segunda-feira, 28 de julho de 2008

VI ENCONTRO INTERNACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA- NESOL/USP


Debate estratégico: o tema do mercado: O Debate reuniu algumas posições distintas e um consenso importante: a Economia Solidária deve ser parte de um projeto político estratégico de transformação da sociedade. Na mesa Prof. Singer, Felipe do Nesol, Jon Sarasua de Mondragón e o economista João Machado.


Prof. Singer: A produção capitalista é majoritaria no sistema, mas não é a única, a Economia Solidária tem condições de ser alternativa.




Tecnologia Livre, Cultura e Comunicação: O VI Encontro Internacional de Economia Solidária do NESOL/USP reuniu experiências de empreendimentos que resistem à lógica concentradora dos monopólios capitalistas. Vicente Aguiar da Coolivre da Bahia, (direita da mesa) e Ociel López da Ávila TV ,de Caracas (ao centro), apresentaram suas experiências de democratização da tecnologia e da informação.Vanessa Sígolo do Nesol/USP (direita da mesa) destacou o papel estratégico da cultura, da comunicação e das novas tecnologias como elementos estratégicos para a construção de uma outra economia.



VI ENCONTRO INTERNACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA do NESOL/USP
ECONOMIA SOLIDÁRIA E MODELO DE DESENVOLVIMENTO


Foi realizado nos dias 25,26 e 27 de julho, na Universidade de São Paulo a sexta edição do Econtro Internacional de Economia Solidária, com o tema Economia Solidária e modelo de Desenvolvimento. Organizado pelo NESOL- Núcleo de Economia Solidária da USP, o evento contou com diversos apoios entre eles da ITCP-USP; UNISOL e SENAES/Governo Federal.

A programação teve quatro temas principais de debates: A primeira mesa foi sobre o tema Economia Solidária e Modelo de Desenvolvimento, na segunda, Economia Solidária e Mercado; na terceira o debate foi sobre Diversidade, Mídia, arte e política: a construção da cultura na Economia Solidária e a quarta e última mesa, Planejamento Econômico e organização Comunitária. Além das mesas houveram diversos GTs para apresentação de pesquisas, trabalhos e contribuições ao tema da economia solidária e suas interfaces.

Das mesas principais destacamos duas pela riqueza de conteúdos, qualidade do debate e por instigar questões que conformam os principais eixos do debate atual da Eonomia Solidária. A mesa sobre Economia Solidária e Mercado que reuniu como debatedores o Prof. Paul Singer, secretário da SENAES; o economista João Machado; Jon Sarasua, integrante do Instituto Lanke da Universidade de Mondragón e a Mesa sobre Midia, arte e política.

Economia Solidária e mercado- Um peixe nadando em um rio poluído

O debate sobre a inserção da Economia Solidária no mercado suscitou algumas questões polêmicas. O professor Paul Singer sustentou que no atual sistema capitalista convivem outros modos de produção além da produção típica capitalista, que seriam as iniciativas econômicas de caráter solidário. O que Singer destacou foi o fato de que a produção capitalista ainda é majoritária mas, por suas características, a outra economia antagônica (a Economia Solidária) tem vantagens e condições para avançar no mercado. Em contraposição o economista João Machado defende a tese da existencia somente de um mercado e um modo de produção que é o capitalista, sendo, nesse sentido, a Economia Solidária, atualmente incapaz de constituir-se como alternativa ao sistema. A condição para isso, sustentou Machado seria que a Economia Solidária fizesse parte de um projeto mais amplo de transformação social. Nesse aspecto houve concordancia por parte do Prof. Singer que aposta em um avanço da economia solidária como projeto de transformação de baixo para cima, ou seja, construído pelos próprios trabalhadores e seus empreendimentos solidários. Na mesma linha de Singer foi a posição de Jon Sarasua, pesquisador de Mandragón. Segundo ele, a Cooperativa Mondragón passa hoje por grandes contradições, mas isso é natural em uma experiencia de 50 anos que construiu um caminho a partir da autogestão e do cooperativismo que pode ser considerada como exitosa na medida em que atingiu os objetivos que se propôs para sua comunidade.

Segundo Sarasua o tema do mercado hoje não é o tema central de Mondragón, para explicar isso utilizou, bem ao estilo basco, uma metáfora do peixe. Para ele Mondragón é como um peixe nadando em um rio poluído (que é o mercado capitalista), e a discussão atual não é a possibilidade do peixe "sair do rio", mas continuar sobrevivendo e subindo até a nascente, onde seria possível chegar e construir uma parte limpa do rio (uma nova economia), portanto, hoje o que está em pauta é como continuar nadando no rio sujo e contribuir para chegar ao rio limpo (economia solidária).

O consenso entre todos foi relativo a questão da contradição entre democracia e capitalismo, uma contradição que precisa ser resolvida, o que ainda está aberto é qual o caminho para esse processo de superação, aí entramos no campo fundamental, qual seja, o da ação e da estratégica política.

Diversidade, Midia arte e Política: a construção da cultura da Economia Solidária

Este dabete reuniu uma mesa de grande qualidade com Pablo Ortellano pesquisador da USP, especialista no tema do Software Livre; Ociel Alí Lopez, Diretor de Programação da Àvila TV de Caracas; Sérgio Vaz da Cooperifa de São Paulo e Vicente Aguiar da Coolivre- cooperativa de Tecnologias Livre da Bahia. A mesa foi coordenada por Vanessa Sígolo do Nesol/USP .

Nesse debate foi destacada a importância da comunicação, da cultura e das novas tecnologias na construção de uma outra economia. Pablo Ortellano apresentou o atual panorâma do software Livre no Brasil e no mundo, os avanços e obstáculos do software livre no mercado capitalista, no qual as grandes multinacionais começam a apropriar-se na tentativa de controlar um projeto surgido exatamente para enfrentar os monopólios da informação e das comunicações. No mesmo tema do Software Livre, Vicente Aguiar, da Coolivre, destacou o papel fundamental da tecnologia livre no processo de autonomia, emancipação e liberdade. O que somente o Software Livre possibilita para todos, ou seja, o SL rompe a lógica da propriedade privada e ao mesmo tempo possibilita a criação livre de novas tecnologias s que servem ao projeto de uma outra sociedade , democrática e livre do controle dos monopólios e cartéis privados. Ociel López da TV Ávila de Caracas destacou o papel dos meios de comunicação que enfrentam o sistema capitalista, a partir da participação da comunidade no controle, gestão e construção de informações, ou seja, a partir do protagonismo popular é possível construir uma outra comunicação para as mudanças sociais e políticas necessárias. Outro tema destacado foi o papel da cultura, a partir da apresentação da experiencia da Cooperifa, um empreendimento no campo da cultura realizado em São Paulo, que teve incio com um grupo de poetas e hoje já constituiu um processo de publicação de livros pela cooperativa.

Além das Mesas com os debates, foram realizados diversos GTs de trabalhos e pesquisas, destes GTS destacamos o GT Tecnologia e Sustentabilidade que contou com a participação da ABESOL- Associação Brasileira de Entidades de Apoio a Economia Solidária, que apresentou um trabalho coletivo denominado "Sustentabilidade e envolvimento econômico: TICs, Software Livre e economia Solidária- Uma construção em rede, elaborado por Analine Spech, Everton Rodrigues e Lucio Uberdan.



A apresentação do painel da ABESOL foi realizada por Everton Rodrigues que destacou as novas relações no mundo do trabalho protagonizadas por dois recentes movimentos: a economia solidária e o software livre. O elemento central da análise foi destacar a relação entre os princípios destas temáticas que, juntas, complementam‐se em uma rede para a superação do capitalismo, e o potencial aumento do envolvimento econômico dos(as) trabalhadores(as) através da utilização das tecnologias de informação e comunicação livres e do trabalho em rede.


Segundo Everton o debate central do tema gira em torno da nossa sociedade contemporânea que, baseada nos conceitos da economia capitalista, utiliza de forma privada, concentrando riqueza com extrema velocidade, todos os conhecimentos disponíveis, frutos do trabalho dos(as) trabalhadores(as). O resultado é uma sociedade consumista com milhões de pessoas sem trabalho, um aumento gradativo da violência e uma acelaração da degradação ambiental, cenário que muitos ainda defendem como de desenvolvimento.

O Software Livre e a Economia Solidária constituem hoje , portanto, a possibilidade de superar essa visão insustentável de desenvolvimento capitalista concetrador e excludente e construir um outro modelo, que seja realmente democrático e fundamentalmente possibilite um processo concreto de emancipação social.

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