la distribución equitativa (justa, no igualitaria) de una parte de las utilidades. Es el nuevo tipo de relaciones de producción. El cooperativismo o autogestión obrera es al socialismo, lo que el trabajo asalariado es el capitalismo.

La Autogestión Socialista (AS) es la forma general integral del funcionamiento de la sociedad socialista que implica la generalización de las propiedades del sistema cooperativista o autogestionario a todas y cada unalas instituciones de su superestructura y a toda la sociedad en su conjunto, ajustando el funcionamiento diferenciado a las que se alimentan del presupuesto estatal o comunal (salud, educación y otras). El ser socialgenerado por las relaciones cooperativistas de producción, y sus principios colectivistas, democráticos, solidarios, libertarios, justos y humanistas inherentes a sus formas de propiedad, gestión y distribución, es lo que dará lugar a una nueva conciencia social socialista. La conciencia individual es otro fenómeno y tiene otras causas y manifestaciones. Para consolidarse, la AS deberá extenderse, al menos, a un grupo de países.

La Autogestión Socialista se diferencia de la yugoslava en que además de empresarial, es social, sus atributos organizativos se asumen por toda la organización comunal y social y por este contenido social, naturalmente tiende a la sustitución del mercado por la planificación democrática y a la transformación del intercambio de mercancías por el intercambio de equivalentes, a la creación de Uniones de Asociaciones y a la formación de una gran unión de cooperativas, en un plan común, como previó Marx. Procesos que no se imponen, sino que derivan de la propia naturaleza del régimen de producción al socializarse. Diverge de la autogestión administrativa burguesa, en que ésta sólo brinda participación limitada y dividida a los trabajadores en la propiedad (por acciones), en la gestión y en una parte pequeña de las ganancias, sin afectar el grueso de la plusvalía.

Con toda precisión Carlos Marx identificó como el nuevo régimen de producción a la forma en que las cooperativas organizan la producción,en el Capítulo XXVII delTomo III del Capital “El Papel del Crédito en la Producción Capitalista”, al señalar:

“... Las fábricas cooperativas de los obreros mismos son, dentro de la forma tradicional, la primera brecha abierta en ella, a pesar de que, dondequiera que existen, su organización efectiva presenta, naturalmente, y no puede por menos de presentar, todos los defectos del sistema existente. Pero dentro de estas fábricas aparece abolido el antagonismo entre el capital y el trabajo, aunque, por el momento, solamente bajo una forma en que los obreros asociados son sus propios capitalistas, es decir, emplean los medios de producción para valorizar su propio trabajo. ...
… Estas fábricas demuestran cómo al llegar una determinada fase de desarrollo de las fuerzas materiales productivas y de formas sociales de producción adecuadas a ellas, del seno de un régimen de producción surge y se desarrolla naturalmente otro nuevo.”
Igualmente en muchos escritos Marx dejó bien establecido que la clase trabajadora tendría que proponerse la abolición del trabajo asalariado y sustituirlo por la nueva forma de producción cooperativa. En la Guerra civil en Francia, donde analizó la Comuna de París, señaló:


“... si la producción cooperativa ha de ser algo más que una impostura y un engaño; si ha de sustituir al sistema capitalista; si las sociedades cooperativas unidas han de regular la producción nacional con arreglo a un plan común, tomándola bajo su control y poniendo fin a la constante anarquía y a las convulsiones periódicas, consecuencias inevitables de la producción capitalista, ¿qué será eso entonces, caballeros, más que el comunismo, comunismo “realizable”?…”

De manera que cuando los partidarios del Socialismo Participativo y Democrático, SPD, abogamos por el desarrollo del cooperativismo o autogestión obrera, por la extensión de las nuevas relaciones cooperativistas-autogestionarias, no nos estamos refiriendo, como creen algunos, al simple establecimiento de cooperativas cuyas primeras formas existían ya desde los albores del capitalismo, sino a la ampliación y generalización a toda la organización productiva y social del sistema de trabajo que surgió en las cooperativas.

La propiedad sobre los medios de producción asume como apellido la forma en que son explotados, por lo cual la simple clasificación de la propiedad en privada o social, no abarca todo el significado de una propiedad específica en un nivel de desarrollo histórico determinado. Hubo propiedad privada en la esclavitud, en el feudalismo, en el capitalismo y también habrá propiedad privada en el socialismo, como hubo formas de propiedad “social” en función de la sociedad en todas las formaciones socioeconómicas anteriores, las llamadas tierras del estado, las comunales, y las empresas que siempre ha explotado estatalmente el capitalismo.
La propiedad capitalista es la que se explota en forma capitalista, por medio del trabajo asalariado y con el fin determinado de obtener ganancias a través de la plusvalía. La propiedad socialista es la que se explota en base a las nuevas relaciones socialistas de producción cooperativas-autogestionarias y su propósito principal es la realización de la justicia social. Así la propiedad y la forma de su explotación van unidas, aunque puedan describirse separadamente.

Pero las cooperativas solas, aisladas en el capitalismo, si bien funcionan en forma socialista a lo interno de la cooperativa, están inmersas en un mar de capitalismo y como escribió Marx “ no pueden por menos de presentar, todos los defectos del sistema existente”, de manera que las cooperativas asumirán una forma socialista en sus relaciones externas solo cuando el poder político esté en manos de los trabajadores y la sociedad en su conjunto avance al predominio de las nuevas relaciones cooperativas, lo que permitirá que entre las Asociaciones Económicas empiecen a desarrollarse formas de intercambio distintas a las típicas del mercado capitalista.
De acuerdo con la práctica histórica, las formas más comunes de la propiedad socialista parecen ser: la cooperativa, propiamente dicha, la asociación autogestionada y la asociación cogestionada (entre el estado o nivel comunal correspondiente y los trabajadores).

Existen otras denominaciones utilizadas por distintos especialistas, pero sus rasgos esenciales son los mismos. Estas formas serían comunes para la agricultura, la industria y los servicios y que sean de un tipo u otro dependerá de las propias características concretas de los medios de producción, forma de adquisición, volumen e importancia de los mismos.

Cooperativa. Es la cooperativa tradicional, las primeras que surgieron en el capitalismo, que puede considerarse la forma de producción socialista inferior, pues los medios de producción aportados son de propiedad original de los trabajadores y generalmente de un bajo nivel de desarrollo. Corresponde a pequeños campesinos unidos, pequeñas empresas industriales o de servicios, más bien de tipo artesanales.


Asociación autogestionada. Sería la entidad económica propiedad de los trabajadores, adquirida o entregada en propiedad por el estado a un grupo específico de trabajadores, sea por cesión de propiedad, venta directa o a través de crédito bancario pagadero según los arreglosestablecidos entre el estado o su banco y la empresa autogestionada. Este tipo de propiedad socialista, parece ser la más adecuada para las pequeñas y medianas empresas, debiendo quedar estatuido que son indivisibles e invendibles, y su fusión o unión con otras empresas quedar sujeta a leyes.


Asociación cogestionada (entre el estado y los trabajadores) La propiedad se mantendría total o parcialmente en la Comunidad (el nivel correspondiente, sea nación, provincial, municipio o comunal) y sería explotada en usufructo por los trabajadores que la administran en base a los principios de la autogestión obrera. Parecen las más convenientes para aplicar en las empresas de interésnacional o estratégico, con alto nivel tecnológico,que demandan una enorme cantidad de recursos y personal altamente especializado que solo puede ser aportado por el presupuesto estatal o el capital extranjero en países menos desarrollados.

El carácter de propiedad Comunal y en usufructo compartido con los trabajadores, garantizaría que no haya eventualessubestimacionesde los intereses generales de la nación o el surgimiento de tendencias localistas, regionales o sectoriales perjudiciales. Podría haber también una administración compartida, donde exista un representante del estado o Comuna, como preferían llamarle Marx y Engels.

El trabajo por cuenta propia y familiar, es también una forma autogestionaria de producción, pues no explota trabajo ajeno, el mismo dueño es el trabajador que gestiona toda su labor. La imposibilidad de usar trabajo asalariado, el que por explotador debe quedar proscrito en el socialismo, impide a esta forma autogestionaria de producción aunque privada, desarrollar la reproducción ampliada. Por ser menos competitiva y reconfortante, deberá tender en general a integrarse en las formas cooperativas. De manera que la reproducción mercantil simple, es una forma que tiene cabida en el socialismo y cumple multitud de funciones sociales, especialmente relativa a los artistas, artesanos, consultores y otros tipos de trabajo que las nuevas tecnologías están originando.

La adopción mayoritaria del sistema de trabajo cooperativo llevaría de la mano a cambiar el ingreso según el pago de la fuerza de trabajo, el salario, la forma en que lo hace el capitalismo, que se extiende por un tiempo inicial en el socialismo, por la repartición equitativa de una parte de las utilidades, fórmula más justa, que no llega a ser la comunista “según las necesidades”. Tal fórmula posibilita a su vez que se vayan modificando paulatinamente las leyes y categorías de la producción mercantil, como las leyes del valor y de oferta y demanda y el intercambio de mercancías se vaya convirtiendo en intercambio de equivalentes, lo cual supondría ya el triunfo de la sociedad socialista.

El predominio de la Autogestión Socialista en toda la superestructura irá condicionando la desaparición de las diferencias entre el trabajo manual y el intelectual, en la división general social del trabajo, entre la ciudad y el campo, entre las clases y, finalmente, la transformación paulatina del propio estado hasta su extinción.

Socialismo por la vida.

La Habana, 21 de julio de 2008perucho1949@yahoo.es
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domingo, 20 de julho de 2008

A nova "Pirâmide" do sistema capitalista

A velha Pirâmide: Em 1911 tinhamos a clássica "Pirâmide" do sistema capitalista. No topo da pirâmide aparece a classe dominate: grande burguesia, capitalistas, proprietários e monarcas. Logo abaixo o sustentáculo ideológico e político da igreja e do Estado ( judiciário, legislativo). Como instrumento de coerção o exército; abaixo o que Marx identificou como pequena burguesia e na base da pirâmide o proletariado.



O sistema capitalista tem agora uma nova pirâmide:



Nova Pirâmide: No topo o "rentista", "investidor da bolsa", acionista de grandes corporações. Logo abaixo a "guarda de honra", seu exército privado. Na esfera seguinte a "tropa de choque" dos exércitos nacionais que garantem a "normalidade" do sistema contra "disturbios"; na parte intermediária estão a classe média, a antiga "pequena burguesia", e o que resta do proletariado do saudoso "elfare state" todos alienados e anestesiados pela mídia dominante. Em seguida temos o exército do império, combatendo os "terroristas" que ameaçam o "modo de vida ocidental", e na base da pirâmide os povos "bárbaros" não ocidentais, aqueles que ainda vivem do seu próprio trabalho.

Allende: A audácia lhe custou a vida, mas deu o exemplo do que é ser revolucionário


Nesse período que vivemos em nuestra América Latina, de transformações, reformismos, progressismos, novos enfrentamentos, retrocessos, ofensivas fascistas, nunca é demais lembrar exemplos de coerência, princípios, coragem e o que Fidel destacou como elemento fundamental de qualquer processo revolucionário, qual seja, a audácia.
Salvador Allende, assim como Fidel, Che, Marulanda, se destacaram pela audácia, por remar contra a corrente dominante, sem medo, sem pensar nos custos de suas escolhas e caminhos orientados por principios. Parece que hoje, quando se fala em uma "nova esquerda" no continente, o que falta são doses maiores de audácia e coragem por parte daqueles que estão na vanguarda dos processos de transformação, a consequência disso é o acomodamento ao pragmatismo do possível, que é ditado por uma correlação de forças desigual.
Os limites de ocupação de espaços de poder, que não é o poder concreto, que está em outras esferas, coloca como necessidade audácia e mais audácia, para enfrentar essa realidade e reverter o quadro desfavorável, utilizando os instrumentos do estado burgues para destruí-lo e não, como fazem alguns, mantê-lo com a ilusão de que serve para as mudanças. Por que assim, a história mostra que se está jogando no campo do adversário. Audácia nesse sentido é construir contra-poder, democratizar o poder, a economia, a sociedade, porque a radicalização da democracia é revolucionária, empoderar "os de baixo", criando um contra-poder é a única ação audaciosa que poucos tem coragem de construir.

Recebi este texto que publicamos abaixo do nosso camarada Luciano Lima, lá de Pelotas, camarada marxista "dos quatro costados" como se diz no Rio Grande.
O texto de Fidel em homenagem a Allende nos mostra que as mudanças concretas quando estão em processo requerem audácia, sempre audácia, o que infelizmente tem faltado a todos nós.



Allende, um exemplo que perdura
Fidel Castro


Nasceu há cem anos em Valparaíso, ao sul do Chile, em 26 de junho de 1908. Seu pai, de classe média, advogado e tabelião, militava no Partido Radical chileno. Quando eu nasci, Allende tinha 18 anos. Realiza seu ensino médio em um liceu da cidade natal. Em seus anos de estudante pré-universitário, um velho anarquista italiano, Juan Demarchi, o põe em contato com os livros de Marx.

Gradua-se como aluno excelente. Gosta de esporte e o pratica. Entra como voluntário no serviço militar no Regimento Coraceros de Viña del Mar. Solicita transferência para ao Regimento Lanceros de Tacna, um enclave chileno no norte seco e semi-desértico, posteriormente devolvido ao Peru. Ingressa como oficial da reserva do Exército. O faz já como homem de idéias socialistas e marxistas. Não se tratava de um jovem brando e sem caráter. Era como se adivinhasse que um dia combateria até a morte defendendo as convicções que já começavam a se formar em sua mente.

Decide estudar o nobre curso de Medicina na Universidade do Chile. Organiza um grupo de companheiros que se reúne periodicamente para ler e discutir sobre o marxismo. Funda o Grupo Avanço em 1929. É eleito vice-presidente da Federação dos Estudantes do Chile em 1930 e participa ativamente na luta contra a ditadura de Carlos Ibáñez.

Já se havia desatado a grande depressão econômica nos Estados Unidos, com a crise da Bolsa de Valores que estourou em 1929. Cuba entrava na luta contra a tirania machadista. Mella havia sido assassinado. Os operários e os estudantes cubanos enfrentavam a repressão. Os comunistas, com Martínez Villena à frente, deslanchavam greve geral. "Faz falta uma carga para matar safados, para terminar a obra das revoluções..." - havia proclamado em vibrante poema. Guiteras, de profunda raiz antiimperialista, tenta derrubar a tirania com as armas. Cai Machado, que não pôde resistir à força da nação, e surge uma revolução que os Estados Unidos, em poucos meses, com luvas de seda e mão de ferro, esmagam, e seu domínio absoluto perdura até 1959.
Durante esse período, Salvador Allende, em um país onde a dominação imperialista era exercida brutalmente sobre seus trabalhadores, sua cultura e suas riquezas naturais, leva ao cabo uma luta conseqüente que nunca o afastou de sua irrepreensível conduta revolucionária.
Em 1933, forma-se como médico. Participa da fundação do Partido Socialista do Chile. É já dirigente, em 1935, da Associação Médica Chilena. É preso durante quase seis meses. Impulsiona o esforço para criar a Frente Popular, e o elegem secretário-geral adjunto do Partido Socialista, em 1936.

Em setembro de 1939 assume o Ministério da Saúde no governo da Frente Popular. Publica um livro sobre medicina social. Organiza a primeira Exposição da Moradia. Participa em 1941 da reunião anual da Associação Médica Americana, nos Estados Unidos. Passa a ser, em 1942, secretário-geral do Partido Socialista do Chile. Vota no Senado, em 1947, contra a Lei de Defesa Permanente da Democracia, conhecida como "Lei Maldita" por seu caráter repressivo. Em 1949, passa a ser presidente do Colégio Médico.

Em 1952, a Frente do Povo o postula para presidente. Tinha então 44 anos. Perde. Apresenta no Senado um projeto de lei para a nacionalização do cobre. Viaja à França, Itália, União Soviética e República Popular da China, em 1954.

Quatro anos depois, em 1958, é proclamado candidato à Presidência da República pela Frente de Ação Popular, constituída pela União Socialista Popular, o Partido Socialista do Chile e o Partido Comunista. Perde a eleição para o conservador Jorge Alessandri.

Assiste, em 1959, à tomada de posse de Rómulo Betancourt como presidente da Venezuela, considerado até então como uma figura revolucionária de esquerda.
Viaja nesse mesmo ano a Havana e se encontra com o Che e comigo. Apóia, em 1960, os mineiros do carvão, que paralisam seu trabalho durante mais de três meses.
Denuncia, com o Che, em 1961, o caráter demagógico da Aliança para o Progresso na reunião da OEA, que aconteceu em Punta del Este, Uruguai.

Designado de novo candidato à Presidência, é derrotado, em 1964, por Eduardo Frei Montalva, democrata-cristão que contou com todos os recursos das classes dominantes e que, segundo dados revelados em documentos tornados públicos no Senado dos Estados Unidos, recebeu dinheiro da CIA para sua campanha. Em seu governo, o imperialismo tratou de desenhar o que se chamou a "Revolução em Liberdade", como resposta ideológica à Revolução Cubana. O que gerou foram os fundamentos da tirania fascista. Nessa eleição, Allende obtém, no entanto, mais de um milhão de votos.

Lidera em 1966 a delegação que assiste à Conferência Tricontinental de Havana. Visita a União Soviética no 50° aniversário da Revolução de Outubro. No ano seguinte, 1968, visita a República Democrática da Coréia, a República Democrática do Vietnã, onde tem a satisfação de conhecer e conversar com o extraordinário dirigente desse país, Ho Chi Minh. Inclui nesse mesmo percurso o Camboja e Laos, em plena efervescência revolucionária.
Depois da morte do Che, acompanha pessoalmente até o Taiti três cubanos da guerrilha na Bolívia, que sobreviveram à queda do Guerrilheiro Heróico e se encontravam já em território chileno.
ATENTADO

A Unidade Popular, coalizão política integrada por comunistas, socialistas, radicais, MAPU, PADENA e Ação Popular Independente, proclama-o seu candidato em 22 de janeiro de 1970, e triunfa nas eleições, ocorridas em 4 de setembro.
É um exemplo verdadeiramente clássico da luta por vias pacíficas para estabelecer o socialismo.
O governo dos Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, após o triunfo eleitoral, entra em ação imediatamente. O comandante-em-chefe do Exército chileno, general René Schneider, é vítima de um atentado em 22 de outubro e falece três dias depois, porque não se submetia à exigência imperialista de um golpe de Estado. Fracassa a tentativa de impedir a chegada da Unidade Popular ao governo.
Allende assume legalmente, com toda a dignidade, o cargo de presidente do Chile em 3 de novembro de 1970. Começa no governo sua heróica batalha pelas mudanças, enfrentando o fascismo. Tinha já 62 anos de idade. Coube-me a honra de ter compartilhado com ele 14 anos de luta antiimperialista desde o triunfo da Revolução Cubana.

Nas eleições municipais de março do ano de 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos com 50,86%. Em 11 de julho, o presidente Allende promulga a Lei de Nacionalização do Cobre, uma idéia que tinha proposto ao Senado 19 anos antes. Foi aprovada por unanimidade no Congresso. Ninguém se atrevia a objetá-la.

Em 1972, denuncia na Assembléia Geral das Nações Unidas a agressão internacional da qual seu país é vítima. É ovacionado em pé durante longos minutos. Visita nesse mesmo ano a União Soviética, México, Colômbia e Cuba.

Em 1973, ao se realizarem as eleições parlamentares de março, a Unidade Popular obtém 45% dos votos e aumenta sua representação parlamentar.
Não podem prosperar as medidas promovidas pelos ianques nas duas Câmaras para destituir o presidente.

O imperialismo e a direita intensificam uma luta sem tréguas contra o governo da Unidade Popular e desatam o terrorismo no país.
Escrevi-lhe seis cartas confidenciais à mão, entre os anos de 1971 e 1973, nas quais abordava temas de interesse com a maior discrição.

Em 21 de maio de 1971 lhe dizia:
"... Estamos maravilhados com seu extraordinário esforço e suas energias sem limites para sustentar e consolidar o triunfo. Daqui, se pode apreciar que o poder popular ganha espaço apesar de sua difícil e complexa missão. As eleições de 4 de Abril constituíram uma esplêndida e alentadora vitória. Foram fundamentais seu valor e decisão, sua energia mental e física para levar adiante o processo revolucionário".
Em 11 de setembro de 1971, lhe escrevi:

"O portador viaja para tratar com você os detalhes da visita. Tenho procurado pensar exclusivamente naquilo que possa ser de interesse político sem me preocupar muito com o ritmo ou a intensidade do trabalho, mas tudo, em absoluto, fica submetido a seus critérios e considerações. Desfrutamos muito os êxitos extraordinários de sua viagem ao Equador, Colômbia e Peru. Quando teremos em Cuba a oportunidade de competir com equatorianos, colombianos e peruanos quanto ao enorme carinho e calor com que o receberam?"

Naquela viagem, salvei milagrosamente a vida. Percorri dezenas de quilômetros diante de uma multidão enorme, situada ao longo do caminho. A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos organizou três ações para garantir meu assassinato durante essa viagem. Numa entrevista de imprensa anunciada com antecedência, havia uma câmera fornecida por uma emissora de TV da Venezuela, equipada com armas automáticas, manejada por mercenários cubanos que, com documentos desse país, tinham entrado no Chile. A coragem falhou aos que apenas tinham que apertar o gatilho durante o longo tempo que durou a entrevista e as câmeras me focalizaram. Não queriam correr o risco de morrer. Haviam-me perseguido, ademais, por todo o Chile, onde não voltaram a me ter tão perto e vulnerável. Só pude conhecer os detalhes da covarde ação anos mais tarde. Os serviços especiais dos Estados Unidos haviam chegado mais longe do que podíamos imaginar.
Em 4 de fevereiro de 1972 escrevi a Salvador:

"A delegação militar foi recebida com o maior esmero por todos aqui. As Forças Armadas Revolucionárias dedicaram praticamente todo seu tempo durante esses dias a atendê-la. Os encontros foram amistosos e humanos. O programa, intenso e variado. Minha impressão é que a viagem foi positiva e útil, que existe a possibilidade e é conveniente continuar desenvolvendo estes intercâmbios. Com Ariel falei sobre a idéia de sua viagem. Compreendo perfeitamente que o trabalho intenso e o tom da luta política nas últimas semanas não lhe tenham permitido considerá-la para a data aproximada que mencionamos. É indubitável que não tínhamos levado em conta estas eventualidades. Por minha parte, naquele dia, na véspera de meu regresso, quando jantávamos já de madrugada em sua casa, diante da falta de tempo e da urgência das horas, tranqüilizava-me pensar que logo voltaríamos a nos encontrar em Cuba, onde íamos dispor da possibilidade de conversar extensamente. Tenho, não obstante, a esperança de que você possa levar em consideração a visita antes de maio. Menciono este mês porque, no mais tardar, em meados desse mês, tenho que fazer a viagem, já inadiável, à Argélia, Guiné, Bulgária, outros países e à URSS. Esta ampla visita me tomará considerável tempo. Agradeço-lhe muito as impressões que me dá sobre a situação. Aqui, cada dia mais familiarizados, interessados e envolvidos afetivamente com o processo chileno, acompanhamos com muita atenção as notícias que chegam de lá. Agora podemos compreender melhor o calor e a paixão que suscitou a Revolução Cubana nos primeiros tempos. Poderia dizer-se que estamos vivendo nossa própria experiência ao inverso. Em sua carta posso apreciar a magnífica disposição de ânimo, serenidade e valor com que você está disposto a enfrentar as dificuldades. E isso é fundamental em qualquer processo revolucionário, especialmente quando se desenvolve nas condições sumamente complexas e difíceis do Chile. Eu voltei com uma extraordinária impressão da qualidade moral, cultural e humana do Povo Chileno e de sua notável vocação patriótica e revolucionária. Cabe a você o singular privilégio de ser seu condutor neste momento decisivo da história do Chile e da América, como culminação de toda uma vida de luta, como o disse no estádio, consagrada à causa da revolução e do socialismo. Nenhum obstáculo pode ser invencível. Alguém disse que em uma revolução se marcha adiante com 'audácia, audácia e mais audácia'. Eu estou convencido da profunda verdade que encerra este axioma".
COOPERAÇÃO
Escrevi de novo ao presidente Allende em 6 de setembro de 1972:

"Mandei-lhe através de Beatriz uma mensagem sobre diferentes tópicos. Depois que ela partiu e por motivo das notícias que estiveram chegando na semana passada, decidimos enviar o companheiro Osmany para ratificar nossa disposição de colaborar em qualquer sentido, e ao mesmo tempo para que você possa nos comunicar, através dele, sua avaliação da situação e suas idéias em relação à viagem projetada a este e outros países. Os pontos propostos por você, através de Beatriz, já estão sendo cumpridos... Apesar de compreendermos as atuais dificuldades do processo chileno, esperamos que vocês achem o modo de vencê-las. Pode contar inteiramente com nossa cooperação. Receba uma saudação fraternal e revolucionária de todos nós".
Em 30 de junho de 1973, enviamos um convite oficial ao presidente Salvador Allende e aos partidos da Unidade Popular para a comemoração do 20º aniversário do ataque ao Quartel Moncada.
Em carta à parte, lhe disse:
"Salvador:
"O formidável seria que você pudesse vir a Cuba nessa data. Pode imaginar o que significaria isso em alegria, satisfação e honra para os cubanos. Sei que isso, no entanto, depende mais que nada dos seus trabalhos e da situação. Deixamos isso, portanto, à sua consideração. Ainda estamos sob o impacto da grande vitória revolucionária do dia 29 e do seu brilhante papel pessoal nos acontecimentos. É natural que muitas dificuldades e obstáculos existirão, mas estou certo de que esta primeira prova bem-sucedida lhes dará grande fôlego e consolidará a confiança do povo. Internacionalmente deu-se grande destaque aos acontecimentos e aprecia-se como um grande triunfo. Atuando como o fez em 29, a revolução chilena sairá vitoriosa a qualquer prova por mais dura que seja. Reitero-te que os cubanos estão a seu lado e que pode contar com seus fiéis amigos de sempre".
FIRMEZA E HONRA
Em 29 de julho de 1973, envio-lhe a última carta:
"Querido Salvador:
"... Vejo que agora estão com a delicada questão do diálogo com a D.C. em meio a acontecimentos graves como o brutal assassinato do seu assessor naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino, por isso, a grande tensão existente e o seus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para que, caso se desencadeie a luta e, se possível, achar um caminho que permita levar para frente o processo revolucionário sem guerra civil. Estes são propósitos louváveis. Mas, se a outra parte, cujas intenções reais não estamos em condições de avaliar aqui, se empenhasse numa política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de ser pago pela Unidade Popular e pela Revolução, o que é, inclusive, bastante provável, não esqueça um só segundo a formidável força da classe operária chilena e o respaldo enérgico que lhe deu em todos os momentos difíceis; ela pode, a seu apelo à Revolução em perigo, paralisar os golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir, de uma vez, se for preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber que ela está em alerta e pronta para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na capital a seu favor, ainda que outras circunstâncias sejam desfavoráveis.
"Sua decisão de defender o processo com firmeza e honra ao preço de sua própria vida, que todos sabem que é capaz de cumprir, arrastará para seu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Seu valor, sua serenidade e sua audácia nesta hora histórica de sua pátria e, sobretudo, sua liderança firme, resoluta e heroicamente exercida, constituem a chave da situação.
"Reitero-lhe o carinho e a infinita confiança do nosso povo".

Escrevi isto um mês e meio antes do golpe. Os emissários eram Carlos Rafael Rodríguez e Manuel Piñeiro.

Pinochet conversou com Carlos Rafael. Tinha simulado lealdade e firmeza similares às do general Carlos Pratts, comandante-em-chefe do Exército durante um tempo do mandato do governo da Unidade Popular, um militar digno que a oligarquia e o imperialismo puseram em total crise, obrigando-o a renunciar ao comando, e foi mais tarde assassinado na Argentina pelos sicários da DINA, após o golpe fascista de 1973.

Eu desconfiei de Pinochet assim que li os livros de geopolítica que me presenteou durante minha visita ao Chile e observei seu estilo, suas declarações e os métodos que, como chefe do Exército, aplicava quando as provocações da direita obrigaram o presidente Allende a decretar Estado de Sítio em Santiago do Chile. Lembrava o que Marx advertiu no 18 Brumário.

Muitos chefes militares do exército nas regiões e seus estados-maiores queriam conversar comigo, aonde quer que chegasse, e mostravam notável interesse pelos temas de nossa guerra de libertação e as experiências da Crise dos Mísseis em outubro de 1962. As reuniões duravam horas nas madrugadas, que era o único tempo livre para mim. Eu acedia para ajudar Allende, incutindo-lhes a idéia de que o socialismo não era inimigo dos institutos armados. Pinochet, como chefe militar, não foi uma exceção. Allende considerava úteis estes encontros.
Em 11 de setembro de 1973, morre heroicamente defendendo o Palácio de La Moneda. Combateu como um leão até o último fôlego.

Os revolucionários que ali resistiram à investida fascista contaram coisas fabulosas sobre os momentos finais. As versões nem sempre coincidiam, porque lutavam de diferentes pontos do Palácio. Ademais, alguns de seus mais próximos colaboradores morreram ou foram assassinados após o duro e desigual combate.

A diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que os últimos disparos os fez contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros que sua morte se deu por fogo inimigo. O Palácio ardia atacado por tanques e aviões para consumar um golpe que consideravam trâmite fácil e sem resistência. Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever. Em nossas guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair prisioneiros.

Hoje se completa um século de seu nascimento. Seu exemplo permanecerá.
Fidel Castro

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Las FARC, hoy más que nunca

Um homem do povo: O guerrilheiro mais velho do mundo, morreu como um revolucionário, lutando.


São em momentos difíceis como este que não podemos de deixar de dizer, de forma fraterna, aos nossos camaradas, o que não concordamos, em defesa do que continuamos acreditando, por isso apresentamos o artigo de Célia Hart que expõe os argumentos que assinamos em baixo relativo ao tema das FARC e as posições dos camaradas Fidel e Hugo Chávez.



Las FARC, hoy más que nunca
Celia Hart


“En una revolución se triunfa o se muere, si es verdadera”
Che Guevara

I El Vaivén de la historia

Se nos acerca el 55 Aniversario del 26 de Julio. Cuando por medio de las armas que pudieron conseguir con irrepetible sacrificio, un grupo de chiquillos decidieron asaltar el segundo cuartel de la tiranía de Batista, uno de los baluartes más prominentes del imperialismo en la América Nuestra.

Ni las historias contadas o por contar; ni la imaginación por fértil, alcanzarían nunca para dejar de sorprendernos frente a tanto valor, tanto desprendimiento personal y tanta madurez política.
Y aquí estamos, gracias a la entereza de aquellos que eran tildados de “locos” de un lado al otro del espectro político de la época. Podemos ver imágenes dantescas de torturados y asesinados, cuando parecía que todo se iba a perder. Incluidas la imagen de dos mujeres que perdieron todo lo terrenalmente posible en aquel episodio, ganaron por supuesto, el cielo a cambio.

La historia tiene entre otros encantos de volver a recrearse. Y es esta su principal virtud: Poderla usar para comparar, asociar, y usar como referente. Su otro rostro, es guardarla en las academias volviéndonos sabios portentosos….también importante, pero esta segunda, no la aprecia Dios de igual manera.

El reformismo de izquierda actual (que bien merecería un estudio sociológico moderno), éste que se ha despintado con frases liberales, que apela constantemente a la relatividad de los acontecimientos para justificar muchas cosas; ese que precisamente que dice en una frase “eran otros tiempos” y a nombre de la relatividad cambian las ideas y los discursos en lo que dura un amanecer, no nos va a entender. El propio Nicolás Maquiavelo se habría espantado de esa forma pueril de hacer política.Claro que los análisis históricos deben ser contextualizados en tiempo y espacio, pero los principios revolucionarios: nunca. Los principios son absolutos. ¡Si ellos, los reformistas modernos, supieran que la Relatividad Especial, de Albert Einstein se basa en lo fundamental en una invariante, que es la velocidad de la luz hablarían un poco menos!

La constancia de c= 300 000 Km. por seg. es la piedra angular de esta bendita teoría.La velocidad de la luz es inmutable; no depende del sistema de referencia. Así es la consecuencia, inmutable, independiente de las referencias. La naturaleza y el corazón siempre usan las mismas leyes.
Y es por eso que mi 26 de Julio, día de la rebeldía nacional, día en que la juventud cubana recordó armas en mano, (por cierto ARMAS EN MANO) a José Martí, yo lo deseo celebrar con toda mi alma con los guerrilleros, sindicalistas, y combatientes en general de la hermosa Colombia.

Y lo hago precisamente no porque estén en aparente minoría, inclusive en la izquierda precisamente por todo lo contrario. Lo hago porque están siendo criticados por personas respetadas por todos nosotros Lo hago precisamente en nombre de él, del más respetados de todos… de mi Fidel. Fidel Castro que lideró la revolución cubana, la revolución más duradera y BONITA de la historia humana.

Celebro éste, mi 26 de Julio, al lado de ésos, los olvidados de siempre, estén secuestrados en mazmorras colombianas; estén en las cárceles sionistas, incluso con esos, los rehenes de las FARC, que ahora son olvidados por todos en nombre del rescate de la golondrina, que nunca hará verano.La guerrilla más larga de la historia, enclavada en el epicentro más importante de América como trampolín del Imperio, merece mucho más compromiso revolucionario y apoyo de esta aguada izquierda.

¡Incluso para las pertinentes críticas que podemos y debemos hacerles!, pero estando desde el mismo lado de la barra y no en el lado cambiante, dudoso, y efímero de la ya muy triste y desgastada política del salón de la diplomacia.

II Mi Comandante y la Paz Romana

Repetir no quiero, ni comentar, las reflexiones de mi Comandante Fidel en relación a las FARC y a sus líderes históricos (1). Y no es por temor, eso lo saben todos; es por profundo dolor. Los dedos no se deslizan con dolor por las teclas. Y Dios sabe que yo necesito, y quiero a Fidel. Lo quiero mucho, pero mucho más que al Sol y a todo el firmamento junto...
A Fidel ya le contestó mi camarada James Petras en sus ocho tesis (2).Aunque discrepe con él en un par de ellas, nadie admitiría, sin mentir de forma descarada, que James Petras es un contrarrevolucionario y que no está con la revolución cubana y latinoamericana. Ha estado con nosotros en las malas; cuando las plumas fluían condenando las medidas que hubimos de tomar en el 2003 en el fusilamiento de los tres raptores de aeronaves. La tinta de izquierda nos condenaba. Petras, sin embargo nos apoyó.

No coincido con James Petras en desvirtuar que la guerrilla de Colombia no tiene influencia de los episodios de la hermosa guerrilla cubana liderada por “intelectuales” como Fidel y el Che. En eso discrepo con James, pero esto no demerita su profundo análisis, todo lo contrario: Lo refuerza.

Ni Manuel Marulanda era un inculto campesino; ni Fidel y el Che eran intelectuales que jugaban con pistolitas de agua: Los tres fueron guerrilleros comprometidos con la revolución, que adaptaron sus formas de lucha a la realidad concreta de sus escenarios. Por eso las reflexiones de la Paz Romana de Fidel y las ocho tesis de Petras las dejo hasta aquí. Las lágrimas y el desconcierto son malos consejeros, y mejor darle un minuto al tiempo si es que el tiempo usa reloj, a ver si entendemos estas críticas a un revolucionario como Tirofijo, incluso recién fallecido por el guerrillero más “viejo” de la historia y el mejor revolucionario que vive. Entonces tendremos que leer mil veces las reflexiones de Fidel; lo que dicen entre líneas, pues quiero pensar y sobre todo creer, y más que creer, sentir, que algo más que criticar a las FARC y a Manuel Marulanda está entre ellas.

No voy a admitir, aunque la lógica me obligue a hacerlo, que hay cuestiones de Estado de por medio, porque estas cuestiones se hacen polvo frente a los intereses de la revolución que Fidel ha priorizado siempre. . Dijo José Martí:“Por eso el libro importado ha sido vencido en América por el libro natural. Los hombres naturales han vencido a los letrados artificiales El meztizo autóctono ha vencido al criollo exótico. No hay batalla entre la erudición y la barbarie, sino entre la falsa erudición y la naturaleza” (3).Y Marulanda era eso….un hombre natural de Nuestra América

III No hay Unión Americana posible, con el enemigo

Álvaro Uribe es un fascista. Salga reelecto él o su flamante Ministro de Defensa, su señora esposa o sus gatos. El gobierno de Colombia es un gobierno asesino que no merece ser considerado amigo, ni hermano, como mi hermano Chávez le dijo (4).Ni colaborador, ni nada por estilo. El argumento falaz de la Unión Latinoamericana excluye por principios a Álvaro Uribe. La Unión Latinoamericana con los traidores confesos dentro de nuestras filas, sería una ingenuidad (en el mejor de los casos), que ninguno de nuestros buenos muertos va a perdonarnos.

¡Y volvamos a leer a lo que llamó José Martí Nuestra América! Porque América no es un proyecto regional solamente. Lo repito porque en nombre de esa supuesta unidad muchos reformistas nos quieren hacer tragar a todos estos gusanejos entre los que se encuentra Uribe y sus ministros aristócratas, la Ingrid Betancourt incluida: Vuelve a decir José Martí
“A los sietemesinos sólo les falta el valor. Los que no tienen fe en su tierra son hombres de siete meses. Porque les falta el valor a ellos se los niegan a los demás (…) Hay que cargar los barcos de esos insectos dañinos que le roen el hueso a la patria que los nutre Si son parisienses o madrileños, vayan al Prado de faroles o al Tortoni de sorbetes (…) ¡Estos hijos de América que ha de salvarse con sus indios, y va de menos a más, estos desertores que piden fusil a la América del Norte que va de menos a más!”(3)Ingrid Betancourt no pasará de hacerse el manucure y aparecerá en revistas de mil colores o programas llenos de detalles estúpidos. Bien y claro dice Pascual Serrano: “Betancourt y familia no han traicionado a nadie, han vuelto a la clase social, política y económica a la que siempre pertenecieron: la burguesía neoliberal adinerada de Colombia” (5)

A la nueva princesa mediática de este extraño verano, Ingrid Betancourt, le podemos enseñar, sin embargo, (si es que no se nos desmaya, o se les quiebren las uñas), de lo que fueron capaces de hacer los fascistas latinoamericanos a decenas miles de mujeres inocentes, lanzadas desde helicópteros al mar; violadas, torturadas por tener que decir lo que nunca supieron. Le podemos enseñar lo que es el secuestro de bebés, a manos de los propios asesinos de sus verdaderos padres; que el Plan Cóndor instauró en este continente y continúa perpetuando su “valiente presidente”.

Frente a esos horrores, el secuestro de la princesa Ingrid en las selvas colombianas, diga lo que se diga, es un hotel Cinco Estrellas. Y no es el pasado: aquel sufrimiento se repite en lo que sufren hoy día las mujeres palestinas, afganas, iraquíes ¡En mi propia tierra! En Guantánamo, baste leer las emotivas palabras de Alejandro Ruiz (6)
El MOSSAD de Tel- Aviv, que mucho asesoró a Uribe; sabe muy bien cómo se tratan a las secuestradas. Ingrid goza de buena salud. Las imágenes de besos y abrazos con los peores mandatarios de este mundo, así lo reflejan.

Ese empeño de salvar a esta princesa puede (diría yo), debería tener cierta influencia logística para rescatar a las mujeres mexicanas asesinadas en Ciudad Juárez; en Atenco, podría ayudarnos a rescatar a niñas despedazadas por las bombas sionistas en Palestina., inocentes incluso por la corta edad; podría ayudarnos al menos a castigar a los culpables de tantos crímenes…Bueno si dadas estas circunstancias del mundo…los culpables… son culpables o las culpables son las niñas por no hacer los deberes, que ya no sé por donde anda el mundo.
IV Para Hugo Chávez

Nadie dudará lo que quiero, respeto y admiro al presidente de la Venezuela Bolivariana. Por ahí andan todas mis múltiples letras, que apoyan ese proyecto y por el que estoy dispuesta a dar la vida.
Pero no basta. La sinceridad es un arma de la revolución, sobre todo porque está avalada por el compromiso... A Chávez le seguí la palabra cuando me faltó la voz de Fidel en aquel espantoso 31 de Julio del 2006 ¿Y ahora que nos dice Chávez? Que los cautivos de Uribe están mejor que los secuestrados por las FARC (4) “porque pueden recibir visitas” ¿Tan sólo eso?
Porque yo le puedo decir a mi camarada bolivariano que conozco a dos cubanos inocentes que por evitar los secuestros, tráficos ilegales de personas, por impedir que siguieran masacrando a un pequeño pueblo, no pueden recibir la visita de sus esposas. Olga y Adriana, las esposas de René y Gerardo dos de los que le llamamos nuestros Cinco.

Ellos dos y sus tres compañeros están secuestrados en Estados Unidos hace diez años ¡Si, secuestrados como lo estuvo Ingrid Betancourt! Pero mucho peor. Y yo lamento que el ejército de Colombia no me ayude a liberarlos de esa selva de hierro. Ellos dos no saben nada de sus esposas. Adriana tuvo que sufrir la más humillante de las vejaciones en Estados Unidos y ser regresada después de largas horas a Cuba sin ver al menos cuántos cabellos había perdido su joven y optimista esposo. Adriana es una de las mujeres más hermosa que he conocido, joven y saludable y tal vez muera sin tener un hijo, a diferencia de Ingrid Betancourt.

También se nos olvida en esta amnesia colectiva, que las FARC liberaron unilateralmente a dos mujeres y que el gobierno más genocida del Continente secuestró al pequeño Enmanuel. Ese niño nació en la selva y todavía nadie me dice que fue producto de la violación o que Clara Rojas tuvo un acto amor bajo las estrellas. Clara no nos dice si fue maltratada, o simplemente abrazada por un militante de las FARC, el cual mereció ser además, padre de su hijo.

Esa historia de amor o desamor, merece un guión cinematográfico mejor que el del supuesto rescate de Ingrid Betancourt
V Ingrid se libra de nosotros... y nosotros de ella
Ingrid está libre .Con sinceridad me alegro. No sólo por ella, su familia, y sobre todo por su niño. Más aun, porque los camaradas de las FARC y nosotros estamos a su vez “libres” de la Betancourt.

Hay sin embargo un pueblo entero secuestrado en Colombia, y nadie lo rescata. Me niego a aceptar hoy, tan sólo porque estamos en vísperas del 26 de Julio, que ese pueblo pague las cuentas por de los uniformes de las FARC o el ELN, por mi bandera rojinegra Rearmemos, entonces la guerra.

Después del desastre militar del asalto al Moncada, los cubanos reestructuramos la guerra. Sí: porque se llama guerra. Mientras haya injusticias y asesinos sueltos habrá guerra. Eso lo entiende mi hijo de o­nce años.Mi tío Enrique Hart murió tratando de activar una bomba en 1958.

Cierto es que en Cuba por circunstancias específicas, el llamado “terrorismo” no dañó a ningún inocente, dañó a los propios combatientes revolucionarios incluyendo al propio tío Enrique. Pero nunca se evitaron ¡y qué me desmientan! métodos irregulares de lucha. En eso acuerdo con James Petras cien por cien: la revolución no se hace con rosas…con rosas se conquista el amor, si es que tanto desastre en la Tierra nos deja algún tiempo para amar y cultivar rosas.

Si fuese cierto, (eso que las guerrillas son las generadoras de la prepotencia del Imperio), el sufrimiento del pueblo palestino, o de Irak es culpa ¿de quien? ¿De cuál guerrilla? Si seguimos la ruta de los pretextos para que no nos agraden ¿quién es culpable del destrozo del mundo? ¿nosotros? ¿Los revolucionarios seríamos los culpables del cambio climático, del alza de los precios del combustible y que se nos mueran por falta de piedad los osos polares y miles y miles de especies vivas? Esto es tan sólo por ley transitiva.

Pero Fidel Castro, (mi Fidel), dijo una vez frente a una multitud congregada en La Habana “Cese la filosofía del despojo y cesará la filosofía de la guerra” (7) Y despojo es lo que está sufriendo el pueblo colombiano. Despojo es lo que estamos sufriendo todos nosotros. Despojo incluso, de nuestras propias conciencias.

Ingrid, la princesa de este extraño verano dijo que Uribe era un gran presidente. Lo menos que podía hacer, luego de ser liberada de las “feroces garras” de las FARC, sería pedir clemencia para las centenas de prisioneros que están en cárceles en su propio país, o en los Estados Unidos. Pedir cuentas por las muertes y asesinatos de ese ejército a colombianos, y darle menos felicitaciones… que realmente sabemos que el rescate no fue como lo pintan.

Pero los medios de comunicación se han convertido armas de exterminio en masa. Nos someten con sus facturas, sus imágenes, y sus palabras.

VI El Che y Rafael Correa

Y como decía al principio, la historia es como las olas del mar: suben y bajan…los pescadores sabios lo saben, y esperan a que sea el momento de tender el redil. Dijo el presidente del Ecuador Rafael Correa: Ése por el que todos (y todas, sobre todo, TODAS seríamos capaces de lavar el cielo con baldes) "Saben quiénes son los mejores apoyos, las mejores bases para Uribe: las FARC pues, por todas las tonterías que hacen, le dan más popularidad"(8)

¿La popularidad de Uribe se las da las FARC?, ¡Vivir para ver!, pues si así fuere bien valdría que Uribe les pague algo de lo que le llega por diversos conductos dudosos a los guerrilleros.No lo creo, como no creo que el atraco del primero de marzo de este año, donde asesinaron a boca de jarro a varios guerrilleros e hirieron a civiles, y después a un campesino ecuatoriano, sea consecuencia de la existencia de las FARC.

Rafael Correa estuvo muy preciso en aquella Asamblea de la OEA en marzo de este año cuando se negó a aceptar las justificaciones de terrorismo para agredir a su país.Si algo nos cautiva de Rafael Correa es que no enarbola militancia política alguna para defender sus principios, defender su país y enfrentarse al Imperio.Pero con la princesa de este verano, Correa no hubo de cautivarnos: "¡Qué bueno porque ha sido liberada (Betancourt) y qué mal que hanquedado las FARC!” (8).

La Ingrid, sin embargo felicitó y apoyó al ejercito colombiano por el atraco del Primero de Marzo en territorio ecuatoriano, acto que el propio Correa calificó como de las peores acciones cometidas en América. La ex rehén de las FARC estuvo de acuerdo con la humillación, el irrespeto, el latrocinio, cometido en la tierra de Rafael Correa. Mas no es éste el mayor desacierto del presidente del Ecuador ¡El de Correa fue mayor que el de Hugo Chávez!
Rafael Correa apeló al “Santo” menos apropiado para descalificar a los guerrilleros. Al Santo que es imposible mencionar casi, si no se lleva fusil en el hombro; o si no se derrama una lágrima por la impotencia de no ser capaces de seguir su camino, mencionó al Che Guevara en vano. Al Che no se le menciona, y menos aun en contra de una guerrilla en América Latina ¡Con rehenes o sin ellos!

Correa es cristiano y sabe lo que es mencionar el santo nombre de Dios en vano El Che Guevara es el Dios de los revolucionarios… si es que tuviésemos alguno.Y veamos entonces lo que dijo Él, el Che“el poder es el objetivo estratégico sine que non de las fuerzas revolucionarias y todo debe estar supeditado a esta consigna. (9)

Las FARC –EP y el ELN tratan de hacerlo. De lo que se trata es de tomar el poder y no tan sólo el gobierno queridos míos El gobierno es apenas el primer paso… si es que logrado así es un paso.Nuestro Rafael Correa no debe, ni puede creer que Uribe se hace fuerte por las posiciones “terroristas” de las FARC. Uribe se hace fuerte por la IV Flota imperialista en las costas caribeñas; se hace fuerte porque ya a los revolucionarios parece que se nos acaban los recursos…hoy que hasta Fidel Castro critica el uso de los fusiles.Estuvimos al lado de Correa aquel primero de marzo y en su actitud de principios frente al mentiroso de Álvaro Uribe, que sigue mintiendo.

Todos adoramos que el economista Rafael Correa ocupara el asiento de presidente del Ecuador. ¿Cómo que ahora invoca al Che contra las FARC?Ya dije que desapruebo que tengan rehenes, pero de ahí a avergonzarlos con el Che hay buen tramo. Y es tramo muy triste.
Rafael Correa ha usado el Santo Nombre del Che en vano. Y ya ven; hasta la princesa de verano, Ingrid aprueba lo que los fariseos del ejército colombiano cometieron contra la tierra de Manuelita Sáenz….

Ésa que sí fue una verdadera princesa, de las que ya no existen y supo alertar a Bolívar de Santander. Manuelita, la libertadora de América que murió pobre y olvidada. A ella que nadie rescató…tan sólo la historia.

VII Y al final sólo el Che“Llevada la discusión al terreno de América, cabe hacerse la pregunta de rigor: ¿Cuáles son los elementos tácticos que deben emplearse para lograr el gran objetivo de la toma del poder en esta parte del mundo? ¿Es posible o no en las condiciones actuales de nuestro continente lograrlo (el poder socialista, se entiende) por vía pacífica?Nosotros contestamos rotundamente: en la gran mayoría de los casos no es posible. Lo más que se lograría sería la captura formal de la superestructura burguesa del poder, y el tránsito al socialismo de aquel gobierno que, en las condiciones de la legalidad burguesa llega al poder formal, deberá hacerse en medio de una lucha violentísima contra todos los que traten, de una manera u otra, de liquidar su avance hacia nuevas estructuras sociales.” (9)
Nota final

Vía electoral, lucha armada, huelgas o poemas de amor si les apetece. Pero, ¿Cómo los derrotamos? Porque habrá que derrotarlos alguna vez si de verdad queremos salvar la Tierra, a los osos polares, los Pandas, y las ballenas…para no mencionar esta especie tan olvidada que es el hombre y que muere día a día por sus propias manos y sus propias ideas. Para no mencionar este cruel suicidio colectivo. La guerra va a seguir ¡Dios mediante!, porque seguirá la filosofía del despojo y con ella, como dijo mi Comandante Fidel…la filosofía de la guerra

Todas las vías son bienvenidas si el objetivo es liquidar a éstos, los asesinos de los niños, de las mascotas, las abejas y las aguas del mundo. Éstos que quieren hacer festival por la liberación de una…de una sola, y de la menos dañada de las víctimas del mundo.¡Propongan ustedes!…. Mi palabra es una; aunque con esto ande en contra de nuestros mejores hombres… Revolución ¿La vuestra?

Gracias a las FARC y al ELN y a todos los que luchan por mantener vivas estas esperanzas, que son las que me hacen vivir, y hacen vivir al mundo.


Referencias

(1) Fidel Castro La paz romana Rebelión 6 de julio 2008

(2) James Petras Fidel y las FARC Rebelión 12 de julio 2008

(3) José Martí Nuestra América Revista Ilustrada de Nueva York 30 de enero de 1891 (Obras escogidas; tomo II Editora Política La Habana 1979 pág 519
(4) Hugo Chávez Chávez a las FARC: La guerra de guerrillas pasó a la historia; es hora de liberar a todos los rehenes Telesur 10 de junio 2008
(5) Pascual Serrano La traición de Ingrid Rebelión 5 de Julio 2008
(6) Alejandro Ruiz Ingrid no pasea por Guantánamo Blog Venezuela Cantaclaro 13 de Julio 2008
(7) Fidel Castro Discurso pronunciado en Naciones Unidas New York 1959
(8) Rafael Correa Declaraciones Resumen Latinoamericano 5 de Julio 2008
(9) Ernesto Guevara Táctica y Estrategia de la revolución latinoamericana (Octubre- Noviembre 1962) Publicado en Verde Olivo , 6 de Octubre 1968

terça-feira, 15 de julho de 2008

Economia Solidaria como movimento social contra hegemônico






O potencial da Economia Solidária como um novo movimento social alter-mundista, contra hegemônico é um tema ainda pouco analizado. Conhecida como uma prática de trabalho e produção que resgata os principios da autogestão da produção, a Economia Solidária vem crescendo na América Latina como uma alternativa oriunda da ação coletiva dos traqbalhadores e trabalhadoras excluídos do sistema capitalista hegemónico. A Economia Solidária não apenas tem avançado no campo produtivo mas sobretudo na sua própria organização política através de Redes e Foruns, de âmbito nacional e internacional. Em um contexto de econômica gobalizada, existe uma necessidade de globalizar a ação política de fortalecimento desta outra economia, o que torna a Economia SOlidária um potencial movimento social com perspectiva emancipatória, articulado a outros movimentos como de mukheres, juventude, movimento de luta pela terra; desempregados assim como apresenta alternativas de desenvolvimento econômico local e sustentável a partir da autogestão. O texto abaixo é uma parte do projeto de pesquisa de doutorado que estou realizando na Universidad de Granada sobre Economia Solidária como Movimento Social contra-hegemônico.


ECONOMÍA SOLIDARIA: ¿UN NUEVO MOVIMIENTO SOCIAL CONTRA HEGEMÓNICO?
Paulo Marques


Para comprender los factores que contribuyeron al crecimiento de la economía solidaria en Latinoamérica es necesario hacer un breve resumen de los cambios económicos acontecidos en el continente en las últimas dos décadas.

Según un estudio de Dupas sobre el contexto económico de América Latina en las dos últimas décadas la trayectoria de desarrollo económico y social de las naciones latinoamericanas evidencia su distanciamiento del mundo desarrollado, así como también de la región asiática. “Esto se expresa tanto en función de un crecimiento mediocre, próximo a la estagnación en términos per capita, como a raíz de las consecuencias económico-sociales provocadas por la forma de inserción en el mercado global ( Dupas, 2005:29).

Iniciado en la transición de la década de 1980 a la siguiente, el proceso de globalización latinoamericano fue encarado como la única salida posible para la crisis de endeudamiento externo deflagrada por el colapso mundial de principios de los años 80 y por los procesos hiperinflacionarios que devastaban a algunos de estos países. En el transcurrir del período, los principales países de la región fueron adoptando las políticas recomendadas por el Consenso de Washington[1].

Tras quince años de aplicación del “Consenso de Washington” que propició un crecimiento mediocre e inestable en todos los países de Latinoamérica, es posible avaluar ahora las consecuencias de este modelo de inserción en la globalización a partir de las premisas neoliberales. Conforme señal Dupas, “Desde el punto de vista de la estructura productiva y de los grupos de control, la adopción de una política liberal amplia, rápida y radical condujo a estas economías- principalmente as de mayor envergadura- a una desestructuración de la antigua base productiva, pues estaba disociada de cualquier estrategia de desarrollo nacional”(Dupas, 2005:36).

Sin embargo, las grandes corporaciones transnacionales adquieren una posición hegemónica en la región, ya sea mediante la adquisición de empresas estatales, ya sea por la absorción de las empresas comandadas por la incipiente burguesía nacional que en gran parte pasa a actuar con una condición de asociada subalterna de las grandes corporaciones, con rasgos más mercantiles que propiamente industriales. ( Dupas, 2005: 36)

La simbiosis de intereses entre la comunidad financiera y las autoridades económicas gubernamentales se constituyó en un elemento singular de esta nueva época y parece ser la razón por la cual los países latinoamericanos vienen conduciendo el proceso de globalización entrado en la dimensión financiera( Dupas, 2005: 37).

En relación a la composición y evolución de las clases sociales latinoamericas el escenario presentado por Dupas no deja duda de los efectos sociales de 20 años de políticas neoliberales, caracterizada por un notable incremento de la desigualdad de renta, por la concentración persistente de la riqueza en las clases mas ricas de la población, por la rápita expansión de la clase de microempresarios, por la reducción del empleo público y estancamiento del sector formal(Dupas, 2005: 39).
El sector más afectado fue sin duda la clase trabajadora. Estudios realizados sobre las cuestiones laborales apuntaron que de los empleos formales generados en Brasil entre 1985 y 2002, la mitad fue en el sector publico, quedando el sector privado con la contratación de puestos de trabajo más precarios, tales como por tareas y temporarios. “Como se podía esperar, hubo estagnación de los puestos de trabajo en la industria como un todo; mientras que, en el caso de loso grandes y medianos establecimientos de la industria de transformación de la región sudeste (las más industrializada de país) ocurrió una caída de un millón de puestos de trabajo formal en el mismo período" ( Conztanza, 2004: 200)

Del punto de vista del desarrollo económico y social, conforme muchos analistas, las dos ultimas décadas del siglo XX fueran perdidas para América Latina, lo que llevó a un proceso de desempleo en masa, cierre de miles de empresas y reducción de la producción y del empleo, calculase en millones el número de puestos de trabajo eliminados en todo el continente.

Pese a la fuerte “modernización” por la cual han pasado las economías de los países latinoamericanos en los últimos 15 años, persiste en la región un cuadro grave y creciente de miserabilidad de sus sociedades, incentivando indirectamente, a mediano y largo plazo, parcelas crecientes de la sociedad a utilizar mecanismos alternativos de sociabilidad en actividades que exceden los marcos legales del Estado, incrementando los índices de marginalidad.
Sin embargo, tenemos la reacción a ese cuadro de crisis por parte de la clase trabajadora a través de la práctica de la economía solidaria. Son innumeras las acciones en ese sentido realizadas en América Latina a partir de la década de 1990. En Brasil son organizadas por movimientos como el MST – Movimiento de los sin tierra, que empiezan a construir cooperativas populares en el medio rural, en medio urbano en Argentina y Brasil son organizadas cooperativas de producción en empresas en proceso de falencia. Otra iniciativa en ese sentido es la creación de muchas cooperativas populares urbanas por parte de la CUT, mayor central obrera de Brasil.

También fortalece la economía solidaria como propuesta alternativa a los efectos de las políticas neoliberales el Foro Social Mundial, que constituyen en momentos polarizador, que posibilitan el avance de la creación de identidades de los protagonistas de la economía solidaria. Según Paul Singer, uno de los más conocidos investigadores de la economía solidaria de Brasil, el crecimiento de esas prácticas de producción y trabajo autogestionario es fruto de la diversidad y multiplicidad de experiencias:

En la medida en que las luchas fueran se desarrollando, hubo un esfuerzo creciente ( y aún no finalizado) de desarrollar una teoría de una “otra economía”, basada en la pose colectiva de los medios de producción por unidades asociativas que poden asumir o no la forma de cooperativas, pues allá de los emprendimientos productivos, compone la economía solidaria otras iniciativas como las organizaciones de micro finanzas, cooperativas de consumo, clubes de cambios, empresas recuperadas de autogestión, entre otras” (Singer 2006: 202).

En ese sentido que esas propuestas de superación de los problemas sociales que caminan hasta la formación de nuevos movimientos sociales, tienen un papel fundamental en los procesos de cambio. Desde el enfrentamiento a las políticas de exclusión del liberalismo hasta la construcción de propuestas y acciones colectivas de carácter político constituye en esos primeros años del siglo XXI una novedad en diversos países, con importancia para lo que ocurre en estos momentos en América Latina.

El fortalecimiento de los movimientos sociales en Latinoamérica no es un hecho aislado del conjunto de movimientos sociales que avanzan en las más diferentes partes del mundo sino que es parte integrante de lo que se denomina ahora de movimientos antiglobalización o contra-hegemónicos. No es posible comprender los cambios políticos en América Latina actual, con la elección de gobiernos progresistas y de nítido carácter de izquierda, sin llevar en consideración el papel de los movimientos sociales en ese proceso.

Lo que caracteriza la composición de la economía solidaria en América Latina es su origen de clase, básicamente compuesta por trabajadores(as) desempleados(as) e informales, que crean emprendimientos colectivos, organizado a partir de los principios de la autogestión y democracia participativa en las relaciones de producción y organización del trabajo. Son principios antagónicos al capitalismo, por ello tiene una potencial crítica práctica hacia la propia sociabilidad capitalista orientada por los valores de la competición, individualismo y acumulación privada del capital a cualquier costo.

En este sentido, la economía solidaria en América Latina, adquirió un fuerte sentido de crítica práctica inserta en el contexto de las nuevas formas y movimientos sociales, cuya mayor expresión fue el proceso del Foro Social Mundial que proporcionó un espacio de amplificación de esas prácticas contra-hegemónicas como alternativa a la lógica capitalista.

A partir de este contexto, rápidamente la vanguardia del movimiento de la economía solidaria, es decir, los nuevos actores sociales que asumirán la dirección de ese proceso organizativo-político, principalmente las ONGs, pudieran crear espacios de articulación y movilización en torno a este tema. Los foros de economía solidaria y las redes constituidas, representan formas de auto-organización que van creciendo tanto en movilización social; así como en fuerza política junto a los poderes públicos y la sociedad, no sólo en el ámbito nacional, sino también internacional, en la medida que muchas redes se estructuran como articulaciones supranacionales.

Todavía el debate sobre las posibilidades de la economía solidaria viene a constituirse como un nuevo movimiento social basado en una praxis de acción colectiva, con capacidad política de constituirse en un proyecto de desarrollo económico sustentable, justo y solidario, ha sido poco explorado en las investigaciones sobre este tema, de la misma forma el análisis del papel protagónico del movimiento y sus nuevos actores sociales en la construcción de alternativas de desarrollo económico local.
En ese sentido, abordaremos algunos elementos que caracterizan esa nueva economía, sobre todo, a partir de su significado conceptual y político.

Economía solidaria como práctica contra-hegemónica

A partir de la práctica que realizan -trabajo y producción colectiva basada en la autogestión- y de los actores y procesos políticos que empiezan a crear, así como su proyecto y programa ¿Es posible identificar la economía solidaria como un nuevo movimiento social contra-hegemónico? ¿Qué es, de facto, ser contra-hegemónico? ¿Todas las personas o grupos que luchan en contra la hegemonía son por consecuencia emancipadores?

Para intentar encontrar algunas respuestas es necesario apuntar dos elementos: la aproximación teórica sobre el concepto de hegemonía y contra-hegemonía y la autodefinición del propio movimiento de la economía solidaria.
Podemos buscar los orígenes del concepto de hegemonía entre los autores marxistas; el propio Karl Marx utilizó el termino en algunos momentos de su amplia elaboración teórica, entretanto, no lo desarrolló como concepto. Se hace pertinente el uso de ese termino porque la teoría marxista defiende que la conciencia no puede estar separada de la existencia material, ya que el ser humano es un producto del medio, o sea, de su forma de vida, de su trabajo y de su clase social. De este modo, todo el conjunto de factores que abarca nuestra existencia es determinante para la elaboración de una conciencia general que lleva a las personas a interpretar la vida de una cierta manera y aceptarla como legítima.

Fue el italiano Antonio Gramsci que utilizó el término hegemonía en un tipo especial de concepto teórico, el cual es clave en su obra, y desde allí pasó a influenciar gran parte de la literatura que trabaja con las formas de control y ejercicio de poderes sobre las sociedades. A partir de las ideas defendidas por Marx, según las cuales las ideas dominantes en una sociedad son las ideas de la clase dominante, Gramsci hice una análisis de la sociedad capitalista en que la hegemonía burguesa amplia su influencia a la mente y a las actitudes de las personas en el ejercicio del controlo político y económico de la sociedad.

La hegemonía es un sofisticado instrumento de control que sirve a los intereses de la ideología burguesa. A partir de ese planteamiento se puede añadir que la contra-hegemonía es un proceso de construcción de una contra-influencia, una nueva visión del mundo, en el campo político, cultural y económico, o sea, una idea fuerza capaz de sustituir los valores y principios antes hegemónicos en la sociedad.

En un estudio sobre la economía solidaria, Luis Razeto, utiliza ese concepto de Gramsci para analizar como un movimiento social construye una contra hegemonía. Ese autor aborda la cuestión de los desafíos de la economía solidaria para llegar a constituirse como proyecto hegemónico; según Razeto, Gramsci identifica tres grandes etapas o fases que todo movimiento social que plantea un proyecto alternativo debe transcurrir:

La primera es la fase de la escisión, que puede ser también diferenciación u separación, donde el movimiento busca expresar su propia identidad, mostrar que es distinta y afirmar su diferencia en relación a quienes busca superar. Según Razeto esa “es una fase primitiva, pues mientras se está separada no se está en condiciones de transformar la realidad, se está solamente creando condiciones para ser protagonista, para ser actor, sujeto”.

Cuando se ha completado la fase de la escisión, o sea, cuando ya se tiene una identidad, se tiene una claridad respecto al que se es, en ese caso, cuando se tiende a pasar a una segunda fase, que es la fase del antagonismo.
En la fase del antagonismo se identifica como la etapa en que “el movimiento empieza a combatir la otra realidad, desde la cual se ha separado: se lucha contra, se le critica, se la denuncia, se desarrolla una acción de lucha, donde se está antagonizando el adversario”. Pero Razeto señala la advertencia de Gramsci según el cual en esa fase hay un gran peligro de que uno se subordine y pierda, y le introduzcan “contrabando ideológico”, y le introduzcan maneras de pensar o racionalidades que no son las propias. Otro peligro es el dogmatismo, pues hay un gran esfuerzo, como muy dogmático, para evitar cualquier contaminación, porque cualquier contaminación debilita el antagonismo.

Para Razeto esa fase del antagonismo puede ser considerada como una primera fase de la economía solidaria, en la cual se está experimentando la dependencia del adversario, porque uno se está definido “contra” o “anti”, como “anticapitalista”, “otra economía”. Pero todavía hay una definición a partir de una negación.

Al contrario, afirma Razeto es la tercera fase, que para Gramsci era la más necesaria para que cualquier movimiento alcance la capacidad de transformar la realidad que es la autonomía. En esa fase no hay sólo separación y antagonismo, sino autonomía que consiste en elevarse a un punto de vista superior, que no es lo mismo que separación u independencia.

Según Razeto la autonomía es el mayor desafió de un proyecto pues “se llega a acceder a un punto de vista más alto, superior, más comprensivo; no solamente estar fuera, que es la separación, no solamente estar contra, que es antagonismo, sino estar sobre, o sea, haber alcanzado una visión más amplia y ser capaz, por lo tanto, de valorar incluso al adversario, de aprender algunas cosas de él y empezar a captarlo, a ganarlo, ya no tener temor de ser absorbido, sino empezar a absorber”. ( Razeto, Luis, S/F)

O sea, si construir un proceso contra-hegemónico es ir más allá; es ir en contra la hegemonía de un sistema, pero es también ir en contra los principios creadores del sistema y proponer nuevos valores y paradigmas, la economía solidaria puede ser comprendida como un movimiento contra-hegemónico. Todavía esta situación no da certezas en cuanto a que ese proceso de construcción de una nueva hegemonía (por parte de la economía solidaria) sea posible en la actual coyuntura.
Lo que podemos identificar en esa nueva economía con los actores sociales que en ellas si integran, es la construcción de un movimiento social con una plataforma programática que conforma estrategias de organización y acción política, donde es posible reconocer la búsqueda de un proyecto contra-hegemónico.

Economía solidaria como nuevo movimiento social en construcción: Una autodefinición.


Las formas de organización política de los actores sociales de la economía solidaria son los Foros y redes, caracterizados como espacios abiertos de articulación, elaboración de propuestas y estrategias de acción. Aunque revindique su autonomía como espacios de actores de la sociedad civil, ellos se abren para una relación de interdependencia con los poderes públicos, o sea, permite también la participación de representantes instituciones del Estado.

Tanto los foros como las redes configuran instrumentos político-organizativos que articulan el “campo” o “universo” de la economía solidaria. La complejidad del campo de la economía solidaria actualmente refleja en diferentes formas de expresión y organización autónomas de sus actores, o sea, allá de la unidad en torno de los principios de la Economía Solidaria, cada organización y entidad tiene su autonomía organizativa con sus ideologías y concepciones. En ese sentido es un espacio que no se configura como un campo de consensos, mas si de distintas visiones cuando al significado político de la economía solidaria.

A partir de esa diversidad de sujetos y “visiones” ¿Cómo es posible comprender el significado de la organización política de la economía solidaria? Entendemos que un camino para comprender ese proceso es señalado por Castel, según el cual “los movimientos sociales han de comprenderse en sus propios términos: a saber son lo que dicen ser. Sus prácticas (y sobretodo sus practicas discursivas) son su autodefinición”.

Este planteamiento, destaca Castell, nos evita la complicada tarea de interpretar la “verdadera” consciencia de los movimientos, como si sólo pudieran existir revelando las contradiciciones estructurales “reales”. O sea, “una operación de investigación diferente y necesaria es establecer la relación entre los movimientos, según los define su practica, sus valores y sus discursos, y los procesos sociales a los que parecen estar asociados. ( Castel, 1997, 92-93)

Castell hace hincapié a la topología clásica de Alain Toraiune, que define un movimiento social mediante tres principios: la identidad del movimiento, el adversario del movimiento y la visión o modelo social del movimiento, que yo denomino objetivo social.
La identidad hace referencia a la autodefinición del movimiento, de lo que es, en nombre de que habla. El adversario hace referencia al principal enemigo del movimiento, según lo identifica éste de forma explícita. El objetivo social hace referencia a la visión del movimiento del tipo de orden social, u organización social, que desearía obtener en el horizonte histórico de su acción colectiva (Castel, 1997, 93-94).

A partir de esa línea de análisis planteada por Castel, según cual los propios actores pueden autodefinirse como movimiento, es posible avaluar el movimiento de economía solidaria por sus propios documentos como el caso del Foro Brasileño de Economía Solidaria:

El movimiento de Economía Solidaria ha crecido de manera significativa, no sólo en Brasil sino también en muchos otros países. Su crecimiento se debe a innumerables factores, entre los cuales merece la pena destacar los seguintes:

Resistencia de trabajadores y trabajadoras a la creciente exclusión, desempleo urbano y desocupación rural resultante de la expansión agresiva de una globalización que vuelve a las personas totalmente descartables para el funcionamiento de la máquina de producción y consumo. Tal resistencia se manifiesta, en primer lugar, como lucha por la supervivencia, en la conformación de un mercado informal creciente, donde surgen iniciativas de economía popular, tales como vendedores ambulantes, guardadores de coches y tantos otros emprendimientos normalmente dedicados a la reproducción de la vida y de carácter individual o familiar. Con la articulación de diversos actores, esta resistencia también se manifiesta bajo la forma de iniciativas asociativas y solidarias dedicadas a la reproducción de la vida, pero que van más allá, apuntando hacia alternativas estructurales de organización de la economía, basadas en valores como la vida y la solidaridad y no más en la ganancia y acumulación indiscriminada: ésta es la economía Solidaria que se está construyendo y que va creciendo rápidamente
.

"En nuestro país, el crecimiento de la Economía Solidaria como movimiento- superando la dimensión de iniciativas aisladas e independientes y orientándose hacia una articulación, configuración de redes y lucha común-, da un salto considerable a partir de los Foros Sociales Mundiales, espacio privilegiado donde distintos actores, organizaciones, iniciativas y emprendimientos pudieron construir una integración que culminó en una demanda al recién elegido presidente Lula de creación de una Secretaria Nacional, se ha convocado el III Pleno Nacional de Economía Solidaria o Foro Brasileño , representando este movimiento en el país. Con estos espacios, sumados al Foro Social Mundial, podemos decir que la Economía Solidaria en Brasil ha pasado por un crecimiento y estructuración muy grandes".[2]

En relación a la autodefinición del FBES como representante del movimiento de economía solidaria en Brasil:

"Creado en junio de 2003 en el III Pleno Brasileño de Economía solidaria, el Foro Brasileño de Economía Solidaria (FBES) es hoy el espacio nacional de articulación, debates, elaboración de estrategias y movilización del movimiento de Economía Solidaria de cara al poder público (en los ámbitos federal, estadual y municipal a través de la Coordinación Nacional y de los Foros Estaduales y municipales) y de cara a entidades, redes y articulaciones nacionales e internacionales".

Cuanto a su proyecto y programa el Foro Brasileño, elaboró una Carta de Principios de la Economía Solidaria y una plataforma de la Economía Solidaria que están permanentemente en construcción. Mientras la carta de principio proporciona elementos de fundamentación para el movimiento. La plataforma presenta las principales metas que deben alcanzarse, además de servir como documento de base para la interlocución con la Secretaria Nacional de Economía Solidaria ( SENAES). La plataforma de Economía Solidaria ha sido integralmente acogida por la SENAES en su plan de acción plurianual

Los ejes de acción del FBES son siete:

1- Democratización del conocimiento y tecnología
2- Redes de Producción, Comercialización y consumo;
3- Finanzas solidarias
4- Marco Legal;
5- Educación;
6- Comunicación;
7- Democratización del Conocimiento y Tecnología;

Cuanto a la identificación de los actores sociales protagonistas del movimiento que articulan la organización política del FBES son identificados tres seguimientos sociales: emprendimientos solidarios; entidades de accesoria y fomento, y gestores públicos. Todavía, hay una clara identificación sobre cual es el protagonista principal:


“El principales protagonistas del movimiento son los trabajadores y trabajadoras de los emprendimientos económicos solidarios (EES). Son denominados emprendimientos solidarios las distintas formas concretas de manifestación de la economía solidaria. La principal característica de esos emprendimientos son su heterogeneidad, son cooperativas ( de producción, de servicios, de consumo, de comercialización y de créditos solidarios); asociaciones populares; grupos informales de producción y servicios, empresas recuperadas de autogestión ( empresas capitalistas quebradas recuperadas por los trabajadores) fondos solidarios; clubes y grupos de intercambio solidarios( con o sin utilización de moneda social, o moneda social); redes y articulaciones de comercialización y de cadenas productivas solidarias, agencias de turismo solidario, entre otras. Todos estos emprendimientos se caracterizan por basarse en los principios y valores expresados en la Carta de principios del la Economía Solidaria, entre los cuales se destacan el ejercicio de la autogestión en su organización interna y el hecho de que son supra-familiares en su carácter de actividad económica.” (Documento del FBES)

El otro seguimiento que compone el Foro son las entidades de accesoria y fomento, que normalmente se organizan bajo la forma de ONGs, Incubadoras de Universidades entre otros institutos de apoyo. El tercer segmento es de los gestores públicos, representante de gobiernos estaduales y municipales, están representados en la coordinación del FBES a través de la Red Nacional de gestores de Economía Solidaria.

El planteamiento de los desafíos es muy claro en los documentos de presentacipación del movimiento.

“El gran desafío es el horizonte dado, en gran medida al crecimiento muy rápido de la economía solidaria, es el fortalecimiento del movimiento de economía solidaria: que las personas protagonistas de la economía solidaria puedan verse como parte de un movimiento nacional e internacional, además de la ( ya bastante difícil) lucha por la supervivencia específica de un determinado emprendimiento: esto involucra la necesidad de trabajar la formación de estos actores en los valores y principios de la economía Soldaría y, principalmente, fortalecer los Foros Estaduales y Municipales de Economía Solidaria, de tal forma que el movimiento tenga más capilaridad y articule las distintas experiencias de economía solidaria en el país”.

La consolidación y afirmación de su identidad son los dos grandes desafíos, para los cuales se propone la estructuración y ampliación del movimiento en todo el país como una de las principales estrategias:

Por tratarse de un movimiento que sólo recientemente se ha estructurado de forma orgánica a escala nacional, el movimiento de Economía Solidaria ha debatido intensamente la consolidación y afirmación de su identidad y estruturacicón. Es un consenso el hecho de que el fortalecimiento del movimiento de la Economía Solidaria en el país depende fuertemente de la existencia de Foros Estaduales fuertes, activos y movilizados en sus Estados. El FBES ha conseguido articularse a nivel nacional, y surge ahora como una prioridad su fortalecimiento a niveles estaduales y municipales”

En ámbitos regionales e internacionales la articulación de redes de economía solidaria es uno de los factores que contribuyen para el avance de la economía solidaria en el contexto de los movimientos sociales contemporáneos.
Dos ejemplos de redes supranacionales son la RILESS- Red de Investigadores Latinoamericanos de economía Social y Solidaria que en su página web presentase con el objetivo de "desarrollar una Red de Investigadores Latinoamericanos que trabaje dentro de un marco plural, contribuyendo a la elaboración de proyectos, intercambios y diversas formas de cooperación, facilitando y promoviendo trabajos multidisciplinarios, con el fin de fortalecer las iniciativas colectivas por otra economía, otra sociedad y otra política en América Latina.”
Otra rede con carácter internacional es RIPESS- Red Intercontinental de Promoción de la Economía Social y Solidaria que se presenta en su página web como una Red que procura reforzar dinámicas de intercambios intercontinentales y las diferentes maneras de pensar en la economía social y solidaria. Así como participar en el cambio social por la crítica del neoliberalismo y la promoción de iniciativas innovadoras. La autodefinición de la red contiene también su concepción de la Economía Solidaria:
La Economía Social y Solidaria designa a un conjunto de actividades económicas con finalidad social que participen por la construcción de una nueva manera de vivir y de pensar la economía a través de decenas de millares de proyectos en países del Norte y del Sur. Se desarrollan aquellas actividades tanto en zonas urbanas como rurales, en el sector informal como en el formal. La Red Intercontinental de Promoción de la Economía Social y Solidaria (RIPESS) contribuye a una mejor cohesión entre las prácticas de la economía social y solidaria y aumenta el poder de actuar de los diferentes actores de este sector”.
Las acciones que propone son:

"Reforzar dinámicas de intercambios intercontinentales y las diferentes maneras de pensar en la economía social y solidaria.Promover los principios, valores y prácticas, asi como la puesta en red de actores de la economía social y solidaria.Participar en el cambio social por la crítica del neoliberalismo y la promoción de iniciativas innovadoras adelantadas aspirando al desarrollo desde adentro de la sociedades.Hacer el alegato a favor de la diversidad intercultural, la democracia y la participación popular para el desarrollo comunitario y el completo desarrollo humano.Apoyar, aconsejar y acompañar técnicamente a empresas con finalidad social".

Una mirada en las páginas web sobre las diversas organizaciones de los movimientos sociales, permite que encontremos una gran cantidad de redes y foros como estas dos experiencias que presentamos, pero creemos que estos dos ejemplos sean suficientes para ilustrar este trabajo en la medida que podemos identificar la ampliación y globalización de los procesos organizativo-políticos de la economía solidaria en el contexto actual.

Consideraciones finales

A partir de las consideraciones de Angel Calle que señala que “una metodología de observación de los movimientos sociales no debe ofrecernos leyes sobre el funcionamiento de estos fenómenos, sino herramientas para evaluar tendencias y deconstruir procesos de acción que, paralelamente, contemplen la influencia de contextos específicos” (Calle:2003) intentamos algunas consideraciones finales aunque incompletas y provisorias.
Primero la comprensión de que es posible identificar la existencia de una práctica que se auto-reconoce como movimiento social a partir de sujetos colectivos con identidad, intereses y proyecto asociado a los principios, contenidos normativos , prácticas y propuestas de la economía solidaria.
Un movimiento social, que, por tanto asimila las características de un movimiento de clase- el principal protagonista es la clases trabajadora- retomando así una de las características de los “antiguos” movimientos obreros; sin embargo, asimila también las características de los nuevos movimientos sociales (NMS), con sus formas organizativas horizontales y articuladas en foros abiertos y redes sin centralismo o jerarquía así como mantiene las demandas de los NMS como la cuestión de género, medio ambiente, étnica. O sea, se puede añadir que el movimiento de economía solidaria compone una siéntese de viejos y nuevos movimientos sociales.
Otro aspecto es su característica de práctica local y articulación política global a partir de una plataforma, con programa y principios definidos , que surge en el seno del Foro Social Mundial, o sea, el movimiento de la economía solidaria esta inserido en el contexto de las propuestas alternativas a la globalización capitalista.
Por esas características expuestas, por ahora no es posible afirmar que el movimiento de la economía solidaria avanza hasta una nueva hegemonía, o que supone cambios significativo en diversos ámbitos político, cultural y sobretodo económico, capaz de tornarse alternativa concreta al modelo capitalista de producción. Por lo tanto, lo que se puede identificar en el actual estadio de desarrollo del movimiento es su caracterización como un movimiento de nuevo tipo en construcción, en el contexto de los movimientos sociales del siglo XXI.
El avance político-organizativo de los trabajadores de la economía solidaria es innegable, todavía, la consolidación y capacidad de constituirse como proyecto de sociedad dependerá de un conjunto de factores internos (en relación al propio movimiento) como externo (en relación al contexto político).

En ese trabajo fueron presentados algunos elementos sobre las características del nuevo movimiento de la economía solidaria, situados dentro de lo que denomino como movimiento social contemporáneo. Propuso algunos elementos para futuras análisis donde sea posible una comprensión más sistemática y rigurosa de su estructuración y alcance social, político e histórico.
Aunque hoy se hablen y escriba sobre economía solidaria y sobre los movimientos sociales en Latinoamérica, teóricamente los aportes aún son mucho restrictos y casi inexiste estudios sobre la relación de la economía solidaria y su caracterización como movimiento social.
Este breve estudio que hicimos presentando los principales enfoques y aportes teóricos sobre los movimientos sociales y en particular a los movimientos del siglo XXI, nos permiten afirmar que los modelos europeos y norte-americanos de análisis se presentan problemáticos y distantes de la realidad de América Latina.

Se hace necesario, por tanto, un avance en dirección de la superación de esas limitaciones teóricas, a partir de análisis que comporte las distintas dimensiones del proceso, o sea, su dimensión socioeconómica; político-institucional y simbólica cultural ( Entrena, 2001:206), en el sentido de comprender de forma rigurosa las características particulares de los movimientos sociales latinoamericanos de ese inicio de siglo; avaluando su potencial transformador y su papel en los procesos de cambio social en curso.


[1] El “Consenso de Washington” fue una doctrina formulada a partir de un documento original escrito por John Willianson, en 1990, que proponía una lista de diez políticas que deberían ser adoptadas como mínimo denominador común de las orientaciones de las instituciones internacionales con sede en Washington- especialmente el FMI y el Banco Mundial- para los países latinoamericanos. (Dupas, 2002:10)
[2] Documento distribuído en el Foro Social Mundial, Venezuela, 2006 : Foro Brasileño de Economia Solidária- La Experiência de gestión y organización del Movimiento de Economia Solidaria en Brasil, Enero de 2006.
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