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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Enquanto isso no extremo sul do Brasil


O "novo jeito" da governadora do Rio Grande do Sul tratar com os movimentos sociais

Repressão contra trabalhadores: Pior que isso só nos 20 anos de ditadura


Governo Yeda: Corrupção e Violencia do Estado contra os trabalhadores



"Corrupção e repressão da Direita no Estado que foi berço do FSM"





Analine Specht- Direto de Porto Alegre/RS-Brasil






O Rio Grande do Sul, estado que de 1998 a 2002 foi referência para a esquerda mundial com as experiências de participação popular e organização do primeiro Fórum Social Mundial, vive hoje o triste quadro de retrocesso político, marcado pela corrupção, violência policial, repressão e criminalização dos movimentos sociais.
O extremo sul do Brasil assisti há maior crise ética e política da história do Estado do Rio Grande do Sul. Denúncias e comprovações de desvio de recursos públicos para financiamento de campanhas e compras de casas estremecem a oligarquia política de extrema direita que atualmente ocupa o governo Estadual. Tivemos apenas um intervalo entre 1998 e 2002 em que o Governo Democrático Popular ascendeu ao poder e promoveu entre outras políticas o simbólico Orçamento Participativo (OP) e que, articulado aos movimentos internacionais trouxe o Fórum Social Mundial para Porto Alegre. O governo Olívio Dutra representou um marco histórico para os gaúchos e gaúchas que continuam indo às ruas e lutando diariamente contra o neoliberalismo e o grande capital.

A partir de uma aliança das oligarquias políticas, que dominaram a política do Estado com o monopólio das comunicações , os grandes empresários e latifundiários, nas últimas eleições de 2006 venceu novamente a elite da direita conservadora, materializada na (des)governadora Yeda Crusius do Partido da Social Democracia Brasileiro (PSDB). Acreditem a nobre candidata venceu as eleições apenas com o simples discurso do “Novo jeito de governar” nada mais além desta frase... esvaziada de qualquer sentido, concepção ou programa político....
Esse pseudo governo de 1 ano e 6 meses foi marcado pela política de redução do estado, pelo desmonte das políticas sociais, pela ostensiva entrada de empresas multinacionais de “reflorestamento”, por inúmeras denúncias de corrupção, brigas entre a base aliada, governadora e vice governador em plena guerra de egos e de linha política, e fortemente a grande marca do período é a grande repressão e violência policial aos movimentos sociais, sindicatos, estudantes etc.

Vivemos e assistimos a boa e velha luta de classes em tempos da tão falada pós-modernidade....
Os fatos que chegaram ao pedido formal de impedimento da governadora e a uma possível nova eleição foram investigados e descobertos pela Polícia Federal através da operação Rodin e da Comissão Parlamentar de Inquéritos (CPI), ambas criadas para apurarem as denúncias de desvio de dinheiro do Departamento Estadual de Trânsito do RS (DETRAN/RS). Um forte e articulado esquema de terceirização e subcontratação de fundações e empresas fantasmas ligadas entre si por laços familiares e políticos basicamente entre os partidos PP e PSDB. O PP é um histórico partido de extrema direita e conservadorismo do Brasil, representa a elite branca, rural, falida e decadente. O Ministério Público do RS e a CPI do DETRAN apontam que o montante desviado pode ser superior aos R$ 44 milhões de reais apurados até agora.

A crise política se alastra para além dos desvios de recursos no DETRAN, chegando na última semana à cúpula do poder, ao gabinete da governadora o que levou a queda de 5 secretários de estado, tidos como pessoas de “confiança” de Yeda Crusius. Uma gravação feita pelo vice-governador Paulo Feijó (empresário) revelou que o “grande articulador político e responsável pela manutenção da base aliada”, chefe da Casa Civil César Busatto sabia de todo o esquema e numa tentativa frustrada de jogar pra debaixo do tapete toda a lama acabou por expor toda a falcatrua e golpes da direita gaúcha.

A questão agora é quem sabia o que, a governadora sabia do esquema?? a governadora se locupletou também dos recursos desviados, tanto para sua campanha como para a aquisição de sua bela e caríssima casa?? Os fatos indicam que sim, pois a Sra. Yeda Crusis após um longo silêncio acerca das acusações viu-se obrigada a se pronunciar e tomar algumas medidas. Informamos que de nada adiantaram as declarações da Sra. Yeda, pois ela não consegue proferir uma única frase com algum sentido e/ou nexo lógicos. A ilustre governadora do RS tem demonstrado a cada dia que passa toda a sua incompetência e inabilidade política, assim como toda a sua matriz preconceituosa, conservadora, machista, elitista e falta de noção de conjuntura.
Yeda Crusis atribuiu toda a crise política a ação da Polícia Federal e a mobilização dos movimentos sociais, detalhe importante ela apenas vomita frases ao vento, não entra no mérito dos fatos que ela mesma apresenta... compreensível pois sabemos das limitações intelectuais da ilustre governadora.

É importante destacar que desde a última semana intensificaram-se as mobilizações dos movimentos sociais, sindical, estudantil e de partidos políticos de oposição pedindo em alto e bom som o engasgado Fora Yeda!! Quer dizer nem tão alto e bom som assim, pois a Sra. Yeda tem ao seu lado nessa disputa a Brigada Militar e o Cel. Mendes (o Capitão Nascimento do RS) que comanda a Tropa de Elite guasca e promove violentos embates entre militantes e a polícia.
Na manhã de hoje Porto Alegre assistiu a mais uma brutal e truculenta ação da polícia do RS. Militantes, trabalhadores e trabalhadoras do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM) chegavam à capital e se preparavam para um ato político contra a corrupção no estado quando foram surpreendidos por um forte aparato policial que os vigiava e intimidava.
A Polícia gaúcha que tem ordem da própria governadora para reprimir quaisquer manifestações contra o seu governo não hesitou em promover o embate e lançar bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra os/as militantes. 17 pessoas foram feridas e outras 17 foram presas e encaminhadas ao presídio central de Porto Alegre. A marcha que pretendia chegar ao Palácio Piratini, hoje apenas símbolo do governo gaúcho, ficou na metade do caminho após dois momentos de confronto com a polícia. As imagens acima falam por si só....

Vivemos tempos de ditadura em que a liberdade de expressão só é garantida para a grande imprensa golpista que sustenta e dá voz a velha oligarquia brasileira e gaúcha.
O Rio Grande do Sul está sendo palco e materialidade da luta de classes polarizada pela marginalização e criminalização dos movimentos sociais e uso da força para garantir a manutenção do poder para a elite da direita neoliberal. Essa mesma direita que há 2 décadas e meia atrás compunha o período mais sangrento, repressivo e ostensivo da história do Brasil, a Ditadura Militar.
O Rio Grande do Sul que já foi o berço da esquerda mundial é hoje a capital da corrupção e da repressão policial. O vermelho das bandeiras dos movimentos sociais foi substituído pelo sangue dos militantes trabalhadores e trabalhadoras que todos os dias corre pelas ruas da cidade e é mascarado pela grande imprensa.

fotos: blog Diario Gauche e RS Urgente

3 comentários:

berto disse...

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Lucio Uberdan disse...

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