segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Então é NATAL...







Contra-propaganda: Material "anti-publicidade" do grupo Ecologistas en acción, pescado do site consume hasta morir.



Então é natal... sinônimo de consumo, consumo e mais consumo desenfreado. Shopings lotados em busca da "felicidade". Bugigangas de plástico e eletrônicos de última geração. A classe média vai ao paraíso, o mundo é uma maravilha...

Essa questão do consumismo é o assunto de capa da edição de dezembro do Le Monde Diplomatique Brasil, que publica três excelentes artigos sobre o tema:

O primeiro é Consumismo infantil, do professor Yves de La Taille da PUC de São Paulo, que faz uma análise do papel da publicidade voltada para o consumo infantil:

" Em nossa sociedade há um verdadeiro exército publicitário trabalhando ininterruptamente para convencer as crianças a comprar toda sorte de produtos, em especial durante o Natal. Com fotos bem produzidas e indicações de artistas renomados, a propaganda adentra suas defesas psíquicas ainda frágeis e promove ilusões", sustenta o autor.

O segundo artigo é a ótima crônica " Sobre pássaros e lobos", escrita por Ferréz, sobre a lógica das pessoas que vivem no fantástico mundo do consumo:

" (...)Pegou o ônibus da Mercedes e antes de descer no ponto com propaganda da Riachuelo viu 28 placas dos mais diversos produtos. Ao seu lado, um cara usando terno Armani, com sapatos Le Blond, e uma pasta da Past-up, e ainda com um MP4 superior. Mas não foi só isso que o irritou, foi saber que dentro da pasta havia com certeza um laptop. Sempre quis ter um, mesmo que não pense em escrever ou nada disso, mas um laptop, ha !!! Seria legal ter um. Uma palavra tão bonita, só perdia para palmtop, essa era mais elegante(...)".

Para completar a série do Diplô Brasil temos a " A alma do Consumo", do professor Gustavo Barcellos, que aborda o problema desde uma perspectiva da psícologia. Segundo Barcellos,

"A lógica consumista parece ser a de um hipernarcisismo. Se existem deuses nas nossas doenças, quem são eles no consumismo? Comecemos pela necessidade: temos necessidade de quê? De quanto? Não sabemos mais certo, é claro. As medidas enlouqueceram. Movemo-nos agora num mar de necessidades estratégicamente plantadas pelo marketing, necessidades futuras, até chegar ao desnecessário, o extraordinário que é demais. A necessidade delira".

Sem dúvida uma boa leitura para refletir nesse NAtal, sobre o que se passa com o mundo e com quem faz esse mundo ser o que é.

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