domingo, 20 de julho de 2008

Allende: A audácia lhe custou a vida, mas deu o exemplo do que é ser revolucionário


Nesse período que vivemos em nuestra América Latina, de transformações, reformismos, progressismos, novos enfrentamentos, retrocessos, ofensivas fascistas, nunca é demais lembrar exemplos de coerência, princípios, coragem e o que Fidel destacou como elemento fundamental de qualquer processo revolucionário, qual seja, a audácia.
Salvador Allende, assim como Fidel, Che, Marulanda, se destacaram pela audácia, por remar contra a corrente dominante, sem medo, sem pensar nos custos de suas escolhas e caminhos orientados por principios. Parece que hoje, quando se fala em uma "nova esquerda" no continente, o que falta são doses maiores de audácia e coragem por parte daqueles que estão na vanguarda dos processos de transformação, a consequência disso é o acomodamento ao pragmatismo do possível, que é ditado por uma correlação de forças desigual.
Os limites de ocupação de espaços de poder, que não é o poder concreto, que está em outras esferas, coloca como necessidade audácia e mais audácia, para enfrentar essa realidade e reverter o quadro desfavorável, utilizando os instrumentos do estado burgues para destruí-lo e não, como fazem alguns, mantê-lo com a ilusão de que serve para as mudanças. Por que assim, a história mostra que se está jogando no campo do adversário. Audácia nesse sentido é construir contra-poder, democratizar o poder, a economia, a sociedade, porque a radicalização da democracia é revolucionária, empoderar "os de baixo", criando um contra-poder é a única ação audaciosa que poucos tem coragem de construir.

Recebi este texto que publicamos abaixo do nosso camarada Luciano Lima, lá de Pelotas, camarada marxista "dos quatro costados" como se diz no Rio Grande.
O texto de Fidel em homenagem a Allende nos mostra que as mudanças concretas quando estão em processo requerem audácia, sempre audácia, o que infelizmente tem faltado a todos nós.



Allende, um exemplo que perdura
Fidel Castro


Nasceu há cem anos em Valparaíso, ao sul do Chile, em 26 de junho de 1908. Seu pai, de classe média, advogado e tabelião, militava no Partido Radical chileno. Quando eu nasci, Allende tinha 18 anos. Realiza seu ensino médio em um liceu da cidade natal. Em seus anos de estudante pré-universitário, um velho anarquista italiano, Juan Demarchi, o põe em contato com os livros de Marx.

Gradua-se como aluno excelente. Gosta de esporte e o pratica. Entra como voluntário no serviço militar no Regimento Coraceros de Viña del Mar. Solicita transferência para ao Regimento Lanceros de Tacna, um enclave chileno no norte seco e semi-desértico, posteriormente devolvido ao Peru. Ingressa como oficial da reserva do Exército. O faz já como homem de idéias socialistas e marxistas. Não se tratava de um jovem brando e sem caráter. Era como se adivinhasse que um dia combateria até a morte defendendo as convicções que já começavam a se formar em sua mente.

Decide estudar o nobre curso de Medicina na Universidade do Chile. Organiza um grupo de companheiros que se reúne periodicamente para ler e discutir sobre o marxismo. Funda o Grupo Avanço em 1929. É eleito vice-presidente da Federação dos Estudantes do Chile em 1930 e participa ativamente na luta contra a ditadura de Carlos Ibáñez.

Já se havia desatado a grande depressão econômica nos Estados Unidos, com a crise da Bolsa de Valores que estourou em 1929. Cuba entrava na luta contra a tirania machadista. Mella havia sido assassinado. Os operários e os estudantes cubanos enfrentavam a repressão. Os comunistas, com Martínez Villena à frente, deslanchavam greve geral. "Faz falta uma carga para matar safados, para terminar a obra das revoluções..." - havia proclamado em vibrante poema. Guiteras, de profunda raiz antiimperialista, tenta derrubar a tirania com as armas. Cai Machado, que não pôde resistir à força da nação, e surge uma revolução que os Estados Unidos, em poucos meses, com luvas de seda e mão de ferro, esmagam, e seu domínio absoluto perdura até 1959.
Durante esse período, Salvador Allende, em um país onde a dominação imperialista era exercida brutalmente sobre seus trabalhadores, sua cultura e suas riquezas naturais, leva ao cabo uma luta conseqüente que nunca o afastou de sua irrepreensível conduta revolucionária.
Em 1933, forma-se como médico. Participa da fundação do Partido Socialista do Chile. É já dirigente, em 1935, da Associação Médica Chilena. É preso durante quase seis meses. Impulsiona o esforço para criar a Frente Popular, e o elegem secretário-geral adjunto do Partido Socialista, em 1936.

Em setembro de 1939 assume o Ministério da Saúde no governo da Frente Popular. Publica um livro sobre medicina social. Organiza a primeira Exposição da Moradia. Participa em 1941 da reunião anual da Associação Médica Americana, nos Estados Unidos. Passa a ser, em 1942, secretário-geral do Partido Socialista do Chile. Vota no Senado, em 1947, contra a Lei de Defesa Permanente da Democracia, conhecida como "Lei Maldita" por seu caráter repressivo. Em 1949, passa a ser presidente do Colégio Médico.

Em 1952, a Frente do Povo o postula para presidente. Tinha então 44 anos. Perde. Apresenta no Senado um projeto de lei para a nacionalização do cobre. Viaja à França, Itália, União Soviética e República Popular da China, em 1954.

Quatro anos depois, em 1958, é proclamado candidato à Presidência da República pela Frente de Ação Popular, constituída pela União Socialista Popular, o Partido Socialista do Chile e o Partido Comunista. Perde a eleição para o conservador Jorge Alessandri.

Assiste, em 1959, à tomada de posse de Rómulo Betancourt como presidente da Venezuela, considerado até então como uma figura revolucionária de esquerda.
Viaja nesse mesmo ano a Havana e se encontra com o Che e comigo. Apóia, em 1960, os mineiros do carvão, que paralisam seu trabalho durante mais de três meses.
Denuncia, com o Che, em 1961, o caráter demagógico da Aliança para o Progresso na reunião da OEA, que aconteceu em Punta del Este, Uruguai.

Designado de novo candidato à Presidência, é derrotado, em 1964, por Eduardo Frei Montalva, democrata-cristão que contou com todos os recursos das classes dominantes e que, segundo dados revelados em documentos tornados públicos no Senado dos Estados Unidos, recebeu dinheiro da CIA para sua campanha. Em seu governo, o imperialismo tratou de desenhar o que se chamou a "Revolução em Liberdade", como resposta ideológica à Revolução Cubana. O que gerou foram os fundamentos da tirania fascista. Nessa eleição, Allende obtém, no entanto, mais de um milhão de votos.

Lidera em 1966 a delegação que assiste à Conferência Tricontinental de Havana. Visita a União Soviética no 50° aniversário da Revolução de Outubro. No ano seguinte, 1968, visita a República Democrática da Coréia, a República Democrática do Vietnã, onde tem a satisfação de conhecer e conversar com o extraordinário dirigente desse país, Ho Chi Minh. Inclui nesse mesmo percurso o Camboja e Laos, em plena efervescência revolucionária.
Depois da morte do Che, acompanha pessoalmente até o Taiti três cubanos da guerrilha na Bolívia, que sobreviveram à queda do Guerrilheiro Heróico e se encontravam já em território chileno.
ATENTADO

A Unidade Popular, coalizão política integrada por comunistas, socialistas, radicais, MAPU, PADENA e Ação Popular Independente, proclama-o seu candidato em 22 de janeiro de 1970, e triunfa nas eleições, ocorridas em 4 de setembro.
É um exemplo verdadeiramente clássico da luta por vias pacíficas para estabelecer o socialismo.
O governo dos Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, após o triunfo eleitoral, entra em ação imediatamente. O comandante-em-chefe do Exército chileno, general René Schneider, é vítima de um atentado em 22 de outubro e falece três dias depois, porque não se submetia à exigência imperialista de um golpe de Estado. Fracassa a tentativa de impedir a chegada da Unidade Popular ao governo.
Allende assume legalmente, com toda a dignidade, o cargo de presidente do Chile em 3 de novembro de 1970. Começa no governo sua heróica batalha pelas mudanças, enfrentando o fascismo. Tinha já 62 anos de idade. Coube-me a honra de ter compartilhado com ele 14 anos de luta antiimperialista desde o triunfo da Revolução Cubana.

Nas eleições municipais de março do ano de 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos com 50,86%. Em 11 de julho, o presidente Allende promulga a Lei de Nacionalização do Cobre, uma idéia que tinha proposto ao Senado 19 anos antes. Foi aprovada por unanimidade no Congresso. Ninguém se atrevia a objetá-la.

Em 1972, denuncia na Assembléia Geral das Nações Unidas a agressão internacional da qual seu país é vítima. É ovacionado em pé durante longos minutos. Visita nesse mesmo ano a União Soviética, México, Colômbia e Cuba.

Em 1973, ao se realizarem as eleições parlamentares de março, a Unidade Popular obtém 45% dos votos e aumenta sua representação parlamentar.
Não podem prosperar as medidas promovidas pelos ianques nas duas Câmaras para destituir o presidente.

O imperialismo e a direita intensificam uma luta sem tréguas contra o governo da Unidade Popular e desatam o terrorismo no país.
Escrevi-lhe seis cartas confidenciais à mão, entre os anos de 1971 e 1973, nas quais abordava temas de interesse com a maior discrição.

Em 21 de maio de 1971 lhe dizia:
"... Estamos maravilhados com seu extraordinário esforço e suas energias sem limites para sustentar e consolidar o triunfo. Daqui, se pode apreciar que o poder popular ganha espaço apesar de sua difícil e complexa missão. As eleições de 4 de Abril constituíram uma esplêndida e alentadora vitória. Foram fundamentais seu valor e decisão, sua energia mental e física para levar adiante o processo revolucionário".
Em 11 de setembro de 1971, lhe escrevi:

"O portador viaja para tratar com você os detalhes da visita. Tenho procurado pensar exclusivamente naquilo que possa ser de interesse político sem me preocupar muito com o ritmo ou a intensidade do trabalho, mas tudo, em absoluto, fica submetido a seus critérios e considerações. Desfrutamos muito os êxitos extraordinários de sua viagem ao Equador, Colômbia e Peru. Quando teremos em Cuba a oportunidade de competir com equatorianos, colombianos e peruanos quanto ao enorme carinho e calor com que o receberam?"

Naquela viagem, salvei milagrosamente a vida. Percorri dezenas de quilômetros diante de uma multidão enorme, situada ao longo do caminho. A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos organizou três ações para garantir meu assassinato durante essa viagem. Numa entrevista de imprensa anunciada com antecedência, havia uma câmera fornecida por uma emissora de TV da Venezuela, equipada com armas automáticas, manejada por mercenários cubanos que, com documentos desse país, tinham entrado no Chile. A coragem falhou aos que apenas tinham que apertar o gatilho durante o longo tempo que durou a entrevista e as câmeras me focalizaram. Não queriam correr o risco de morrer. Haviam-me perseguido, ademais, por todo o Chile, onde não voltaram a me ter tão perto e vulnerável. Só pude conhecer os detalhes da covarde ação anos mais tarde. Os serviços especiais dos Estados Unidos haviam chegado mais longe do que podíamos imaginar.
Em 4 de fevereiro de 1972 escrevi a Salvador:

"A delegação militar foi recebida com o maior esmero por todos aqui. As Forças Armadas Revolucionárias dedicaram praticamente todo seu tempo durante esses dias a atendê-la. Os encontros foram amistosos e humanos. O programa, intenso e variado. Minha impressão é que a viagem foi positiva e útil, que existe a possibilidade e é conveniente continuar desenvolvendo estes intercâmbios. Com Ariel falei sobre a idéia de sua viagem. Compreendo perfeitamente que o trabalho intenso e o tom da luta política nas últimas semanas não lhe tenham permitido considerá-la para a data aproximada que mencionamos. É indubitável que não tínhamos levado em conta estas eventualidades. Por minha parte, naquele dia, na véspera de meu regresso, quando jantávamos já de madrugada em sua casa, diante da falta de tempo e da urgência das horas, tranqüilizava-me pensar que logo voltaríamos a nos encontrar em Cuba, onde íamos dispor da possibilidade de conversar extensamente. Tenho, não obstante, a esperança de que você possa levar em consideração a visita antes de maio. Menciono este mês porque, no mais tardar, em meados desse mês, tenho que fazer a viagem, já inadiável, à Argélia, Guiné, Bulgária, outros países e à URSS. Esta ampla visita me tomará considerável tempo. Agradeço-lhe muito as impressões que me dá sobre a situação. Aqui, cada dia mais familiarizados, interessados e envolvidos afetivamente com o processo chileno, acompanhamos com muita atenção as notícias que chegam de lá. Agora podemos compreender melhor o calor e a paixão que suscitou a Revolução Cubana nos primeiros tempos. Poderia dizer-se que estamos vivendo nossa própria experiência ao inverso. Em sua carta posso apreciar a magnífica disposição de ânimo, serenidade e valor com que você está disposto a enfrentar as dificuldades. E isso é fundamental em qualquer processo revolucionário, especialmente quando se desenvolve nas condições sumamente complexas e difíceis do Chile. Eu voltei com uma extraordinária impressão da qualidade moral, cultural e humana do Povo Chileno e de sua notável vocação patriótica e revolucionária. Cabe a você o singular privilégio de ser seu condutor neste momento decisivo da história do Chile e da América, como culminação de toda uma vida de luta, como o disse no estádio, consagrada à causa da revolução e do socialismo. Nenhum obstáculo pode ser invencível. Alguém disse que em uma revolução se marcha adiante com 'audácia, audácia e mais audácia'. Eu estou convencido da profunda verdade que encerra este axioma".
COOPERAÇÃO
Escrevi de novo ao presidente Allende em 6 de setembro de 1972:

"Mandei-lhe através de Beatriz uma mensagem sobre diferentes tópicos. Depois que ela partiu e por motivo das notícias que estiveram chegando na semana passada, decidimos enviar o companheiro Osmany para ratificar nossa disposição de colaborar em qualquer sentido, e ao mesmo tempo para que você possa nos comunicar, através dele, sua avaliação da situação e suas idéias em relação à viagem projetada a este e outros países. Os pontos propostos por você, através de Beatriz, já estão sendo cumpridos... Apesar de compreendermos as atuais dificuldades do processo chileno, esperamos que vocês achem o modo de vencê-las. Pode contar inteiramente com nossa cooperação. Receba uma saudação fraternal e revolucionária de todos nós".
Em 30 de junho de 1973, enviamos um convite oficial ao presidente Salvador Allende e aos partidos da Unidade Popular para a comemoração do 20º aniversário do ataque ao Quartel Moncada.
Em carta à parte, lhe disse:
"Salvador:
"O formidável seria que você pudesse vir a Cuba nessa data. Pode imaginar o que significaria isso em alegria, satisfação e honra para os cubanos. Sei que isso, no entanto, depende mais que nada dos seus trabalhos e da situação. Deixamos isso, portanto, à sua consideração. Ainda estamos sob o impacto da grande vitória revolucionária do dia 29 e do seu brilhante papel pessoal nos acontecimentos. É natural que muitas dificuldades e obstáculos existirão, mas estou certo de que esta primeira prova bem-sucedida lhes dará grande fôlego e consolidará a confiança do povo. Internacionalmente deu-se grande destaque aos acontecimentos e aprecia-se como um grande triunfo. Atuando como o fez em 29, a revolução chilena sairá vitoriosa a qualquer prova por mais dura que seja. Reitero-te que os cubanos estão a seu lado e que pode contar com seus fiéis amigos de sempre".
FIRMEZA E HONRA
Em 29 de julho de 1973, envio-lhe a última carta:
"Querido Salvador:
"... Vejo que agora estão com a delicada questão do diálogo com a D.C. em meio a acontecimentos graves como o brutal assassinato do seu assessor naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino, por isso, a grande tensão existente e o seus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para que, caso se desencadeie a luta e, se possível, achar um caminho que permita levar para frente o processo revolucionário sem guerra civil. Estes são propósitos louváveis. Mas, se a outra parte, cujas intenções reais não estamos em condições de avaliar aqui, se empenhasse numa política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de ser pago pela Unidade Popular e pela Revolução, o que é, inclusive, bastante provável, não esqueça um só segundo a formidável força da classe operária chilena e o respaldo enérgico que lhe deu em todos os momentos difíceis; ela pode, a seu apelo à Revolução em perigo, paralisar os golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir, de uma vez, se for preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber que ela está em alerta e pronta para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na capital a seu favor, ainda que outras circunstâncias sejam desfavoráveis.
"Sua decisão de defender o processo com firmeza e honra ao preço de sua própria vida, que todos sabem que é capaz de cumprir, arrastará para seu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Seu valor, sua serenidade e sua audácia nesta hora histórica de sua pátria e, sobretudo, sua liderança firme, resoluta e heroicamente exercida, constituem a chave da situação.
"Reitero-lhe o carinho e a infinita confiança do nosso povo".

Escrevi isto um mês e meio antes do golpe. Os emissários eram Carlos Rafael Rodríguez e Manuel Piñeiro.

Pinochet conversou com Carlos Rafael. Tinha simulado lealdade e firmeza similares às do general Carlos Pratts, comandante-em-chefe do Exército durante um tempo do mandato do governo da Unidade Popular, um militar digno que a oligarquia e o imperialismo puseram em total crise, obrigando-o a renunciar ao comando, e foi mais tarde assassinado na Argentina pelos sicários da DINA, após o golpe fascista de 1973.

Eu desconfiei de Pinochet assim que li os livros de geopolítica que me presenteou durante minha visita ao Chile e observei seu estilo, suas declarações e os métodos que, como chefe do Exército, aplicava quando as provocações da direita obrigaram o presidente Allende a decretar Estado de Sítio em Santiago do Chile. Lembrava o que Marx advertiu no 18 Brumário.

Muitos chefes militares do exército nas regiões e seus estados-maiores queriam conversar comigo, aonde quer que chegasse, e mostravam notável interesse pelos temas de nossa guerra de libertação e as experiências da Crise dos Mísseis em outubro de 1962. As reuniões duravam horas nas madrugadas, que era o único tempo livre para mim. Eu acedia para ajudar Allende, incutindo-lhes a idéia de que o socialismo não era inimigo dos institutos armados. Pinochet, como chefe militar, não foi uma exceção. Allende considerava úteis estes encontros.
Em 11 de setembro de 1973, morre heroicamente defendendo o Palácio de La Moneda. Combateu como um leão até o último fôlego.

Os revolucionários que ali resistiram à investida fascista contaram coisas fabulosas sobre os momentos finais. As versões nem sempre coincidiam, porque lutavam de diferentes pontos do Palácio. Ademais, alguns de seus mais próximos colaboradores morreram ou foram assassinados após o duro e desigual combate.

A diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que os últimos disparos os fez contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros que sua morte se deu por fogo inimigo. O Palácio ardia atacado por tanques e aviões para consumar um golpe que consideravam trâmite fácil e sem resistência. Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever. Em nossas guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair prisioneiros.

Hoje se completa um século de seu nascimento. Seu exemplo permanecerá.
Fidel Castro

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