quinta-feira, 24 de julho de 2008

Panteras Negras



Em tempos de Barack Obama, cujo horizonte político se limita a integração subordinada a ideologia conservadora branca dominante do partido democrata, nada melhor do que recordar a mais significativa experiencia de organização política de esquerda dos negros norte-americanos. O Partido dos Panteras Negras, criado na segunda metade dos anos 60, deixou como legado importante de sua breve existência, o exemplo de coragem de jovens militantes que ousaram organizar-se para lutar pela libertação de seu povo que , ainda hoje permanecem oprimidos pela elite branca.

O texto que traduzimos para o portugues é de autoria de Francisco Garcia Cediel e foi publicado primeiramente em kaos en la red

Panteras Negras
Breve historia dos Panteras Negras.
Francisco García Cediel

“El descubrimiento de las comarcas de oro y plata en América,el exterminio, esclavización y sepultamiento en las minas de la población aborigen, la conquista y el saqueo de las Indias Orientales,la conversión del Continente Africano en un coto reservado para la caza comercial de esclavos negros, caracterizan los albores de la era de producción capitalista”
Kart Marx (La Génesis del Capital)

Malcolm X morre m 1965, sendo a evolução do seu pensamento no ultimo ano de sua vida o que sem duvida propicia seu assassinato, advogando nesse período por um nacionalismo negro como pré-condição para constituir uma sociedade “ sobre a base da igualdade” (entrevista concedidaem 19 de janeiro de 1965, um mês antes de sua morte)

O Partido dos Panteras Negras é fundado em Oakland ( Califórnia), em outubro de 1966, dois jovens nacionalistas negros, Huey P. Newton, que tinha então 25 anos e Bobby Seale, cinco anos mais velho. A mente guiadora e a personalidade dominante era de Newton, filho de uma família numerosa que ele definia como de “classe baixa, classe trabalhadora”.

A princípio os Panteras Negras pareciam pouco mais que outra organização de grupos locais de nacionalistas negros, constituídos por conta própria nos guetos urbanos, que proliferaram em diversas partes. Mas o que lhes deu mais publicidade foram suas patrulhas armadas que abriam caminho pelas ruas de Oakland.

A princípios de 1967 se une a organização de Eldridge Cleaver, antigo companheiro de Malcolm X. Por motivo de um enfrentamento armado em outubro de 1967, em que morre um policial, Newton é condenado a 15 anos de prisão.

Desde este singular começo, os Panteras Negras se convertem em um formidável movimento político, que em seus primeiros anos de existência haviam fundado umas 30 organizações locais e podiam ter chegado a ter uns 5.000 militantes, ainda que este número se reduziu sensivelmente no final de 1969 em conseqüência de perseguição policial.

A ideologia dos Panteras Negras era uma amálgama de nacionalismo e um marxismo-leninismo muito peculiar. O primeiro ponto de seu programa de fundação de dez pontos, adotado em outubro de 1966, diz assim: “ Queremos a liberdade. Queremos poder decidir o destino da comunidade negra”

Outros pontos exigem o pleno emprego, a educação a libertação de todos os presos negros de todas as prisões.

O décimo ponto, o mais nacionalista, advoga por um plebiscito supervisionado pela ONU em que somente participem os cidadãos negros, para determinar o futuro da comunidade negra no que diz respeito a seu destino nacional, mas não determina o que aconteceria se a colônia negra decidisse majritariamente dissolver os vínculos políticos que o ligam aos Estados Unidos.

Mas, além de um manifesto de fundação, os principipios ideológicos da Organização se manifestam nas páginas do seu órgão Oficial; The Black Panther, semanário de Bekerley, em cujos primeiros editoriais, redigidos por Newton antes de sua prisão, se mostra a influencia de Fanos, Malcolm X, Mao TSE-Tung e Fidel Castro.

Para Newton a “ Colonia negra de Afroamérica” tem uma missão única e mundial: “ O povo negro da América do Norte é o único que pode libertar o mundo, livrar-se do jugo do colonialismo e destruir a maquina de guerra”. Nenhum outro país pode destruir esse “ monstro” enquanto essa máquina siga funcionando, “ mas o povo negro pode fazer, desde dentro, que funcione mal”. A guerra de guerrilhas (guerrilhas urbanas) é o método tático de ação, para instar as massas com seu exemplo de resistência geral.

Desde 1967, a ideologia dos Panteras Negras é um hibrido de nacionalismo negro e revolucionário e o que já é um velho amigo seu: o marxismo-leninismo. Como resultado de tal mistura não se parece a nenhum outro nacionalismo negro nem a nenhum outro marxismo-leninismo. Por exemplo, pela importância que lhe dá ao papel do lúmpem-proletariado, a quem considera que pode incorporar na luta.

Uma declaração do Chefe do Estado Maior David Hiliard levava o título de “ Disciplina lúmpem-proletaria frente ao reacionarismo burguês” (The Black Panther, 9 de agosto de 1969)
Essa amálgama peculiar de fragmentos de Frantz Fanon, Malcolm X, Mao Tse-Tung, Ernesto Che Guevara e outros é caracterísitico de um movimento que surgindo do nacionalismo negro entra no campo do marxismo.

Assim George Murria diz “ Nosso pensamento se inspira em Che Guevara, Malcolm X, Lumumba, Ho Chi Minh e Mao Tse- Tung” ( The Black Panther, 12 de outubro de 1968)
Huey P. Newton diz: “ O irmão Mao tem dito muito bem e seguiremos os pensamentos do Comandante Mao”(The Black Panther, 5 de março de 1969).

O Marechal de Campo Don Cox diz: “ E aprendemos de todas as pessoas que mantiveram no alto a luz antes: Marx, Lênin, Stalin, Mao, Fidel, Che, Lumumba e Malcolm. E aprendemos de todos aqueles que agora mantém a luz no alto: Ho Chi Minh, eses irmãos e irmãs do Al Fatah, essas guerrilhas palestinas, esses camaradas em armas da Ásia e América Latina” (The Black Panther, 20 de abril de 1969).

Com independencia das contradições intrínsecas de tal mistura, o que caracteriza os Panteras Negras é sua inquestionável vontade revolucionária.

Organicamente o partido mostra também uma composição híbrida. Está encabeçado por um Comitê Central, termo usado tradicionalmente pelo movimento comunista, mas o número um dos Panteras é o “ministro de defesa” Huey P. Newton, na idéia de que a direção máxima tem que residir no comando militar, que simultaneamente desempenha o papel de Chefe Político ( tese de Régis Debray)

Na prática, encontrando –se Newton na prisão e Cleaver ( ministro de informação) no exílio, os dois líderes principais são o Chairman Seale e Hiliard ( um ex carregador de nomeado Chefe do Estado Maior)

O mais determinante na vertente nacionalista de sua ideologia é o concernente a libertação nacional, que parte do rechaço enérgico e frontal a idéia mitológica do retorno a África, que havia sido um lugar comum do nacionalismo negro norte-americano, e que eles chamam “nacionalismo cultural”, advogando pela libertação de e no território dos Estados Unidos.

O lado nacionalista dos Panteras Negras faz que se destaque a unidade negra, sendo que o lado marxista-leninista os faz abordar uma revolução social, tanto para brancos como para negros.
Ao contrário de outros grupos nacionalistas, os Panteras Negras não acreditam que a “ colônia negra” pode libertar-se por si mesma. Se dão conta de que não podiam destruir o capitalismo e instaurar o socialismo na comunidade negra sem fazer o próprio na comunidade branca.

Como dizia uma declaração programática: “Tem que haver uma revolução no pais materno branco, dirigida por radicais brancos e brancos pobres, e uma libertação nacional no mundo negro, terceiro mundo colonial aqui, na América do Norte. Não podemos triunfar na colônia sozihos, porque seria como cortar um de do de uma mão. Esta seguiria funcionando. Entenderam? Não, para vencer o monstro há que vencê-lo em sua totalidade”.

Isto sugere que os Panteras Negras consideram que a revolução nacionalista negra tem que ser parte, o se preferem, há de ir acompanhada de uma revolução social branca mais ampla.
A este respeito no verão de 1969 Newton escreve: “ O Partido dos Panteras Negras é o partido do povo. Estamos fundamentalmente interessados em uma coisa, em libertar a todo o povo de todoas as formas de escravidão, com o fim de que cada homem seja seu próprio dono”, e apostava: “ Todos os membros da classe trabalhadora devem apoderar-se dos meios de produção. Aqui, naturalmente, se inclui o povo negro”.

Em linha com essa tese em julio de 1969 patrocinam uma “ Conferencia Nacional em Prol da uma Frente única contra o Fascismo” em Oakland ( Califórnia), do qual saíram comitês locais para combater o fascismo. Pois, bem, em 90% dos assistentes na citada Conferência eram brancos. Mais ainda, o Comandante Seale advogou pela criação de uma Frente de Libertação Norte-americana composta por todos os povos desta nação, até a construção de um partido novo “ O novo partido dos Trabalhadores, ou como queiram chamá-lo”

Esta aposta estratégica influi decisivamente na demissão de Stokely Camichael, que acusa o partido de contribuir com a “ submissão dos negros aos brancos por sua aliança com radicais brancos” (The New York Times, 4 de julio de 1969).

Em agosto de 1969, o lider máximo dos Panteras Negras, Newton, se refere a população negra da América do Norte como “minoria nacional” e, diferencialmente, como uma “minoria étnica”, defendendo a inviabilidade de uma América do Norte negra segregada formada por 5 ou 6 Estados, vizinha de um resto de Estados Unidos capitalista e imperialista.

Em certo modo e com suas contradições, os Panteras herdaram o legado ambíguo de Malcolm X, avançando na direção de uma revolução social mais que uma revolução puramente nacionalista. Ao somar o socialismo ao nacionalismo tiveram que ampliar seus horizontes fazendo aproximações com os brancos em forma de aliança ou coalizão.

Chegados a este ponto temos de reflexionar a cerca da importância de como valorizar na Europa de 2008 uma experiência como a dos Panteras Negras nos anos 60 do século passado na América do Norte. Mais além das evidentes diferenças, derivadas das circunstancias de que brancos e negros foram a América do Norte em condições muito diferentes, ainda que ambos coletivos estavam ali respondendo a necessidades produtivas de expansão e acumulação capitalistas, temos de convir que o caráter crescentemente multicultural e multirracial da Europa gera problemas e tenções que atravessam o étnico e o social.

As chamadas revoltas dos suburbios da França faz poucos anos é um fenômeno que deve nos fazer meditar sobre taes questões. Se a ele unimos a lúmpem-peoletarização de um setor da população, derivada da estrutura social capitalista de nosso entorno geográfico e temporal, unido a uma crise econômica que segundo a maioria dos analistas tão somente acaba de começar, que instala na marginalidade um setor não só mas fundamentalmente imigrante, talvez devemos analisar como impulsar a transformação social unindo velhas e novas contradições.

2 comentários:

lotto winners disse...

Yugs, daw nabasahan ko naman ni sa iban nga blog?

Renato disse...

Interessante!
Quais são as fontes das citações?